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A2

Crislaine Xavier
Introdução
• Biologia molecular + Sistemática
– Descoberta de espécies crípticas
– Encontradas em muitos grupos taxonômicos

• Taxonomia tradicional
– Baseada na morfologia do adulto
– Esperam-se poucos táxons crípticos em grupos onde
a seleção atua fortemente de forma divergente na
morfologia, resultando de seleção ecológica ou sexual
Introdução
– Mais espécies crípticas são encontradas em grupos
onde a seleção que atua sobre características
morfológicas é mais fraca

– E também quando o fitness está mais associado com


a especificidade do hospedeiro do que com
características morfológicas brutas
Introdução

Larvas diferentes
Adultos sem caracteres morfológicos
discerníveis, inclusive genitália
Introdução
• Espécies crípticas hospedeiro-específicas
documentadas em:
– Lepidoptera
– Diptera
– Hymenoptera
– Hemiptera (Coccoidea)

The status and future of scale insect (Coccoidea) systematics. Hardy, 2013
Introdução
– Hemiptera (Coccoidea)
• Coccidaepolifagia?
• Espécies crípticas – Hospedeiro-específicas

Chionaspis (Diaspididae)

Apiomorpha (Eriococcidae)

Ferrisia virgata (Pseudococcidae)


Introdução
• Taxons crípticos hospedeiros-específicos
– Simpatria ou parapatria
– Seleções divergentes atuando em áreas do
genoma associadas com adaptação a
diferentes hospedeiros ou habitat

• Diferenças genômicas
– Isolamento reprodutivo se existir uma forte
seleção contra híbridos e migrantes
Introdução
• Se a recombinação continua a ocorrer nessas regiões
genômicas, espera-se que o isolamento reprodutivo
decline (Felsenstein, 1981).

• Áreas rearranjadas (ex: inversões e translocações)


possuem taxas reduzidas de recombinação (Rieseberg,
2001)

• Por causa da ausência de recombinação, áres


contendo genes associados com adaptação podem
divergir entre diferentes populações simpátricas ou
parapátricas (Ayala and Coluzzi, 2005)
Introdução

• Se genes associados com isolamento reprodutivo e


divergência adaptativa são encontrados entre essas
regiões rearranjadas, a formação de novas espécies
pode ocorrer (Ayala and Coluzzi, 2005; Coluzzi, 1982; Navarro and Barton,
2003; Noor et al., 2001)
Apiomorpha Rübsaamen, 1894
Cochonilhas australianas

Apiomorpha urnalis

Apiomorpha excupula Apiomorpha munita

Apiomorpha conica

Apiomorpha spinifer
Apiomorpha pharetrata
http://www.bowerbird.org.au
Apiomorpha Rübsaamen, 1894
Cochonilhas australianas

Apiomorpha sp 1

Apiomorpha ovicoloides Apiomorpha sp 3

Royal Botanic Garden


www.rbgsyd.nsw.gov.au
Introdução
• Apiomorpha
– Diversidade cromossômica
– Especificidade de hospedeiro

• Grande variação cromossômica


– 42 espécies descritas no gênero
– 18 cariotipadas  2n = 4 to 2n = 192
(Cook, 2000, 2001; Cook and Gullan, 2008).

– Táxons crípticos – espécies cromossomicamente


divergentes analisadas por:
• Citogenética - A. munita (Cook and Rowell, 2007)
• Desenvolvimento espécie-específico das galhas - A.
pharetrata (Cook and Gullan, 2008)
Introdução
• Relativamente hospedeiro-específico
– Restrito ao gênero Eucalyptus, amplamente
distribuído e rico (Gullan et al., 2005)

• Apiomorpha munita
– Táxons crípticos restritos a diferentes seções do
hospedeiro Eucalyptus (subgênero Symphyomyrtus)
(Cook, 2001; Cook and Rowell, 2007)

• Apiomorpha pharetrata
– Dois taxa cromossomicamente diferenciados foram
capazes de hospedar o mesmo hopedeiro
(Cook and Gullan, 2008)
Introdução
• Apiomorpha minor (Froggatt, 1893)
– Uma morfoespécie com variação cariotípica

Apiomorpha minor

– Variação provavelmente resultante de fissões ou fusões -


Cromossomos são maiores quando o complemento é baixo e
pequenos quando há muitos cromossomos (Cook, 2000)

www.lyncook.org
Introdução
• Apiomorpha minor (Froggatt, 1893)
– Prole híbrida provavelmente infértil
• Durante a meiose é altamente improvável que os
cromossomos irão alinhar e segregar
corretamente (Cook, 2000; Cook and Gullan, 2008)

– Rearranjos cromossômicos poderiam


desempenhar um papel no isolamento
reprodutivo sem concomitante divergência na
morfologia do adulto
Material e métodos

Apiomorpha minor

• Cariótipos
• DNA (DNAr 18s e COI)
• Distribuição geográfica
• Hospedeiro
Material e métodos
• Apiomorpha minor
– A. minor – 158 coletados ao longo de 20 anos

