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ORGANIZAÇÃO

DÉBORA CARLA GONÇALVES FAGUNDES,


FAGNER BERNARDO DE SOUZA,
GARDENIA AMARAL SILVA,
ROSA ANGELA PINHEIRO
SUELEN FURLAN

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM
2018
TIPOS DE SEMIÓTICA
As "semióticas" se voltam à investigação de signos e/ou significação. O que diferencia um tipo de
semiótica de outro é a concepção e a delimitação de seu campo de estudo.
Segundo o livro "Handbook of Semiotics", de Nöth, a Semiótica se divide em:

1- Semiótica peirceana (Peirce)

Foco de atenção: universalidade epistemológica e metafísica. Nas palavras de Santaella: "uma teoria
sígnica do conhecimento que busca divisar e deslindar seu ser de linguagem, isto é, sua ação de
signo" (p.14, op.cit).

2- Semiótica estruturalista/Semiologia (Saussure; Lévi-Strauss; Barthes; Greimas)

Foco de atenção: a análise dos textos de vários gêneros, como da literatura, do jornalismo, imprensa,
do direito, da política, dos mitos e abarca a interpretação de manifestações não verbais, como as
imagens, tanto na arte como na publicidade, incluindo ainda a gestualidade e a música e várias outras
práticas significantes próprias das relações em sociedade.
3- Semiótica russa ou semiótica da cultura (Jakobson; Hjelmslev; Lotman)

Foco de atenção: a compreensão de códigos culturais e de sua interação, transformação e


transmutação, partindo do pressuposto de um relacionamento dinâmico entre os sistemas
da cultura, que define como um processo de modelização, o que permite entender a
própria cultura como texto e a comunicação como um processo semiótico
SEMIÓTICA FRANCESA
“Procura descrever e explicar o que o texto diz e
como ele faz para dizer o que diz, examinando, em
primeiro lugar, o seu plano de conteúdo, concebido
sob a forma de um percurso global que simula a
“geração” do sentido. Ao priorizar o estudo dos
mecanismos intradiscursivos de constituição do
sentido, a semiótica não ignora que o texto é
também um objeto histórico, determinado na sua
relação com o contexto (tomado em sentido amplo)4
. Apenas optou por olhar, de forma privilegiada,
numa outra direção.”
(Matte; Lara ,2009)
LEITURA SEMIÓTICA
A técnica utilizada para a leitura da imagem recairá na
Leitura Discursiva também conhecida como Semiótica
Plástica, Francesa ou Greimasiana que aborda a imagem
como uma linguagem visual repletas de signos e cada um
deles com seu significado que juntos formam um todo
repleto de mensagens que conversam entre si e entre quem
a lê, no caso o observador.
Assim o trabalho será uma desconstrução da imagem da
obra num primeiro momento descrevendo todos os planos
para depois reconstruí-la através da leitura como um todo
organizado.
PLANO DE EXPRESSÃO OU
O QUE MEU OLHO VÊ?
A obra de arte mostra uma imagem em forma
de um quadrado plano apresentado na
horizontal com formas distribuídas em três
planos distintos.
O primeiro plano apresenta um uma figura em
destaque em formato triangular inclinado de
uma figura humana no canto esquerdo sentado
sobre uma cadeira posicionada à direita da
figura triangular de destaque. Ao lado destas
figuras tem-se a presença de um animal
(gatinho) e logo após, no canto direito um
fragmento de um objeto retangular (uma mesa)
e em cima desta um vaso com folhagens.
No canto esquerdo superior encontram-se duas figuras
cilíndricas (vasos) e uma figura retangular (quadro), ainda
é possível observar que sob as peças cilíndricas uma
estrutura com entalhes no canto esquerdo e todas as
figuras posicionam-se sobre uma base retangular que se
apresenta no plano inferior da base sob os pés das
figuras.

No segundo plano logo atrás e posicionado à direito da


figura triangular do primeiro plano encontra-se outra figura
humana em pé e de costas para o observador. No canto à
esquerda tem-se a presença de um aparador e sobre ele
uma peça cilíndrica esférica em forma de abajur.
À direita deste, duas colunas e o panejamento
de um cortinado se apresentam à cena. O
panejamento ainda pode ser visto nas dobras
do vestido da figura feminina e no traje da
figura masculina.

