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Genética de Populações

Genética de Populações
 Ramo da genética que fornece subsídios para o
melhoramento das populações de plantas e animais
 Fornece bases necessárias à compreensão de
como se processa a evolução na natureza.
 O estudo das propriedades genéticas de uma
população é baseado no comportamento de uma
amostra de indivíduos ou de grupos de famílias.
 Estuda os mecanismos da hereditariedade em nível
populacional.
Conceitos importantes
 População – conjunto de indivíduos da mesma
espécie, que ocupam o mesmo local, apresentam
uma continuidade no tempo e possuem a
capacidade de se intercasalar ao acaso, e, portanto
de trocar alelos entre si.
 Reservatório gênico – toda população tem o seu,
sendo transmitido através das gerações.
 Freqüência alélica – correspondem às proporções
dos diferentes alelos de um determinado gene da
população.
 Freqüência fenotípica – são as proporções dos
diferentes genótipos na população de indivíduos.
Conceitos
 Distribuição normal – É a propriedade de um conjunto
de dados de se distribuírem simetricamente em torno
da média. Isto é, o dado mais frequente tem o valor da
média, enquanto os demais de valores menores
decrescem em frequência à medida que se afastam da
média.
 Panmítica – População grande que se reproduz por
acasalamento ao acaso.
 Raça – Subpopulação com características distintas e
que mantém a capacidade de trocar genes com
indivíduos de outras raças.
 Raça fisiológica – Termo empregado para fungos
patogênicos e indica diferentes grupos de virulência.
Conceitos
 Raça pura – Termo utilizado pelos criadores de
animais para caracterizar as populações com
expressões fenotípicas dentro de padrões raciais
exigidos pelas normas de registro da raça.
 Variedade – Taxonomicamente é uma subdivisão da
espécie. Na agricultura normalmente é empregada
para populações melhoradas que diferem entre si em
características de importância econômica.
 Espécie – Grupo de indivíduos que possui a
capacidade de trocar alelos livremente entre si, porém
não com indivíduos de outro grupo.
 Amostra – Subconjunto de uma população através do
qual se estimam as propriedades e características
dessa população.
Conceitos
 Agentes intercalantes – São substâncias que se
inserem na molécula de DNA causando mutação
por adição ou deleção de bases.
 Alelo letal – Aquele que provoca a morte do
indivíduo que o possui quando em homozigose.
 Colinearidade – Diz-se da correspondência entre a
sequência linear de nucleotídeos do DNA e da
sequência linear de aminoácidos em um
polipeptídeo.
 Coeficiente de endogamia – Probabilidade de que
dois alelos de um indivíduo sejam idênticos por
ascendência.
Freqüência genotípica
 Exemplo Cebola:
 II = bulbos brancos
 Ii = bulbos cremes
 ii = bulbos amarelos

 Freqüência do genótipo II X = n1 / N
 Freqüência do genótipo Ii Y = n2 / N
 Freqüência do genótipo ii Z = n3 / N

 X+Y+Z=1

 Freqüência do alelo I = p
 p = 2 n1 + n2
 Freqüência do alelo i = q
2N
 p + q =1
 q = 2 n3 + n2
2N
Equilíbrio Genotípico das
Populações
 O que ocorre com as freqüências alélicas e
genotípicas com as sucessivas gerações de
interacasalamento ao acaso?
Alelos Genótipos
 Freqüências I i II Ii ii
p q x y z

 Freqüências genotípicas = p2 + 2pq + q2


Equilíbrio de Hardy e Weinberg
 “ Em uma população grande, que se reproduz ao
acaso e onde não há migração, mutação ou
seleção, pois todos os indivíduos são igualmente
férteis e viáveis, tanto as freqüências alélicas como
genotípicas se mantêm constantes de geração a
geração”.

 Nas sucessivas gerações de acasalamento ao acaso a freqüência


alélica deverá ser a mesma e, evidentemente, a freqüência
genotípica também não será alterada.
 Se há vários locos envolvidos o equilíbrio é
atingido da mesma forma; porém, o número de
gerações necessárias não é de apenas uma,
como ocorre com um loco, sendo que o
número de gerações é tanto maior quanto
maior for o número de locos envolvidos.

