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CONFLITOS, INTEGRAÇAO E

MUDANÇAS SOCIAIS

O PAPEL DA NORMAS JURÍDICAS


ANA LUCIA SABADELL
I – INTRODUÇÃO

II -TEORIAS FUNCIONALISTAS E DO CONFLITO SOCIAL

III -ANOMIA E REGRAS SOCIAIS

IV -O DIREITO COMO PROPULSOR E OBSTÁCULO DA MUDANÇA


I – INTRODUÇÃO
estuda o comportamento humano

no âmbito social, a partir de

modelos que são o resultado de

um processo de construção
SOCIOLOGIA:
social da realidade e acabam
ORDEM
padronizando as relações que se

estabelecem entre os indivíduos


CONFLITO
por meio de regras sociais.

tem como objetivo principal MUDANÇA

estabelecer regras explícitas


DIREITO: e coerentes que visam a

regular o comportamento

social, regras susceptíveis

de mudança.
Grupos de poder

Imposição de uma ordem social

Criação de conflitos

mudança social
do conflito

da integração social
analisa os
SOCIOLOGIA
JURÍDICA: fenômenos
das mudanças
sociais

que se expressam através

do sistema jurídico.
II -TEORIAS FUNCIONALISTAS E TEORIAS DO CONFLITO

examina a sociedade
Macro- como um todo, ou seja,
sociologia: como um complexo
sistema social.

examina a interação
Micro-
entre os indivíduos
sociologia:
e entre os pequenos
grupos.
As principais teorias de sociologia moderna são do tipo
macro-sociológico: as teorias funcionalistas e as teorias
do conflito social.

Teorias Funcionalistas

Emile Durkheim

Teorias do Conflito Social

Karl Marx
São teorias de integração
TEORIAS
social. Partem de uma visão
FUNCIONALISTAS
única: a sociedade funciona
como uma máquina.

Coube a ele o desenvolvimento inicial desta teoria.


POSITIVISMO
Ele se preocupou com o estudo da estrutura social e
das funções que as diversas instituições desenvolvem
no âmbito social

Em seu livro Da Divisão do Trabalho Social, ele se


concentra no estudo das funções sociais desenvolvidas
Durkheim pelas instituições em nossa sociedade.

Estas funções são ordenadas segundo critérios


hierárquicos e se relacionam com os valores atribuídos
socialmente a tais funções.

Os seres humanos são diferentes e possuem


capacidade diversas A desigualdade social é inerente à
organização social.
A sociedade distribui papeis e recursos
(dinheiro, poder, prestigio, educação) aos seus
membros que são peças da máquina.

A sua finalidade é a sua reprodução através do


Características funcionamento perfeito de seus vários
componentes.

Os seus membros estão integrados num


sistema de valores, compartilham os mesmos
objetivos, aceitam as regras vigentes e se
comportam de forma adequada às mesmas.
Há mecanismos de reajustes, e redistribuição de
recursos e funções, pequenas mudanças dentro de
limites estabelecidos pela própria sociedade, sem
afetar o equilíbrio social.Ex. revisão da
constituição.

Em situação de crise e de conflito existe uma


Características disfunção: ou os elementos de contestação são
controlados e neutralizados (repressão) ou a
maquina social será destruída.

As disfunções se opõem ao funcionamento do


sistema social. São falhas do sistema, não
possibilitando a integração das finalidades e
valores sociais.
Consideram a sociedade como um
sistema harmônico: qualquer conflito é
manifestação de patologia social

SUAS FALHAS
Adotam um modelo de equilíbrio social
com pouco espaço aos processos de
ruptura, conflito e mudança radical.

São teorias estáticas, limitando-se a


descrições superficiais da sociedade.
São teorias que consideram a
TEORIAS DO sociedade como constituída de
CONFLITO SOCIAL grupos com interesses
estruturalmente opostos que se
encontram em luta pelo poder.

Sua teoria sobre o conflito estabelece relações


entre o direito, Estado, economia e sociedade.
MARXISMO
Utilizando-se do método do materialismo histórico
e dialético, constrói uma teoria social onde
encontramos uma visão da sociedade.