No terceiro plano que se encontra ao fundo


tem se a abertura de uma porta para uma
sacada protegida pelo cortinado tanto do
canto esquerdo quanto do direito e encerrada
por uma grade de proteção na horizontal.
Na obra pode-se observar ainda o trabalho
com uso de cores fortes e puras que se
complementam onde se sobressai uma cartela
de cores que vai do vermelho ao azul de forma
equilibrada. A imagem tem pontos de luzes
bem marcantes ao fazer uso do branco e do
amarelo ora juntos ora separados em pontos
estratégicos da imagem como no cortinado
quando na peça entalhada, em algumas partes
do tapete e na vestimenta da figura masculina
como recurso da sombra feito por tons mais
escuros e que podem ser notados na figura
masculina em destaque sugerindo que um foco
de luz no primeiro plano viesse da direita para
a esquerda adentrada no ambiente pela janela
da sacada..
O contorno das figuras indica u trabalho
minucioso de pontos pequenos marcados em
todas figuras. Nos demais nota-se as cores
sobrepostas e/ou justapostas também
apresentadas em pequenos pontos.
Quanto a disposição das figuras nota-se um
certo equilíbrio na imagem pois ainda que a
maioria das figuras humanas e de objetos
estejam à esquerda o olhar recai sobre a
figura feminina e masculina em destaque
bem como no animal na parte inferior da sala.
PLANO DE CONTEÚDO OU
O QUE MEU OLHO PERCEBE?
Pela disposição dos objetos e pessoas dentro da
imagem a mesma sugere que o local é uma sala de
estar de uma família de posses no inicio da manhã
(notado pela claridade que entra pela porta da
sacada que auxilia iluminando todo o ambiente e
traçando o sombreado nas figuras humanas).
Todas as figuras têm os contornos bem definidos
em linhas simples, porém, com muita riqueza de
detalhes.
O casal se mostra distante um do outro e ambos
envoltos em seus próprios pensamentos conferindo
à imagem a impressão de certa melancolia atípica
para uma manhã de domingo ensolarada.
O período de execução da obra pode ser
notado pelas roupas e pelas pessoas
retratadas ali, pelo ambiente e tipo de
pincelada de que se trata de uma obra
pertencente ao período neoimpressionista do
final do século XIX, num país europeu talvez
França onde as pinceladas em pontos bem
destacados eram comuns na pintura bem como
o uso das cores em justaposição ou
sobreposição dos artistas desta época e
principalmente os que transitavam neste
ambiente e país.
ATIVIDADE 1
• Dividir em equipes
• Escolher uma das imagens para
realizar uma leitura de imagens
baseada na Semiótica Francesa
• Apresentar aos demais grupos
ATIVIDADE 2
Elaborar uma Sequencia Didática envolvendo uma das imagens
apresentadas e montadas seguindo tanto a proposta triangular de Ana
Mae Barbosa quanto a leitura de imagens da Semiótica Francesa.

