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6.

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI)


6.1. DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E INFRACONSTITUCIONAIS
6.2. LEGITIMADOS ATIVOS E PASSIVOS
6.3. PAPEL DO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
6.4. OBJETO E OBJETIVO
6.5. POSSIBILIDADE DE PEDIDO CAUTELAR
6.6. EFEITOS
6.7. PETIÇÃO INICIAL
6.8. PONTOS IMPORTANTES
6.1. DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E INFRACONSTITUCIONAIS (CF, ART. 102, I, “a” E
LEI Nº 9.868/99)
A AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE GENÉRICA (ADI), TÍPICA DO
CONTROLE ABSTRATO BRASILEIRO, VISA A DECLARAÇÃO DA
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO FEDERAL OU ESTADUAL, EM
VIGOR, PERANTE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O QUE SE BUSCA COM A ADI
GENÉRICA É O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE ATO NORMATIVO EM
TESE, ABSTRATO, MARCADO PELA GENERALIDADE, IMPESSOALIDADE E
ABSTRAÇÃO.
ATENÇÃO! NÃO É POSSÍVEL CONTROLE CONCENTRADO DE LEI OU ATO NORMATIVO
MUNICIPAL EM FACE DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PELO STF, A NÃO SER PELA
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF).
EM RELAÇÃO ÀS LEIS DO DISTRITO FEDERAL, COMO ESTE ENTE FEDERADO
DISPÕE DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DOS ESTADOS E DOS MUNICÍPIOS,
SOMENTE PODERÃO SER IMPUGNADAS EM ADI PERANTE O STF AS LEIS
DISTRITAIS EDITADAS NO DESEMPENHO DE SUA COMPETÊNCIA ESTADUAL.
(SÚMULA 642 DO STF). SE A LEI DO DISTRITO FEDERAL FOI EXPEDIDA PARA
REGULAR MATÉRIA TIPICAMENTE MUNICIPAL, NÃO PODERÁ SER QUESTIONADA
EM ADI PERANTE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
6.1.1. LEI EM SENTIDO AMPLO
TODO PRECEITO ESCRITO, EMANADO DO PODER COMPETENTE DE CADA UMA DAS
PESSOAS POLÍTICAS (UNIÃO, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS),
DOTADO DE IMPERATIVIDADE E COERÇÃO ESTATAL, E QUE, PARA FINS DE
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE, DEVE TER POR CARACTERÍSTICAS A
ABSTRAÇÃO, A GENERALIDADE E A AUTONOMIA.
POR ABSTRAÇÃO DEVE-SE ENTENDER A EXIGÊNCIA DE QUE A LEI TRATE DE
SITUAÇÕES HIPOTÉTICAS, NÃO DEVENDO DISCIPLINAR CASOS CONCRETOS.
A GENERALIDADE, POR SUA VEZ, DIZ RESPEITO À NECESSIDADE DE QUE A LEI
ALCANCE, INDISTINTAMENTE, A TODOS QUE SE ENQUADREM NA HIPÓTESE POR
ELA DISCIPLINADA, NÃO SE DESTINANDO À DISCIPLINA DE CASOS INDIVIDUAIS,
PARTICULARES.
A AUTONOMIA PODE SER DEFINIDA COMO AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO DA LEI A
QUALQUER OUTRA LEI OU DIPLOMA NORMATIVO, MAS APENAS À PRÓPRIA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
AS NORMAS AUTÔNOMAS, TAMBÉM DENOMINADAS DE PRIMÁRIAS, SÃO AS QUE,
EM SÍNTESE, PODEM RENOVAR O ORDENAMENTO JURÍDICO, COM AMPARO NA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMO, POR EXEMPLO, AS ESPÉCIES NORMATIVAS
PREVISTAS NO ART. 59 DA LEI SUPREMA.
6.1.2. ATOS NORMATIVOS
SÃO TODOS OS DEMAIS ATOS EDITADOS PELO PODER PÚBLICO, REVESTIDOS DE
CONTEÚDO NORMATIVO, E COM CARACTERÍSTICAS DE ABSTRAÇÃO,
GENERALIDADE E AUTONOMIA. CITEM-SE, A TÍTULO DE EXEMPLO, OS REGIMENTOS
INTERNOS DOS TRIBUNAIS, QUE TÊM FUNDAMENTO NO PRÓPRIO TEXTO
CONSTITUCIONAL, CONFORME A REDAÇÃO DO ART. 96, INCISO I, ALÍNEA “A”, DA CF.
