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LESÃO E MORTE CELULAR

NECROSE

Luciana Gurgel Trindade Henriques


Médica Especialista em Anatomia Patológica
Mestre em Anatomia Patológica pela UFPE
Doutora em Anatomia Patológica pela Faculdade Estadual de
Medicina Botucatu-SP
Prof. Adjunta do Departamento de Patologia da UFPE
Médica Patologista do Hospital de Câncer de Pernambuco
Médica Patologista Hospital Universitário Oswaldo Cruz - CIAP
HOMEOSTASE
ADAPTAÇÕES
 Aumento do tamanho das células e da atividade
funcional
 Aumento do número de células
 Diminuição do tamanho e da atividade metabólica
 Mudança do fenótipo da célula
ADAPTAÇÕES
 HIPERTROFIA
 HIPERPLASIA
 ATROFIA
 METAPLASIA
ADAPTAÇÕES

 REVERSÍVEIS
LESÃO CELULAR
 Reversível até certo ponto
DANO PROGRESSIVO
1. Adaptação
2. Lesão Reversível
3. Lesão Irreversível
4. Morte celular
HIPERTROFIA
 Aumento do tamanho da célula
 Aumento do tamanho do órgão

 Fisiológica ou Patológica
 Aumento da demanda funcional ou
estimulação de hormônios e fatores de
crescimento
HIPERTROFIA
 Aumento do tamanho da célula
 Aumento do tamanho do órgão

 Fisiológica ou Patológica
 Aumento da demanda funcional ou
estimulação de hormônios e fatores de
crescimento
 AUMENTO DA CARGA DE TRABALHO
HIPERTROFIA PATOGENIA
• Células sintetizam mais proteínas
 Número de miofilamentos aumenta
 Aumenta a força por miócito
 Aumenta a força e a capacidade de trabalho do
músculo como um todo
HIPERTROFIA PATOLÓGICA
HIPERTROFIA FISIOLÓGICA
HIPERPLASIA
• Aumento do número de células em um órgão
ou tecido em resposta a um estímulo

• Muitas vezes ocorre simultaneamente com a


hipertrofia

• Fisiológica ou Patológica
HIPERPLASIA FISIOLÓGICA
• Compensatória
– Regeneração hepática
– Medula óssea (anemia aguda)
• Hormonal
– Mama: gravidez e puberdade
HIPERPLASIA PATOLÓGICA
• Ação patológica de hormônios ou fatores de
crescimento
– Hiperplasia endometrial: desequilíbrio
estógeno/progesterona
– Hiperplasia prostática: androgênios
– Hiperplasia induzida por vírus: HPV
HIPERPLASIA PATOGENIA
• Proliferação de células maduras induzidas por
fatores de crescimento
• Surgimento de novas células a partir de
células tronco: hepatites
HIPERPLASIA PATOGENIA
ATROFIA

• Redução do tamanho de um órgão ou tecido


que resulta da diminuição do tamanho e do
número de células
ATROFIA FISIOLÓGICA

• Útero após o parto


• Desenvolvimento
– Notocorda
– Ducto tireoglosso
ATROFIA PATOLÓGICA
1) Diminuição do suprimento sanguíneo:
– Isquemia: atrofia senil cerebral
2) Perda de inervação
– Músculo esquelético perde a inervação
3) Redução da Carga de Trabalho
– Atrofia de desuso: imobilização
ATROFIA PATOLÓGICA
4) Nutrição inadequada
– Caquexia: desnutrição profunda (proteico-calórica)
2) Perda da Estimulação Endócrina
– Diminuição estrogênica após menopausa: atrofia
fisiológica do endométrio, epitélio vaginal e mama
3) Compressão
– Tumor benigno causando atrofia nos tecidos
normais circundantes
ATROFIA
• Diminuição do tamanho das células e das
organelas
 Reduz as necessidades metabólicas
 Função dminuída
 Raramente leva a morte
 Morte celular por apoptose: diminuição do órgão
ATROFIA PATOGENIA
• Diminuição da síntese proteica
– Atividade metabólica reduzida
• Aumento da degradação de proteínas
– Caquexia do câncer
– Autofagia: corpos residuais
ADULTO JOVEM 82 ANOS
METAPLASIA
• Um tipo celular DIFERENCIADO (epitelial ou
mesenquimal) é substituído por outro tipo
celular
• COLUNAR ESCAMOSO
• ESCAMOSO COLUNAR
• CONJUNTIVO
METAPLASIA
• Um tipo celular DIFERENCIADO (epitelial ou
mesenquimal) é substituído por outro tipo
celular
• COLUNAR ESCAMOSO MAIS COMUM
• ESCAMOSO COLUNAR
• CONJUNTIVO
METAPLASIA
• Um tipo celular DIFERENCIADO (epitelial ou
mesenquimal) é substituído por outro tipo
celular
• COLUNAR ESCAMOSO
• ESCAMOSO COLUNAR
• CONJUNTIVO NÃO ADAPTATIVO
BRÔNQUIO

