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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – Departamento de História


Introdução à História da Cultura
Profa. Adriana Romeiro

Uma história dos sentidos –


os odores na Época
Moderna
Claudinéia Pereira, Íviler Rocha, Izabela França
O odor como mito em diferentes
culturas - Hebreus
 “Haverá desse modo incenso diante do
Senhor perpetuamente nas gerações
futuras” Êxodo, 30:8 - Segundo a Bíblia, Deus
queria que esse altar exalasse fragrâncias de
acácia constantemente. Embora breve e
simples, o trecho do capítulo 30 do livro do
Êxodo é um dos primeiros relatos acerca da
existência de perfumes na história humana e
de sua ligação com os assuntos divinos.
O odor como mito em diferentes
culturas - Egito
 Os egípcios eram politeístas, ou seja, adoravam vários
deuses, e os homenageavam em ricos rituais.
Acreditavam que seus pedidos e orações chegariam
mais rápido aos deuses se viajassem nas nuvens de
fumaça aromática que subiam aos céus. Acreditavam
na reencarnação, e reservavam as fragrâncias também
aos mortos. Grande quantidade de aromas
acompanhava a passagem desta para outra vida, ao
encontro com os deuses, e o corpo do morto devia
ser conservado tão inalterado – e perfumado –
quanto possível. Mirra, musgo de carvalho, resina de
pinho, entre outros ingredientes com propriedades
anti-microbianas, eram utilizados no ritual de
mumificação.
Imagem: Abalastros, 3100 a 1785 a.C. Frascos usados para preparação de
unguentos.
O odor como mito em diferentes
culturas - Grécia
 Por volta de 800 a.C., as cidades de Atenas e
Corinto já exportavam óleos de flores e plantas
maceradas: rosa, lírio, íris, sálvia, tomilho,
manjerona, menta e anis. Os gregos apreciavam
incensos e fórmulas aromáticas, e acreditavam
atrair a atenção dos deuses ao usá-los. Eles
usavam perfumes até mesmo na comida: pétalas
de rosas moídas eram ingredientes de receitas
sofisticadas e o vinho era aromatizado com mirra,
essências de flores e mel perfumado. Uma lenda
cita o buquê favorito de Dioniso, deus do vinho e
do teatro: violetas, rosas e jacintos adicionados à
bebida.
O odor como mito em diferentes
culturas - Babilônia
 Por volta de 650 a.C a cidade da Babilônia, na
Mesopotâmia, tornou-se o centro comercial de
especiarias e perfumes da época. Conquistado
dois séculos mais tarde por Alexandre, o grande,
rei dos persas, o império caldeu tornou-se parte
da civilização helênica. A influência persa na vida
grega incentivou a apreciação de plantas exóticas
e o uso de perfumes e incensos. Alexandre
entregou sementes e mudas de plantas da Pérsia
ao seu professor em Atenas, Teofrasto, que criou
um jardim botânico e foi autor do primeiro
tratado sobre cheiros.
O odor como mito em diferentes
culturas – Império Romano
 No século III, Roma se tornou a capital mundial
do banho, luxuoso ritual jamais visto em qualquer
outra cultura. O banho incluía poções aromáticas
variadas. Os cidadãos mais ricos tinham até as
solas dos pés perfumadas por escravos. Na cidade
podiam ser encontradas mais de 100 casas de
banho públicas e privadas, freqüentadas por todas
as classes sociais. A origem da palavra perfume é
latina per (através) fumum (fumaça) e se relaciona
a queima de ervas aromáticas utilizadas em rituais
religiosos de diferentes culturas.
O odor como mito em diferentes
culturas - Árabes
 No século X, o filósofo e médico árabe Avicena,
um dos nomes de maior importância para a
medicina até os dias de hoje, descobriu o
processo de destilar o óleo de flores (o attar,
produzido na Síria) que, diluído em água torna-se
o primeiro perfume moderno. Os Cruzados
difundiram pelo ocidente as fragrâncias originárias
do mundo árabe, resgatando sua influência nos
hábitos da população. Eles voltavam das batalhas
com preciosidades exóticas na bagagem:
especiarias, ungüentos perfumados e essências
variadas.
