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Barroco

É TEMPO DE ANGÚSTIA
BARROCO: SEISCENTISMO
MARCO INICIAL: UNIFICAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA – PORTUGAL
PUBLICAÇÃO DO POEMA PROSOPOPEIA DE BENTO TEIXAIRA –BRASIL.
TRANSFORMAÇÕES, TURBULÊNCIAS SOCIAIS, POLÍTICAS E ECONÔMICAS E HISTÓRICAS.
DILEMA: ANTROPOCENTRISMO X TEOCENTRISMO

Barroque - pedra irregular, manchada, escura.


CARACTERÍSTICAS
 Dualismo – bifrontismo Antagonismo
Exagero, contrastes, oposição entre forças
do universo
• Medievais X renascentistas
• Fé X razão
• Claro X escuro
• Deus X inferno
• Vida e Morte

 Niilismo temático: conteúdo vazio


 Fugacidade – carpe diem
 Pessimismo – angústia, ideia de morte
 Feísmo: predileção por aspectos feios.
 Tensão religiosa: choque de visão.
 Abuso das figuras de linguagem – cultismo.
Caravaggio - A incredulidade de São Tomé
Análise obra barroca – Pinceladas de arte

https://www.youtube.com/watch?v=8ssj1jaBHX0
https://www.youtube.com/watch?v=mOZsI3dplzU
Arte Barroca
https://www.youtube.com/watch?v=uADLlKSVstk
Aleijadinho existiu?
Estilos barrocos

Rebuscamento
É caracterizado pela linguagem rebuscada, culta,
extravagante; pela valorização do pormenor mediante
jogos de palavras.
Visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora;
daí o estilo ser também conhecido como Gongorismo.

Arte racional

Cultismo O artista emprega o jogo de ideias e o


raciocínio lógico, usando os recursos da
retórica.
Visível influência do Padre Quevedo, por
isso também chamado Quevedismo.
Barroco - Cultismo
O JOGO DE PALAVRAS DE GREGÓRIO DE MATOS
Cultismo
Gregório de Matos
o primeiro poeta popular no Brasil.
Consciente aproveitador de temas e de ritmos da
poesia e da musica populares.

O Boca do Inferno
 Irreverente:
Afrontou os valores e a falsa moral sociedade baiana do
seu tempo.
 Como poeta lírico:
Segue e ao mesmo tempo quebra os modelos barrocos
europeus
 Como poeta satírico:
 Denuncia as contradições da sociedade baiana do
século XVII
 Usa a língua portuguesa com vocábulos indígenas e
africanos, e palavras de baixo calão.
Poesia Religiosa Buscando a Cristo
Gregório de Matos

A vós correndo vou, braços sagrados,


 conflito vida x morte Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
 súplicas pelo perdão E, por não castigar-me, estais cravados.
 consciência do pecado
A vós, divinos olhos, eclipsados
 argumentatividade De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,


A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,


A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
Poesia Religiosa A Jesus Cristo Nosso Senhor
Gregório de Matos

 conflito vida x morte Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta piedade me despido;
 súplicas pelo perdão Antes, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
 consciência do pecado
Se basta a vos irar tanto pecado,
 argumentatividade A abrandar vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida já cobrada,


Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada,


Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória
Poesia Satírica Cidade Bahia
Gregório de Matos

 Crítica à sociedade colonial A cada canto um grande conselheiro,


 Rancor ao clero, aos mestiços Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
 e aos corruptos E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem frequente olheiro,


Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,


Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,


Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
Epílogos - Gregório de matos
Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,


Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta

Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste socrócio?... Negócio.


Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu

Negócio, ambição, usura.


Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,


Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,

Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.


Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,


E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando

Meirinhos, guardas, sargentos.


E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa


O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça

Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.


E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é

Simonia, inveja e unha.


E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas


Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade

São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.


E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,

Baixou, subiu, morreu.


A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,


Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,

Não pode, não quer, não vence.


Poesia Lírica: À sua mulher antes de casar
 figura feminina encantadora Gregório de Matos

Discreta e formosíssima Maria,


 fugacidade da beleza Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
 brevidade da vida Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,


O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora,
Quando vem passear-te pela fria...

Goza, goza da flor da mocidade,


Que o tempo trata a toda a ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh não aguardes que a madura idade


Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
Barroco - Conceptismo
O JOGO DE IDEIAS DE VIEIRA
Conceptismo
Padre Antônio Vieira

 Nasceu em Lisboa, em 1608, aos seis anos veio com


a família para a Bahia, estudou no Colégio dos
jesuítas.

 Consagrou-se orador junto à Corte, teve enorme


influência política, foi processado por opiniões
heréticas, condenado, exilou-se em Roma.

 Reabilitou-se e regressou ao Brasil onde morre em


Salvador em 18 de julho de 1697.

 Sua obra é composta de profecias, sermões e


cartas.
Sermão da Sexagésima
 O Sermão da Sexagésima ensina-nos a arte da oratória – a
arte de falar ao público e, acima de tudo, a arte de
persuadir.

 Convencer relaciona-se ao campo da razão, ao passo que


persuadir diz respeito às emoções.

 Vieira quer muito mais que convencer, ele quer persuadir seus
ouvintes, isto é, ele quer mudar a maneira como os
pregadores de sua época pregavam.

 Característica importante dos sermões de Vieira é sua


constante preocupação com os efeitos da pregação na vida
social. Um instrumento de origem divina voltado para a
expansão do cristianismo, para a correção dos erros dos
cristãos, para edificação de uma sociedade efetivamente
católica, para a salvação eterna.
Sermão da Sexagésima

O Sermão da Sexagésima é dividido


em dez partes que podem, por sua vez, ser
encaixadas na divisão canônica do texto
argumentativo/ dissertativo:

introdução,
desenvolvimento e
conclusão
Sermão da Sexagésima
Introdução
 Vieira expõe o problema e se posiciona a respeito dele.
O padre abre o sermão falando da dificuldade do
semeador/ missionário (intertexto com a parábola do
semeador, da Bíblia) que saiu do conforto e segurança
de sua terra para pregar em terras distantes e
selvagens.

 Vieira compara a semeadura do trigo com a pregação


da palavra de Deus, que pode cair entre
 os animais,
 entre as pedras,
 ou os espinhos,
 mas que, ainda assim, pode provocar mudanças. Os
espinhos e as pedras representam os homens mais
difíceis de converter e, para o padre, estes é que mais
precisam do esforço do pregador.
Sermão da Sexagésima
Conclusão
 Vieira faz um último alerta ao pregador/orador: o risco
de dizer aquilo que ele julga ser agradável ao público
em vez de dizer aquilo que precisa ser realmente dito.

 Algumas verdades são duras, mas, ainda assim,


precisam ser ditas.

 O orador não deve ter medo de tocar em assuntos


polêmicos, entretanto deve tomar o cuidado de não
entrar em debate com o público, o que transformaria a
palestra em discussão.
Demais obras de Vieira

Sermões
 Sermão de Sano Antônio aos peixes

 Sermão do Mandato

 Sermão do Bom Ladrão

 Sermão pelas armas de Portugal contra as


de Holanda