CÍLIOS
FUNÇÕES DO EPITÉLIO BRÔNQUICO
Proteção contra infecção:
1.Movimento ciliar
2.Secreção de muco
FUNÇÕES DO EPITÉLIO BRÔNQUICO
METAPLASIA
Proteção contra infecção:
1.Movimento ciliar
2.Secreção de muco
METAPLASIA
• Metaplasia
• Displasia
• Câncer
METAPLASIA
ESÔFAGO DE BARRETT
JUNÇÃO ESÔFAGO-GÁSTRICA
LESÃO CELULAR E NECROSE
Morfologia da necrose
A soma das alterações degradativas intracelulares que ocorrem
depois da morte das células
Morte celular seguida de autólise/ morte celular no organismo vivo
Autólise = processo de reações de degradação causada por enzimas
intracelulares pertencentes a célula

Tipos de necrose:
Coagulativa
Liquefativa
Gangrenosa
Caseosa
Gordurosa
Fibrinóide
Apoptose
Características Morfológicas
Mecanismos
APOPTOSE
LESÃO CELULAR E NECROSE

• Necrose Coagulativa
• Freqüentemente resultado da interrupção de
sangue ocorrendo a desnaturação das
proteínas. Observado em órgãos com
circulação arterial final e circulação colateral
limitada (coração e rim)
• Arquitetura geral preservada, exceto por
alterações nucleares e citoplasma com
aspecto de substäncia coagulada (acidófilo,
granuloso algo gelificado)
LESÃO CELULAR E NECROSE

• Necrose liquefativa
• Liquefação enzimática do tecido
necrótico, observado freqüentemente
no cérebro, supra-renal e mucosa
gástrica onde é causada pele
interrupção vascular; também ocorre
em áreas de infecção bacteriana
(purulentas)
• Zona de necrose adquire consistência
mole, semifluida ou mesma liquefeita
.
The two lung abscesses seen
here are examples of
liquefactive necrosis in which
there is a liquid center in an
area of tissue injury. One
abscess appears in the upper
lobe and one in the lower
lobe. Liquefactive necrosis is
typical of organs in which the
tissues have a lot of lipid
(such as brain) or when there
is an abscess with lots of
acute inflammatory cells
whose release of proteolytic
enzymes destroys the
surrounding tissues.
LESÃO CELULAR E NECROSE
• Necrose gangrenosa
• Forma de evolução da necrose resultante da ação de
agentes externos sobre o tecido necrosado.

• A desidratação da região atingida, especialmente


quando em contato com o ar origina a gangrena seca
(aspecto de pergaminho)

• Invasão do tecido necrosado por microorganismos


anaeróbios produtores de enzimas que tendem a
liquefazer os tecidos mortos e a produzir gases de odor
fétido que se acumulam em bolhas entre o tecido morto
e o não lesado origina a gangrena úmida ou pútrida

• Gangrena gasosa é secundária a contaminção do tecido


necrosado com germes do gênero Clostridium que
produzem enzimas proteolíticas e lipolíticas e grande
quantidade de gás
LESÃO CELULAR E NECROSE

• Necrose caseosa

• Assim denomina porque a área necrosada assume o


aspecto macroscópico de massa de queijo, divide
características da necrose coagulativa e liquefativa
(granulomas da tuberculose)

• A principal características é a trasformação das células


necróticas em uma massa homogênea, acidófila,
contendo núcleos picnóticos e na periferia, presença
de núcleos fragmentados (as células perdem
totalmente os seus contornos e os detalhes
estruturais, mas o tecido não é liquefeito)
This is the gross
appearance of caseous
necrosis in a hilar lymp
node infected with
tuberculosis. The node
has a cheesy tan to
white appearance.
Caseous necrosis is
really just a combination
of coagulative and
liquefactive necrosis
that is most
characteristic of
granulomatous
inflammation.
This is more extensive
caseous necrosis, with
confluent cheesy tan
granulomas in the upper
portion of this lung in a
patient with tuberculosis.
The tissue destruction is
so extensive that there
are areas of cavitation
(cystic spaces) being
formed as the necrotic
(mainly liquefied) debris
drains out via the bronchi.
LESÃO CELULAR E NECROSE

• Necrose gordurosa

• Liberação de enzimas pancreáticas com


autodigestão ou trauma de células gordurosas

• Necrose de células gordurosas associado a


inflamação aguda, formação de depósitos de
cálcio e histiócitos
LESÃO CELULAR E NECROSE

• Necrose fibrinóide
• Depósito de material proteináceo (fibrin like) nas
paredes das artérias, observado como parte de
vasculites imuno-mediadas

• Necrose gomosa
• Variedade da necrose por coagulação na qual o tecido
necrosado assume aspecto compacto e elástico como
borracha (goma), ou fluido viscoso como a goma
arábicaç observada na sífilis tardia ou terciária (goma
sifilítica)