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É comum dizer que um indivíduo

é culto porque fala vários idiomas. Há quem


afirme que a cultura de um povo é mais
sofisticada e complexa que a de outro. Esse
tipo de avaliação, baseada no senso comum,
comporta elementos ideológicos. Afinal, o que
significam “cultura” e “ideologia”, termos tão
usados em nosso cotidiano?
ANTECEDENTES HISTÓRICOS
DO CONCEITO DE CULTURA

Cultura vem do latim colere e


significa cultivar o solo, cuidar,
tendo sido um conceito
desenvolvido inicialmente pelo
antropólogo Edward Burnett Tylor.
ANTECEDENTES HISTÓRICOS
DO CONCEITO DE CULTURA

ALEMANHA – Kultur simbolizava todos


os aspectos espirituais de uma comunidade

FRANÇA – Civilization realizações


materiais de um povo

Edward Tylor (1832-1917) – sintetizou os


dois conceitos no vocábulo inglês – Culture
DEFINIÇÕES CLÁSSICAS SOBRE O
CONCEITO DE CULTURA
Edward Tylor: é todo complexo de conhecimentos,
crenças, arte, leis, moral, costumes e quaisquer outras
capacidades e hábitos adquiridos pelos indivíduos.

Malinowski: são sistemas funcionais para dar conta das


necessidades básicas dos seres humanos.

Levi-Strauss: é um sistema simbólico de uma criação que


se acumula na mente humana
Definições
Clifford Geertz: conjunto de mecanismos de controle,
planos, receitas, regras, instruções para governar o
comportamento humano

Marshall Sahlins: a organização da experiência e da ação


humanas através de instrumentos simbólicos.

Roberto DaMatta: é um mapa, um receituário, um


código através do qual as pessoas de um dado grupo
pensam, classificam e modificam o mundo e a si mesmas.
CULTURA E BIOLOGIA

Não se pode ignorar que o homem depende muito de seu


equipamento biológico: alimentação, sono, respiração,
atividade sexual, etc., mas a maneira de satisfaze-las varia de
uma cultura para outra. Há teorias que atribuem capacidades
específicas inatas a “raças” ou a outras causas biológicas.
Laraia, pg.17 e sg.
Para os antropólogos, as diferenças genéticas não são
determinantes das diferenças culturais. A sua herança genética
nada tem a ver com as suas ações e pensamentos, pois todos
os seus atos dependem inteiramente de um processo de
aprendizagem.
A questão dos instintos – Laraia pg.51-52.
COMO OPERA A CULTURA

“A Cultura é como uma lente através da


qual o homem vê o mundo”. Ruth
Benedict

Reagimos de forma depreciativa em


relação ao comportamento daqueles que
agem fora dos padrões aceitos pela
maioria da comunidade. Discriminamos o
comportamento desviante.

Todos os homens são dotados do mesmo equipamento anatômico, mas a utilização do


mesmo, ao invés de ser determinada geneticamente depende de um aprendizado e
este consiste na cópia de padrões que fazem parte da herança cultural do grupo.
Conceito:
Conhecimentos, crenças, arte, moral, leis,
costumes ou qualquer outra capacidade ou
hábitos adquiridos pelo homem como
membro de uma sociedade.

Todas as possibilidades de realização humana

Cultura se aprende, não é uma aquisição inata.


A CULTURA INTERFERE
NO PLANO BIOLÓGICO

Primeiramente pela reação oposta ao etnocentrismo:


a apatia, pois em lugar da superestima dos valores de
sua própria sociedade, numa situação de crise, os
membros abandonam a crença na mesma e perdem a
motivação de permanecerem unidos e vivos.
Exs: o da doenças psicossomáticas que são
influenciadas pelos padrões culturais, questões
relativas à alimentação, a cura de doenças, reais ou
imaginárias.Ver Laraia, pg.79-80
OS INDIVÍDUOS PARTICIPAM
DIFERENTEMENTE DE SUA CULTURA
 A participação do indivíduo em sua cultura é limitada. A
maior parte das sociedades humanas permite uma ampla
participação da vida cultural aos elementos do sexo
masculino. A participação depende também da idade: uma
criança não está apta a certas atividades, jovens são
impedidos de votar até certa idade, etc.
 Qualquer que seja a sociedade, não existe a possibilidade de
um indivíduo dominar todos os aspectos de sua cultura, mas
deve haver um mínimo de participação. Laraia, pg.84-85.
 Isso acontece porque os padrões culturais não cobrem todas
as situações possíveis, principalmente em períodos de
mudança cultural ou quando a socialização não é inadequada.
A CULTURA TEM UMA
LÓGICA PRÓPRIA

