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FUNDAMENTOS DA Prof.

a Juliane Matos
Centro Universitário
TCC Estácio do Ceará
BECK, J. S. Terapia Cognitiva: teoria e prática.
Porto Alegre: Artmed,1997.
o Aaron Temkin Beck (1921- )
o Nasceu em Providence, Rhode Island, EUA.
o Pais judeus, imigrantes da Rússia, filho caçula entre 4.
o É casado, tem 4 filhos e 8 netos.
o 1942 – Graduação magna cum laude na Brown
University.
o 1946 – Yale Medical School – residência em patologia,
BECK psiquiatria e neurologia.
o É professor emérito no Depto de Psiquiatria da
Dr. Beck é considerado
uma das 10 pessoas que
Universidade da Pensilvânia.
mudaram o rumo da o Professor honorário da Academia de Terapia Cognitiva.
psiquiatria americana e o o Inúmeras pesquisas em Psicoterapia, Psicopatologia,
psicoterapeuta mais
importante entre os Suicídio e Psicometria, criação de várias escalas -
psicólogos americanos. depressão (BDI) e ansiedade (BAI).
o Fundou o BECK INSTITUTE, na Filadélfia e trabalha
com sua filha Judith.
o A Terapia Cognitiva foi desenvolvida inicialmente para
tratamento da pacientes com depressão, mas é
também eficazmente utilizada para pessoas com
Transtornos de Ansiedade, Esquizofrenia e outros.
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o Tratamento psicodinâmico dos seus pacientes
com depressão  análise de sonhos, verbalizações
e associações livres.
o Psicanálise  depressão = raiva inconsciente e
inaceitável contra pessoas próximas que, reprimida,
era redirecionada ao self = hostilidade retrofletida
(que não era confirmado nos relatos dos sonhos dos
BECK pacientes).
o Anomalias  nos sonhos, os pacientes eram rejeitados, abandonados ou
frustrados = nas experiências do cotidiano, idem.
o Identificação de tipos específicos de pensamentos, que os
pacientes não percebiam claramente e não relatavam na associação livre.
o Visão negativista  identificada na auto avaliação do paciente =
autocríticas, baixa autoestima, culpas, previsões e interpretações
negativistas e memórias desagradáveis.
o Temas negativistas idiossincráticos  questões sociais vitais do
paciente: fracasso e sucesso, aceitação e rejeição, respeito e desdém.

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“Em meu primeiro trabalho, percebi que,
quando ajudava os pacientes a mudar seu
diálogo interno (seus pensamentos), ajudava-
os a se sentirem melhor”. (Aaron Beck)

BECK

• A negatividade não era apenas um sintoma mas desempenhava uma


função central na instalação e manutenção da depressão.

• A Cognição, e não a emoção, é considerada o fator essencial na


depressão.

• Propõe as noções de erros cognitivos e de esquemas.


Epíteto (130-50 a.C.) Beck (1964)

"Não são as coisas em si “Não é uma situação por si só


mesmas que perturbam que determina o que as
os homens, mas os juízos pessoas sentem, mas, antes, o
que eles fazem sobre as modo como elas interpretam
coisas." uma situação”

“Não busque a felicidade fora, mas sim dentro


de você, caso contrário nunca a encontrará.”
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APLICABILIDADE DA TCC
•Depressão •Conflitos conjugais
•Transtornos de ansiedade •Conflitos familiares
•Transtornos alimentares •Disfunções sexuais
•Esquizofrenia •Etc.
•Transtorno bipolar Mais de 300 estudos controlados
da TCC para uma série de
•Dor crônica
transtornos psiquiátricos (Butler
•Transtornos de personalidade e Beck, 2000).