O odor como mito em diferentes
culturas – Idade Média
 A descoberta do álcool foi especialmente útil
para fins terapêuticos e de higiene, pois muitos
dos extratos alcoólicos vegetais eram usados na
luta contra as epidemias, como a peste negra —
que assolou a Europa durante séculos, a partir de
1347. O primeiro perfume com álcool, o Água da
Hungria, surge em 1370 e deve seu nome à rainha
da Hungria. Os extratos alcoólicos, contendo
alecrim e resinas, eram administrados por via oral
com fins medicinais. Pelas crenças da época, o
banho devia ser evitado a qualquer custo, pois a
água era considerada uma fonte de contaminação.
O odor como mito em diferentes
culturas - Renascença
 A Officina Profumo di Santa Maria Novella,
fundada oficialmente em 1612 em Florença data
de 1221, quando os frades dominicanos iniciaram
as atividades da farmácia que produzia essências,
pomadas, bálsamos e outras preparações
medicinais. Muitas dessas fórmulas, produzidas até
os dias de hoje, foram estudadas durante a corte
de Catarina de Médici, nobre florentina que se
mudou para a França em 1533, para se casar com
o Rei Henrique II. Na caravana que acompanhou
Catarina estava seu perfumista pessoal, Renato
Bianco, conhecido como René Blanc, le florentin.
O odor como mito em diferentes
culturas - Grasse
 Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos em
Grasse, pequena cidade no sul da França, aos pés dos
Alpes mediterrâneos. Grasse era então um centro da
indústria de couro, e até aquele momento, não existia
nenhum produto para limpar e perfumar o couro,
especialmente o das delicadas luvas das senhoras.
Desenvolveu-se então uma arte refinada, tarefa
dos maîtres gantier parfumeurs (mestres perfumistas
de luvas), que prosperaram em torno de Grasse.
 No reinado de Luís XV a realeza encorajou a
prosperidade de Grasse, e a cidade passou então da
fase artesanal para a de indústria da perfumaria. Com
a descoberta de novas técnicas de extração de
matérias primas perfumadas, muitas fábricas se
desenvolveram nessa região
Os odores e a questão da saúde
 Século XVIII – Crença de que o ar agia de múltiplas maneiras sobre o corpo.

 O ar como regulador da expansão do fluidos e da tensão das fibras. Veicula uma


quantidade de partículas que lhe são estranhas e que variam segundo o lugar e
o tempo.

 “Se, porventura, miasmas pútridos, emanados dos corpos doentes ou em


estado de decomposição, forem inalados pelo organismo e vierem a corromper
o equilíbrio das forças intestinais; se produzir uma interrupção da circulação
do espírito balsâmico do sangue pela obstrução dos vasos, viscosidade dos
humores ou ferimento, isto poderá significar o triunfo da gangrena, da varíola,
do escorbuto, das febres pestilenciais ou pútridas.” (Corbin, p.27)
 A partir desta crença, há a promoção
terapêutica dos aromas, fundada sobre
sua volatilidade e seu poder de
penetração, concorda com uma antiga
tradição, aquela que levará Hipócrates a
combater a peste através dos odores.
 Desta maneira, a gestão da saúde passa
pelo repertório e combate dos odores
nocivos.
Os odores e o corpo
 Na metade do século XVIII, a profusão dos aromas
contribui ainda para a intensidade olfativa do meio
ambiente. A função terapêutica dos "odores“ reforça
seu valor estético, ou ao menos hedonista.
 No século XIX, os odores resultantes das atividades
internas do corpo, que em outros momentos foram
relativamente tolerados, tornaram- se insuportáveis.