É IGUALMENTE POSSÍVEL O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE, POR MEIO DE
ADI, DE TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS. REFERIDOS ATOS
NORMATIVOS, APÓS A EDIÇÃO DO DECRETO LEGISLATIVO, TORNAM-SE NORMAS
INFRACONSTITUCIONAIS, COM FORÇA DE LEI ORDINÁRIA. OS TRATADOS E
CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS, DESDE QUE SE
SUBMETAM AO RITO LEGISLATIVO DO ART. 60 DA LEI MAIOR, SERÃO
EQUIVALENTES ÀS EMENDAS CONSTITUCIONAIS.
NESSA HIPÓTESE, SERÃO PASSÍVEIS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE, DA
MESMA FORMA QUE AS EMENDAS CONSTITUCIONAIS O SÃO.
O DECRETO AUTÔNOMO, PREVISTO NO ART. 84, VI DA CF (DE CUNHO NÃO
REGULAMENTAR, CUJO FUNDAMENTO DE VALIDADE REPOUSA DIRETAMENTE NA
CONSTITUIÇÃO), PODE SER IMPUGNADO EM ADI PERANTE O STF.
PODEM, AINDA, SER OBJETO DE ADI PERANTE O STF OS SEGUINTES ATOS
NORMATIVOS: RESOLUÇÕES E DECISÕES ADMINISTRATIVAS DOS TRIBUNAIS DO
PODER JUDICIÁRIO; ATOS NORMATIVOS DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO
DA UNIÃO E DOS ESTADOS,TAIS COMO AQUELES EMANADOS DE SUAS AUTARQUIAS
E FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PÚBLICO; PARECERES NORMATIVOS DO
PODER EXECUTIVO APROVADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA OU PELO
GOVERNADOR DE ESTADO; PARECERES DA CONSULTORIA-GERAL DA
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, APROVADOS PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
6.1.3. NORMAS NÃO SUJEITAS AO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
NORMAS CONSTITUCIONAIS INSTITUÍDAS PELO PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO NÃO PODERÃO SER DECLARADAS INCONSTITUCIONAIS, EM HIPÓTESE
ALGUMA. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NÃO ADMITE, NO ORDENAMENTO
PÁTRIO, A EXIXTÊNCIA DE HIERARQUIA ENTRE NORMAS CONSTITUCIONAIS
PRODUZIDAS PELO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO.
E, SE NÃO EXISTE HIERARQUIA ENTRE NORMAS CONSTITUCIONAIS DAQUELA
ESPÉCIE (NORMAS CONSTITUCIONAIS ELABORADAS PELO PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO), NÃO SE PODE DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE UMA
NORMA EM FACE DA OUTRA, QUANDO AMBAS FOREM NORMAS CONSTITUCIONAIS
ORIGINÁRIAS. AS NORMAS CONSTITUICIONAIS OBJETO DE ADI PERANTE A CORTE
SUPREMA SÃO AQUELAS PRODUZIDAS PELO PODER CONSTITUINTE DERIVADO,
POR MEIO DA EMENDAS CONSTITUCIONAIS.
TAMBÉM NÃO SE FALA EM CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA
INFRACONSTITUCIONAL ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO FEDERAL, COM EXCEÇÃO DA
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (LEI Nº 9.882/99,
ART. 1º, PARÁGRAFO ÚNICO).
