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Plano de Aula 5 e 6

Fechamento do Plano de Aula 4 (Código Criminal do Império


de1830) – Plano de Aula 5 (Período Regencial) - Plano de Aula 6
(Segundo Reinado – Monarquia Parlamentarista)

Profª Cristina Vieira


Influência: Ideais Iluministas e o pensamento de
Código Criminal Imperial de Césare Beccaria materializado na obra Dos Delitos e
1830 Das Penas (1764). Propositura: Princípio em matéria
de justiça penal - a proteção da liberdade individual
contra o arbítrio judiciário.
Princípio basilar – passa-se a respeitar o princípio da nullum crimen, nulla poena sine lege
– no âmbito do Direito Penal é o corolário do princípio da legalidade → “ Não haverá crime
ou delito sem uma lei que o qualifique”.
Revoga-se os dispositivos penais fundamentados nas Ordenações do Reino – Ordenações
Filipinas – Livro V – no que tange aplicação de penas infamantes e cruéis, tais como
torturas, açoites ou marcações com ferro quente – exceção: escravos (art. 60 – incorrer em
pena que não seja de morte ou de galés, será condenado à de açoites).
Uma das maiores discussões em torno da elaboração do Código Criminal residiu na
penalização dos crimes: Previsão da pena de morte (art. 38) – será dada na forca. Pena de
galés (art. 44) – trabalhos público na Província onde o réu cometeu o delito. Prisão com
trabalho (art. 46) – destinado dentro do recinto da prisão. Prisão simples (art. 46) – reclusão.
Banimento (art. 50) – exclusão dos direitos de cidadão brasileiro e proibição de habitar
perpetuamente o território do Império/expulsão do Brasil. Degredo (art. 51) – residência em
lugar determinado e especificado por sentença judicial. Desterro (art. 52) – saída e
impedimento de transitar no termo do ofendido/local do delito. Nota: o réu sentenciado
conforme artigos supracitados (exceto o art. 38) fica privado do exercício dos direitos
político de cidadão brasileiro durante o efeito da sentença condenatória.
Não há qualificação no que tange a motivação em crime culposo, somente dolo!
Crimes contra a propriedade – não há diferença entre roubo e furto!
Tipos de Crime
Contra a existência Relacionados às
política do Império, ofensas contra a
o livre exercício dos Contra a religião, a moral e
Poderes Políticos, o os bons
livre gozo do liberdade

Crimes Policiais
costumes, à

Crimes Particulares
individual, a
Crime Público

exercício dos
direitos políticos segurança da organização de
dos cidadãos, a pessoa e vida, a sociedade
segurança interna secreta,
segurança da ajuntamentos
do Império e
pública honra, a ilícitos, utilização
tranquilidade, a boa segurança do de armas
ordem e estado civil e proibidas, uso de
administração doméstico. A nomes e títulos
pública. O Tesouro propriedade. indevidos, uso
Público e a
indevido da
propriedade
pública. imprensa e
prática da
vadiagem e
mendicância.
Inimputabilidade:
 Não seriam considerados criminosos segundo o Código Criminal do Império de
1830.
• Porém, se fossem menores de 14 anos
Menores de considerados como tendo discernimento
14 anos acerca do delito cometido, seriam
recolhidos às casas de correção.

“Loucos de • Exceção: lucidez no momento do delito


todo gênero” cometido!

“levados por
força ou medo • Gênese da legítima defesa.
irresistível”
Período Regencial (1831 a 1840)
O período compreendido entre 1831 a 1840 foi um dos mais agitados da história deste
País. Iniciado pela abdicação de D. Pedro I em favor de seu filho de apenas 5 anos de
idade, determinou a escolha de um Regência para governar, conforme referendava a
Constituição do Império de 1824, escolhida entre os membros do Parlamento por eleição
direta (voto censitário).

Marcado por: agitações sociais, turbulências políticas, instabilidade política e


intranquilidade nas Províncias.
Período onde as elites provinciais na Assembleia Legislativa Geral
reformaram o aparato institucional de modo a estabelecer maior
descentralização política.