 Há uma completa domesticação dos odores
decorrentes dos processos metabólicos.
 Maus hálitos, maus cheiros, suores fétidos, processos
de excreção, entre outros, foram progressivamente
submetidos a controles rígidos.
Os odores e o corpo – o banho
 Com a ascensão do Cristianismo e, principalmente, da Igreja Católica, o ato de
tomar banho, era visto como cheio de preguiça, luxúria e vaidade. Dizia-se que São
Francisco de Assis considerava a sujeira do corpo uma insígnia divina, e que Santa
Agnes nunca tomou banho em sua vida inteira.
 Na Idade Média, época dominada pelos pensamentos do catolicismo, as pessoas
tomavam, no máximo, três banhos por ano – elas chegavam a acreditar que lavar-se
fazia mal à saúde e que isso poderia deixar as mulheres inférteis.
 No século XVIII se promove uma higiene corporal muitíssimo prudente mas
limitada em sua extensão por múltiplos freios e precauções.
 “Platner, como Jacquin, recomenda que se lave freqüentemente o rosto, as mãos, os
pés e até,‘de tempos em tempos’, o corpo todo.” (Corbin, p. 98)
 Acreditava- se que que a perda de vitalidade sublinhada por Bordeu não era o único
perigo da água. O uso inconsiderado dos banhos relaxa as fibras, amolece o
organismo, leva à indolência.
 Hallé sublinha o efeito séptico do sabão, notadamente em tempos de peste., mas os
moralistas temem a complacência, os olhares sensuais e a tentação auto-erótica do
banho. A nudez comporta um risco. De qualquer modo, tais práticas só podem ser
limitadas a uma estreita elite.
 Outra crença curiosa do mesmo período diz respeito ao
poder purificador da roupa: acreditava-se que o tecido
"absorvia" a sujeira do corpo. Bastaria, portanto, trocar de
camisa todos os dias para manter-se limpinho
 O banho, cujo costume se expande no final do século, e
constitui antes de mais nada uma prática terapêutica.
 Moheau, observa que o banho só é útil ao homem braçal
quando ele não está trabalhando o resto do tempo o
movimento do suor basta para desobstruir os poros.
 A partir de meados do século XIX, intensificou- se a
ritualização da toalete, com um conjunto de regras que
passaram a reger o comportamento cotidiano, de modo a
restaurar e a ressegurar, diariamente, a integridade do corpo.
Os odores e o corpo – Higiene no
Brasil
 Quando a esquadra de Pedro Álvares Cabral desembarcou na
Bahia, no longínquo ano de 1500, o Brasil descobriu a sujeira - de
um lado, portugueses barbudos, imundos, com doenças
generalizadas; do outro, índios pelados, depilados, exibindo dentes
alvos, cabelos bem lavados (...) O gritante contraste era justificável,
pois, se os europeus costumavam lavar-se de corpo inteiro apenas
duas vezes por ano, os nativos banhavam-se de 10 a 12 vezes por
dia.
 Tigres - Em 1800, no Rio de Janeiro, as casas não possuíam
banheiros, nem água corrente. As necessidades eram feitas em
bacias e penicos, que eram recolhidos por escravos que levavam
tudo para longe em tonéis equilibrados na cabeça. Com o
movimento, as fezes escorriam pelos seus ombros, deixando-os
com um aspecto "rajado" que lhes deu origem ao apelido. Em
Salvador, os excrementos eram feitos em vasilhas e potes, e depois
arremessados pela janela, o que, às vezes, causava incidentes muito
desagradáveis.
 Já no século XIX, o rei português dom João VI – o
fujão que estabeleceu sua corte no Rio de Janeiro –
mostrava-se descrente até da troca de camisas, que
ele literalmente deixava apodrecer no corpo. A
porquice de dom João VI, extraordinária até para os
baixos padrões sanitários de seu tempo.
