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Aula – 11/09/2012

Sequencias Didáticas
Quando usar planos, atividades, sequências ou projetos?
Para preservar o sentido do conteúdo, evitar sua fragmentação e distribuir os
temas em função do tempo de aprendizagem, o ensino pode ser organizado
de acordo com as chamadas modalidades organizativas. Confira um resumo
sobre cada uma das modalidades:

• Forma de organizar a aula com foco numa atividade específica


(leitura exploratório de um texto, resolução de um tipo de
problema matemático etc.). Costuma ser usado para
apresentar um conteúdo ou explorar um detalhe dele.
Plano de incluir uma atividade diagnóstica inicial, e uma avaliação
aula final.

• Realizada regularmente (todo dia, uma vez por semana ou a


cada 15 dias). Ela serve para construir hábitos e familiarizar os
alunos com determinados conteúdos. Ex.: a leitura diária de
tabelas numéricas (calendário etc.), janela do tempo, rotinas
Atividade diárias (horário, manhã, tarde, noite)
perma-  É essencial saber o que se quer alcançar, que materiais
usar e quanto tempo tudo vai durar. Informar às crianças que a
nente atividade em questão será recorrente.
2
Quando usar planos, atividades, sequências ou projetos?
• Conjunto de propostas com ordem crescente de dificuldade.
O objetivo é focar conteúdos particulares (por exemplo, a
regularidade numérica) numa ordenação com começo, meio
e fim. É preciso prever esse tempo e como distribuir as
sequências em meio às atividades permanentes e aos
Sequência projetos.
É comum confundir essa modalidade com o trabalho do dia a dia.
didática A questão é: há continuidade? Se a resposta for não, você está
usando uma coleção de atividades com a cara de sequência.

• Reunião de atividades que se articulam para a elaboração


de um produto final forte, em que podem ser observados os
processos de aprendizagem e os conteúdos aprendidos
pelos alunos. Parte de um desafio ou situação-problema.
Podem estender-se por períodos prolongados (um ou dois
meses), tornando os alunos especialistas num determinado
Projeto tema.
didático  O erro mais comum é um certo descaso pelo processo de
aprendizagem, com um excessivo cuidado em relação à chamada
culminância (a elaboração do produto final).

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Por que ensinar sistema de numeração decimal?
Trabalhar as características do sistema é a chave para fazer os alunos
avançarem em Matemática

 O sistema de numeração decimal é


É preciso discutir com as um elemento essencial da formação
crianças as funções sociais dos matemática escolar. ''Esse conteúdo
números atravessa todos os anos da
escolaridade básica”.

 É fundamental, que as crianças


compreendam a lógica do sistema e
saibam que os números existem para
registrar quantidades, para compará-las,
para ordenar itens contados, para
identificar objetos por meio de códigos,
para antecipar ações não realizadas
com operações e, também, para realizar
as operações.
4
O QUE ENSINAR?
Sistema de numeração decimal para o 1º, 2º e 3º anos

1 Ordenação de números
Quando compreendem a característica
posicional do sistema, as crianças
conseguem ordenar valores, mesmo os
mais altos.

A tabela numérica contribui para que os alunos criem hipóteses sobre a relação
posicional do sistema

2 Comparação, interpretação e
produção de números
É preciso incentivar a turma a estabelecer
relações entre os valores, ler e escrever
os números

Trabalhar a comparação, a interpretação e a produção de valores é essencial para


que a turma entenda a lógica do sistema
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O QUE ENSINAR?
Sistema de numeração decimal para o 1º, 2º e 3º anos

3 Busca de regularidades
Validar as regras do sistema de
numeração é uma etapa essencial
na aprendizagem

Enquanto debatem, as crianças observam as regras do sistema

4 Relação com operações


aritméticas
Somar, subtrair, multiplicar e dividir
são ações vinculadas ao sistema de
numeração decimal

As regularidades do sistema numérico fundamentam as operações básicas

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Como ensinar? 1º Diagnóstico: Ditado de números
para diagnóstico inicial de interpretação e escrita numérica

Investigar quanto um aluno já sabe sobre o sistema de numeração é


fundamental para fazer as intervenções corretas.

Antes e fora da escola, as crianças já formularam hipóteses próprias


sobre os números com base no cotidiano delas. Considerar o que as
crianças conhecem sobre o objeto de conhecimento, colocar em jogo
suas ideias e levantar desafios que estimulem a construção de novos
conceitos são passos imprescindíveis para o planejamento das
atividades. E tudo começa com um diagnóstico de como os alunos
produzem os números:

‘’Iniciar com a interação com a numeração escrita significa propor


situações didáticas que levem os alunos a produzir e interpretar
notações’’.
7
Exemplo de ditado Exemplo de resposta
(por que os números estão na lista) (como entender a hipótese do aluno)

5 É conhecido como ‘’marco’’, pois é 5 O aluno conhece alguns números


de uso frequente (notas, moedas etc.). ‘’marco’’ e os grafa corretamente.