Regência Trina Regência Trina


Regência Una
Provisória Permanente
1835/1840
1831 1831/1835
Em 29 de novembro de 1832 foi aprovado o Código de Processo Criminal do
Império para instrumentalizar a aplicação da lei penal (Código Criminal do
Império de 1830), projeto de Manuel Alves Branco (2º Visconde de Caravelas).
Alterou substancialmente o Direito Brasileiro → revogou a investigação criminal
filipina baseada na devassa, de tom inquisitorial que foi substituído por um
Juizado de Instrução, de perfil contraditório sob a direção de um Juiz de Paz.
Tribunal do Júri : A origem do Júri no Brasil data da Lei de 18 de junho de 1822,
ou seja, anteriormente à independência política do País, com a finalidade
específica de atender aos crimes de imprensa. Com a outorga da Constituição de
1824, art. 151 – O Poder Judicial é independente, e será composto de juízes e
jurados, os quais terão lugar assim no cível como no crime, nos casos, e pelo
modo, que os códigos determinarem. E no art. 152 – Os jurados pronunciam sobre
o fato e os juízes aplicam a lei. Apesar da previsão constitucional de 1824 a
instituição do Tribunal do Júri não aplicou-se em matéria cível, ficando
circunscrita às causas criminais.
• Composição dos jurados → art. 23 ...aptos todos os cidadãos que podem ser
eleitores, sendo de reconhecido bom senso e probidade. Então para ser jurado, o
cidadão precisaria estar apto ao exercício dos seus direitos políticos.
→ A lista de jurados, segundo o art. 24, era organizada por uma junta composta:
1. Juiz de Paz (leigo e eleito)
2. Pároco ou Capelão
3. Presidente ou Vereador da Câmara Municipal
CPCrim. de 1ª Instância de 1832
 A primeira parte do Código
Processual Criminal reorganizou  HC (Habeas Corpus) - O
a justiça criminal, extinguindo as reconhecimento formal e a
ouvidorias de comarca, os juízes disciplina processual do writ
de fora, os juízes ordinários ou (mandado, ordem judicial)
quaisquer resquícios do
exercício da magistratura somente se tornam explícitos
colonial, passando a justiça com Código de Processo
criminal a contar com : Criminal de 1832, que previa
1. Juízes de Direito (comarca) a possibilidade de solicitação
2. Juízes Municipais (termo) do remédio jurídico por
3. Juízes de Paz (distrito)
“todo cidadão que entender
que ele ou outrem sofre
4. Conselho de Jurados coação ou constrangimento
5. Promotores Públicos ilegal em sua liberdade” “.

Proporcionou autonomia judiciária aos municípios; pois, através desse


novo código, o poder municipal concentrou-se nas mãos dos juízes de
paz, representando a descentralização do Período Regencial no âmbito
do Judiciário.
Principais cargos judiciários previstos pelo Código de Processo Criminal de 1832
• Eram nomeados pelo Imperador e atuavam na Comarca.
Principal atribuição: presidir o Conselho de Jurados (Júri de
Juízes de Acusação e Júri de Sentença) e “aplicar a lei aos fatos”.
Direito • Eram vitalícios e deviam ser bacharéis em Direito com prática
de 1 ano no Foro
• Escolhidos em lista tríplice feita pelas Câmaras
Municipais para posterior nomeação pelo Presidente da
Província, no cumprimento de mandato de 3 anos.
• Podiam ser bacharéis em Direito ou “pessoas bem
Juízes conceituadas ou instruídas – “advogados” hábeis ou
Municipais advogados provisionados.
• Atribuições: substituição dos Juízes de Direito na
execução das sentenças e mandados, exercendo também
jurisdição policial.
• Atuação nos Termos (subdivisão da Comarca)

