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Ancoragem de Armaduras Metálicas em

Estruturas de Concreto Armado


Prof. Dr.: Esperidião Fecury Pinheiro de Lima
Disciplina: Estruturas de Concreto Armado I
Discentes: Aécio, Breno, Bruno, Elisson, Gabriela, Stefane e Marcela

Rio Branco – Acre


2017
Aderência
• Aderência é a propriedade que impede que ocorra escorregamento de uma
barra em relação ao concreto que a envolve. Logo é responsável pela
solidariedade entre o aço e o concreto, fazendo com que esses dois
materiais trabalhem de forma conjunta.
• A transferência de esforços entre aço e concreto e a compatibilidade de
deformações entre eles são as condições que tornam possível a existência
do concreto armado e isto só é possível por causa da aderência.
Tipos de aderência
• Existem diferentes fenômenos que
intervêm na ligação do aço e do
concreto por isso se faz necessário
decompor a aderência em três parcelas:
adesão, atrito e aderência mecânica.
• 1 – Aderência por Adesão = Caracteriza-
se por uma resistência à separação dos
dois materiais e decorre das ligações
físico-químicas na interface das barras
com a pasta, geradas durante a pega do
cimento. No caso de ocorrerem
pequenos deslocamentos entre a barra
Figura 1 –Aderência por adesão
e a massa de concreto que a envolve
essa ligação é destruída.
•2 – Aderência por Atrito = Manifesta-se quando há tendência de
deslocamento relativo relativo entre os materiais. E depende da
rugosidade superficial da barra e da pressão transversal σ, exercida pelo
concreto sobre a barra, em virtude da retração natural. Em barras curvas
ou em regiões de apoio de vigas em pilares, aparecem acréscimos dessas
pressões de contato, que favorecem a aderência por atrito.

Figuras 2 e 3 – Aderência por atrito


• 3 – Aderência Mecânica = é devida à conformação superficial das barras.
Nas barras de alta aderência, as saliências mobilizam forças localizadas,
aumentando significativamente a aderência. Até mesmo uma barra lisa
pode apresentar aderência mecânica, em função da rugosidade superficial,
devida à corrosão e ao processo de fabricação, gerando rugosidades na
superfície.

Figura 4 – Aderência mecânica


Figuras 5 – Barra com saliências
Tensão de aderência
(Transferência da força na barra para o concreto)

• A tensão de aderência depende de alguns


fatores como:
- Rugosidade da barra;
- Posição da barra durante a concretagem;
- Diâmetro da barra;
- Resistência do concreto;
- Retração;
- Adensamento;
- Porosidade do concreto.
Condições que influenciam a qualidade da
aderência
• Na concretagem de uma peça, tanto no lançamento como no adensamento, o
envolvimento da barra pelo concreto é influenciado pela inclinação dessa
barra. Assim pela NBR 6118 considera-se uma boa situação quanto à aderência
os trechos das barras que estejam com inclinação maior que 45º em relação à
horizontal;

Figuras 6 – Barra com inclinação de 45º


Condições que influenciam a qualidade da
aderência
• Alturada camada de concreto sobre a barra, cujo peso favorece o
adensamento, melhorando as condições de aderência;
• Nível da barra em relação ao fundo da forma; a exsudação produz
porosidade no concreto, que é mais intensa nas camadas mais altas,
prejudicando a aderência.

Figuras 7 – Água em camada de concreto


Resistência de aderência
(NBR 6118, 2003, item 9.3.2.1)

• A determinação da resistência de aderência entre concreto e a armadura é


importante e necessária ao cálculo do “comprimento de ancoragem” e do
“comprimento de emenda” das barras da armadura.
• A resistência de aderência depende da resistência do concreto, da rugosidade da
superfície da barra de aço, da posição da barra na massa de concreto (situação de
aderência) e do diâmetro da barra. As nervuras (saliências) na superfície da barra
aumentam significativamente a resistência de aderência.
• Embora a distribuição de tensão de aderência sobre o comprimento de ancoragem
seja não-linear, para aplicações práticas e de projeto considera-se seguro
considerar uma tensão média de valor constante.
Resistência de aderência
(NBR 6118, 2003, item 9.3.2.1)
Resistência de aderência
(NBR 6118, 2003, item 9.3.2.1)
Ancoragem

• Ancoragem é a fixação da barra no concreto, para que ela possa ser interrompida.
Na ancoragem por aderência, deve ser previsto um comprimento suficiente para
que o esforço da barra (de tração ou de compressão) seja transferido para o
concreto. Ele é denominado comprimento de ancoragem.
• Além disso, em peças nas quais, por disposições construtivas ou pelo seu
comprimento, necessita-se fazer emendas nas barras, também se deve garantir um
comprimento suficiente para que os esforços sejam transferidos de uma barra para
outra, na região da emenda. Isto também é possível graças à aderência entre o aço
e o concreto.
• Na direção transversal à barra surgem tensões de tração, cuja resultante
produz o esforço de tração transversal denominado esforço de
fendilhamento. O valor máximo do esforço de fendilhamento é
aproximadamente igual a Rsd/4, nos casos de ancoragem por aderência.
• Em virtude das tensões de tração, surge sempre o risco de aparecerem
fissuras longitudinais ou de fendilhamento na região da ancoragem. Se o
cobrimento de concreto, c, for pequeno em relação ao diâmetro da barra,
ele pode romper-se, como indicado na figura.
• Os efeitos desfavoráveis do fendilhamento podem ser eliminados quando existe
uma compressão transversal na zona da ancoragem, como ocorre nos apoios
diretos das vigas.
• Se essa compressão não existir, é necessário colocar uma armadura transversal,
ao longo do comprimento de ancoragem, capaz de absorver os esforços de
fendilhamento.

