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O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL

PROF. MS. JULIANA MONTENEGRO


INQUIETAÇÕES...
O ser humano é a um só tempo, físico,
biológico, psíquico, cultural, social,
histórico.
Esta unidade complexa na natureza
humana é totalmente desintegrada na
educação por meio das disciplinas, tendo-
se tornado impossível aprender o que
significa ser humano. É preciso restaurá-la,
de modo que cada um, onde quer que se
encontre, tome conhecimento e
consciência, ao mesmo tempo, de sua
identidade complexa e de sua identidade
comum a todos os outros humanos.
(Morin, Edgar)
Concepções de
Educação e Escola
PAULO FREIRE: A Escola é um ambiente favorável à
aprendizagem significativa, onde a relação professor-
aluno acontece sempre com diálogo, valorizando o
respeito mútuo. O espaço escolar deve sempre
contribuir para a curiosidade, a criatividade, o
raciocínio lógico, o estímulo à descoberta.
Educação é um processo humanizante, social, político,
ético, histórico, cultural e afirma: “A educação sozinha
não transforma a sociedade, sem ela tampouco a
sociedade muda”.
OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO
• Identificação dos elementos culturais
que devem ser assimilados pelos homens
(conteúdos clássicos)
• Criar formas para que isso aconteça
(meios) Portanto, a ESCOLA é a instituição
que deve propiciar a apropriação do saber
sistematizado.
• “A escola diz respeito ao conhecimento
elaborado e não ao conhecimento
espontâneo; ao saber sistematizado e não
ao saber fragmentado; à cultura erudita e
não à cultura popular”.
REFLEXÕES

Quando uma expressão é materializada


mediante a linguagem, ela exerce um
O significado de denominações como
efeito reversivo sobre a atividade mental.
“tia” ou “meninas”, a que são submetidas
Assim, o mundo exterior vai sendo
as professoras, pode influenciar a visão
adaptado às possibilidades da expressão,
que elas têm de si mesmas, de sua
suas tendências e orientações, processo
autoridade e poder. (KRAMER);
que vai constituindo a “ideologia do
cotidiano” (BAKHTIN)
• Paulo Freire defende com veemência que ensinar é uma
tarefa que envolve militância e especificidade no seu
cumprimento e que ser tia é viver uma relação de
parentesco, e, por isso, nunca poderia ser uma profissão.

• O termo “tias” carrega uma ideologia de “boas moças”,


que não brigam, não resistem, não se rebelam, não fazem
greve. Assim, o uso da expressão tia para designar uma
professora pode ser maléfico em função da questão
político-ideológica que se esconde por trás do termo.

(Livro : PROFESSORA, SIM; TIA, NÃO:


CARTAS A QUEM OUSA ENSINAR)
EDUCADOR(A) INFANTIL

Quem é esse(a) educador(a)?

Como capacitá-lo(a)?

Que conhecimentos e aptidões serão necessários à sua


formação?

Que adulto queremos formar com a participação desse(a)


educador(a)?
Sendo a Educação Infantil a fase inicial da vida escolar da
criança, necessário se faz que os profissionais envolvidos
neste processo – especialmente educadores(as) -
apresentem aspectos condizentes à realidade em questão.
Certas características devem ser observadas ao se contratar
este profissional e eticamente falando - ao assumir a
responsabilidade de se trabalhar com crianças. Foram
elencadas abaixo vinte dicas e características que um
profissional deve ter para realizar um trabalho prazeroso e
significativo com crianças pequenas, de acordo com a
Psicopedagoga Adriana Ângela de Almeida Lima:
1- GOSTAR DE CRIANÇAS, é imprescindível que o profissional goste de
crianças, afinal nesta fase elas exigem paciência e amor a todo momento.
Pressupõe-se que quem gosta de crianças, goste também de trabalhar com elas.
O trabalho com pequenos requer disposição, carinho, responsabilidade e uma
energia imensa provenientes somente de quem gostam do que faz.

2- AGILIDADE é uma característica de peso considerável, pois a


criança corre, pula, cai, levanta, descarrega energia e se envolve em
situações repentinas de risco, onde a agilidade do profissional pode
evitar acidentes graves com os pequenos.
3- BOM PREPARO FÍSICO, nesta fase a maioria das brincadeiras são realizadas
no chão, em rodas de conversa ou em círculos programados para as atividades,
para tanto o profissional necessita de boa disposição física para sentar, levantar,
pular, engatinhar, enfim participar de todas as atividades que propõe à criança.
Além do que, os pequenos adoram presenciar adultos executando as mesmas
atividades que eles.