Promotores • Nomeados pelos Presidentes das Províncias com mandato


de 3 anos, entre os que poderiam ser jurados, a partir de
Públicos lista tríplice elaborada pela Câmara Municipal.
Figura que ganha relevo na
Juiz de Paz (Distrito)
administração da Justiça 1. O exercício da função do juiz de paz envolvia a justiça
conciliatória (fulcro na Carta Política1824)
com a vigência do Código
de Processo Criminal de 2. Procedimentos relativos a formação da culpa (produção
1832. Representavam o de provas relativas à comprovação da existência do crime
liberalismo brasileiro e sua autoria)
durante o período 3. Prisão dos culpados
regencial. 4. Julgamento de crimes de “menor importância”- rito
 Eleito localmente, sumário (cujo valor não ultrapassasse certo limite) – pena
máxima: prisão, degredo ou desterro até seis meses ou
possuindo atribuições
no máximo 100 mil réis de multa (crimes policiais)
judiciais, policiais e
administrativas. 5. Participação na elaboração da lista de jurados
6. Responsáveis pela qualificação eleitoral.
Esses juízes eram eleitos
pela população local – voto
censitário – mandato de 1 Importa assinalar que caso o crime não seja da
ano - portanto, esses cargos competência do Juiz de Paz para julgamento, após os
foram controlados ou procedimentos de formação da culpa, encaminhará os
neutralizados pelos grandes autos do processo ao Juiz de Direito, para a partir de
proprietários locais. então, sob a presidência do mesmo, forme-se dois corpos
de jurados:
Júri de Acusação (1º Conselho de Jurados) Júri da Sentença (2º Conselho de
23 membros Jurados) – 12 membros
Decisão sobre a admissibilidade da acusação Decisão sobre o mérito da acusação
Reformas ao C.Proc.Crim. de 1ª
Instância/1832
3/12/1841 1871
 Logo apos D. Pedro II assumir o trono
foi editada a Lei 261, famosa por  Seu principal objetivo foi separar as
produzir um retrocesso: a reforma funções - policial e judiciária,
reduziu toda a liberdade do misturadas em 1841 nas atribuições
ordenamento processual ao subtrair dos delegados de polícia. Quanto a
dos juízes de paz as atribuições de
investigar para entregá-las aos carreira jurídica propriamente dita, a
chefes de Policia (escolhidos entre os reforma levou adiante o esforço que
Desembargadores e Juízes de já algum tempo vinha sendo tentado,
Direito) e seus delegados e qual seja, profissionalizar os
subdelegados (scolhidos desntre os magistrados aumentando as
Juízes de Direito) – ambos nomeados restrições ao exercício de cargo
pelo Imperador ou pelo Presidente
de Província. Naquele momento da político
historia o fortalecimento do aparato  Foi a Lei 2.033, em 1871 que criou o
policial repressivo por parte do inquérito policial instrumento com
Estado foi medida reacionária nomen iuris que até hoje documenta
centralizadora.
as investigações de crime e de
autoria realizadas pela Polícia.
Ato Adicional de 12/8/1834 (reforma constitucional à Carta Política de 1824)
 Foi a lei que chegou mais perto de uma experiência dita democrática,
federativa ou republicana no período regencial.
 Principais medidas:
O Ato Adicional criou a Regência única, eletiva e temporária (em detrimento da
Regência Trina), com um mandato de quatro anos para o regente e a
consequente suspensão do exercício do Poder Moderador durante a
Regência, desarticulou o Conselho de Estado - órgão de assessoria do
Imperador e que agrupava os políticos mais tradicionais e conservadores - O
Poder Moderador e o Conselho de Estado são dois órgãos que só poderiam
funcionar com a posse de um novo Imperador do Brasil.
Instituiu as Assembléias Legislativas Provinciais - a forma como eram
denominados neste tempo os estados atuais –, concedendo-lhes autonomia
administrativa e fiscal. Elas não eram, porém, tão livres assim, pois seus
Presidentes de Província ainda eram escolhidos pelo governo central. O Ato
Adicional tornou a cidade do Rio de Janeiro um município neutro da corte e
a capital do País. Com isso, seu território era politicamente autônomo em
relação à província do Rio de Janeiro.

Uma das primeiras medidas no sentido de “retomada” da centralização política e do


reforço da autoridade (ou seja, do poder central) que o Ato Adicional havia atenuado, foi
a edição da Lei de Interpretação do Ato Adicional (maio de 1840) que retirava das
províncias várias atribuições, dentre elas a nomeação de funcionários públicos e controle
fiscal, permitindo a criação da Política uniforme em todo o Império e a militarização da
Guarda Nacional.
Dizem respeito a uma parte importante do conjunto de
modificações judiciais e políticas realizadas no Período
Regencial, cuja principal referência foi o Ato Adicional de 1834
à Constituição Imperial de 1824:
Texto 1: "...os Conselhos de Províncias, que tinham o caráter apenas consultivo,
cederam lugar às Assembleias Legislativas Provinciais, com amplos
poderes, podendo legislar sobre matérias civil e militar, instruções públicas,
políticas e econômicas dos municípios; o Conselho de Estado, principal órgão
de assessoria do Imperador, foi abolido (...)". (Texto adaptado: disponível em
http://www.culturabrasil.pro.br/regencias.htm, acessado em 4 de outubro de 2008)