– A. annulata
– A. nookara 44
– A. sessilis
• A. maliformis – 2 Grupos externos para as
análises filogenéticas
• A. variabilis – 8

– Identificação morfológica dos espécimes


• *10 espécimes diferentes, parecidos com A. nookara
– Identificação das espécies hospedeiras
Material e métodos
• Extração do DNA
– Salting-out, Qiagen DNeasy Tissue Kit, CTAB/chloroform
– PCR

– Purificação - Antarctic Phosphatase and Exonuclease I (New


England Biolabs, Australia)
– Sequenciamento – Macrogen
– CodonCode Aligner 4.0.4, Se-Al 2.0a11, PAUP*4.0b10
Material e métodos
• Análises filogenéticas
– Inferência Bayesiana - MrBayes 3.1.2
– Máxima verossimilhança - RAxML v7.3.2
– Máxima Parsimônia - PAUP*4.0b10
• Análise citogenética
– Tecido ovariano de 95 fêmeas
– Macho – um conjunto haploide eucromático e
outro heterocromático

Cook, 2000
Resultados
• 90 haplótipos de 202 indivíduos incluindo
os grupos externos
• Nenhum stop codon
• Um terço dos sítios foi polimórfico
198/554 bp (189 parsimônia informativos)

Não estacionariedade - indução de


erros em estimativas filogenéticas
Espécie anômala – A. annulata
Resultados

Clados 1–9  A. minor


Clados 10 – 11  A. nookara

Fig. 1. ML trees of 18S (left) and COI (right). COI clades that are not
contradicted by 18S are colored and numbered. * indicates nodes that
are well supported (MP BS ≥ 70, ML BS ≥ 70, and/or PP ≥ 0.95). Scale
bar = substitutions/site.
Resultados

Resultados

– Entre A. minor – 12, 1


– Entre A. nookara – 5,1
Resultados

Fig. 2. Distribution of clades within the Apiomorpha minor and A. nookara


cryptic species-complexes showing areas of sympatry/parapatry of several
clades. Colors are as in Fig. 1.
Resultados

Fig. 2. Distribution of clades within the Apiomorpha minor and A. nookara


cryptic species-complexes showing areas of sympatry/parapatry of several
clades. Colors are as in Fig. 1.
Resultados

Fig. 2. Distribution of clades within the Apiomorpha minor and A. nookara


cryptic species-complexes showing areas of sympatry/parapatry of several
clades. Colors are as in Fig. 1.
Resultados

Fig. 2. Distribution of clades within the Apiomorpha minor and A. nookara


cryptic species-complexes showing areas of sympatry/parapatry of several
clades. Colors are as in Fig. 1.
Resultados
• 55 alelos de DNAr 18S de 212 indivíduos
• Seq. 820-863pb
• Vários indivíduos foram heterozigotos em
um ou dois sítos
Resultados

– Entre as espécies do grupo A. minor – 2,9


– Entre A. minor s. l. + A. nookara – 1,9
Resultados

DNAr 18S - Relação entre


espécies do grupo A. minor e
uma relação de irmandade
para A. annulata e A. sessilis

Fig. 1. ML trees of 18S (left) and COI (right). COI clades that are not
contradicted by 18S are colored and numbered. * indicates nodes that
are well supported (MP BS ≥ 70, ML BS ≥ 70, and/or PP ≥ 0.95). Scale
bar = substitutions/site.
Resultados

Cariótipos compartilhados
entre clados.
Em alguns casos há
diferenças no tamanho dos
cromossomos.
A. minor
2n = 26
Resultados
Resultados

A. annulata
2n = 6, 7, 8
Resultados
Clado 1
2n = 8 , 12
Resultados

Dez indivíduos
2n = 10, 11
Resultados

Azul escuro: Clados na mesma seção de hospedeiro em alopatria


Azul: Clados na mesma seção em alopatria e simpatria
Azul claro: Somente um clado ocorre nesta seção
Discussão
• Espécies crípticas no grupo Apiomorpha minor

• Especiação no grupo de espécies A. minor

• A variação cromossômica está conduzindo a


especiação?
Discussão
Conclusões
• O grupo de espécies A. minor é extremamente diverso
cromossomicamente e compreende pelo menos 12
espécies

• As diferenças cariotípicas, genéticas e, talvez, de


especificidade de hospedeiro podem ser muito maiores

• Embora alguns clados pareçam ter divergido em


alopatria, não se pode descartar a possibilidade da
especiação via variações cromossômicas
Conclusões
• É possível que diferentes modos de especiação
(alopátrica, cromossômica e ecológica) tenham
contribuído para a diversificação do grupo

• Maior número de espécies crípticas em Apiomorpha

• Grupos em diferentes estágios de especiação


– Variação cromossômica intraespecífica
– Espécies incipientes
– Variação genética, cromossômica e de hospedeiro com
morfologia conservada
– Morfologicamente distintas
• Cruzamento