4- SER ÉTICO, assuntos relacionados à instituição e suas famílias devem ser


preservados. Nesta fase é comum crianças comentarem intimidades das famílias -
estes casos ajudam os profissionais a conhecerem a realidade de vida da criança
- e também alguém da família procurar apoio, confiando seus problemas a
pessoas que trabalham na Instituição. Todavia, estes fatos somente poderão ser
comentados em casos extremos- a pessoas especializadas ( Pedagogos,
Psicopedagogos, Psicólogos e Assistentes Sociais) e com a aprovação da Equipe
dirigente da Instituição. Tratar aos colegas com respeito e cordialidade, evitando
brincadeiras desnecessárias e abusivas, afinal a criança observa o(a) professor(a)
e o(a) imita a todo momento.
5- SABER OUVIR OS RELATOS INFANTIS, nestes momentos o profissional
poderá detectar possíveis problemas de várias naturezas, pelos quais a criança
poderá estar passando, ou até mesmo sobre sua personalidade.

6- SER FIRME E AMÁVEL AO MESMO TEMPO, a criança testa o


adulto a todo instante e quando percebe que está vencendo, se torna
indisciplinada e resistente às regras de convivência. Porém, a
amabilidade deve ser cultivada, assim a criança se sentirá segura,
afinal está em um ambiente onde todos são estranhos a ela. Então,
caberá ao educador conciliar ambos aspectos, ponderando suas
atitudes e conscientizando a criança sobre seus deveres, sempre que
necessário.
7- RECEBER BEM OS PEQUENOS E SEUS FAMILIARES, os pais precisam se
sentir seguros em relação ao local e às pessoas em que estão confiando seus
filhos. Portanto, o profissional deve recebê-los sempre com cordialidade,
esclarecendo suas dúvidas, tranquilizando-os em seus anseios, se
disponibilizando a atendê-los quando necessitarem e utilizando estratégias que
motivem a criança a gostar de ir para a instituição.

8- SER CRIATIVO, o planejamento pedagógico deverá nortear o trabalho do(a)


educador(a), todavia, poderá ser alterado sempre que a atividade proposta não
estiver despertando o interesse da turma, para isso o profissional deverá ser
criativo e tornar a atividade em questão mais prazerosa ou até mesmo lançar
mão de outra atividade. Elaborar um plano de aula focado em situações
cotidianas das crianças ou da Instituição, encontrando ou criando músicas,
histórias, jogos, atividades e brincadeiras que enfatizem o tema do planejamento
é uma ótima estratégia para um trabalho diversificado.
9- QUERER APRENDER, a todo momento surgem fatos inesperados quando o
assunto é criança, e nem sempre o profissional está preparado para resolver tudo
o que acontecer, portanto, deverá ter humildade para pedir ajuda e querer
aprender com os mais experientes.

10- UTILIZAR ROUPAS ADEQUADAS, caso a instituição não adote uniforme, o


ideal é camiseta e calça de malha ou jeans - mais largo - para não prejudicar o
desempenho das atividades, e tênis ou sandálias rasteirinhas. Roupas decotadas,
saias, sandálias de salto, roupas apertadas, transparentes, miniblusas ou tomara
que caia devem ser evitados, pois além de inibir o trabalho do profissional,
desperta a atenção de pais, colabores, profissionais e demais pessoas envolvidas
no processo.
11- NÃO DEIXAR AS CRIANÇAS SOZINHAS, ter consciência de que as crianças
não podem ficar sozinhas em nenhum momento, caso tenha necessidade de se
ausentar do espaço onde se encontra com a turma, peça a uma criança que
chame outro profissional para assumir seu lugar temporariamente. Um segundo
sozinhas, os pequenos cometem atitudes inesperadas.

12- JAMAIS DÊ AS COSTAS ÀS CRIANÇAS, ao falar com alguém


na porta da sala - ou em qualquer outro espaço - jamais dê as costas
às crianças, em fração de segundos acontecem muitos problemas
sem que o educador esteja vendo.
13- TRABALHAR SEU TOM DE VOZ, não falar em tom áspero, irônico e volume
alto - assim a criança só compreenderá suas solicitações quando as mesmas
forem feitas com gritos. O ideal é manter um tom baixo e calmo, todavia caso
haja necessidade de uma alteração, que não haja grito e sim mudança na
tonalidade da voz.