No modo de produção capitalista, a classe


MARX detentora dos meios de produção impõe seus
interesses à classe proletária.

Essa infra-estrutura econômica condiciona a


super-estrutura jurídico-estatal a fim de manter a
dominação de classe.

O Estado aparece como instrumento de coerção


da classe dominante, servindo à imposição de
sua ideologia.
Afirmam que a coação e o
condicionamento ideológico são pontos
fundamentais que os grupos de poder
exercem sobre os demais.

Características
As crises e as mudanças são
consideradas fenômenos normais na
sociedade: luta de interesses e poder.

A estabilidade é considerada como uma


situação de exceção
Fundamentam-se na tese marxista : “ A
história de todas as sociedades até hoje é
a história da luta de classes”

Explicam o funcionamento da sociedade pela


estratificação social: a sociedade é constituída
de vários estratus, resultado de uma
desigualdade social no acesso ao poder e aos
meios econômicos.
Características

Os marxistas afirmam a existência só de


duas classes; os liberais analisam a atuação
de vários estratos e elites sociais.

Para todos, o conflito e a ruptura


constituem a lei principal da historia da
sociedade.
III - ANOMIA E REGRAS SOCIAIS

Situação de transgressão das


normas. Ex. delinqüência. É uma
ilegalidade.

Significados Situação de conflitos de normas. Ex.


serviço militar x consciência
religiosa.

Situação de falta de normas num


contexto social.
o movimento da contracultura dos anos
60,

a mudança de papeis da mulher na


sociedade moderna,
Exemplos
o iluminismo jurídico

uma situação de guerra.

Protestos sociais
ANOMIA E REGRAS SOCIAIS

terceiro Situação de falta de normas num


significado contexto social.

Este é o mais indicativo. Significa uma

mudança social, crise de valores

(contestação de regras de comportamento)

e crise de legitimidade do poder político e

do sistema jurídico.
ANOMIA EM DURKHEIM

Aparece na análise que Durkheim faz do suicídio: as


causas do suicídio seriam sociais, dependendo do maior
ou menor grau de coesão social.

Quatro tipos de suicídio:

EGOÍSTA Falta de integração

ALTRUÍSTA Excesso de integração

FATALISTA Excesso de regulamentação

ANÔMICO Falta de limites e regras


SUICIDIO A sociedade impõe regras, limites ao
desejos ilimitados dos indivíduos.
ANÔMICO

Na busca mudança das condições


econômicas (depressão ou prosperidade) o
individuo perde as suas referências e a
sociedade não consegue impor novas
regras.

Anomia situação na qual a sociedade não


significa desempenha o seu papel moderador, não
“estado de consegue orientar e limitar a atividade do
desregramento individuo.
ANOMIA EM DURKHEIM

Quando se cria na sociedade perda de


referências normativas enfraquecendo a
solidariedade social, destruindo o
equilíbrio entre as necessidades e os
meios para a sua satisfação.

Espaços
anômicos

O individuo sente-se
“livre” de vínculos
sociais, levando-o a auto-
destruição.
ANOMIA EM MERTON

Em todo contexto sócio-


cultural desenvolve-se Estes meios são recursos
metas culturais que institucionalizados ou
legítimos que são
expressam valores e para socialmente prescritos.

atingi-las a sociedade
estabelece determinados
meios.
ANOMIA EM MERTON

A utilização de outros meios,


Ex. a meta cultural mais
rejeitados pela sociedade, é importante numa sociedade
capitalista é o sucesso,
considerada como violação das
abraçando riqueza e prestigio
regras sociais em vigor..

Como a meta cultural não pode ser atingido por todos

pelos meios institucionalizados, resulta um desajuste

entre meios e fins, aparecendo condutas que vão

desde a indiferença até a tentativa de alcançar as

metas por outros meios.


ANOMIA EM MERTON

O insucesso em atingir as metas


culturais devido à insuficiência dos anomia
meios institucionalizados pode
produzir

manifestação de um
comportamento no qual
as“regras do jogo “ social” são
abandonadas ou contornadas
O individuo não respeita as regras de
comportamento que indicam os meios de
desvio ação socialmente aceitos. Surge o
comportamento desviante

a criminalidade e outros
comportamentos não
convencionais.
ANOMIA EM MERTON

Merton, ao examinar a situação conflitiva entre as

aspirações culturalmente prescritas (metas

culturais) e o caminho socialmente indicado para

atingi-las (meios institucionalizados) faz uma

classificação dos tipos de comportamento:


Anomia em Merton
modos de adaptação
exprime o posicionamento de cada individuo em
face das regras sociais.

