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ELEMENTOS ACIDENTAIS

LIMITADORES DA EFICÁCIA
DO NEGÓCIO JURÍDICO
A CONCEPÇÃO DO PLANO DE
EFICÁCIA
Neste plano, verifica-se se o negócio jurídico é eficaz, ou seja,
se repercute juridicamente no plano social, imprimindo
movimento dinâmico ao comércio jurídico e às relações de
direito privado em geral.

Assim, celebrado um contrato de compra e venda existente e


válido, será também juridicamente eficaz se não estiver
subordinado a um acontecimento futuro a partir do qual passa a
ser exigível.
Segundo Junqueira De Azevedo:
“ O terceiro e último plano que a mente
humana deve projetar o negócio jurídico para
examiná-lo é o plano da eficácia. (Nesse
plano se trata da eficácia jurídica , e da sua
eficácia própria ou típica , isto é , da eficácia
referente , aos efeitos manifestados como
queridos”.
ELEMENTOS ACIDENTAIS
(Modalidades)

O MODO OU
O TERMO A CONDIÇÃO ENCARGO
CONDIÇÃO
É uma cláusula que pode ser inserida no negócio jurídico
pela vontade das partes, e que subordina a EFICÁCIA do
negócio jurídico a um evento futuro e incerto.

FUTURO Não se sabe quando vai ocorrer


INCERTO Não se sabe se vai ocorrer

O indivíduo que se obriga a transferir gratuitamente um imóvel rural


ao sobrinho (doação), quando ele se casar. No caso o casamento é a
determinação acessória, futura e incerta, que subordina a eficácia
jurídica do ato negocial.
Elementos para caracterizar a
condição

INCERTEZA FUTURIDADE
A morte em princípio não é considerada condição. Trata-se
de um termo incerto.

A futuridade é requisito indispensável para


caracterização da condição.
INCERTEZA

É indispensável a incerteza da determinação acessória, para


que se possa identificá-la como condição.

Bom advertir que essa incerteza diz respeito à própria ocorrência


do fato, e não ao período de tempo em que este irá se realizar.

Por isso, a morte, em princípio, não é considerada condição: o


indivíduo nasce e tem a certeza de que um dia irá morrer,
mesmo que não saiba quando.
FUTURIDADE
Requisito indispensável para a caracterização da condição.

Acontecimento passado não pode caracterizar determinação


acessória condicional.

Exemplo: prometo a alguém certa quantia em dinheiro, se o meu


bilhete de loteria, que correu ontem, estiver premiado. Neste
caso, tratando-se de fato passado, uma de duas situações
poderá ocorrer: ou o bilhete está premiado e a promessa de
doação é pura e simples (não condicional) ou o bilhete está
branco, perdendo a promessa eficácia jurídica.
CONDIÇÃO SUSPENSIVA

Condição que suspende os efeitos do ato jurídico durante


período de tempo enquanto o evento não ocorra.

Enquanto não se realizar a condição, não haverá a aquisição


do direito, e o negócio jurídico (ou parte dele) não surtirá
efeitos (eficácia).
Exemplo de condição suspensiva
Contrato de trabalho: O empregado terá direito a ser promovido
como assessor jurídico da empresa, caso seja aprovado no Exame
da OAB.
IMPLEMENTOU A
CONDIÇÃO

Evento Futuro e Incerto: Ser aprovado no Exame da OAB


Implementação da obrigação: O empregado foi aprovado no Exame da OAB
Eficácia do Negócio Jurídico (direitos e efeitos): A partir do implemento da
Condição.
Contrato de trabalho: O empregado terá direito a ser promovido
como assessor jurídico da empresa, caso seja aprovado no Exame
da OAB.
NÃO IMPLEMENTOU
A CONDIÇÃO

Evento Futuro e Incerto: Ser aprovado no Exame da OAB


Implementação da obrigação: O empregado NÃO foi aprovado no Exame da
OAB.
Eficácia do Negócio Jurídico (direitos e efeitos): Como a condição não foi
implementada, o negócio jurídico não surtirá efeitos.
CONDIÇÃO RESOLUTIVA
Põe fim à eficácia do negócio jurídico (ou parte dele).
Na condição resolutiva, enquanto não se realizar a
Condição, o negócio jurídico (ou parte dele) produzirá
efeitos, podendo-se exercer os direitos provenientes do
negócio desde a sua conclusão.
Assim que implementada a Condição o negócio jurídico (ou
parte dele) deixará de surtir efeitos e cessarão os direitos
provenientes do negócio.
Logo, a suspensiva gera expectativa de direitos, pois
suspende tanto a aquisição como o exercício. A resolutiva
põe fim aos efeitos do negócio jurídico.
Exemplo de condição resolutiva
Bolsa de estudos: Cessará a bolsa de estudos caso o aluno tire
média abaixo de 7 (sete) no bimestre.
IMPLEMENTOU A
CONDIÇÃO

Evento Futuro e Incerto: Tirar média abaixo de 7 no bimestre


Implementou a obrigação: O aluno tirou nota abaixo de 7 no bimestre
Eficácia do Negócio Jurídico (direitos e efeitos): Como o aluno NÃO
tirou nota abaixo de 7, ele continuará recebendo a bolsa de estudos.
Exemplo de condição resolutiva
Bolsa de estudos: Cessará a bolsa de estudos caso o aluno tire
média abaixo de 7 (sete) no bimestre.

