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FEITIÇARIA E RELIGIOSIDADE

POPULAR NO BRASIL COLONIAL


LAURA DE MELLO E SOUZA
• Laura de Mello e Souza nasceu em 1953,
em São Paulo.
• Professora na USP.
• Autora dos livros:
• Desclassificados do ouro: a pobreza
mineira no século XVIII, 1983, tese de
mestrado.
• Feitiçaria na Europa Moderna, 1987
• Inferno Atlântico: demonologia e
colonização (séculos XVI-XVIII), 1993.
• As feitiçarias não eram de influência
apenas africanas.

• Múltiplas tradições culturais acabam se


misturando com feitiçaria e na
religiosidade popular.

• A feitiçaria passavam juntamente com a


religiosidade colonial a fazer parte da
estrutura da Colônia.
• Antes da inquisição as magias era parte de
uma ordem lógica e social.
• As magias tinham duas funções: Ofensiva e
defensiva.
• As magias serviam muitas vezes para
inimizades com pessoas e atritos com vizinhos.
• Magia e feitiçaria para causar fortes danos
ou mortes era muito comum.
• Significados simbólicos e poéticos dos ritos
mágicos;
• Pressões físicas, psicológicas e culturais;
• Estereótipo criado em torno da mulher
(pecadora, sedutora e diabólica);
• Repressão da sexualidade e do prazer;
• Perda de identidade cultural das vítimas.
•A micro-história e o feminismo
contribuíram para a redescoberta de
culturas arruinadas pelo capitalismo e o
sucesso dos estudos de história da feitiçaria.

• Tendência cada vez mais difusa de


investigar comportamentos e atitudes de
grupos subalternos.
• Recortes que privilegiam as práticas e os
perseguidos, como é o caso de O diabo e a
Terra de Santa Cruz.

• Induziu os historiadores a encontrar-se com


os temas, métodos e categorias
interpretativas dos antropólogos. (PG10 – H.N)
• Os pensamentos, crenças e esperanças do
passado chegam até nós através de
filtros intermediários que os deformam;

• Dispomos de testemunhas hostis, que


provêm de demonólogos, inquisidores e
juízes;
• As vozes dos acusados nos chegam sufocadas,
alteradas e distorcidas, em muitos casos,
perdem-se;

• “O medo de cair no sensacionalismo,


incredulidade em relação aos poderes
mágicos, desconcerto perante o caráter “quase
universal” de crenças como a da transformação
em animais estiveram entre os motivos da
delimitação do campo de pesquisa.” (PG.25-H.N)
Processo de desencantamento do
mundo.

• O pensamento das elites, que


acreditavam em bruxas e recorriam a
elas, foi sendo ganho pelo empirismo
científico e pelo racionalismo.
• Presença marcante de feiticeiras e
feiticeiros negros entre a população pobre
e marginalizada em que as práticas
cotidianas eram impregnadas de magismo
e bruxaria.
• “Sobre eles incidia a carga reprobatória
dos poderosos e também a do homem
comum, que na condenação de seus iguais
buscava identificação com as camadas
dominantes e introjetava sua ideologia.”
(PG.26)
Memórias tecidas e negativadas ao longo
dos séculos.

• As Práticas mágico-religiosas foram motivo


de preocupação para as autoridades
coloniais civis e eclesiásticas. Houve casos
apurados no Brasil pelas visitações do
Santo Ofício que foram julgados pelo
Tribunal da Inquisição em Portugal.
• Além de terem sido sistematicamente
“demonizadas” pela catequese e pela
ação repressora da Igreja católica em
geral. (PG.18)
• O estereótipo da bruxa foi construído
coletivamente. Encontrava-se assim um meio
de resolver conflitos internos à vida da
comunidade, identificando e excluindo o
responsável pelas desgraças.
• “(...) se difundira a crença de que
determinadas mulheres matavam ou
devoravam, sempre à noite, crianças ou
recém-nascidos; e algumas mulheres
acreditavam fazê-lo de fato.” (PG.19-H.N)
• “(...) as feiticeiras são capazes de
desencadear todos os males,
especialmente a impotência masculina, a
impossibilidade de livrar-se de paixões
desordenadas, abortos, oferendas de
crianças a Satanás, estrago das colheitas,
doenças nos animais, etc.” (PG.20-M.M)
• Numa época de crise, atribuir mortes desse
tipo a bruxas talvez correspondesse a um
mecanismo aliviador de tensões e culpas.
http://resgate.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=013_PA&pesq=infanticidio
• A magia maléfica ou feitiçaria tornou-se uma
necessidade na formação social escravista, em que
buscavam a resolução de problemas concretos e era
uma forma de moverem uma “luta surda” contra os
senhores.

• Crença do poder purificador da violência física como


castigo exemplar , um meio de legitimar a repressão e
a violência exercida por serem escravos feiticeiros .
• Assim os escravos procuravam através dos
feitiços, resguardarem-se de maus tratos.
Desta forma apresentavam-se como
testemunhos da persistência de práticas
africanas.

• Longo processo de sincretização.


• Sortilégios com raspaduras
das solas de sapatos ou
com a terra pisada por
aquele a quem se
desejava fazer mal.

• Feitiços sob encomenda


para obter alforrias.

Debret, Jean-Baptiste, 1768-1848. Negro feiticeiro.


http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon325969/icon325969.htm
Juca Rosa foi um dos mais
importantes líderes religiosos
negros que o Brasil conheceu no
século XIX, durante o período
imperial. Filho de africanos,
nascido no RJ, Rosa liderava
uma misteriosa associação,
contando com numerosos
adeptos, provenientes de
diferentes setores sociais.

Livro de registros contendo histórico de condenados e suas penas,vol.1


http://acervo.bndigital.bn.br/sophia/index.asp?codigo_sophia=33976
Estatuto social: escravo Mandinga
Crime/Acusação: superstições
Cargos: curandeiro
Naturalidade: Costa da Mina, bispado do Pará, Brasil.
Data da prisão: 14/02/1764

O réu era escravo


de Manuel de
Sousa.
Por despacho de
11/10/1768, foi
asperamente
repreendido.

Arquivo Nacional Torre do Tombo – Processo de José


http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=2300083