1. Conformidade
2. Inovação
3. Ritualismo
4. Evasão
5. Rebelião
MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

o individuo busca atingir as

Conformidade: metas culturais através dos

meios estabelecidos na

sociedade
MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

a conduta do individuo é condizente


Inovação: com as metas culturais, mas existe
uma ruptura com os meios
institucionalizados

é inovação porque o emprego de meios socialmente reprováveis


pode em certos momentos ajudar a mudança da sociedade
MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

o individuo demonstra um
desinteresse em atingir as metas
culturais

Ritualismo: o medo do insucesso e do fracasso


produz desencanto e desestimulo

Continua respeitando as regras como


um ritual
MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

o abandono das metas e dos meios


institucionalizados. Indica falta de
identificação com os valores e as
regras sociais. Ex. mendigos
Evasão:
é um comportamento tipicamente
anômico

a conduta mais extrema é o


suicídio
MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

caracterizada pelo inconformismo e

pela revolta. O individuo é negativo


Rebelião:
em relação às metas e aos meios. É

diferente da conduta evasiva porque

propõe novas metas e novos meios.


MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

Conformidade + +

Inovação + -

Ritualismo _ +

Evasão _ -

Rebelião +/- +/-


MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

é uma situação de anomia

generalizada, quando a sociedade

acentua a importância de
Sociedade
Anômica: determinadas metas, sem oferecer à

maioria a possibilidade de atingi-las

através dos meios

institucionalizados.
MODOS DE ADAPTAÇÃO METAS CULTURAIS MEIOS
INSTITUCIONALIZADOS

comportamento inovador

crescimento dos casos de desvio

os membros da sociedade são pressionados a atingir


determinadas metas, sem que seja possível para a maioria
atingir este objetivo de uma forma que sejam respeitados
os meios institucionalizados.
CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

A teoria da anomia de Merton significou um grande

avanço por ter desenvolvido o conceito de anomia em

consonância com a problemática da sociedade moderna.


elas prescrevem aos indivíduos um

determinado projeto de vida e ao mesmo


Merton apresenta a
cilada na qual se tempo impossibilitam a concretização
encontram as
deste projeto
sociedades modernas

Ex. ser rico, famoso e ter sucesso.


Em tal situação os conflitos e violações de
regras são inevitáveis.
CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

Esta teoria explica porque os membros das classes menos


favorecidas cometem a maior parte das infrações penais: sendo
excluídos dos circuito dos meios institucionalizados para atingir a
riqueza, recorrem à delinqüência para realizar os objetivos que a
sociedade difunde

O mesmo se pode dizer dos crimes de motivação


política e também comportamentos desviantes auto-destrutivos
como o alcoolismo e a tóxico-dependência.
CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

A teoria de Merton não pode , no entanto, explicar todas


as formas de desvio social

homicídio passional, estupro, crueldades contra os


animais

Também não explica as diferenças no comportamento


de determinadas categorias sociais

baixíssima criminalidade feminina


CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

A principal critica a esta teoria é que o autor entende as


condutas de inovação:

ritualismo, evasão e rebelião

como manifestação de uma disfunção dentro do sistema


social.

Há um equilíbrio social e o desvio é uma manifestação


patológica
CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

Nem todos os indivíduos encontram-se em perpetua


competição para atingir as mesmas metas sociais

E nem todos aceitam a meta do sucesso individual como


finalidade suprema da vida.

É uma meta típica da ideologia da classe media numa


sociedade capitalista.
CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

Outra critica:

o centro de atenção é o comportamento do individuo


desviante

anomia

desvio de determinados individuos

limitando o problema a escolhas pessoais


sem examinar a dimensão social
CONCLUSÕES SOBRE A ANOMIA

Outra critica:

Mais adequado seria pesquisar a possível falta de


orientação da própria sociedade

ausência de normas e
anomia
valores sociais

não é um problema de adaptação do individuo


ATUALIDADE DA ANOMIA

Qual a importância da problemática da


anomia para a sociologia jurídica moderna ?