11 Pode ser chamado de número 11 Embora seja um número opaco, é


opaco, por não deixar claro ao falar um número baixo e bastante conhecido.
(onze) o princípio aditivo do sistema A criança não encontra dificuldade para
de numeração (dez mais um). grafá-lo.

86 Está num grupo que pode ser 806 Para grafar o 86, usa a dezena
chamado de transparente. Com a fala, inteira (80) e, na sequência, a unidade
é possível perceber quais são os (6), mostrando que se apoia na fala
algarismos que formam o número. para construir o número.
90 Representa uma dezena cheia, 90 Ao acertar, o aluno mostra conhecer
mas é diferente do 100. números redondos.
100 Outro ‘’marco’’, de uso social 100 Como no exemplo acima, conhece
frequente, tem três algarismos. números redondos.
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Exemplo de ditado Exemplo de resposta
(por que os números estão na lista) (como entender a hipótese do aluno)
150 Pode ser composto com outro já ditado 10050 Apesar de conhecer os números
(100), o que ajuda a entender como os redondos, o aluno segue o mesmo padrão do
alunos articulam conhecimentos sobre os que fez com o 86. Apoia-se na fala e escreve o
"marcos" e os possíveis números novos. 100 seguido do 50.
555 Pode parecer fácil, por ter três
700505 Acha que repetir o mesmo número
algarismos iguais. Mas algumas crianças,
três vezes é um erro. O sete pode estar sendo
numa hipótese inicial da escrita numérica,
usado como curinga, de forma aleatória.
acham que repetir é errado.
6384 Os especialistas afirmam que pelo
61000700804 A criança vai fundo no aspecto
menos um dos números ditados nessa
multiplicativo da numeração falada. Escreve
atividade deve ser composto de quatro
seis (6) mil (1000) trezentos (700) e oitenta
algarismos diferentes, já que a escrita desse
(80) e quatro (4). O sete aparece de novo, o
tipo apresenta um grau maior de
que pode confirmar a hipótese do número
complexidade para a grande maioria dos
curinga.
estudantes nas séries iniciais.
2011 É um número familiar, que representa 2011 O aluno mostra conhecer o número por
o ano corrente (informação que as crianças ser o do ano corrente, mas (como se vê
reconhecem, pois escrevem as datas no abaixo) não associa informações para escrever
caderno). 2017.
2017 Permite comparar a escrita de um 2100017 Mais uma vez, o aluno usa a fala e
número possivelmente novo para a criança escreve conforme ouve o ditado: dois (2) mil
com outro conhecido (no caso, o 2010). (1000) e dezessete (17). 9
Análise e registro dos resultados
A proposta é interpretar as hipóteses das crianças sobre a escrita de
números. Analise cada número escrito e anote a ideia que o aluno teve
ao escrevê-lo. Registre tudo em uma tabela (como se vê abaixo).

ALUNO 5 11 86 90 100 150 555 6384 2011 2017

Alana 5 11 806 90 100 10050 700505 61000700804 2011 2100017

Bárbara 5 86 90 100000 150 505700 6000384 200011 2100017

Dione 5 11 806 90 100 10050 500505 61000300804 2011 200017

Daniel 5 11 86 90 100 150 555 6384 2011 2017

Danilo 5 86 9 1000 10005 500055 61000300804 2000011 2100017

Flávio 5 11 86 90 100 150 555 6384 2011 2017

TOTAL 6 4 4 5 4 3 2 2 4 2
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Conclusões e sugestões
Na tabela, a grande maioria dos alunos já domina os números "marco".
Outra parcela da turma tem dificuldade com números de algarismos
iguais. E a maioria não sabe grafar números maiores.
Num primeiro momento, escolha algumas produções das crianças para
discutir as formas escritas, os motivos pelos quais grafaram de formas
tão diferentes cada um dos números e qual o jeito correto de grafá-los e
por quê. A ideia é colocar em conflito as hipóteses delas, pedindo que
justifiquem e argumentem suas escolhas.
Por exemplo: para os alunos que ainda não dominam a escrita de
números com dois algarismos (como a Alana e a Dione), dê um quadro
numérico de 1 a 99 e peça que busquem as regularidades. Uma das
coisas que você pode destacar e discutir é que o quadro é formado em
sua maioria por números com dois algarismos. Você pode pedir que
antecipem a quantidade de algarismos em alguns números (''quero
escrever 83. Quantos algarismos tem?''). Os alunos têm de perceber
que, se o número está no quadro, não pode ter mais que dois (o mesmo
exemplo serve para trabalhar com a escrita de números altos, já que a
metade da turma cometeu esse erro). 11
Para o aluno com um nível de aprendizagem mais avançado e que aparenta
dominar a escrita numérica (como Daniel), é preciso fazer com que ele avance
nas justificativas e nos argumentos que sustentam a escrita. Você pode fazer
com que ele troque com a turma essas informações. Outra possível atividade é
pedir para falar um número maior que 6384 - e escrevê-lo.
Veja na animação, sugerida a seguir, diferentes intervenções da professora em
um exercício de escrita numérica com alunos de séries iniciais.