NÃO IMPLEMENTOU
A CONDIÇÃO

Evento Futuro e Incerto: Tirar média abaixo de 7 no bimestre


Implementou a obrigação: O aluno NÃO tirou nota abaixo de 7 no
bimestre
Eficácia do Negócio Jurídico (direitos e efeitos): Como o aluno tirou nota
abaixo de 7, ele perderá a bolsa de estudos.
CONDIÇÃO RESOLUTIVA

EXPRESSA TÁCITA

POSITIVA NEGATIVA
QUANTO A ILÍCITUDE
LÍCITA ILÍCITA
CONDIÇÃO

É A CLÁUSULA QUE SUBORDINA O EFEITO DO NEGÓCIO JURÍDICO A


EVENTO FUTURO E INCERTO.

REQUISITOS
FUTURO
INCERTO
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que,
derivando exclusivamente da vontade das partes,
subordina o efeito do negócio jurídico a evento
futuro e incerto.

FUTURO INCERTO

EFICÁCIA
TERMO

Termo é o elemento acidental do negócio jurídico que


determina o momento em que começa ou se
extingue a eficácia do negócio jurídico. Este
subordina-se a ocorrência de acontecimento futuro e
certo. Desta forma nota-se que possui duas
características: a futuridade e a certeza da ocorrência do
evento, podendo este ser certo ou incerto.
TERMO
Os atos ou negócios que não admitem termo nem
condição, dentre outros, são os seguintes:
a) os relativos ao estado das pessoas, como a
emancipação e direitos da personalidade;

b) os relativos ao direito de família, como o casamento e


reconhecimento de filho (art 1.613, do CC);

c) aceitação e renúncia da herança (art. 1.808, do CC).


CLASSIFICAÇÃO DO TERMO
a) convencional — fixado pela vontade das partes (em
um contrato, por exemplo);

b) legal — determinado por força de lei;

c) de graça — fixado por decisão judicial (geralmente


consiste em um prazo determinado pelo juiz para que o
devedor de boa-fé cumpra a sua obrigação).
CLASSIFICAÇÃO DO TERMO QUANTO
AOS EFEITOS

Termo suspensivo: também conhecido como termo inicial ou


dies a quo, é aquele que, quando verificado, determina o
momento em que a eficácia do negócio deve ter inicio,
retardando o exercício do Direito.

Exemplo de termo suspensivo: celebro contrato de


arrendamento comercial no dia 30 de maio de 2019 para ter
vigência no dia 1º de junho de 2019, esta data será o termo
inicial).
CLASSIFICAÇÃO DO TERMO QUANTO
AOS EFEITOS

Efeitos antes do vencimento do termo inicial:

O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do


direito (art. 131, do CC). Isso quer dizer que nos negócios
jurídicos a termo inicial, apenas a exigência do negócio jurídico é
transitoriamente suspensa, não impedindo que as partes desde
já adquiram os direitos e deveres do ato.
CLASSIFICAÇÃO DO TERMO QUANTO
AOS EFEITOS
Termo resolutivo: também conhecido como termo final ou dies
ad quem, é aquele que, quando verificado, põe fim aos efeitos
do negócio jurídico.

Exemplo de termo resolutivo: o contrato de arrendamento


cessará no dia 30 de maio de 2020, a data da cessação será o
termo final.
CLASSIFICAÇÃO DO TERMO QUANTO À
CERTEZA
Termo certo é o termo certo que ocorrerá e se sabe quando
ocorrerá.

No TERMO CERTO o evento é uma decorrência da lei da


natureza. Assim, toda data futura é um exemplo de termo
certo .

Exemplo: No dia 1º de janeiro do ano que vem lhe darei um


carro.
CLASSIFICAÇÃO DO TERMO QUANTO À
CERTEZA
TERMO INCERTO: Evento futuro certo ,que se verificará em
data indeterminada (ocorre apenas a imprecisão quanto ao
momento).

Exemplo: Maria diz : Te darei uma casa quando Antônio Falecer.


Entretanto, a própria morte pode se transformar de termo em
condição, se a sua ocorrência estiver em situações como se
Maria vier a falecer antes de Antônio.

Nesse caso, existe uma condição e não um termo, porque o


evento é futuro e incerto, pois se Maria irá morrer ou não antes
de Antônio é incerto.
CLASSIFICAÇÃO DO TERMO QUANTO À
ESSENCIALIDADE

Termo essencial ou não essencial: Diz-se essencial


quando o efeito pretendido deve ocorrer em momento
bem preciso, sob pena de verificado depois, não ter mais
valor.