Texto 2: O Código de Processo Criminal de 1ª Instância é a grande vitória


legislativa dos liberais, logo após a abdicação de D. Pedro I. Promulgado em
1832, põe fim ao sistema judicial antigo, introduz novidades completas trazidas
da Inglaterra, especificamente o Conselho de Jurados (Tribunal do Júri) e o
recurso de habeas corpus, inexistente na tradição do direito continental. A
investigação criminal das Ordenações Filipinas, a devassa, de tom inquisitorial,
desaparece e é substituída por um juizado de instrução, de perfil contraditório,
sob a direção do juiz de paz, leigo e eleito pela população local, que, além dos
poderes judiciários, tinha ainda o poder de polícia. (Texto adaptado. LOPES, José
Reinaldo de Lima Lopes. O Direito na História. 2. ed. São Paulo: Max Limonard, 2002, p.
289)
1847 – Monarquia Parlamentarista
Instituído pelo Imperador D. Pedro II durante o Segundo Reinado, entendido
como "Parlamentarismo às Avessas" proporcionou nova feição ao Poder
Executivo Imperial
O Parlamentarismo Monárquico no Brasil se consolidou
com a criação do cargo de Presidente do Conselho de
Ministros pelo Decreto nº 553 de 20 de setembro de 1847,
o qual o Imperador D. Pedro II escolhia o Presidente do
Conselho e este, por sua vez, escolhia os demais
ministros, que deveriam ter a confiança tanto dos
Deputados (membros da Assembleia Legislativa Geral)
como do próprio Imperador, sob pena de ser dissolvido. A
denominação de "Parlamentarismo às avessas" deve-se ao
fato do Presidente do Conselho, que equivaleria ao
Primeiro-Ministro do Parlamento Britânico, ser escolhido
pelo Imperador e, portanto, a este subordinado e não ao
Parlamento.
Lei de Terras
 Aprovada após intenso debate e, curiosamente após a promulgação da Lei Eusébio de
Queiróz, a Lei de Terras de 1850 foi finalmente regulamentada pelo Decreto número 1.318,
de 30 de janeiro de 1854. Com nove capítulos e 108 artigos, o Regulamento procurou dar
conta das inúmeras situações relacionadas à ocupação das terras. Para tanto, ordenou a
criação da Repartição Geral das Terras Públicas, órgão responsável por dirigir a medição,
dividir e descrever as terras devolutas e prover sua conservação.
 No Brasil, a Lei de Terras foi uma das primeiras leis brasileiras, após a independência do
País a dispor sobre normas do direito agrário brasileiro. Portanto, trata-se de legislação
específica para a questão fundiária. Esta lei estabelecia a compra como a única forma de
acesso à terra e abolia, em definitivo, o regime de sesmarias.
Cenário quanto a propositura da lei: A partir de 1850, com os primeiros sinais da abolição da
escravidão, tornou-se necessário para os grandes proprietários rurais que formavam a
nossa elite econômica agrária, a inibição da propriedade da terra através de apropriação
pela posse. Do contrário, quando os escravos fossem libertados e novos imigrantes
chegassem, não haveria empregados aos grandes proprietários, pois todos iriam em busca
das terras do interior.
 Surge então a Lei de Terras, (lei n°601/1850), a partir desta data só poderia ocupar as
terras por compra e venda ou por autorização do Imperador. Todos os que já estavam nela,
receberam o título de proprietário, porém, tinham que residir e produzir na terra.
 A criação desta Lei transforma a situação na época porque garantiu os interesses dos
grandes proprietários do Nordeste e do Sudeste que estavam iniciando a promissora
produção do café. Definiu que: as terras ainda não ocupadas passavam a ser
propriedade do Estado e só poderiam ser adquiridas através da compra nos leilões
mediante pagamento à vista, e não mais através de posse, e quanto às terras já
ocupadas, estas podiam ser regularizadas como propriedade privada.
Legislação Comercial: considerações.
-Lei nº 556, de 25 de Junho de 1850-
Apesar do art. 179, inciso 18 da Constituição Imperial de 1824 prever expressamente
que as primeiras legislações infraconstitucionais a serem elaboradas fossem o
código criminal e o código civil, este último não era prioridade da sociedade
latifundiária e escravista da época, que para os feitos cíveis não precisavam mais
do que os derivados até então das Ordenações Filipinas.
Com a elaboração da legislação comercial era diferente, novas demandas comerciais
requeriam uma série de institutos ainda não previstos no ordenamento jurídico
vigente. Além disso, a pressão internacional (1845- Bill Aberdeen) para o fim da
escravatura chegava ao seu ápice e lentamente o País cedia a essas pressões –
publicação da Lei Eusébio de Queirós (1850). A Lei de Terras transformando a
terra em propriedade imobiliária. E, consequentemente, o Código Comercial
surge nessa mesma época de “olho” no capital que teria novo destino com o fim
do tráfico, p. ex..
Em 1834, uma comissão de comerciantes apresentou ao Congresso Nacional um
projeto de Código Comercial, que após uma tramitação de mais de 15 anos
originou o primeiro código comercial brasileiro (Lei n° 556) aprovado em 25 de
junho de 1850), inspirado diretamente no Code de Commerce francês, adotando
a Teoria dos Atos de Comércio.
Partes em que se divide a 1. Do comércio em geral – 1ª
Lei nº 556 – Código Parte (art. 1º ao art. 456)
Comercial de 1850 revogada pelo Código
A burguesia Civil/2002 (art. 2045).
brasileira atrelada 2. Comércio Marítimo (2ª
aos latifundiários Parte) – vigente.
preferiu priorizar a
regulamentação da 3. Das Quebras – 3ª Parte
vida econômica em (início art. 797) – revogado
detrimento a vida pelo Decreto-Lei nº 7661 de
civil, o que fez com 21/6/1945.
que as disposições O Código continha um anexo
do Código com o título único “Da
Comercial muitas
vezes fossem
administração da justiça nos
utilizadas também
negócios e causas comerciais”
no direito privado (revogado em 1939).
comum!