 Não havia memória na casa real de Dom João VI
ter tomado um único banho de corpo inteiro com
água e sabão. O príncipe regente sofria de várias
erupções e doenças de pele, e coçava-se
constantemente - na frente de todos - com a
mesma mão que depois dava a beijar, na cerimônia
diária realizada na Quinta da Boa Vista.
 http://www.youtube.com/watch?v=SW0XnTFyHPQ
#t=138
 Casa de Banhos Pharoux - Com a falta de
banheiros até nas residências de elite,
surgiu no Rio de Janeiro, nos arredores da
Rua do Ouvidor, a famosa Casa de Banhos
Pheroux, que ostentava o anúncio "Venha
tomar banho na Pheroux que é do que o
senhor precisa".
Museu da Limpeza Urbana, na antiga Casa de Banho D. João VI,
localizada no bairro do Cajú no Rio de Janeiro.
 Higienismo no Brasil
 A cidade do Rio de Janeiro era uma das mais sujas do mundo, pois dos
boletins sanitários da época se lê que a Saúde Pública em um mês vistoriou
14.772 prédios, extinguiu 2.328 focos de larvas, limpou 2.091 calhas e
telhados, 17.744 ralos e 28.200 tinas. Lavou 11.550 caixas automáticas e
registos, 3.370 caixas d´água, 173 sarjetas, retirando 6.559 baldes de lixo e
dos quintais de casas e terrenos 36 carroças de lixo, gastando 1.901 litros
de petróleo (são dados do livro indicado abaixo, de Sales Guerra). Houve
um momento em que foi apontado como «inimigo do povo», nos jornais,
nos discursos da Câmara e do Senado, nas caricaturas e nas modinhas de
Carnaval.
 Oswaldo Cruz: Nesse cenário, Oswaldo Cruz foi nomeado diretor geral de
Saúde Pública. Para debelar a doença, tomou providências polêmicas.
Convicto da eficiência de suas ações (combate a ratos e mosquitos e
vacinação obrigatória da população), talvez tenha lhe faltado um pouco de
tato.
 A imunização obrigatória, juntamente à reforma urbana que derrubou
cortiços e favelas gerou uma grande revolta na população. As manifestações
contra a vacina evoluíram para uma rebelião - a Revolta da Vacina. Mesmo
achando que poderia ser morto, Oswaldo não deixou de ir trabalhar.
Oswaldo Cruz
Exemplo de cortiço
Os odores e o corpo – o uso do
perfume
 A idade Moderna traz o uso de perucas e rostos com
excesso de empoamento. Paris era o grande produtor
de óleos, depilatórios e águas aromáticas. O avanço
da indústria de produtos aromáticos devia- se aos
péssimos hábitos de higiene da população.
 As cortes francesas mantinham praticamente um
cerimonial coreografado para vestir- se e os
aristocratas perfumavam- se para não sentir o odor
um dos outros.
 Até o final do século XVIII, era bastante comum o
uso de aromas fortes e de origem animal, tais como
Almíscar, Âmbar e Zibeta, tanto para o uso
terapêutico quanto estético.
 Já no século XIX, o uso de perfumes derivados de
tais substância caem em desuso e passam a ser
valorizados os odores de origem vegetal.
 “Havelock Ellis analisa com razão esse descrédito do
almíscar como um fato maior da história sexológica. Até o
fim do século XVIII, pensa ele, as mulheres utilizaram-se do
perfume não para mascarar seus odores próprios, como
então se diz, mas para ressaltá-los. A função do almíscar era
idêntica à do corpete, que acentua as saliências do corpo.
Segundo Hagen, o mestre da osfresiologia sexual, até então
as mulheres buscaram para esse fim os odores mais fortes,
mais animais. Nessa perspectiva, o declínio desses perfumes
no final do século XVIII será mero registro do declínio do
"valor primitivo“ dos odores sexuais.” (Corbain, p. 100)
 O proclamado declínio dos perfumes animais, vem
acompanhado da imensa onda de "espíritos odorantes", de
"óleos essenciais" e de "águas de cheiro" tiradas de flores
primaveris.