Deve conter:
• Identificação ( nome da escola, professor, turno, turma)
• Tema
• Período
• Disciplinas
• Objetivos
• Conteúdos
• Recursos
• Desenvolvimento
• Avaliação
ABORDAGEM
TRIANGULAR
IDENTIFICAÇÃO
• NOME DA ESCOLA
• TEMA
• NOME DO PROFESSOR
• DISCIPLINAS
• TURMA
• PERÍODO
• NÚMERO DE AULAS
OBJETIVOS
• Conhecer o artista e sua obra
• Conhecer a arte Naif
• Exercitar a leitura de imagens
• Produzir uma releitura da obra apresentada
• Exercitar o processo de criação de uma obra por meio
de uma produção autoral de fruição artistica.
CONTEÚDOS
• LEITURA DE IMAGENS
• ELPÍDIO MALAQUIAS – BIOGRAFIA E OBRAS
• ART NAIF – DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS
PROCEDIMENTOS
METODOLÓGICOS
• Primeiro momento:
• Apresentação do artista e de sua história (biografia)
• Apresentação e leitura da obra de arte O Galo Melindroso
fazendo o elo com a sua história (ele se considerava ora galo, ora
pavão)
• Apresentar a poesia em que ele faz essa referencia
• Propor aos alunos uma releitura da obra do artista através de
pintura e colagens com materiais diversos ao alcance dos alunos
OBRA: O galo Melindroso
QUESTIONAMENTOS:
• Quais imagens são visíveis?
• Quais cores estão presentes?
• Como eles estão posicionados?
• Como a pintura foi elaborada? com mais traços ou mais
áreas lisas?
• Vocês acham que pintura mostra algum tipo de sombra?
• Este animal se parece com um verdadeiro?
• E a flor se parece com uma flor verdadeira?
• Esta obra tem mais a ver com a cidade ou com o campo?
• Por que será que o artista resolveu pintar estas imagens?
• Vamos conhecer sua história para tentar descobrir?
CONHECENDO O ARTISTA
• Elpídio Malaquias da Silva nasceu em 1925, em uma
família pobre da área rural de Cariacica. Ao longo da sua
vida, foi camponês, operário, cozinheiro, pedreiro,
vigilante, músico, poeta, desenhista e pintor. Nunca pôde
frequentar a escola.
• Em 1970, já casado e pai de família, se mudou para
Vitória, cidade onde veio a falecer em 1999.
• Desde criança fazia flautas com taquara e desenhava na
areia com gravetos. Mais tarde, trocou as taquaras por
PVC para fabricar suas flautas coloridas, e trocou a areia
por papel ou eucatex e os gravetos por caneta e tinta a
óleo brilhante e esmalte sintético.
• Muito da sua arte tem relação com a origem camponesa
do artista, suas lembranças, reminiscências da infância em
contato com a natureza e religiosidade católica popular.
Seus desenhos e pinturas são de uma beleza rústica,
autêntica e original. Mediante formas simples e cores
vivas, sua arte nos apresenta um mundo mágico,
assemelhado às fábulas, povoado por bichos, flores,
pessoas, santos, estrelas e cruzeiros.
• Em sua poesia encontramos a mesma sensibilidade das
pinturas e desenhos, traduzida em versos.
• “A criação que eu vejo eu desenho. Então é da natureza,
da minha natureza. Sou um inventor das minhas artes, das
minhas obras” (Gatti, 2009, p.33).
Letra de uma de suas canções:
“Fui criado pelo interior
Abandonei o cabo da enxada
Eu trabalhava o ano inteiro
No fim do ano não me sobrava nada
Tem vinte anos que eu moro na cidade
Eu ando aqui ainda desconfiado
Eu hoje sou um galo melindroso
Voei no galho do pavão apaixonado
É o galo e o pavão”.
Hora de ser o “inventor das artes”
• Assim com o senhor Elpídio, vamos produzir o galo e a
flor dele do nosso jeito?
• Para isso usaremos materiais diversos como lápis de
cor, caneta esferográfica, caneta hidro cor, tinta
guache, pontas de lápis, jornais e revistas entre
outros.
PROCEDIMENTOS
METODOLÓGICOS
• Segundo momento:
• Apresentação da definição e principais características
da Arte Naif
• E por fim a produção de outra obra de arte tendo por
base tanto o conceito Naif de criação quanto as
inspirações do artista em questão para compor uma
obra autoral sobre suas lembranças do local onde
cada criança vive.
ART NAIF
DEFINIÇÃO CARACTERÍSTICAS
• Arte Naif ou arte primitiva é uma • Temas rurais e urbanos
arte tipicamente brasileira e (campo e cidade)
fortemente vinculada a arte popular
nacional. • Cores vivas
• Uso da imaginação e da
• É chamada assim por ser feita por estilização
artistas não-eruditos, isto é, que não
tiveram algum tipo de estudo e • Uso de palavras nas
aprenderam sozinhos (autodidata). obras
PRODUÇÃO 2
A partir das características estudadas nas
obras de arte Naif e da história de vida do
senhor Elpídio Malaquias, vamos produzir
uma obra de arte que mostre uma lembrança
bem legal da sua vida.

CULMINÂNCIA
A culminância será através de uma exposição dos
trabalhos no ambiente escolar
ATIVIDADE SEMI PRESENCIAL
• Desenvolver a atividade anterior (sequência didática) em sala
de aula e a produção final dos alunos será exposta tanto na
escola quanto no Seminário final das oficinas. (duas obras por
participante)
• Cada obra a ser exposta deve conter em seu rodapé:
Autor, título da obra, data, técnica e material utilizado
• Para a exposição final no seminário: trazer as obras com as
notas de rodapé emolduradas com papel cartão preto e um
relatório sobre o processo de a aplicação e conclusão final da
atividade com a imagem da obra escolhida.
• (tanto as obras quanto o relatório serão expostos)
REFERÊNCIAS

Disponível em:
https://museudeartes.wordpress.com/acervo/elpidio-
malaquias-da-silva/

Disponível em:
http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/artenaif.htm
OBRIGADO