•Abuso de substâncias.
•Luto
AS 3 PROPOSIÇÕES
BÁSICAS DAS TCCS
Todas as terapias cognitivo-comportamentais (cerca de
20 abordagens) derivam de um modelo cognitivo
prototípico e compartilham alguns pressupostos
básicos, mesmo quando apresentam diferentes
abordagens conceituais e estratégicas nos diversos
transtornos.
Três proposições fundamentais:
1. A atividade cognitiva influencia o comportamento.
2. A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada.
3. O comportamento desejado pode ser influenciado
mediante a mudança cognitiva.
o TC – TERAPIA COGNITIVA (Cognitive Therapy)
o ESQUEMAS (significado)
o DISTORÇÃO COGNITIVA (Erros Pensamento)
o TRÍADE COGNITIVA
o MODELO COGNITIVO
BECK

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Situação Crença
Antes Central Estratégias
Repetiu 7ª série Não termina o que começa.

“Eu sou incompetente” Esquema de


DESVALIA

Crenças
Intermediárias

“Se eu não entendo algo, “É horrível ser


então eu sou burro” sempre o pior” Corporal
Sudorese
Situação Pensamentos Reações Comportamental
Agora Automáticos
Sai da sala
Aula TCC “Isso é difícil demais...
Eu jamais vou aprender...” Emocional

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Tristeza
Situação Crença
Antes Central Estratégias
Bullying na escola Não interage com colegas.

“Eu sou incapaz Esquema de


de ser amado” DESAMOR

Crenças
Intermediárias

“Se eu interagir com as “Devo me


pessoas elas não vão me isolar” Corporal
aceitar como sou”
Taquicardia
Situação Pensamentos Reações Comportamental
Agora Automáticos
Fica isolado
Festa de “Não vou ter assunto
um colega para conversar na festa Emocional

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Medo,Tristeza
MODELO COGNITIVO
“A TC não é um modelo linear em que as
situações ativam pensamentos, que geram uma
consequência com resposta emocional,
comportamental e física. Há uma interação
recíproca de pensamentos, sentimentos,
comportamentos, fisiologia e ambiente”.
(Knapp)
ESQUEMA COGNITIVO
Segundo Beck, o conceito de esquema em Terapia Cognitiva se
refere a uma rede estruturada e inter-relacionada de crenças que
podem ser ativadas ou desativadas conforme a presença ou a
ausência de experiências estressantes.
Um esquema é uma estrutura cognitiva que processa informação e
que
“filtra, codifica e avalia os estímulos aos quais o organismo é
submetido. Com base na matriz de esquemas, o indivíduo consegue
orientar-se em relação ao tempo e aos espaço, bem como
categorizar e interpretar experiências de maneira significativa”
(BECK, 1967, p.283).
Os esquemas disfuncionais podem explicar a repetição de padrões
de comportamento.
ESQUEMA COGNITIVO
Os esquemas disfuncionais passam a conduzir a forma de
interpretar os acontecimentos, resultando em uma
percepção distorcida e tendenciosa, refletindo-se nas típicas
concepções errôneas, em atitudes distorcidas, premissas
inválidas, metas irrealistas.
Os pensamentos automáticos são o resultado consciente
do processamento esquemático inconsciente, que emerge
na vida mental explícita como imagens ou pensamentos
verbais. São resultados do mecanismos de avaliação
implícitos, produzidos pelos esquemas.
ESQUEMAS E ESTRATÉGIAS
COMPENSATÓRIAS
Os esquemas precedem, selecionam e acionam estratégias
comportamentais relevantes e moldam profundamente o funcionamento
emocional e comportamental dos indivíduos.
A estrutura cognitiva é formada por vários esquemas (significados e
crenças) que formam teorias pessoais: uma maneira peculiar de
interpretação do mundo.
A função da atribuição de significado (tanto a nível automático ou
deliberativo) é controlar os vários sistemas psicológicos. Sistemas
psicológicos (p.ex. comportamental, emocional, motivacional, atenção,
memória...). O significado ativa estratégias para adaptação.
Com base neste significado as pessoas se comportam de determinada
maneira e constroem diferentes hipóteses sobre o futuro, sobre os outros e
sobre sua própria identidade (Tríade Cognitiva).
TRÍADE COGNITIVA
VISÃO DE SI

