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DIMENSÃO ÉTICA DA PROFISSÃO DOCENTE

Embora seja um termo bastante amplo, podemos conceituar ética como


uma área do saber à qual corresponde o estudo dos juízos de valor referentes à
conduta humana, seja tomando por referência as regras de conduta vigentes
numa determinada sociedade, seja tomada de modo absoluto para qualquer
tempo ou Lugar.

Assim, a ética em sua acepção mais usual pode ser entendida como
relativa à moralidade, como avaliação dos costumes, deveres e modos de
proceder dos homens para com os seus semelhantes.

Segundo Mondin (1998, 43) Ética é "Antes de tudo, um valor absoluto,


não um valor instrumental: ele pertence à ordem dos fins e não à dos meios (…)
cada homem possui uma dignidade real (…) e inviolável".
Sánchez Vázquez (1983) a ética é "um sistema de normas, princípios e
valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os
indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas,
dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livre e
conscientemente, por uma convicção íntima e não de uma maneira mecânica,
externa ou impessoal”.

Caberá perguntar, então, como transformar referenciais ético-filosóficos


absolutos em conceitos fundantes da profissão docente?

Como ressignificar conceitos como "cidadania", "autonomia" e "reflexão",


por exemplo, esvaziados que estão pelo uso instrumental que deles é feito –
tomando-os como habilidades ou competências a serem desenvolvidas ao longo
A profissão docente, assim, acaba por ser pensada – no contexto atual –
como mais uma profissão que deve obedecer à lógica da razão instrumental
que, "ao invés de ver a educação como um bem humano, a descreve como um
sistema que produz produtos que são constantemente avaliados para
determinar sua qualidade.

Como formar professores capazes de tornarem-se sujeitos na


configuração de sua profissionalidade?
Uma primeira tentativa de responder a esta questão, passa pelo
reconhecimento da necessidade de estimular a mudança de mentalidade da
qual decorre a estrutura dos processos de formação docente – a mentalidade
cientificista e seu processo de formação normativo, calcado em modelos de
procedimento e parâmetros objetivos de avaliação, característicos das
profissões técnico-científicas.
O ponto irradiador das principais mazelas do ensino, inclusive da crise
dos professores perante sua profissão, seria o confronto entre as carências
socioeconômicas e culturais trazidas pelos estudantes (e suas famílias) – que
não encontram outro meio de dispor da atenção do estado – e um sistema de
ensino organizado tecnocraticamente em torno de uma visão elitista da escola
e do processo de aprendizagem.

O desajustamento entre necessidades dos alunos e as possibilidades do


sistema educativo – inclusive dos professores para atenderem às
determinações deste novo contexto –, podem levar o indivíduo (professor) a um
sentimento de insegurança e desencanto que afeta negativamente as
condições concretas de realização de seu trabalho.
Podemos dizer que afeta principalmente em nível subjetivo, na medida
em que o sentimento de insegurança, pode causar uma série de efeitos de
caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das
condições psicológicas e sociais em que exerce a docência – em expressões
conhecidas na literatura pedagógica: mal-estar docente ou burnout.

O futuro educador deve ser estimulado a compreender a dimensão de


seu trabalho e a assumir, também, um compromisso como colaborador no
estabelecimento de relações sociais menos autoritárias e individualistas, mais
voltadas para o desenvolvimento da empatia entre as pessoas, condição
essencial para ações pautadas pela ética.
"Em se tratando de avaliar uma ação (…) do ponto de vista ético, não
basta perguntar até que ponto ela fere um valor individual do sujeito: é preciso
perguntar ainda até que ponto essa ação interfere na distribuição de poder
entre os homens, ou seja, se ela aumenta ou diminui o índice de opressão e de
dominação entre as Pessoas. (…) Portanto, para que uma ação seja eticamente
boa, é preciso que ela seja também politicamente boa, (…) que contribua para o
aumento de justiça, entendida esta como a condição de distribuição equitativa
dos bens materiais, culturais e ‘espirituais’ (âmbito da dignidade humana)"
(SEVERINO, 1992: 194).
Uma mudança paulatina de mentalidade que culmine com a valorização –
inclusive em nível salarial – dos professores talvez possa ser realizada a partir
dos próprios professores como construtores de sua de sua profissionalidade e
do reconhecimento da dignidade, da importância e do significado social de sua
profissão.

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