Visite o site da revista escola


e clique sobre a imagem
para assistir à animação que
ilustra um exercício de
escrita numérica.

http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-
pedagogica/ditado-numeros-532077.shtml
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FICHA DE ACOMPANHAMENTO

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Guy Brousseau – o pai da didática da
Matemática
Desde o educador tcheco Comênio (1592-1670), a
palavra "didática" vem se referindo aos estudos
sobre os métodos de ensino que levassem a
procedimentos gerais mais eficazes.

No século 20, com os estudos de Lev Vygotsky


(1896-1934) e Jean Piaget (1896-1980), o modo
como as crianças aprendem começou a ser
investigado.

Nas últimas décadas, a pesquisa didática se


aprofundou na relação específica entre conteúdos de
ensino, a maneira como os alunos adquirem
conhecimentos e os métodos. 14
A Teoria das Situações Didáticas desenvolvida por ele se
baseia no princípio de que "cada conhecimento ou saber pode
ser determinado por uma situação", entendida como uma ação
entre duas ou mais pessoas. Para que ela seja solucionada, é
preciso que os alunos mobilizem o conhecimento
correspondente. Um jogo, por exemplo, pode levar o estudante a
usar o que já sabe para criar uma estratégia adequada.

Nesse caso, o professor adia a emissão do conhecimento ou as


possíveis correções até que as crianças consigam chegar à regra e
validá-la. Ele deve propor um problema para que elas possam
agir, refletir, falar e evoluir por iniciativa própria, criando assim
condições para que tenham um papel ativo no processo de
aprendizagem. 15
Os quatro tipos de situações didáticas

Ação Os participantes tomam decisões, colocando


seus saberes em prática para resolver o problema. É
quando surge um conhecimento não formulado
matematicamente.

Formulação Os alunos são levados a explicitar as


estratégias usadas. Para isso, precisam formulá-las
verbalmente, transformando o conhecimento
implícito em explícito. O aluno retoma sua ação em
outro nível e se apropria do conhecimento de maneira
consciente.

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Os quatro tipos de situações didáticas

Validação A estratégia é demonstrada para


interlocutores. "O aluno não só deve comunicar uma
informação como também precisa afirmar que o que diz é
verdadeiro dentro de um sistema determinado“. Cada
equipe propõe o enunciado de sua estratégia para
ganhar, contestando o do adversário.

Institucionalização Aqui aparece o caráter matemático


do que as crianças validaram. "É uma síntese do que foi
construído durante o processo e tem um significado
socialmente estabelecido", O professor tem um papel
ativo, selecionando e organizando as situações que serão
registradas.

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A Teoria das Situações Didáticas

A Teoria das Situações Didáticas trouxe uma concepção inovadora do


erro, que deixa de ser um desvio imprevisível para se tornar um
obstáculo valioso e parte da aquisição de saber. Ele é visto como o
efeito de um conhecimento anterior, que já teve sua utilidade, mas
agora se revela inadequado ou falso.

No trabalho dentro dessa concepção, acontece também uma inversão


do ensino tradicional de Matemática - que parte do saber
institucionalizado e segue na tentativa de esmiuçá-lo para as crianças.
Ao contrário, ela leva os alunos a buscar por si mesmos as
soluções, chegando aos conhecimentos necessários para isso.

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Para a próxima aula:

Mini-aula – elaborar uma sequencia didática para apresentá-la à turma.


Obs.: desenvolver uma das atividades propostas como se estivesse
em sala de aula com os alunos.

Sugestão de sites para pesquisa:

http://revistaescola.abril.com.br/matematica-especial/

http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/roteiro-didatico-sistema-
numeracao-decimal-1-2-3-anos-634993.shtml

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/linksCursosMateriais.html?categori
a=40

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PEA – Plano de Ensino e Aprendizagem
Procedimentos Metodológicos
Aulas expositivas dialogadas, discussões em grupos, estudo
dirigido e atividades práticas (mini-aulas).

Sistema de Avaliação
1° Avaliação – (PESO 4,0) 2° Avaliação – (PESO 6,0)
Ativ. Aval. em sala: 3,0 Prova Escrita Oficial = 8,0
Ativ. Prát. (mini-aulas) = 4,0 Práticas (ATPS): 2,0
Práticas (ATPS): 3,0 Total: 10,0
Total: 10,0

16/10 – entrega notas 1º bimês / 03/11 a 07/11 provas 2º bimês


Prova substitutiva 17/12 a 21/12 – 2º bim./solicitada na
Secretaria
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