14- GOSTAR DE MÚSICA, nesta fase a musicalidade é muito


utilizada. O profissional deverá gostar, conhecer e querer aprender
mais e mais músicas, de preferência acompanhadas de gestos que
ajudam muito no desenvolvimento infantil.
15- SABER CONTAR HISTÓRIAS, sim pois contar histórias não é ler
o livro - é contar com emoção, despertando a curiosidade e a
imaginação da criança.

16- CONHECER AS ÁREAS DO CONHECIMENTO A SEREM


TRABALHADAS: Raciocínio lógico matemático, Linguagem oral e
escrita, Psicomotricidade, Áreas Perceptivas, Conhecimento Social,
Áreas de expressão artística e cultural, Valores Humanos,
Religiosidade, Consciência Ecológica e Conhecimento físico -
elaborando seu plano de aula enfatizando todas as áreas.
17- LER E EXECUTAR A PROPOSTA PEDAGÓGICA E O
REGIMENTO DA INSTITUÇÃO, assim o trabalho do profissional
terá embasamento teórico e sustentabilidade pedagógica.

18- SABER ELABORAR PROJETOS DE AÇÃO PEDAGÓGICA


envolvendo temas atuais, o trabalho com projetos facilita o trabalho
do(a) educador(a), porém, estes projetos devem ser executados com
criatividade envolvendo temas de interesse das crianças e ao mesmo
tempo objetivando uma conscientização sobre o tema proposto. Os
projetos devem ser constantemente avaliados, caso contrário, não
terão significado ao processo educacional.
19- DECORAR E REDECORAR O AMBIENTE SEMPRE QUE NECESSÁRIO, os
olhos da criança se cansam com facilidade de determinadas decorações, para
evitar esta situação, o ideal é utilizar cores claras, tons pastéis e desenhos
acompanhados de paisagens, passarinhos, vales, árvores e flores, pois acalmam
os pequenos.

20- RESERVAR UM ESPAÇO NA SALA PARA EXPOSIÇÃO DAS


PRODUÇÕES DAS CRIANÇAS e convidar os demais profissionais da
Instituição, bem como os familiares dos pequenos, para visitarem a exposição de
trabalhos delas. Pode-se colocar um nome na exposição e um pseudônimo para
o autor da obra. Expor trabalhos nos corredores de entrada da Instituição - de
forma criativa, sempre identificados e relatando os objetivos- também apresenta
bons resultados.
Falar
• As crianças aprendem uma língua
ouvindo os adultos conversarem e
participando destas conversas
• Falar, contar histórias, desenvolver

DICAS... conversas ajudam as crianças a


aprender novas palavras e a se
expressar com desenvoltura
• As crianças precisam ouvir a língua(ou
línguas) que irão falar para aprendê-la.
• Crianças são capazes de entender o que
falamos, muito antes de serem capazes
de produzir algum tipo de linguagem
• Conversar com as crianças sobre
diferentes acontecimentos, histórias e
ideias ajuda no desenvolvimento e na
aquisição dos conhecimentos que eles
precisarão mais tarde quando
começarem a ler e escrever
Escrever
• Leitura e escrita andam juntas e são apenas maneiras diferentes de representar
o que falamos e de nos comunicarmos
• Rabiscos e desenhos são formas de escrita. Eles podem até não representar
palavras, mas cada linha e desenho feito pelas crianças representa uma forma
de as crianças se comunicarem
• Rabiscos e desenhos ajudam as crianças a desenvolverem a coordenação visual
e motora que precisaram para segurar o lápis, por exemplo
• A medida em que escrevem, as crianças tomam consciência de que letras as
letras e palavras tem um significado e aos poucos começam a entender os
propósitos da leitura através do desenvolvimento da escrita
• Escrever não significa necessariamente utilizar lápis e papel. As crianças
aprendem a escrever na areia, brincando com a massinha ou rasgando jornal
enquanto fortalecem os músculos dos dedos
Ler

