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TEORIA DO CINEMA

Simone do Vale
simvale@gmail.com
A Tradição Formativa
• Vertente preocupada em elevar o cinema `a
condição de arte: a câmera é mais do que um
aparato para filmar eventos e o filme é mais
importante do que os eventos que apresenta;
• Compara o cinema às outras artes, buscando
especificar as suas características próprias,
distintas do teatro e da literatura.
• Representantes: Hugo Münsterberg, Rudolph
Arnheim, Sergei Einsenstein e Béla Balaz.
As Primeiras Teorias do Cinema
• “O nascimento de uma sexta arte”, de
Riccioto Canudo, 1911: o cinema incorpora
as artes espaciais ( arquitetura, escultura e
pintura) e as artes temporais (poesia,
música e dança), transformando-as em
uma forma sintética de teatro chamada
“artes plásticas em movimento”.
• “A arte das imagens em movimento”,
Vachel Lindsay, 1915: propõe o cinema
como arte democrática; define o cinema
como escultura, pintura e arquitetura em
movimento em oposição aos outros meios,
como o teatro.
Hugo Münsterberg
The Photoplay: A Psychological Study (1916)

• O cinema é capaz de abolir as


distinções baseadas no
privilégio do conhecimento;
uma arte superior que opera
sob condições radicalmente
diferentes de “vida mental”,
capaz de incentivar as
massas ao cultivo estético e
promover o anseio pelo Belo.
O cinema é uma arte da
subjetividade.
Wilhelm Wundt: fundador da
psicologia experimental
• Em 1879, criou o
primeiro laboratório de psicologia
na Universidade de Leipzig;
• Tornou a psicologia independente
da filosofia;
• Psicofísica: foco na estrutura
consciente da mente -
as sensações (relação entre
estímulos sensoriais controlados e
estados subjetivos)
Gestalt
1910 - Universidade de Frankfurt

• Gestalt: forma, figura.


• Escola de psicologia
experimental fundada por Max
Wertheimer, Wolfgang Kohler e
Kurt Koffka.
• Teoria da forma, estudos da
percepção, linguagem,
memória, motivação e Figura-fundo: como
percebemos, identificamos e
inteligência. selecionamos as relações entre
um objeto e o seu entorno.
“Dia e noite”
(Escher, xilogravura, 1938)
William James: fundador da
psicologia moderna
• Pragmatismo: concepção de mente e pensamento
como a faculdade de interpretar a realidade e
elaborar ações para satisfazer as necessidades.
Envolve uma capacidade de aprendizagem baseada
na experiência – o contato físico com o mundo.
• Funcionalismo: Foco na utilidade dos processos
mentais para o organismo, nas tentativas de
adaptação ao ambiente. Ênfase na natureza
dinâmica e mutável da atividade mental.
Para Münsterberg,
a função do filme é:
• “realçar as sensações de
vitalidade no espectador:
ele [sic] sente como se
atravessasse a vida com
uma ênfase mais acentuada
que desperta as suas
energias pessoais (...). O
mundo exterior massivo
perdeu o peso, foi liberado
do espaço, do tempo e da
causalidade” (1970, p. 95).
“Limite”, Mário Peixoto,1931.
Naturschöne: beleza natural
• A mente busca padrões significativos no objeto
de contemplação estética, unindo a cognição e
a imaginação numa “harmonia das
faculdades”. O julgamento estético não é
conceitual: para que as faculdades se
harmonizem, o objeto deve estimular uma
profusão de significados na imaginação do
observador. A busca prolongada pelas
estruturas de sentido no objeto de arte é a
base da harmonização das faculdades.
Númeno e Fenômeno

• Númeno: A coisa em si (das


ding an sich); a realidade.
• Fenômeno: as aparências;
constitui a experiência.
• Só é possível conhecer as
coisas como elas nos
aparecem, jamais em si
mesmas.
Münsterberg e a estética de Kant
A arte pela arte
• O filme deve substituir as relações entre as
formas do mundo por relações mentais.
Exatamente como o espaço e o tempo do filme
são imaginários e não afetam o espaço e o
tempo da vida cotidiana, assim também a
causalidade da obra cinematográfica não flui
diretamente para dentro das nossas vidas. Os
sentimentos e emoções que experimentamos
durante o filme expiram com o desfecho da
narrativa.
Cinema e Teatro: diferenças
ANDREW, James Dudley. As principais teorias do cinema: uma introdução. RJ: Zahar, 1989.

Planos e cortes são análogos aos


processos mentais
Rudolph Arnheim:
Arte X Experiência do Real
• Projeção de sólidos em superfície
bidimensional;
• Redução do sentido de
profundidade e problema do
tamanho absoluto da imagem;
• Iluminação e ausência de cor;
• Enquadramento;
• Ausência de continuidade espaço-
temporal graças à montagem;
• Ausência de estímulo aos outros
sentidos.
Processos artísticos e percepção
Inter-relações entre a arte e o mundo:
Teoria Mentalista da Arte

A queda da casa
de Usher (La chute
de la maison
Usher). Jean
Epstein, 1928.
Referências:
• ANDREW, James Dudley. As principais teorias
do cinema: uma introdução. RJ: Zahar, 1989.
• STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema.
Campinas: Papirus, 2003.
• XAVIER, Ismail. A experiência do cinema. RJ:
Graal/Embrafilme, 1983.
Para a próxima aula:
EINSENSTEIN, Sergei. A Forma do Filme. RJ: Zahar, 2002.
Capítulo: “Fora de Quadro”, pp. 35-49.