Figura 8 – Armadura transversal

• Por isso, a NBR-6118 exige que, à exceção das regiões sobre apoios diretos, as
ancoragens por aderência sejam confinadas por armaduras transversais ou pelo
próprio concreto. Neste último caso, é necessário que o cobrimento da barra
ancorada seja maior ou igual a 3φ e que a distância entre barras ancoradas
também seja no mínimo igual a 3φ .
Ancoragem por aderência
• Se a tensão na barra é igual à tensão de escoamento de cálculo do aço, f yd ,
a força Rsd é dada por

onde Φ é o diâmetro da barra.


Equilíbrio:

é o perímetro da seção da barra.

Das duas equações, obtém-se o comprimento básico de ancoragem


Comprimento básico de ancoragem
Comprimento de ancoragem reta

• No caso de feixes de barras, o comprimento básico de ancoragem lb é


calculado considerando-se o diâmetro do círculo de mesma área do feixe.
Comprimento de ancoragem reta
• As barras constituintes de feixes devem ter ancoragem reta, sem ganchos, e devem
atender às seguintes condições:
a) quando o diâmetro equivalente do feixe for menor ou igual a 25mm, o feixe pode ser
tratado como uma barra única, de diâmetro φn, valendo todas as prescrições para
ancoragem de barras isoladas;
b) quando o diâmetro equivalente for maior que 25mm, a ancoragem deve ser calculada
para cada barra isolada, defasando as suas extremidades para reduzir os efeitos de
concentrações de tensões de aderência; essa defasagem das extremidades não deve ser
inferior a 1,2 vezes o comprimento de ancoragem de cada barra isolada;
c) quando, por razões construtivas, não for possível proceder como recomendado no item
(b), o feixe pode ser tratado como uma barra única de diâmetro φn; neste caso, é
obrigatório o emprego de armadura transversal adicional na região da ancoragem.
Barras comprimidas
• Nas estruturas usuais de concreto armado, pode ser
necessário ancorar barras compridas, nos seguintes
casos:
- Em vigas: quando há barras longitudinais
compridas (armadura dupla);
- Nos pilares: nas regiões de emendas por traspasse,
no nível dos andares ou da fundação.
Figuras 9 – Barra comprimida

• Os comprimentos de ancoragem de barras


comprimidas são calculados como no caso das
tracionadas, porém, nas comprimidas não se usa
gancho.
• A presença do gancho gera concentração de
tensões, que pode levar ao fendilhamento do
concreto ou à flambagem das barras.

Figuras 10 – Flambagem em decorrência de gancho


Barras com ganchos
• Segundo a NBR-6118, os ganchos das extremidades das barras da armadura
longitudinal de tração podem ser semicirculares (Tipo 1), em ângulo de 45o
(Tipo 2) ou em ângulo reto (Tipo 3). As extremidades retas desses ganchos
devem ter os comprimentos mínimos indicados na figura. Para as barras
lisas, os ganchos deverão ser sempre semicirculares.
• Nos ganchos dos estribos, os comprimentos mínimos são de 5φ ≥ 5cm para
o Tipo 1 e o Tipo 2 e de 10φ ≥ 7cm para o Tipo 3. Este último tipo de gancho
não deve ser utilizado para estribos de barras e fios lisos.
Barras com ganchos

Diâmetros mínimos de dobramento (ganchos e estribos)

• Para estribos de bitola não superior a 10, o diâmetro mínimo de dobramento é igual a
3φ .

- As barras lisas tracionadas devem ser ancoradas com gancho, obrigatoriamente.


- As barras que forem sempre comprimidas devem ser ancoradas apenas com
ancoragens retilíneas, pois os ganchos aumentam o risco de fendilhamento na
extremidade da barra. Nas barras sujeitas a esforços alternados de tração e de
compressão, deve-se fazer a ancoragem sem ganchos. Não é recomendado o
emprego de gancho para barras de φ > 32mm.
Barras com ganchos
• Para levar em conta o efeito favorável do gancho, o comprimento de ancoragem
pode ser reduzido em relação à ancoragem reta, como indicado na figura.

• α1 = 0,7 se o cobrimento de concreto no plano normal ao gancho for maior ou


igual a 3φ ;
• α1 = 1,0 se o cobrimento for menor que 3φ .
Emendas das barras da armadura

• As emendas das barras da armadura devem ser evitadas sempre que


possível. Quando necessário, as emendas podem ser feitas por traspasse,
através de solda, com luvas rosqueadas ou com outros dispositivos
devidamente justificados. As emendas com solda ou luvas rosqueadas
exigem um controle especial para garantir a resistência da emenda.
Emendas das barras da armadura

• Emendas por traspasse = São aquelas que


necessitam do concreto para a transmissão
dos esforços de uma barra a outra. A emenda
por traspasse é mais barata, por ser de fácil
execução, e faz uso da própria aderência entre
o aço e o concreto. De acordo com a NBR-
6118, esse tipo de emenda não é permitido
para barras de bitola superior a 32mm, nem
para tirantes e pendurais.
• Nas emendas por traspasse, a transferência da
força de uma barra para outra se faz através de
bielas comprimidas inclinadas, como indicado
na figura ao lado. A distância entre as barras
emendadas deve ser no máximo igual a 4φ .

Figuras 11 – Emenda por traspasse


Emendas das barras da armadura
• Emendas tipo solda ou luva = Nas emendas tipo solda ou luva, o concreto
não participa da transmissão de forças de uma barra para outra, podendo as
emendas serem dispostas em qualquer posição.

Figura 12 – Emenda tipo solda

Figura 13 – Emenda tipo luva


Fim !

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