1. ANOMIA E INEFICÁCIA DO DIREITO

2. ANOMIA E PODER

3 ANOMIA E PLURALISMO CULTURAL

4. ANOMIA E CORRUPÇÃO POLÍTICA NO BRASIL


1. ANOMIA E INEFICÁCIA DO DIREITO

a) Ineficácia não anômica: descumprimento da norma apesar de sua


aceitação

Ex. muitos homicidas estão de acordo com a proibição do homicídio,


consideram que violaram norma em uma situação excepcional(medo,
desespero)

b) Ineficácia anômica – descumprimento da norma que o individuo considera


inadequada ou injusta. Neste caso, a pessoa viola a norma por convicção,
encontrando-se em situação de inovação ou rebelião

Ex. um grupo político pratica atos terroristas puníveis pela legislação


acreditando que age no interesse da humanidade. A ineficácia da norma é
devida à situação de rebelião que vivencia este grupo
Uma quadrilha que pratica atos criminosos (assalto, tráfico de drogas,
sequestros, etc.
A ineficácia anômica causa problemas
particulares, por que os indivíduos violam
as normas por convicção. Diante dessa
situação, o Estado pode adotar quatro
posturas.
1. Manter a norma formalmente em vigor, mas tolerar a violação

Ex. a prática do aborto. Muitas mulheres consideram o aborto como um direito, estando
convencidas de que a decisão do Estado de proibir está equivocada.

2. Realizar uma mudança legislativa, revogando ou modificando


normas para harmonizar o direito com os valores da sociedade

Ex. a prestação de serviços para que se recusa a servir as Forças Armadas por motivos
religiosos ou políticos.

3. Fazer propaganda moral para convencer as pessoas a respeitar


determinadas leis.
Ex. as campanhas que mostram as consequências do uso de drogas

4. Intensificar a repressão para combater a tendência anômica


Ex.o combate à criminalidade organizada e aos crimes violentos
2. ANOMIA E PODER

O conceito está relacionado com os conceitos de


autonomia e heteronomia.
As normas juridicas são heterônomas. Quem não respeita
as normas vive um conflito entre entre as suas convicções
e as prescrições do sistema jurídico oficial. Anomia não
significa ausência de normas mas o conflito entre as
normas oficiais e as normas aceitas pelo grupo social
Neste caso a anomia pode tambem estar relacionada com a
ausência do Estado
3. ANOMIA E PLURALISMO CULTURAL

O conceito de anomia é caracterizado por ambiguidades.


É um fenômeno normal(devido à particularidade de cada pessoa) e é
patológico(desvio), é uma situação negativa(falta de orientação) e uma
situação positiva(inovação).
As ambiguidades da anomia se explicam pelas características das
sociedades modernas nas quais prevalece a solidariedade orgânica que
permitem a livre escolha de valores e modos de vida, gerando
conflitos.

Ex, uma sociedade católica pode fixar o repouso semanal no domingo. Em uma
sociedade convivem grupos religiosos diversos, o mesmo não pode ser feito sem
protestos de grupos que querem o reconhecimento oficial dos próprios feriados .
.
3. ANOMIA E CORRUPÇÃO POLÍTICA NO BRASIL

A corrupção política no Brasil constitui-se uma forma de


comportamento anômico

A definição de corrupção é muito difícil pois o termo possui


significados diferentes, dependendo de quem e em qual contexto se
refere à corrupção. Sendo ambíguo, o termo se presta às mais
diversas formas de manipulação

Uma das características da corrupção política é a indistinção que se


estabelece entre esfera pública e a atividade econômica privada.
Corrupção passiva (art 317): a conduta do funcionário
público que solicita ou recebe uma vantagem
indevida(ilícita) para si mesmo ou para uma terceira
CODIGO pessoa.
PENAL

Corrupção ativa (art 333) : a conduta dos particulares que


subornam o funcionário público, oferecendo ou prometendo
vantagem indevida, por exemplo, para que deixe de fazer um
ato de ofício, como a aplicação de uma multa.
1. Os operadores jurídicos tendem a tratar a corrupção política
fora dos parâmetros legais definidos pelo legislador. Ex. o caso
da condução coercitiva de Lula.

