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TEORIA GERAL DO PROCESSO

O Direito Processual

“O Direito processual é o ramo do Direito público


composto por um complexo de normas que regulam a
jurisdição – como atividade estatal de aplicação do Direito
aos casos submetidos à apreciação do Poder Judiciário -, a
ação – como o direito de acesso amplo à justiça, seus
pressupostos e consequências de seu exercício – e o
processo – como instrumento pelo qual a parte pede
justiça e o Estado dela se desincumbe” (FUX, 2016, p 1).
Objeto

Grupos: penal, civil e especial;

Penal: versa sobre o conflito entre o Estado e o réu


(pretensão punitiva x pretensão de liberdade).
Especial: Direito processual do trabalho, Direito processual
eleitoral; Direito processual penal militar.
Civil: natureza residual – fonte subsidiária dos demais
processos.
SOCIEDADE E TUTELA JURÍDICA

 Impossível a vida em sociedade sem uma normatização do


comportamento humano;

 O Direito surge como um conjunto das normas gerais e


positivas, disciplinadoras da vida social;

 Função ordenadora das relações sociais;

 Coordenação dos interesses, composição de conflitos;

 Instrumento de controle social- ideias- modelos.


SOCIEDADE E TUTELA JURÍDICA

 Contudo, não basta existir normas de conduta. O


equilíbrio e desenvolvimento das relações sociais só
ocorrem se a observância das regras jurídicas fizer-se
obrigatória.

 Então, o Estado não é apenas responsável pela elaboração


das leis, mas, especificamente, institui meios de imposição
das normas.
O que são lides?

 Lide corresponde a um conflito de interesses qualificado


por uma pretensão resistida;

 Do "conflito de interesses", não chegando seus titulares a


uma solução espontânea e satisfatória, surge o que a
doutrina tradicional chama de lide que nada mais é que
a tentativa resistida da realização de um interesse.
 Esses conflitos podem ser:

a) individuais, quando afeta uma ou algumas pessoas;

b) coletivos, quando afeta um grupo de pessoas,


representando a soma dos interesses individuais;

c) difusos, quando transcende, inclusive, a soma dos


interesses individuais e afeta a sociedade como um todo,
em seus objetivos básicos.
 Formas históricas de resolução de conflitos

 a) por ato de ambos os envolvidos (autocomposição), se


incluem a mediação e a conciliação;

 b) por ato de apenas um dos envolvidos (autotutela -


autodefesa);

 c) por ato de terceiro (heterocompositivas - intervenção


de um terceiro para decicidir: arbitragem, processo);
Da Autotutela à Jurisdição
 Hoje quando existe um conflito, seja pela resistência de
outrem ou pelo veto jurídico à solução voluntária,
cabe ao Estado prestar a função jurisdicional.

 Contudo, nem sempre foi assim!

 Fases primitivas: inexistia um Estado forte;


 Uso da força para atingir a pretensão;
 Vingança privada;
 Autotutela (autodefesa)- não garantia a justiça, mas a
vitória do mais forte.
 Estados contemporâneos geralmente proíbem,
permitindo-a somente em casos excepcionais.
Características da Autotutela

 a) Ausência de juiz distinto das partes;

 b) Imposição da decisão de uma das partes à outra;


AUTOCOMPOSIÇÃO

Utilizadadesde os sistemas primitivos;


Uma das partes em conflito, ou ambas, abrem mão de seu
interesse ou parte dele.
Eliminação dos conflitos se dá por obra dos próprios litigantes.

São três as formas:


a)Desistência ou renúncia (autor) (Art. 485, VIII e 497, III, c, do
CPC)
b)b) submissão ou reconhecimento (réu) (Art. 487, III, a, do CPC)
c)c) transação ou autocomposição (concessões recíprocas -
autor e réu) (Art. 487, III, b do CPC)
 ARBITRAGEM

 Solução imparcial.
 Pessoas de sua confiança mútua;
 Normalmente eram:
sacerdotes (ligações com divindades- soluções acertadas
ou
anciãos (que conheciam os costumes do grupo social).

 Decisões seguiam padrões, costumes;

 Historicamente, surge o juiz antes do legislador.


 DIFERENÇAS:

 AUTOTUTELA: imposição ao adversário, não cogita a


possibilidade de apresentar ou pedir a declaração de um
direito. Se satisfaz pela força.

 AUTOCOMPOSIÇÃO e ARBITRAGEM: fixam a


existência ou inexistência de um direito: o cumprimento
da decisão, naqueles tempos iniciais, continuava
dependendo da imposição de uma solução violenta e
parcial (autotutela);
Evolução do Estado
 Imposição dos Estados aos particulares, mediante à
invasão da liberdade dos indivíduos;

 O Estado absorveu o poder de ditar as soluções para os


conflitos;

 Ditava preceitos a preponderar no caso concreto de um


conflito de interesses; (origens do direito romano
arcaico)
 Os cidadãos em conflito compareciam perante o
PRETOR.
 Comprometimento de sujeitar-se à decisão do
pretor;

 Esse comprometimento era necessário devido à


mentalidade da época que repudiava qualquer
ingerência do Estado;

 Em seguida escolhiam um árbitro de sua confiança, o


qual recebia do pretor o encargo de decidir a causa;

 Estado tinha pequena participação;


 Com o fortalecimento do Estado, aumentou a
participação através da conquista de nomear o
árbitro;

 O sistema implantado consistia numa arbitragem


obrigatória, substituindo a anterior arbitragem facultativa;

 A autoridade pública começa a preestabelecer, regras


destinadas a servir de critério para tais decisões,
afastando os temores de julgamentos arbitrários e
subjetivos;
 O Direito Processual é o ramo do Direito que possui
como objeto de estudo a função jurisdicional, exercida
pelo Estado.

 Como se sabe, o Estado Democrático de Direito, no


exercício de seu poder soberano, uno e indivisível, realiza
três funções: legislativa, administrativa e jurisdicional.
 A função administrativa diz respeito à gestão ordinária
dos serviços públicos e compete ao Poder Executivo.

 A função legislativa consiste em traçar, abstrata e


genericamente, as normas de conduta que formam o
direito objetivo, e cabe ao Poder Legislativo.

 A função jurisdicional, que incumbe ao Poder Judiciário,


tem a missão pacificadora.
 É justamente esta última função que será estudada pela
Teoria Geral do Processo.

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