Exemplo : em um contrato que determine a entrega de vestido


para a cerimônia, se o vestido for entregue depois, não tem mais
utilidade visada pelo credor.
PRAZO
Este é o período compreendido entre os termos iniciais e finais.

Exemplo: Quando alguém compra um carro e divide o


pagamento em prestações , o termo inicial corresponderá ao dia
acordado para o pagamento da primeira prestação e o termo
final à data para a efetuação da última parcela, sendo o prazo o
tempo que decorrer entre a primeira prestação e a ultima.

ATENÇÃO: É importante não confundir termo e prazo, de


forma que o termo é o limite, quer inicial ,quer final, ao
passo que o prazo é o tempo que decorre entre o ato
jurídico e o inicio do exercício.
CONTAGEM DO PRAZO
Art. 132 do Código Civil: Salvo disposição legal ou
convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o
dia do começo, e incluído o do vencimento.

O prazo é contado por unidade de tempo (hora, dia, mês,


ano), excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o do
vencimento.

Exemplo: Se assumir uma obrigação dia 15 de Maio, com prazo


de um mês, não se computará no dia 15 de Junho, e o
vencimento da obrigação se dará apenas no dia 16 de Junho.
PRINCÍPIOS DO CÓDIGO CIVIL
QUANTO AOS PRAZOS
Art. 132:
§ 1º Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á
prorrogado o prazo até o seguinte dia útil.
§ 2º Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto
dia.
§ 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número
do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência.
§ 4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.
PRESUNÇÃO DO PRAZO
ART. 133 Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do
herdeiro, e, nos contratos, em proveito do devedor, salvo,
quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das
circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do
credor, ou de ambos os contratantes.

Nos contratos, presume-se o prazo em favor do devedor. Desse


modo, pode o devedor renunciar ao prazo e antecipar o
pagamento da divida, para livrar-se, por exemplo, de um índice
de atualização monetária que poderá estar vigorando na data do
seu vencimento, sem que o credor possa impedi-lo.
NEGÓCIOS JURÍDICOS SEM PRAZO:
Art. 134 Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são
exequíveis desde logo, salvo se a execução tiver de ser feita em
lugar diverso ou depender de tempo.

A expressão “desde logo” não deve ser entendida com


“imediatamente” de forma que poderia anular o negócio . Deve
haver o tempo bastante para que se realize o fim visado , ou se
empreguem meios para realiza-lo. Casos haverão em que
impossível será o cumprimento da obrigação de imediato.
NEGÓCIOS JURÍDICOS SEM PRAZO:
ATENÇÃO: Para evitar hipóteses em que o adimplemento do
contrato não se pode dar de imediato, esclarece o artigo que, se
a execução tiver de ser feita em local diverso ou depender de
tempo, não poderá, obviamente prevalecer o imediatismo da
execução. O prazo tácito decorrerá, portanto ,da natureza do
negócio ou das circunstâncias.

Exemplo: No transporte de uma mercadoria de São Paulo a


Manaus, mesmo que não haja prazo, será um espaço de tempo
para que seja possível a efetivação da referida entrega no local
designado; outro exemplo é a compra de uma safra de laranja, o
prazo será a época da colheita, mesmo que não tenha sido
estipulado.
MODO OU ENCARGO

Determinação acessória acidental do negócio


jurídico que impõe ao beneficiário um ônus a ser
cumprido em prol da liberdade.

Segundo Silvio Venosa: “Modo ou Encargo é restrição


imposta ao beneficiário da liberdade. Encargo é peso
atrelado a uma vantagem e não uma prestação
correspectiva sinalagmática.”
MODO OU ENCARGO

Art 137 CC:

Considera-se não escrito o encargo ilícito ou


impossível, salvo de constituir o motivo
determinante da liberdade em que se invalida o
negócio jurídico.
EXEMPLO DE MODO OU ENCARGO

Usufruto com Encargo

João cedeu em usufruto um terreno para a escola do seu filho


pelo prazo de 10 anos e a escola assumiu a obrigação de
construir no terreno um parquinho de recreação.

Direito e Exercício do Direito = A escola já adquiriu o direito de


usufruto e poderá usufruir do terreno mesmo antes de construir o
parquinho, ou seja, mesmo antes de cumprir o encargo.
EXEMPLO DE MODO OU ENCARGO

Doação com Encargo

João doou um terreno para o seu município que assumiu a


obrigação de construir um hospital no imóvel.

Direito e Exercício do Direito = O município já tem o direito de


propriedade sobre o imóvel e poderá exercer seu direito de
proprietário, mesmo antes de construir o Hospital.
MUITO OBRIGADO!!
FELIPE BEZERRA
JOÃO VIRGÍLIO
MELISSA ELOY
NATHALIA CAROLINA