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1as.

Leis Escritas - Direitos Cuneiformes


 Importância da escrita: “Falar é dizer ao vento; escrever é
contar ao tempo”; Código de Hammurabi: o rei pede que suas
palavras, seu nome e o direito por ele pronunciado, não sejam,
no futuro, apagados da inscrição e memória de seus súditos;
 Mesopotâmia: “berço da História”, lutas por recursos e poder;

 Povos Mesopotâmicos: Sumérios (inventaram a roda, a escrita,


desenvolveram canais de irrigação, barragens, comércio),
Acadianos (dominaram o arco e a flecha), Babilônicos (1º
império, maior centro cultural e comercial do oriente), Assírios
(domínio de técnicas de guerra e do ferro), Hititas (império
poderoso e desconhecido; celebração de acordos, povo do mil
deuses) ...
 Poder real, economia agrícola, cidades-reinos, assembleia dos
antigos;
 Principais registros: crimes, transações comerciais, impostos,
sucessão, casamento, propriedade, responsabilidade civil etc;
 Grandes códigos: pouca sistematização, casuísmo.
 Estela dos abutres: da Suméria, 2.450 a.C.; tratado de
paz, com delimitação de fronteiras (primeiros registros
de um Direito Internacional); luta por recursos;
relíquia abrigada no Museu do Louvre: retrata
soldados devorados por animais.
 Código de Urukagina (rei sumério): 2.380 a.C até 2.360 a.C.
Ficou conhecido por combater a corrupção e tirania
(limitando o poder aos religiosos e altos funcionários) e por
ser o primeiro reformador social da história: retirou
impostos que recaíam sobre viúvas e órfãos, custeou
despesas de funerais, inclusive as oferendas dedicadas aos
mortos, negou a pena de morte...
“Desde tempos remotos, o oficial se
apropriava dos barcos, burros e carneiros.
Os pastores pagavam uma quantia de
prata por cada ovelha. Quando Enlil deu o
reino de Lagash para Urukagina,
escolhendo-o dentre uma miríade de
guerreiros, ele tirou do supervisor dos silos,
o controle dos impostos sobre os grãos.
Eliminou o imposto pago pelos pastores. Os
administradores não mais pilhavam os
pomares dos pobres. Quando um pobre
adquire uma mula e um rico deseja
comprá-la, o pobre pode pedir o preço que
desejar ou até mesmo não vender seu
animal, pois o rico não mais terá poder de
mandar sobre o pobre. Urukagina perdoa
as dívidas dos cidadãos. A viúva e o órfão
não mais estarão à mercê dos poderosos”. –
Poema a Urukagina
Leis de Ur-Nammu (rei de Ur; 2.111 a 2.094 a.C.), Mesopotâmia, sumérios:
milhares de registros de contratos, testamentos, notas promissórias, recibos, decisões
judiciais, crimes...; aplicação de penas pecuniárias; leis e decisões estudadas em
escolas:
1. Direito Penal - Se um homem matar outro homem ou roubar deverá ser morto. Se
um homem for culpado de sequestro deverá ser preso e condenado a pagar 15 shekels
de prata. Se um homem amputar o pé de outro homem deverá pagar 10 shekels de
prata. Se um homem for acusado de feitiçaria, mas contra ele não houver provas então
esse homem deverá passar pelo “Julgamento Divino”. Se ele for inocente, deverá
receber 3 shekels de prata daquele que o acusou. Se uma mulher for acusada de
infidelidade deverá passar pelo “Julgamento divino”. Se for inocente, seu acusador
deverá lhe pagar a terça parte de uma mina de prata; Se um homem deflorar a esposa
virgem de outro homem ele deverá ser morto. Se uma mulher casada dormir com outro
homem ela deverá ser espancada até a morte, mas o homem será posto em liberdade.
Se um homem violentar a escrava virgem de outro homem, deverá pagar 5 shekels de
prata; gradações e espécies da pena, culpabilidade, bens jurídicos...
2. Direito de Propriedade - Se um escravo se casar com uma escrava, e esta cativa for
posta em liberdade, então nenhum dos dois poderá deixar o cativeiro. Mas se casar
com um indivíduo livre, deverá entregar o primeiro filho da união para o seu dono.