 Admitia-se anteriormente a existência de


sistemas culturais lógicos e sistemas culturais
pré-lógicos. Todo sistema cultural tem sua
própria lógica. É etnocentrismo considerar lógico
apenas o próprio sistema.
 Claude Levi-Strauss, em O pensamento Selvagem,
trouxe uma grande contribuição, refutando a
abordagem evolucionista de que as sociedades
simples dispõem de um pensamento mágico que
antecede o científico.
 Exemplos: sem os meios materiais, não é nada ilógico supor que
é o Sol que gira em torno da Terra, pois esta é a sensação. Sem
o auxílio do microscópio, é impossível imaginar a existência de
germes, daí ser mais fácil admitir que as doenças sejam
decorrentes da intromissão de seres sobrenaturais malignos. O
sistema de parentesco. Ver Laraia, pg.92-93
 A lógica e a coerência de um sistema cultural é uma forma de
classificação. Muito do que supomos ser uma ordem inerente
da natureza não passa de uma ordenação que é fruto de um
procedimento cultural mas que nada tem a ver com uma ordem
objetiva. Cada cultura ordena a seu modo o mundo que a
circunscreve e esta ordenação dá um sentido cultural à
aparente confusão das coisas naturais.
A CULTURA É DINÂMICA
 A sociedade humana tem a capacidade de questionar seus
próprios padrões de comportamento e modificá-los.
Qualquer sistema cultural está num contínuo processo de
modificação. Basta comparar os padrões de
comportamento moral ontem e hoje, os padrões de
beleza.Ver Laraia, pg 104.
 A mudança cultural pode ser interna, resultante da
dinâmica do próprio sistema cultural e a externa que é o
resultado do contato de um sistema cultural com outro.
Denomina-se processo de aculturação. A primeira é lenta,
quase imperceptível. A segunda pode ser mais rápida e
brusca, às vezes conflitante. Ex. choque de gerações.
AS DUAS FACES DA CULTURA

 A cultura nos dá a oportunidade de exercitar


nossa liberdade e, ao mesmo tempo, nos limita.
 De um lado, os indivíduos não são apenas
recipientes passivos, mas produtores e intérpretes
ativos da cultura, e hoje, o leque de escolhas
culturais disponíveis nunca foi tão amplo. De outro
lado, a cultura pode ser uma fonte de coerção
social.
Cultura segundo a Antropologia

Para o antropólogo inglês Edward B. Tylor, cultura é


o conjunto de conhecimentos, crenças, arte,
moral, direito, costumes e hábitos de uma
sociedade.Trata-se de uma visão universalista.
O alemão Franz Boas demonstrou
que as diferenças entre grupos e
sociedades humanas eram
culturais, e não biológicas.
A visão dele era particularista.
 Para o inglês Bronislaw Malinovsky, as culturas seriam
sistemas funcionais e equilibrados, formados por
elementos interdependentes. Sendo interdependentes,
esses elementos não poderiam ser examinados
isoladamente.
 As estadunidenses Ruth Benedict e Margareth
Mead procuraram investigar as relações entre cultura e
personalidade.
Ruth Benedict desenvolveu o conceito de padrão
cultural e identificou dois tipos culturais extremos:
apolínico  representado por
indivíduos conformistas,
tranquilos, solidários,
respeitadores e comedidos;
dionisíaco  reúne
os ambiciosos, agressivos
e individualistas.
Margareth Mead investigou o modo como os indivíduos
recebiam os elementos de sua cultura e como isso
formava sua personalidade.
Com base em seus estudos, a
antropóloga concluiu que a diferença
das personalidades não está
vinculada a características biológicas,
como o sexo, mas à maneira como
em cada sociedade a cultura define
a educação das crianças.
Tampão de flauta usada em cerimônia dos
Mundugumor, povo da Nova Guiné
estudado por Margareth Mead. Datação
da peça não identificada.
Para o belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009), a cultura
é um conjunto de sistemas simbólicos, entre os quais
se incluem a linguagem, as regras matrimoniais, a arte, a
ciência, a religião e as normas econômicas.
Lévi-Strauss analisou o que era
comum e constante em todas
as sociedades – as regras
universais e os elementos
indispensáveis para a vida social.
Demonstrou que os elementos
essenciais da maioria dos mitos
se encontravam em todas as
sociedades ditas primitivas.