MUNDO/OUTROS FUTURO

É a forma como o indivíduo vê a si mesmo, o mundo


e o seu futuro.
Na depressão, pela visão essencialmente negativa,
geram-se sentimentos de desvalia, autoacusação ou
derrota. E o sentimento e o comportamento estão
de acordo com a sua percepção distorcida.
CRENÇAS CENTRAIS
Profundas ideias a cerca de si mesmo.
São tão fundamentais e profundas que as pessoas
não revelam sequer para si mesmas.
São “verdades absolutas”, generalizadas e rígidas.
Pode ser ativada na maior parte do tempo ou
apenas diante de situações específicas.
Influencia a percepção da pessoa mesmo quando a
interpretação da realidade possa mostrar
racionalmente que se trata de uma inverdade.
Podem ser funcionais ou disfuncionais.
CRENÇAS CENTRAIS
Três tipos de crenças DISFUNCIONAIS mais
abrangentes se aglutinam em esquemas de:
DESAMOR
DESAMPARO
DESVALOR
DESAMPARO
Crenças sobre ser impotente, frágil, vulnerável, carente,
desamparado, necessitado.
Ex:
Sou uma vítima;
Sou vulnerável, fraco, sem recursos, passível de maus
tratos;
Eu não consigo me proteger;
Sou fraco, descontrolado;
Eu não consigo mudar.
DESAMOR
Crenças sobre ser indesejável, incapaz de ser amado,
sem atrativos, rejeitado, abandonado, sozinho.
Sou diferente, indesejável, feio, monótono, não tenho
nada a oferecer;
Não sou amado, querido, sou negligenciado;
Sempre serei rejeitado, abandonado, sempre estarei
sozinho;
Sou diferente, imperfeito, não sou bom o suficiente
para ser amado.
DESVALOR
Crenças sobre ser incapaz, incompetente, inadequado,
ineficiente, falho, defeituoso, enganador, fracassado,
sem valor.
Não tenho valor;
Não sou bom o suficiente;
Não sou bom como os outros;
Eu não consigo; Sou um fracasso;
Sou cruel, perigoso, sou uma pessoa ruim;
Não mereço viver.
CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS
Influenciadas pelas crenças centrais.
Mais contextualizadas, são articuladas pela pessoa em
forma de atitudes, regras e suposições:
Ex:
Atitude: é horrível ser incompetente.
Regra: Eu devo trabalhar o mais arduamente que puder
o tempo todo. Nunca é suficiente.
Suposição: se eu trabalhar mais arduamente que puder,
posso talvez alcançar o desempenho que outros
alcançam facilmente.
ESTRATÉGIAS
COMPENSATÓRIAS
Crença central: sou inadequado
Estratégia: É melhor eu depender dos outros.

Crença central: Sou insignificante


Estratégia: É melhor eu me isolar, evitar aproximação.