 A novidade reside na multiplicidade. Na corte de Luís XV, a
etiqueta prescreve o uso de um perfume diferente a cada dia.
 O odor forte, tornado arcaísmo, torna-se apanágio das velhas
vaidosas ou das caipiras. O cheiro animal anuncia o povo.
Os odores e o corpo – curiosidades
sobre a história da higiene pessoal
 Papel higiênico
Por séculos, a limpeza íntima foi feita com
folhas, sabugos de milho – ou com a mão.
A primeira fábrica de papel higiênico
surgiu nos Estados Unidos, em 1857 – e o
produto demorou a vencer a resistência
do mercado.
 Banho
Os romanos tinham casas de banho, que
caíram em desuso na Europa medieval. A
prática de lavar o corpo só seria
efetivamente retomada a partir do século
XIX. Em 1867, o francês Merry Delabost
inventou o chuveiro.
 Privada
A primeira privada, ainda muito
rudimentar, foi inventada para o uso da
rainha Elizabeth I, da Inglaterra, no século
XVI. Mas foi em 1884 que o inglês George
Jennings criou o modelo moderno, com
descarga.
 Sabonete
O sabão já era conhecido pelo menos
desde o antigo Egito – embora os
romanos não o utilizassem. Por muito
tempo, porém, foi um artigo de luxo. Sua
popularização plena só se deu no século
passado, por obra da
produção industrializada americana.
Em 1806, William Colgate (1783-1957),
filho de uma família de imigrantes
ingleses, residentes no interior dos
Estados Unidos, tinha 23 anos quando
foi tentar a vida em Nova Iorque.
Ganhou dinheiro e logo depois
inaugurou a primeira fábrica de sabão
do país. Em 1830 começou a
comercialização do seu produto em
todo o país. Era um sabão em barras de
peso uniforme, diferente do usual na
época, quando se cortava um pedaço
de uma barra de quase meio metro de
comprimento no balcão do
estabelecimento e cobrado pelo peso.

Em 1872 lançou o sabonete perfumado


para banho. A Colgate foi a origem de
uma das maiores empresas dos Estados
Unidos que diversificou as suas
atividades passando a produzir também
creme dental e produtos congêneres.
 Cuidados dentários
As primeiras escovas de dentes datam do
século XV, provavelmente inventadas na
China. Mas pastas variadas, feitas de
vegetais, já eram usadas na limpeza bucal
dos antigos egípcios e indianos. As pastas
modernas, alcalinas, surgiram nos Estados
Unidos, no início do século XX.
Mulher escovando os dentes em foto no fim do século XIX. Autor desconhecido
A penteadeira/toucador (dressing table) era um espaço dedicado à vaidade
feminina.
Os odores e os lugares
 Parte dos cuidados descritos com o corpo no século XVIII,
precederam os adotados com as moradias e o espaço
urbano. As mudanças neste cenário apenas tiveram início
com a doutrina higienista do século XIX.
 A remoção sistemática do lixo para as áreas periféricas foi,
por exemplo, uma das medidas mais tardias.
 A sociedade que procurava promover seu asseio corporal,
era a mesma que vivia em casas recendendo a urina e
excrementos, que preparava seus alimentos em cozinhas
imundas, que despejava todo o lixo que produzia na soleira
da própria porta.
 O rei Luís XIV vivia no imundo palácio de Versalhes, onde as
fezes eram recolhidas dos corredores só uma vez por
semana.
 Bem vestida e perfumada, passeava por ruas e praças em
meio a toda sorte de imundícies.