2. Há também o problema da eficácia da sanção. A maioria dos


casos de corrupção ativa e passiva passa despercebida pela
comunidade e pelos órgãos fiscalizadores, de forma que se
estabelece no Brasil uma situação de anomia generalizada
Na perspectiva da
sociologia do direito
percebe-se que
3. Há uma tendência a considerar a violação das regras sobre a
corrupção como algo inevitável na política, verificando-se uma
situação de anomia no sentido de inovação, na teoria de
Merton: na corrupção, meios ilícitos (pagamento e recebimento
de vantagens indevidas) são utilizados para alcançar fins
socialmente desejados

4. No caso do Brasil este tipo de anomia “inovadora” tem como


consequência a manutenção das normas que sancionam a
corrupção e até o agravamento das sanções, acompanhada de
sua ineficácia social “anômica”.
5. É possível sustentar que o Mensalão e o Lava-jato
estimulam a eficácia do preceito e da sanção propiciam um
processo de mudança social por meio da punição dos
envolvidos na corrupção.

6. Há, porém, dúvidas sobre a capacidade do sistema de


justiça penal produzir mudanças sociais e alterar a forma
da atividade política no Brasil. A anomia “inovadora” e a
ineficácia das normas de sanção parecem não ser mais
toleradas, mas isso não garante a fim da situação anômica.

7. Contribui para a ambiguidade e a manipulação dos


discursos sobre a corrupção a atuação da mídia. Sua
leitura seletiva dos fatos produzem uma espécie de
processo judicial sem juiz e independente da legislação.
IV -O DIREITO COMO PROPULSOR OU OBSTÁCULO DA
MUDANÇA SOCIAL

O Conceito de Mudança Social

A existência da anomia nos indica que o processo de


integração social dos indivíduos não se realiza sem que
surjam problemas e conflitos.

Isto significa a existência de mudança social: uma

reestruturação das relações sociais.


IV -O DIREITO COMO PROPULSOR OU OBSTÁCULO DA
MUDANÇA SOCIAL

O Conceito de Mudança Social

Para entender as mudanças sociais é preciso:

Considerar as formas de mudança

total ou parcial, lenta ou rápida, contínua ou descontínua

E suas causas
fatores geográficos, demográficos, ideológicos,
econômicos,
IV -O DIREITO COMO PROPULSOR OU OBSTÁCULO DA
MUDANÇA SOCIAL

Os Clássicos analisam a mudança a partir de uma análise geral

MARX O papel da luta de classes

DURKHEIM As formas de solidariedade social

Maior ou menor racionalidade na


WEBER
sociedade
IV -O DIREITO COMO PROPULSOR OU OBSTÁCULO DA
MUDANÇA SOCIAL

Outros sociólogos rejeitam a possibilidade der se fazer


uma análise geral:

Há processos específicos e complexos em determinadas


áreas da vida social

Ex. mudanças nos valores sociais, nas relações dentro


da família, na organização do trabalho.
IV -O DIREITO COMO PROPULSOR OU OBSTÁCULO DA
MUDANÇA SOCIAL

mudança social

direito

modificação das normas legais e


sua aplicação no seio da
sociedade

É importante situar o debate acerca do papel do direito na


sociedade.
RELAÇÕES ENTRE DIREITO E SOCIEDADE

Questão básica:

O contexto social (sistema de produção,


cultura, interesses, ideologias) determina o
direito ou é o direito que determina a
evolução social?
RELAÇÕES ENTRE DIREITO E SOCIEDADE

Posição Realista:

direito manifestação social

é determinado pelo contexto sócio-cultural

há imposição de interesses por parte dos grupos que

exercem o poder que impõem aos mais fracos as regras

de conduta necessárias para a sua dominação


RELAÇÕES ENTRE DIREITO E SOCIEDADE

Posição Idealista:

direito fator determinante dos processos sociais

o direito possui a capacidade de determinar o contexto

social, de atuar sobre a realidade e mudá-la


RELAÇÕES ENTRE DIREITO E SOCIEDADE

Uma terceira posição tenta conciliar as duas primeiras.