Crença central: sou vulnerável


Estratégia: Agir com firmeza, dominar, evitar qualquer
possibilidade de ser prejudicado.
3 TIPOS DE ESTRATÉGIAS
COMPENSATÓRIAS
Manutenção do esquema
Evitação do esquema
Hipercompensação do esquema
PENSAMENTOS
AUTOMÁTICOS
Os pensamentos automáticos são pensamentos que
intermediam os acontecimentos externos e as reações
emocionais, comportamentais e fisiológicas do
indivíduo, e “frequentemente passam despercebidos,
por que são parte de um padrão repetitivo de raciocínio,
e ocorrem tão seguidamente quanto rapidamente”.
São pensamentos ou imagens que surgem
automaticamente; são com frequência bastante rápidos
e breves; não decorrem de deliberação ou raciocínio.
PENSAMENTOS
AUTOMÁTICOS
Identificar, avaliar e responder a pensamentos
automáticos (de uma forma mais adaptativa)
usualmente produz uma mudança positiva no afeto.
“O que está passando pela sua mente neste momento?”
PENSAMENTOS
AUTOMÁTICOS
Coexistem com os manifestos
Surgem espontaneamente
Aceitos como verdadeiros
Passam despercebidos
Associados a emoções específicas
Verbal ou imagens
Podem ser identificados, avaliados e corrigidos
VULNERABILIDADE
COGNITIVA
O interjogo de vários fatores – genéticos, ambientais,
culturais, físicos, familiares, de desenvolvimento e
personalidade – predispõe o indivíduo à vulnerabilidade
cognitiva.
As interações e interfaces de todos esses fatores entram
em jogo na formação das crenças e dos pressupostos
idiossincráticos de si mesmo, das pessoas e do mundo,
determinando quais eventos de vida irão acionar reações
maladaptativas.
(KNAPP)
INCONSCIENTE COGNITIVO
O Inconsciente freudiano: foi o único referencial
disponível sobre o funcionamento mental inconsciente
até 1980.
1980: ápice da revolução cognitiva, cresciam as
pesquisas sobre processamento inconsciente nas áreas
de “processos automáticos” ou “memória implícita”.
Modelo chamado Inconsciente Cognitivo (John
Kihlstrom, psicólogo):
O funcionamento mental envolve processos
inconscientes e conteúdos conscientes. Os conteúdos
conscientes provem do processamento das informações,
mas não estamos conscientes do processamento em si,
somente do resultado.
INCONSCIENTE COGNITIVO
O cérebro efetua operações complexas cujo resultado
pode se transformar em conteúdo consciente.
Estudos mostraram que respostas avaliativas podem
ocorrer automaticamente e que esta avaliação
automática é um fenômeno comum.
O afeto passou a ser enfocado expandindo a noção
inicial com ênfase predominantemente cognitiva, para
um novo modelo, no qual todos os principais processos
mentais podem operar automaticamente.
O Inconsciente Cognitivo então está relacionado ao
processamento inconsciente envolvido no afeto, na
motivação, na autorregulação e mesmo no controle e na
metacognição (novo modelo apresentando no livro The
New Unconscious, 2005).
INCONSCIENTE COGNITIVO
A memória explícita é aquela que se refere a uma
lembrança consciente de algum episódio prévio, em que
o sujeito lembra deliberadamente de algum aspecto da
experiência quando questionado.

A memória implícita, também chamada de não


declarativa ou inconsciente, é demonstrada por
qualquer mudança no pensamento, na emoção ou na
ação que é atribuível a alguma experiência passada
mesmo sem a lembrança consciente do evento ocorrido.
João andava pelo rua até a escola

Ele estava preocupado com a aula de matemática

Tinha medo de não conseguir controlar a turma

Aquilo não fazia parte das tarefas de um proteiro


CÉREBRO E CRENÇA
“O cérebro é uma máquina de gerar crenças. Elas vem
em primeiro lugar e só em seguida que elaboramos as
explicações que as justificam... Nossa mente tem fome
de padrão. Ela liga os pontos, até que as informações
desconexas recebidas por nós formem padrões com a
aparência de fazer sentido... E, formadas as crenças, o
cérebro passa a procurar evidências que as confirmem,
desprezando as que as desmintam. É um processo na
qual as ideias, independente de estarem certas ou não,
vão se reforçando.”

Shermer,Michael. Cérebro e Crença. São Paulo: JSN Editora, 2012.


DISTORÇÕES COGNITIVAS

 São vieses sistemáticos na forma


como indivíduos interpretam suas
experiências.
 Se a situação é avaliada
erroneamente, essas distorções
podem levar o indivíduo a
conclusões equivocadas.
TCC E DISTORÇÕES
COGNITIVAS
O objetivo da Terapia Cognitiva é corrigir
as distorções do pensamento, ou seja,
modificar os erros cognitivos,
promovendo maior flexibilidade
cognitiva, construindo pensamentos
alternativos mais funcionais, capazes de
gerar uma melhora no estado de humor
no paciente.
SOBREPOSIÇÃO DE
DISTORÇÕES COGNITIVAS
As distorções cognitivas tem intersecções e
sobreposições, por isso o paciente
provavelmente irá apresentar,
concomitantemente, mais de uma distorção
numa mesma situação.