 As freqüências, tanto alélica como genotípica


das populações em equilíbrio, independem do
tipo de interação alélica, seja ela de
dominância completa ou incompleta.
 Havendo dominância completa e a população
estando em equilíbrio, as freqüências alélicas
poderão ser determinadas a partir da
freqüência do fenótipo recessivo, que equivale
à freqüência do genótipo homozigótico
recessivo (q2).

 Exemplo: Milho - 16% das plantas braquíticas devido ao alelo


recessivo br2
 Freqüência do genótipo braquítico - br2 br2 = 0,16 = q2
 Freqüência do alelo br2 = q = √ q2 = √0,16 = 0,4
 Freqüência do alelo Br2 = p = 1 – q = 0,6
 Freqüência do genótipo Br2 Br2 = p2 = (0,6)2 = 0,36
 Freqüência do genótipo Br2 br2 = 2pq = 2 x 0,6 x 0,4 = 0,48
Paiol de Milho
O equilíbrio de HW explica
por que quando o agricultor
utiliza variedade de
polinização livre, ele não
precisa comprar sementes
todos os anos, desde que ele
tenha o cuidado de plantar
este material isolado de outra
variedade ou híbrido de milho
e tomar a cada ano uma
amostra representativa da
população do ano anterior.
Fatores que alteram as freqüências alélicas
e genotípicas de uma população

 Processos sistemáticos – tendem a modificar as


freqüências alélicas de uma maneira previsível
tanto em quantidade como em direção.
 Seleção
 Migração
 Mutação
 Processos dispersivos – ocorre apenas em
pequenas populações pelo efeito de
amostragem, sendo previsível em quantidade,
mas não em direção.
Seleção
 “Eliminação de determinados genótipos da
população.”
 Ocorre alterações nas freqüências alélicas e
genotípicas e em conseqüência a população afasta-
se do equilíbrio.
 Seleção natural – se fundamenta no fato de que os
indivíduos diferem em viabilidade e fertilidade e por
isso contribuem com número diferente de
descendentes para a próxima geração.
 Seleção artificial – realizada pelo homem, tem como
objetivo principal o melhoramento genético das
populações.
Efeito da seleção nas populações
 Depende do tipo de interação alélica e do
coeficiente de seleção.
 Serão considerados:
 Dominância completa, sendo desvantajoso o
alelo recessivo.
 Eliminação de todos os indivíduos portadores do
genótipo homozigótico recessivo.
O que ocorreria com as freqüências alélicas e
genotípicas se eliminassem todas as plantas anãs
(br2br2)?

Estimativa das freqüências alélicas após um ciclo de


seleção em uma população em equilíbrio
Genótipos Freqüências genotípicas Freqüências alélicas

Antes da Após a seleção


seleção
Br2Br2 p 20 p 20 p1 = 1 / 1+ q0
Br2br2 2p0q0 2p0q0
br2br2 q 20 0 q1 = q0 / 1 + q0
Totais 1 p20 + 2p0q0
Freqüência do alelo após seleções
 Após t gerações de seleção, nesta
população, a freqüência do alelo br2 é obtida
por:
qt = q0
1 + tq0
 Onde t é o número de gerações de seleção
realizadas.
Número de ciclos de seleção para
modificar a freqüência do alelo br2

t=1 – 1
qt q0

Onde q0 é a freqüência sem seleção e qt é a


freqüência com seleção.
Mudança na freqüência alélica
 Dada pela diferença entre a nova freqüência e a
freqüência na geração anterior:

∆q = q0 - q0 = - q20
1 + q0 1+ q0

 O sinal negativo indica que a seleção é contra o


alelo recessivo br2, o qual evidentemente terá sua
freqüência reduzida a cada ciclo.
À medida que a freqüência do alelo
desfavorável é reduzida, o ganho com a seleção
é também menor.

Assim sendo, o melhoramento de plantas e animais


tem como fundamento a seleção de genótipos,
visando aumentar as freqüências dos alelos
favoráveis.

Uma população é superior a outra quando apresenta


uma maior freqüência de alelos favoráveis.

