Você está na página 1de 10

A potência da imaginação poética na

dramaturgia de Tennessee Williams


RESUMO

• A partir da leitura das peças O Zoológico de Vidro e Um


Bonde Chamado Desejo de Tennessee Williams, este
trabalho tem como objetivo o estudo das imagens
poéticas, metáforas e símbolos como modo de
potencializar a experiência cênica e de leitura.
Complementam essa análise, o estudo de outras obras
do próprio Williams, sejam seus contos ou outras peças
e mesmo adaptações cinematográficas inspiradas em
suas obras.
Palavras-chave: Tennessee Williams; metáfora, imagem
poética.
HART CRANE
To put it more plainly, as a poet I may very possibly be more
interested in the so-called illogical impingements of the
composition of words on the consciousness (and their
combinations and interplay in metaphor on this basis), than I am
interested in the preservation of their logically rigid
significations. (1921, Crane apud ELLMANN, Richard e O’CLAIR,
Robert, 1976).

“And so it was I entered the broken world


To trace the visionary company of love, its voice
An instant in the wind (I know not whither hurled)
But not for long to hold each desperate choice.”
The Broken Tower de Hart Crane.
Um bonde chamado Desejo
• “BLANCHE: Disseram-me que eu tomasse
um bonde chamado Desejo, depois
passasse para um outro chamado
Cemitério, andasse seis quarteirões e
desceria nos Campos Elísios!”
“A Streetcar named Desire is most
expressionistic precisely at those moments when
the audience shares with Blanche an internal
perception that is not apparent to the others
characters. (...) The viewer sees and hears along
with Blanche such disturbing and disorienting
images and sounds as the screeching of the cat,
the glare of the locomotive lights, the music of
the Varsouviana polka and the gunshot noise
that silences it, the menacing reflections and
shadows that appear on the walls, and the
inhuman voices and echoes that help replicate
her mental state at the end of the play. The play,
in fact, becomes more expressionistic in its style
as Blanche’s emotional and mental breakdown
becomes more pronounced.” (ADLER, 1990,
p.30)
Desejo como Pecado
Desejo para Spinoza

• O desejo – cupiditas- é a própria essência do homem


enquanto concebida como determinada a fazer algo
por uma afecção dela mesma. (...) Por afecção da
essência humana entendemos não importa qual
disposição (constitutionem) dessa essência, seja inata
ou mão (...) Portanto, pelo nome de desejo entendo
todos os esforços, impulsos, apetites e volições do
homem, os quais variam segundo a disposição variável
de um mesmo homem, e não é raro vê-los de tal
meneira opostos entre si que o homem puxado em
sentidos contrário, não sabe para onde voltar-se.”
(MARILENA CHAUÍ, CITANDO SPINOZA, P. 1104)
Zoológico de Vidro
“Nobody, not even the rain, has such small
hands” e.e. cummings
Cena de Zoológico de Vidro
• “De repente eles batem na mesa e o unicórnio cai no chão. Jim para de dançar.) No que batemos?
• LAURA: Na mesa.
• JIM: Caiu alguma coisa? Acho que-
• LAURA: Foi.
• JIM: Tomara que não tenha sido o cavalinho de vidro com o chifre!
• LAURA: Foi. (Ela se curva para apanhá-lo.)
• JIM: Ah, não. Quebrou?
• LAURA: Agora ele ficou igual a todos os outros cavalos.
• JIM: Perdeu o-
• LAURA: Chifre! Não tem importância. Talvez seja uma benção disfarçada.
• JIM: Você nunca vai me perdoar. Aposto que era o seu favorito.
• LAURA: Eu não tenho favoritos. Não é nenhuma tragédia, Sardento. É tão fácil o vidro se quebrar.
Mesmo tomando muito cuidado. O tráfego sacode as prateleiras e as coisas caem.
• JIM: Mesmo assim eu me sinto muito mal por ter causado isso.
• LAURA: (sorrindo) Vou imaginar que ele foi operado. O chifre foi removido para que ele se sentisse
menos- esquisito! (Os dois riem) Agora ele vai ficar mais à vontade com os outros cavalos, que não
têm chifres...” (WILLIAMS,2014, 123-124)
BLANCHE: Of course you don’t really mean to be insulting!
MITCH: No, just realistic.
BLANCHE: I don’t want realism.
MITCH: Naw, I guess not.
BLANCHE: I’ll tell you what I want. Magic! (Mitch laughs) Yes, yes, magic! I try to
give that to people. I misrepresent things to them. I don’t tell the truth, I tell
what ought to be truth. And if that is sinful, then let me be damned for it! – Don’t
turn the light on!

TOM: Yes, I have tricks in my pocket, I have things up my sleeve. But I am the
opposite of a stage magician. He gives you illusion that has the appearance of
truth. I give you truth in the pleasant disguise of illusion.