Por ex.: “Se eu chegar atrasado minha mulher


vai se separar de mim. Ela não consegue me
compreender.” (catastrofização e vitimização)
CATASTROFIZAÇÃO
Pensar que o pior de uma situação vai ocorrer, sem levar em
consideração outros desfechos. Acreditar que esse
acontecimento será terrível e insuportável. Eventos negativos
que podem ocorrer são tratados como catástrofes intoleráveis,
em vez de serem vistos em perspectiva.
“Perder o emprego será o fim da minha carreira”
“Não suportarei a separação da minha mulher”
“Se eu perder o controle será o meu fim”
ABSTRAÇÃO SELETIVA
(FILTRO MENTAL, FILTRO NEGATIVO OU
VISÃO EM TÚNEL)
 Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção,
enquanto outros aspectos relevantes da situação são
ignorados. Uma parte negativa de toda uma situação é
realçada, enquanto todo o restante positivo não é percebido.
 Um homem deprimido com baixa autoestima não recebe um
cartão de boas-festas de um velho amigo.
 Ele pensa: "Estou perdendo todos os meus amigos;
ninguém se importa mais comigo". Ele ignora as evidências
de que recebeu cartões de vários outros amigos, que seu
velho amigo tem lhe enviado cartões todos os anos nos
últimos 15 anos, que seu amigo esteve muito ocupado no ano
passado com uma mudança e um novo emprego e que ele
ainda tem bons relacionamentos com outros amigos.
INFERÊNCIA ARBITRÁRIA

Conclusão a partir de evidências contraditórias ou na ausência


de evidências.
Uma mulher com medo de elevador é solicitada a prever as
chances de um elevador cair com ela dentro. Ela responde que
as chances são de 10% ou mais de o elevador cair até o chão
e ela se machucar. Muitas pessoas tentaram convencê-la de
que as chances de um acidente catastrófico com um elevador
são desprezíveis.
SUPERGENERALIZAÇÃO
Conclusão sobre um acontecimento isolado é estendida de
maneira ilógica a outras áreas do funcionamento.
Um universitário deprimido tira nota B em uma prova. Ele
considera insatisfatório e supergeneraliza com pensamentos
automáticos:
"Estou com problemas nessa aula; estou ficando para trás
em todas as áreas da minha vida; não consigo fazer nada
direito".
MAXIMIZAÇÃO E MINIMIZAÇÃO

 A importância de um atributo, evento ou sensação é


exagerada ou minimizada.
 Uma mulher com transtorno de pânico começa a sentir
tonturas durante o início de um ataque de pânico. Ela pensa:
"Vou desmaiar; posso ter um ataque cardíaco ou um
derrame".
 “Eu tenho um ótimo emprego, mas todo mundo tem”.
 “Obter notas boas não quer dizer que sou inteligente, os
outros obtêm notas melhores do que as minhas.”
PERSONALIZAÇÃO