Ler com as crianças é a maneira mais simples e eficaz de


ajuda-las a se tornar leitores proficientes

As crianças que estão acostumadas a ouvir histórias estão


mais propensas a querer aprender a ler

Ler com as crianças ajuda a desenvolver o vocabulário, a


compreensão e o conhecimento necessário para ler outros
livros quando estiverem maiores
Ler amplia o vocabulário e traz para o universo infantil
palavras “raras” e muitas vezes difíceis de serem encontradas
nas conversas do dia a dia
Brincar
• A brincadeira talvez seja a primeira maneira das
crianças entenderem o mundo a aprender a
língua
• Brincar ajuda as crianças a ordenar ideias e
pensamentos e a coloca-los em palavras
• Brincar ajuda as crianças a pensarem
simbolicamente e a abstrair
• Brincar ajuda as crianças a se prepararem para a
vida adulta e a processar o que elas ouvem e
veem no dia a dia
• Cantar
• Cantar ajuda as crianças a aprenderem novas
palavras
• Quando cantamos falamos mais de vagar e isso
ajuda as crianças a identificarem os diferentes
sons da língua e a perceber as sílabas
• Cantar desenvolve as habilidades auditivas e a
memória e torna a repetição mais fácil para a
criança-é mais fácil guardar uma música curta do
que uma história curta
O papel da educação infantil é o CUIDAR da criança em espaço formal,
contemplando a alimentação, a limpeza e o lazer (brincar). Também é seu papel
EDUCAR, sempre respeitando o caráter lúdico das atividades, com ênfase no
desenvolvimento integral da criança.

Não cabe à educação infantil alfabetizar a criança. Nessa fase ela não tem
maturidade neural para isso, salvo os casos em que a alfabetização é espontânea.

Devem ser trabalhados os seguintes eixos com as crianças: Movimento, Música,


Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade e Matemática.

O objetivo é o de desenvolver algumas capacidades, como: ampliar relações sociais


na interação com outras crianças e adultos, conhecer seu próprio corpo, brincar e
se expressar das mais variadas formas, utilizar diferentes linguagens para se
comunicar, entre outros.

A ênfase da educação infantil é ESTIMULAR as diferentes áreas de desenvolvimento


da criança, aguçar sua curiosidade, sendo que, para isso, é imprescindível que a
criança esteja feliz no espaço escolar.

(Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil)


BINÔMIO EDUCAR/CUIDAR NA EI
• EDUCAR significa, portanto, propiciar situações de
cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de
forma integrada e que possam contribuir para o
desenvolvimento das capacidades infantis de relação
interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude
básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas
crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade
social e cultural. Neste processo, a educação poderá
auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação
e conhecimento das potencialidades corporais, afetivas,
emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de contribuir
para a formação de crianças felizes e saudáveis.
• Contemplar o cuidado na esfera
da instituição da educação
infantil significa compreendê-lo
como parte integrante da
educação, embora possa exigir
conhecimentos, habilidades e
instrumentos que extrapolam a
CUIDAR dimensão pedagógica. Ou seja,
cuidar de uma criança em um
contexto educativo demanda a
integração de vários campos de
conhecimentos e a cooperação
de profissionais de diferentes
áreas.
• Para cuidar é preciso antes
de tudo estar
comprometido com o outro,
com sua singularidade, ser
solidário com suas
necessidades, confiando em
suas capacidades. Disso
depende a construção de
um vínculo entre quem
cuida e quem é cuidado.
CUIDAR
• Parte integrante da educação

• No contexto educativo demanda a


integração de vários campos de
conhecimentos e a cooperação de
profissionais de diferentes áreas

• Como ajudar o outro a se desenvolver


como ser humano

• Significa valorizar e ajudar a


desenvolver capacidades
DESENVOLVIMENTO INTEGRAL

1. CUIDADOS QUALIDADE COM


A ALIMENTAÇÃO
RELACIONAIS
CUIDADOS COM
DIMENSÃO A SAÚDE
AFETIVA

CUIDADO COM OS
ASPECTOS
BIOLÓGICOS DO 2. FORMA COMO SÃO
CORPO OFERECIDOS OS
CUIDADOS

3. OPORTUNIDADE DE
ACESSO A CONHECIMENTOS
ATITUDES E PROCEDIMENTOS DE CUIDADO SÃO
INFLUENCIADOS POR CRENÇAS E VALORES EM
TORNO DA SAÚDE, DA EDUCAÇÃO E DO
DESENVOLVIMENTO INFANTIL

NECESSIDADES COMUNS – FORMAS


DE IDENTIFICÁ-LAS, VALORIZÁ-LAS
E ATENDÊ-LAS CONSTRUÍDAS
SOCIALMENTE
EIXOS
Na BNCC
BEBÊS – 0 a 1a6m

CRIANÇAS BEM
CLASSIFICAÇÃO PEQUENAS – 1a7m –
3a11m

CRIANÇAS
PEQUENAS – 4a –
5a11m
EXEMPLO
EXEMPLO
DE ROTINA
DIÁRIA
ROTINA NO
MAPA MENTAL
HUMILDADE
PEDAGÓGICA