3. Direito de Família - Se um homem se divorcia da primeira esposa deverá pagar
para ela uma mina de prata. Se um homem se divorcia de uma mulher que já tenha
sido casada deverá pagar, meia mina de prata. Se um homem ficar noivo de uma
mulher, mas esta for dada a outro homem, então deverá receber três vezes o valor
pago pela moça.
Direito Hitita (2000 a 1200 a.C.): celebração de tratados de paz;
predileção por penas pecuniárias e brandas (“Se alguém fere um
homem e este fica doente, o culpado cuidará do ferido e oferecerá por
sua vez um homem que trabalhe na sua casa; tão logo o ferido esteja
curado o culpado lhe dará seis ciclos de prata e pagará as despesas
do médico”); escravos possuíam direitos e proprietários, deveres
éticos; povos dos mil deuses (tolerância religiosa); dez mil tabletes
encontrados; poderoso império governado por um rei e concílio de
nobreza, Precedentes do Direito Internacional (pac-
tos entre iguais e de suserania), poderoso exército.
Porta dos leões (Hattusa, sua capital): hoje,
Boghazköy (Turquia).
Código de Eshunna (cidade-estado; 1930 a.C.): aproximadamente
60 artigos; serviu de modelo para o Código de Hammurabi; previa
salários, equivalência de moedas, proibição de porte de arma,
empréstimos, dote, penhora, adultério, depositário infiel,
responsabilidade civil (“Se um barqueiro é negligente e deixou
afundar o barco, ele responderá por tudo aquilo que deixou
afundar”) etc.
 Código de Lipti-Ishtar (rei; língua suméria; 1.880 a 1.870 a.C.):
nele o rei aparece designado pela vontade dos deuses para exercer
a monarquia e fazer reinar a equidade e a ordem em todo seu
Estado.
1) Se um homem cortar a árvore do jardim de outro homem, ele
pagará meia mina de prata; Se entrar com intenção de roubar,
pagará 10 shekels; Se adjacente à casa de um homem, um lote
vazio foi abandonado e o proprietário da casa disse ao
proprietário da terra nua: “porque o teu terreno tem sido
negligenciado alguém pode entrar em minha casa; reforça a sua
casa”, e este acordo foi confirmado por ele, o proprietário da
terra nua deve restituir ao dono da casa qualquer bem se perdeu
em sua casa”.
2) Se um homem é casado e desse casamento há
filhos vivos, e uma escrava também lhe dá filhos,
o pai concede liberdade à escrava e aos seus filhos,
mas os filhos e a escrava não dividirão a herança com
os filhos desse homem; Se a esposa de um homem
não pariu nenhum filho, mas a prostituta da praça
pública pariu seus filhos, ele manterá com grãos,
azeite e roupa essa prostituta. Os filhos da prostituta serão seus
herdeiros e o tempo em que a esposa viver, a prostituta não viverá
em sua casa.
Código de Hammurabi
 Babilônia: 1.792 a 1.750 a.C.: “protetor da nação, executor da justiça,
proporcionador de paz duradoura para seu povo”; ao lado da religião e
da língua, serviu como elemento de unificação de um grande império,
altamente diversificado pela conquista de numerosos povos;
 Justiça real com supremacia sobre a sacerdotal;
 Leis de organização judiciária e processuais, prevendo, inclusive, a
presença do Ministério Público. Os juízes eram sacerdotes ou leigos;
 Sociedade estratificada: sacerdotes e funcionários do palácio
detinham privilégios; estrangeiros: espécie de plebe; possuíam
escravos;
 Registros de solidariedade familiar, patriarcalismo, casamento
monogâmico, concubinato, divórcio, adoção, regime de comunhão de
bens, filhas não herdavam por já terem recebido o dote, bem de
família;
 Direito Penal: leis talianas, regras variáveis quanto à gravidade do
delito e condição do indivíduo na sociedade, estupro,
roubo/receptação, falso testemunho, crime de adultério (próprio da
mulher, com pena de morte);
 Regras de Direito do Consumidor, do Trabalho, responsabilidade
judicial, proteção ao menor; pena à reclusão e deserção do serviço
militar; usucapião, propriedade improdutiva, caso fortuito/força
maior...;
 Direito Penal: “Se a mulher de um homem tiver sido pega
dormindo com outro varão, ambos serão atados e lançado n’água.