Os odores e os lugares – Campo X
cidade
 “Experimentar os verdadeiros prazeres do olfato supõe uma
fuga prévia para longe das lamas e dos estercos, longe da
putrefação dos corpos vivos, longe dos locais confinados da
cidade, assim como dos terrenos apertados dos vales. O
campo, por si mesmo, impõe a fuga; o vilarejo tornou-se
cloaca.” (Corbin, p. 105)
 "Vislumbro cem casebres amontoados - deplora Oberman -,
monte odioso cujas ruas, estábulos e hortas, paredes,
assoalhos e te tos úmidos, até mesmo os animais atrelados,
os móveis, parecem todos um único lodaçal, onde todas as
mulheres gritam, todas as crianças choram, todos os homens
suam.“
 A partir destas idéias, define a socialidade popular da planície
ou a do vale; a elite deve poder escapar a ela tomando maior
altitude. Fuga vertical que permite deixar para o povo
confinado os fedores do amontoamento. Surge entre a elite a
“moda da montanha”.
Os odores e os lugares – o espaço
privado
 “A atmosfera do espaço privado matiza-se com
odores delicados: caixas perfumadas, ramalhetes
de cheiro e sobretudo sábios conjuntos, alguns
dos quais guardam seu poder odorante durante
dez ou doze anos, exalam nos ricos
apartamentos. Sua confecção, como a das
pomadas, pós ou águas de cheiro, preenche uma
verdadeira culinária, ou melhor, uma arte
doméstica de conserva de cheiros que faz
concorrência ao comércio dos mestres-
perfumistas.” (Corbain, p. 104)
Produtos Cosméticos
 A definição harmônica de cosmético foi adotada pelo
MERCOSUL através da Resolução nº221, de 2005.
São definidos os produtos para higiene pessoal,
cosméticos, perfumes e as substâncias ou preparados
formados por substâncias naturais e sintéticas, e suas
misturas, para uso externo em diversas partes
exteriores do corpo humano, pele, sistema capilar,
unhas, lábios e órgãos genitais externos, dentes e as
membranas mucosas da cavidade bucal, com o
exclusivo ou principal objetivo de limpar, perfumar,
alterar a aparência e/ou corrigir odores corporais
e/ou protegê-los e mantê-los em boas condições
 São divididos em dois grupos de risco: Risco nível 1 e nível 2; e em quatro
categorias: produtos para higiene,cosméticos, perfumes, e produtos para
bebês.
 Risco Nível 1 – produtos com risco mínimo, tais como: sabões, xampus,
cremes de barbear, loções após-barba, escovas dentais, fios dentais, pós,
cremes de beleza, loções de beleza, óleos, make-up, baton, lápis para os
área dos olhos, filtros UV, loções bronzeadoras, tinturas para cabelos,
descolorantes, clareadores, produtos para ondulação permanente, lábios e
delineadores, produtos para os olhos e perfumes.
 Risco Nível 2 – produtos que apresentam risco potencial, tais como:
xampus anti-caspa, cremes dentais anti-cárie e anti-placa, desodorantes
íntimos femininos, desodorantes de axilas, esfoliantes químicos para a pele,
protetores para os lábios com proteção solar, certos produtos para a
produtos para crescimento de cabelos, depiladores, removedores de
cutícula, removedores químicos de manchas de nicotina, endurecedores de
unhas e repelentes de insetos. Todos os produtos para bebês são do Nível
2.
 Os produtos cosméticos do Nível 2 estão sujeitos a exigências mais
severas.Devido ao seu grau de complexidade.
 Fragrâncias são substâncias produtos de
higiene pessoal cosméticos e perfumes cuja
composições se caracterizam por possuírem
propriedades básicas ou elementares, cuja
comprovação não seja inicialmente
necessária e não requeiram informações
detalhadas quanto ao seu modo de usar e
suas restrições de uso, devido às
características intrínsecas do produto.
Métodos de extração de fragrâncias
 Destilação a vapor
 Quando o óleo essencial é volátil. Exemplos: Flor de laranjeira e
Lavanda.Patchouly ,Sândalo e Cedro,Celery e Canela.