Além disso, pelo que foi exposto, o melhoramento das


populações por meio de seleção vai se tornando mais
difícil, isto é, com ganhos menores, com o incremento
das freqüências dos alelos favoráveis.
Migração
 Incorporação de alelos de uma população em outra.

 Em plantas, isto ocorre, quando se misturam


sementes de dois ou mais cultivares e estes são
cruzados entre si.

 Em animais, a migração ocorre quando se introduz


animais de outras procedências no rebanho.
q1 = q0 (1 – M) + QM

 O efeito da migração nas propriedades genéticas de


uma população depende da diferença nas
freqüências alélicas da população original e de
indivíduos migrantes e da proporção de indivíduos
que migram.

 Onde:
 q1 = freqüência de um determinado alelo após a migração.
 q0 = freqüência do alelo considerado antes da migração.
 M = proporção de indivíduos migrantes.
 Q = freqüência do alelo considerado na população de
indivíduos migrantes.
Mudança na freqüência alélica da
população devido a migração

∆q = q1 – q0
∆q = q0 (1 – M) + QM – q0
∆q = M (Q – q0)
Mutação
 Fenômeno genético que origina novos alelos nas
populações.

 Sua ocorrência é muito rara, desse modo, sua


importância em termos de alterações nas
propriedades genéticas de uma população só
ocorre se ela for recorrente, isto é, se o evento
mutacional se repetir regularmente com uma dada
freqüência.

 Seu efeito sobre uma população só pode ser


observado a longo prazo.
Processo dispersivo
 Está associado a problemas de amostragem em
populações de tamanho limitado.
 A amostragem ocorre quando os indivíduos da
população produzem seus gametas e estes se
unem para formar a geração seguinte.
 Os gametas que dão origem a geração seguinte
são considerados uma amostra de todos os
gametas da população.
 Se por qualquer razão o tamanho da população é
muito reduzido, dificilmente todos os alelos estarão
representados na freqüência existente na geração
anterior.
A utilização de populações pequenas
pode contribuir para dois fenômenos
distintos:
 Promover a fixação ou eliminação de determinados
alelos da população.
 Este fenômeno se dá inteiramente ao acaso e é um dos
maiores problemas da amostragem deficiente.
 Aumentar a freqüência dos acasalamentos entre
indivíduos aparentados.
 Este fenômeno é denominado endogamia, a qual varia
desde o acasalamento inteiramente ao acaso, onde ela é
nula, até a autofecundação, que corresponde à endogamia
máxima.
Qual o efeito na população se
houver autofecundação?
 Autofecundando todos os indivíduos, os
descendentes de cada homozigoto terão a mesma
constituição genética.

 A alteração irá ocorrer apenas entre os


descendentes dos heterozigotos, de forma que a
freqüência do heterozigoto na população será
apenas a metade da existente na população em
equilíbrio.

 A freqüência alélica não se modifica.


 A autofecundação é uma ferramenta muito
importante para os melhoristas de plantas
porque contribui para o aumento das
freqüências dos genótipos homozigóticos na
população.

 Produção de linhagens, que são importantes na


obtenção de híbridos.
 Incrementar o progresso genético com a seleção.

 A autofecundação antes da seleção propicia


uma melhoria na eficiência da seleção pelo
aumento da freqüência do genótipo
homozigótico.
Estimativas das freqüências genotípicas
após t gerações de autofecundação em
uma população em equilíbrio

Freqüências genotípicas

Genótipos Antes da Depois da


autofecundação autofecundação
Br2Br2 p 20 2-t [(2t – 1) p0 + p20

Br2br2 2p0q0 (1/2)t-1 p0q0

br2br2 q 20 2-t [(2t – 1) q0 + q20


Razão da freqüência do genótipo recessivo

 Razão entre a freqüência do genótipo recessivo após t


gerações de autofecundação – gra – e a freqüência do
mesmo genótipo na população em equilíbrio – gre.

 Esta razão mostra que se o alelo recessivo estiver em


alta freqüência na população em equilíbrio – q 0 - não
compensa utilizar a autofecundação para sua
eliminação.

 Quando q0 for pequeno, sua eliminação será menos


efetiva numa população em equilíbrio do que numa
autofecundada.