Assumir responsabilidade excessiva ou culpa por


eventos negativos, falhando em ver que outras
pessoas e fatores também estão envolvidos nos
acontecimentos.
O chefe estava nervoso e de cara feia. “Devo ter
feito algo errado.”
Separando-se da esposa. “Não consegui manter
meu casamento, ele acabou por minha causa.”
PENSAMENTO ABSOLUTISTA
(DICOTÔMICO OU DO TIPO TUDO-OU-
NADA)
 Os julgamentos sobre si mesmo, as experiências pessoais ou
com os outros são separados em duas categorias ( totalmente
mau ou totalmente bom, fracasso total ou sucesso, cheio de
defeitos ou completamente perfeito)
 Paulo, um homem com depressão, compara-se com Roberto,
um amigo que parece ter um bom casamento e cujos filhos
estão indo bem na escola. Embora o amigo seja muito feliz
em sua casa, sua vida está longe do ideal. Roberto tem
problemas no trabalho, restrições financeiras e dores físicas,
entre outras dificuldades.
 Paulo está se envolvendo em pensamento absolutista quando
diz para si mesmo:
 "Tudo vai bem para Roberto; para mim nada vai bem".
RACIOCÍNIO EMOCIONAL
 Presumir que sentimentos são fatos. “Sinto, logo existo”.
Pensar que algo é verdadeiro porque tem um sentimento (na
verdade um pensamento) muito forte a respeito. Deixar os
sentimentos guiarem a interpretação da realidade. Presumir
que as reações emocionais refletem a situação verdadeira.
 “Eu sinto que minha mulher não gosta mais de mim.”
 “Sinto que meus colegas riem às minhas costas”.
 “Sinto que estou tendo um enfarto, então deve ser
verdadeiro.”
 “Sinto-me desesperado, então a situação deve ser
desesperadora.”
ADIVINHAÇÃO
Prever o futuro. Antecipar problemas que talvez não venham
a ocorrer. Expectativas negativas estabelecidas como fatos.
“Não irei gostar da viagem.”
“Ela não aprovará meu trabalho.”
“Dará tudo errado.”
LEITURA MENTAL

Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão


pensando, desconsiderando outras hipóteses possíveis.
“Ela não está gostando da minha conversa.”
“Ele está me achando inoportuna.”
“Ele não gostou do meu projeto.”
ROTULAÇÃO
Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo, numa pessoa
ou situação, em vez de rotular a situação ou o comportamento
específico.
“Sou incompetente.”
“Ele é uma pessoa má.”
“Ela é burra.”
DESQUALIFICAÇÃO DO POSITIVO
Experiências positivas e qualidades que entram em conflito
com a visão negativa são desvalorizadas porque “não contam”
ou são triviais.
“O sucesso obtido naquela tarefa não importa, porque foi
fácil.”
“Isso é o que esposas devem fazer, portanto, ela ser legal
comigo não conta.”
“Eles só estão elogiando meu trabalho porque estão com
pena.”
IMPERATIVOS
“DEVERIA” E “TENHO QUE”
 Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam
ser, em vez de simplesmente considerar as coisas como são.
Afirmações absolutistas na tentativa de prover motivação ou
modificar um comportamento. Demandas feitas a si mesmo,
aos outros e ao mundo para evitar as consequências do não
cumprimento dessas demandas.
 “Eu tenho que ter controle sobre todas as coisas.”
 “Eu devo ser perfeito em tudo que faço.”
 “Eu não deveria ter ficado incomodado com meu amigo.”
VITIMIZAÇÃO
Considerar-se injustiçado ou não entendido. A fonte
dos sentimentos negativos é algo ou alguém, havendo
recusa ou dificuldade de se responsabilizar pelos
próprios sentimentos e comportamentos.
“Minha esposa não entende meus sentimentos.”
“Faço tudo pelos meus filhos e eles não me agradecem.”
QUESTIONALIZAÇÃO
(E SE?)
Focar o evento naquilo que poderia ter sido e
não foi. Culpar-se pelas escolhas do passado e
questionar-se por escolhas futuras.
 “Se eu tivesse aceitado o outro emprego, estaria melhor
agora.”
 “E se o novo emprego não der certo?”
 “Se eu não tivesse viajado, isso não teria acontecido.”
BIBLIOGRAFIA

WRIGHT, J. BASCO, M. e THASE, M. Aprendendo a Terapia Cognitivo-


Comportamental – Um Guia Ilustrado. Porto Alegre, Editora Artmed, 2008.

BECK, J. Terapia Cognitiva – Teoria e Prática. Porto Alegre, Editora Artmed,


1997.

KNAPP, P. et al. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica.


Porto Alegre, Editora Artmed, 2004.

RANGE, B. et al. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais.: um diálogo


com a psiquiatria. Porto Alegre, Editora Artmed, 2011.