 Prensagem
 Quando o oléo essencial é volátil, porém,
altera-se com o calor. Por meio de compressão
obtém-se, por exemplo, os óleos da casca de
frutas cítricas como: limão, laranja,bergamota
entre outros.
 Extração
 Neste processo, substância aromáticas são
separadas do material de origem por meio de
solventes orgânicos. Pode ser utilizado para
óleos essenciais de alto ponto de ebulição e
para produtos secretados de plantas (resinas).
 Enfleurage
 “Para criar a sua primeira eau de parfum (produto mais
diluído do que o perfume) a paranaense O Boticário
ressuscitou uma técnica medieval de extração de essências,
a enfleurage. Aprimorada na cidade francesa de Grasse,
grande centro produtor de perfumes da Idade Média, a
técnica consiste em acondicionar flores em um recipiente
fechado de modo que elas fiquem em contato com um meio
gorduroso. Dessa gordura se obtém os óleos essenciais para
a fabricação do perfume. A enfleurage desenvolvida sob
encomenda para o Boticário dispensa a gordura animal
original, substituída por uma vegetal equivalente.”
 Fonte: ComCiência – Revista Eletrônica de Jornalismo
Cientifico, reportagem de Fábio Reynol em 10/09/2007
O odor na atualidade
 Fragrâncias na perfumaria
 Cítricas: Provenientes de frutas cítricas,
utilizadas para dar nota de cabeça, sua
característica é refrescância e difícil
fixação.
 Lavandas, pinho, eucalipto: De origens
diversas, mas também utilizadas para dar
refrescância às notas de cabeça.
 Verdes: tem conotação de folhas
molhadas, cortadas ou terra molhada.
Fazem parte da nota de cabeça e às vezes
do corpo.
 Florais: proveniente de flores naturais.
Utilizado como agentes de interação
cabeça-corpo, corpo-coração.
 Frutais: Possuem fragrâncias sintéticas
com conotação Frutal. Exemplos:Verdural
Extra, com conotação de pêra; Antranilato
de Metila, conotação de uva.
 Amadeiradas: extremamente secas, com
características dominantes. Extraídos do
tabaco.
 Especiarias: Notas picantes, principal uso
de cravo e canela. Utilizado desde
colônias a sabonetes.
 Aromáticas: notas provenientes de
elementos utilizados na culinária.
 Polvorosas, balsâmicas e doces: nota em
comum doce-balsâmica.
 Couro: notas de origem sintética que
reproduzem o odor do couro.
 Animal: materiais de origem animal, dão
caráter sensual a fragrância.
Hoje o odor é um dos principais atributos dos
produtos de cuidado pessoal, as fragrâncias
são utilizadas tanto para perfumar um produto
ou simplesmente para mascarar odores
desagradáveis. Por isso o estudo do
mecanismo da olfação tem se tornado um
campo no qual os cientistas dedicam cada vez
mais de suas pesquisas.
Referências bibliográficas
 ASCAR, Renata. A história do perfume da antiguidade até 1900. Com
Ciência – Revista Eletrônica de Jornalismo Cientícfico. 2007. Disponível em:
http://comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=28&id=318
 CORBIN, Alain. Tradução: Ligia Watanabe. Saberes e Odores: o olfato e o
imaginário social nos séculos XVIII e XIX. São Paulo: Companhia das
Letras, 1987.
 Filme O Perfume – história de um assassino. 2006. França, Alemanha,
Espanha.
 LIMA, Tania Andrade. Humores e odores: ordem corporal e ordem social
no Rio de Janeiro, século XIX. Hist. cienc. Saude-Manguinhos [online]. 1996,
vol.2, n.3.
 SANTOS, Bruna Fernandes Castro dos. A Perfumaria e a Saúde
Humana. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008.
 TEIXEIRA, Jerônimo. Séculos de imundície. Revista Veja. São Paulo.
Disponível em: http://veja.abril.com.br/1212207/p_192.shtml