interesses
direito
necessidades sociais

não impede que possa influir sobre a situação social,

assumindo um papel dinâmico

Atua como um fator determinante da realidade social e,

ao mesmo tempo, como um elemento determinado por

esta realidade
RELAÇÕES ENTRE O SISTEMA JURÍDICO
E A MUDANÇA SOCIAL

Questão:

quais as formas e as modalidades de interação entre o


sistema jurídico e outros campos de ação social no
decorrer do tempo?

Resposta:

o direito muda na evolução histórica, seguindo as


transformações da sociedade.
A formidável expansão da informática traz mudanças

legislativas para conformar o sistema jurídico a novas

situações

privação de privacidade, garantia de invenção

EXEMPLOS

No início do século XX, o conceito de propriedade para proibir

o furto de eletricidade. A energia elétrica não gozava de

proteção porque não era uma “coisa

Problemas relacionados com a informática (proteção de


privacidade, garantia dos direitos dos inventores)
A mudança de valores sociais no que se refere à questão de
gênero

mudanças na área do direito constitucional, no direito de


família, direito do trabalho, direito penal visando estabelecer
igualdade de gênero
EXEMPLOS

Mudanças relativas “a desregulamentação da

economia”

redução do poder fiscalizador e do papel do Estado na


era neo-liberal
O DIREITO TEM UM PAPEL ATIVO NA MUDANÇA SOCIAL

Papel conservador do direito:

Alguns entendem que o direito é um freio às mudanças


sociais, pois, sendo lento, funciona como fator negativo
perante as necessidades e reivindicações sociais.

Os mais radicais, de inspiração marxista, consideram o


atual sistema jurídico como um instrumento que permite
a manutenção do poder da classe dominante e reproduz
as relações sociais de exploração.
O DIREITO TEM UM PAPEL ATIVO NA MUDANÇA SOCIAL

Papel progressista do direito:


Outros identificam o direito como instrumento eficaz para
a consecução de grandes mudanças sociais, por meio de
reformas políticas.

O direito desempenha uma função educadora. Esta


concepção recebeu na Europa o nome de “socialismo
jurídico” pois era a tentativa de formular as
reivindicações socialistas em termos jurídicos.

Propõe a possibilidade de realizar a justiça social através


de uma reforma jurídica.

Exemplo: as mudanças recentes propostas para o Código Penal.


CONCLUSÕES

A relação entre direito e mudança social se concretiza da


seguinte forma:

O direito é uma variável dependente

Um fenômeno social que muda historicamente em função


de outros fenômenos.

É um produto de interesses sociais que depende das


relações de dominação em cada sociedade.

Alem dos interesses econômicos, há elementos de ordem


física, valores ético-culturais e a tradição jurídica de cada
país.
CONCLUSÕES

Apesar de ser uma variável dependente da estrutura


sócio-cultural, o direito possui uma autonomia relativa e
por isso pode induzir as mudanças sociais.

A influência do direito na mudança social pode ser de


tipo direto (a obrigatoriedade do uso do cinto de
segurança) e de tipo indireto (reformas no programa da
educação.
CONCLUSÕES

O direito, diante da mudança, pode adotar as seguintes


posições:

de reconhecimento, declarando legitima a nova ordem


social ou criando instrumentos jurídicos que
consolidam a mudança.

de anulação o sistema jurídico opõe-se à mudança,


ignorando-a ou mesmo aplicando sanções contra
determinadas inovações
CONCLUSÕES

de canalização o direito tenta limitar o impacto de uma


mudança ou alterar os seus efeitos, através de reformas
que satisfazem parcialmente as reivindicações sociais.

de transformação o direito assume um papel


particularmente ativo : tenta provocar uma mudança
social através de reformas graduais e lentas(transição)
ou mesmo radicais (revolução)
CONCLUSÕES

A história ensina que o direito não possui força

suficiente para mudar a estrutura de classe social e os

fundamentos do sistema econômico, que são

suscetíveis somente através de um processo de

transformação política.