Se o senhor (o marido) da esposa permitir que sua esposa viva, o
rei deixará com vida o outro homem. Se um homem violentou a
esposa de um homem, que não conheceu o marido e ainda habita a
casa de seu pai, (se) for pego, este homem será morto e a mulher
inocentada. Se a esposa de um homem tiver sido expulsa pelo
marido e sem ter sido pega em flagrante dormindo com outro
varão, ela jurará pela vida de Deus e tornará à sua casa. Se o dedo
tiver sido apontado para a mulher de um homem por causa de um
outro varão e (se) ela não tiver dormido com outro varão, por causa
de seu marido ela mergulhará no deus rio (o rio irá acusar ou
inocentar a mulher). Se um homem roubou o tesouro do Deus ou
do Palácio, este homem será morto, e aquele que recebeu o objeto
roubado pela sua mão será morto. Se um homem roubou seja um
boi, carneiro, asno, porco ou uma barca, se de um deus, de um
palácio, ele dará até trinta vezes, se (for) de um muskenum ele
devolverá até 10 vezes. Se o ladrão não tiver como pagar, ele será
morto. Se um homem deixou escapar um boi ou um asno que lhe
haviam confiado, ele devolverá a seu proprietário boi por boi, asno
por asno”.
 Direito de Família: Se um homem abandonar sua primeira esposa,
que não lhe deu filhos, ele lhe dará dinheiro de seu dote e depois a
abandonará. Se não tiver dote, ele lhe dará meia-mina de prata
para abandoná-la. Se um homem se dispôs a abandonar uma
sugetum (esposa de segunda categoria) quando a esposa (salme)
não podia dar filhos, o homem tem direito de casar-se novamente;
a esta mulher será devolvido o seu dote e lhe será dada uma parte
do campo, jardim e bens móveis e ela criará as crianças. Depois
que ela tiver criado as crianças, sobre tudo aquilo que será dado às
crianças, lhe será dado uma parte, como a um filho herdeiro e ela
tomará marido de acordo com o seu coração. Se a esposa de um
homem, que habita a casa deste homem, quiser sair e (se) ela tiver
o hábito de fazer extravagâncias, desorganizar a casa,
negligenciando o marido, ela deverá ser persuadida; e se o seu
marido decidir repudiá-la, ele não lhe dará nada. Se seu marido
decidiu não repudiá-la, tomará outra mulher, a primeira habitará
na casa de seu marido como escrava. Se uma mulher odeia seu
marido e lhe disser “tu não mais me terás como esposa”, aquilo que
está por detrás de sua conduta, a respeito de sua culpabilidade
será esclarecido. Se ela for zelosa e não tiver culpa e se seu marido
sai e a negligencia muito, ela tomará seu dote e irá para a casa de
seu pai; se ela não for zelosa e costumar sair dissipando seus bens,
negligenciando o marido, esta mulher será lançada n’água”.
CÓDIGO DE HAMURABI – ACHADO NO IRÃ EM 1901,
EXPOSTO NO LOUVRE
 DIREITO HITITA: sua política de dominação se deu por meio da
celebração de acordos com os reinos vizinhos. Tais pactos podiam ser
entre iguais e de suserania; “tinham inequívoca predileção pela
composição pecuniária. As punições bem mais moderadas; penas de morte
e mutilações mais raras - Se alguém fere um homem e este fica doente, o
culpado cuidará do ferido e oferecerá por sua vez um homem que trabalhe
na sua casa; tão logo o ferido esteja curado o culpado lhe dará seis ciclos
de prata e pagará as despesas do médico”. Na sociedade hitita, até mesmo
os escravos possuíam direitos, As decisões reais eram submetidas ao
Pankus, um conselho de nobres. Os reis tinham seu poder muito mais
baseado na competência militar do que no direito divino.
 Cartas de Amarna: milhares de tabletes em argila, considerados o mais
antigo registro da Diplomacia.