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Romantismo

A liberdade guiando o povo, Eugène Delacroix, 1830


Independência ou morte, 1888, Pedro
Américo
Vapor numa tempestade de neve, Joseph William Turner, 1842
1ª Geração
Romântica
José Maria de Medeiros, Iracema, 1884
Rodolfo Amoedo, O último tamoio, 1883
“Dei o nome de Primeiros Cantos às poesias que agora publico,
porque espero que não serão as últimas.
Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque
menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos
da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram
quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir.

Gonçalves Dias
Canção do
exílio

Em cismar, sozinho, à noite,


Minha terra tem palmeiras, Mais prazer encontro eu lá;
Onde canta o Sabiá; Minha terra tem palmeiras,
As aves, que aqui gorjeiam, Onde canta o Sabiá.
Não gorjeiam como lá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Nosso céu tem mais estrelas,
Em cismar — sozinho, à noite —
Nossas várzeas têm mais flores,
Mais prazer encontro eu lá;
Nossos bosques têm mais vida,
Minha terra tem palmeiras,
Nossa vida mais amores. Onde canta o Sabiá.
ENEM 2007 – dificuldade: difícil

O CANTO DO GUERREIRO

Aqui na floresta Valente na guerra,


Dos ventos batida, Quem há, como eu sou?
Façanhas de bravos Quem vibra o tacape
Não geram escravos, Com mais valentia?
Que estimem a vida Quem golpes daria
Sem guerra e lidar. Fatais, como eu dou?
- Ouvi-me, Guerreiros, - Guerreiros, ouvi-me;
- Ouvi meu cantar. - Quem há, como eu sou?

Gonçalves Dias.
ENEM 2007 – dificuldade: difícil

MACUNAÍMA
(Epílogo)

Acabou-se a história e morreu a vitória.


Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo
Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia
mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros
arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era
solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio
Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da
tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do
Herói?

Mário de Andrade.
ENEM 2007 – dificuldade: difícil

A leitura comparativa dos dois textos indica que

a) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de


forma realista e heroica, como símbolo máximo do nacionalismo
romântico.
b) a abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é
discriminatória em relação aos povos indígenas do Brasil.
c) as perguntas "- Quem há, como eu sou?" (1º texto) e "Quem podia
saber do Herói?" (2º texto) expressam diferentes visões da realidade
indígena brasileira.
d) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos
povos indígenas como resultado do processo de colonização no Brasil.
e) os versos em primeira pessoa revelam que os indígenas podiam
expressar-se poeticamente, mas foram silenciados pela colonização,
como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.
“(...)Este livro é pois um ensaio ou antes mostra. Verá
realizadas nele minhas ideias a respeito da literatura nacional; e
achará aí poesia inteiramente brasileira, haurida na língua dos
selvagens.
A etimologia dos nomes das diversas localidades, e certos
modos de dizer tirados da composição das palavras, são de cunho
original.”

Carta ao Dr. Jaguaribe, José de Alencar