AS NORMAS SECUNDÁRIAS, DESTITUÍDAS DE AUTONOMIA, NÃO SÃO SUBMETIDAS
A CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. SÃO AQUELAS SUBORDINADAS A OUTRAS
NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS, E QUE TEM POR OBJETIVO REGULAMENTAR,
DAR EFETIVIDADE AOS PRECEITOS DISCIPLINADOS POR ESTAS. SÃO EXEMPLOS DE
NORMA SECUNDÁRIA OS DECRETOS DE EXECUÇÃO (OU REGULAMENTAR), AS
PORTARIAS MINISTERIAIS E O DECRETO DE EXONERAÇÃO. MESMO QUE ELAS, AO
CONTRARIAR AS NORMAS PRIMÁRIAS A QUE ESTÃO SUBORDINADAS, OU SE
EXCEDER NA FUNÇÃO DE REGUMENTÁ-LAS, OFENDAM ALGUM PRINCÍPIO OU
NORMA CONSTITUCIONAL, NÃO O FARÃO DE FORMA DIRETA, MAS SIM REFLEXA
(ADI 129, REL. MIN. CELSO DE MELO)
AS SÚMULAS TAMBÉM NÃO ESTÃO SUJEITAS AO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE, POIS NÃO SÃO DOTADAS DE IMPERATIVIDADE, JÁ QUE
PODEM DEIXAR DE SER OBSERVADAS PELOS JUÍZES DE INSTÂNCIA INFERIORES,
NOS CASOS QUE LHE SÃO SUBMETIDOS A JULGAMENTO. OS ENUNCIADOS DE
SÚMULAS, PORTANTO, NÃO POSSUEM FORÇA NORMATIVA, E, ASSIM, NÃO PODEM
SER OBJETO DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
AS SÚMULAS VINCULANTES ESTÃO NÃO SUJEITAS AO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE. O QUE PODERÁ OCORRER É A SUA REVISÃO OU
CANCELAMENTO, DE OFÍCIO OU POR PROVOCAÇÃO DOS LEGITIMADOS (CF, ART.
103-A). POR FIM, AS NORMAS REVOGADAS NÃO ESTÃO SUJEITAS AO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE, JÁ NÃO EXISTEM MAIS NO ORDENAMENTO JURÍDICO. O
PODER JUDICIÁRIO SOMENTE EXERCE A PRESTAÇÃO JURISDICIONAL QUANDO
HOUVER EFETIVO INTERESSE PÚBLICO, NÃO PODENDO FUNCIONAR COMO MERO
ÓRGÃO DE CONSULTA HISTÓRICA.
ATENÇÃO! O STF DECIDIU QUE OS ATOS DE EFEITOS CONCRETOS APROVADOS SOB
A FORMA DE LEI EM SENTIDO ESTRITO (LEI FORMAL), OU SEJA, AQUELES
APROVADOS PELO PODER LEGISLATIVO E SANCIONADOS PELO CHEFE DO PODER
EXECUTIVO, PODEM SER OBJETO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. E EM
DECORRÊNCIA DESSA NOVA ORIENTAÇÃO, O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
PASSOU A ADMITIR A AFERIÇÃO, EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE,
DA VALIDADE DA LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS (LDO), CONTRARIARMENTE
À ORIENTAÇÃO ATÉ ENTÃO CONSOLIDADA EM SUA JURISPRUDÊNCIA.
6.2. LEGITIMADOS ATIVOS E PASSIVOS
OS LEGITIMADOS PARA A PROPOSITURA DA ADI ESTÃO ELENCADOS NO ARTIGO
103 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E NO ART. 2º DA LEI Nº 9.868/99.
CUIDADO! A PROPOSITURA DE ADI NÃO SE SUJEITA A PRAZO DE PRESCRIÇÃO E
DECADÊNCIA, POIS OS ATOS INCONSTITUCIONAIS NÃO SE CONVALIDAM COM O
TEMPO.
PROPOSTA A AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE, O AUTOR NÃO PODERÁ
DELA DESISTIR (LEI Nº 9.868/99, ART. 5º). SUSCITADA A CONTROVÉRSIA
CONSTITUCIONAL, PERDE O LEGITIMADO A DISPOSIÇÃO SOBRE A AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE (ADI).
O LEGITIMADO, AO SUSCITAR A CONTROVÉRSIA CONSTITUCIONAL, NÃO ATUA
DEFENDENDO INTERESSE PRÓPRIO, MAS SIM O INTERESSE PÚBLICO DE
RESTAURAÇÃO DE HARMONIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO.
A INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NÃO É ADMITIDA NA ADI, EM VIRTUDE DA
NATUREZA OBJETIVA DO PROCESSO DE CONTROLE DE CONSTITCIONALIDADE
CONCENTRADO, INADEQUADO PARA A TUTELA DE INTERESSES ShUBJETIVOS. NO
ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO, TERCEIROS NÃO POSSUEM LEGITIMIDADE
PARA INTERVIR NO PROCESSO DE CONTROLE ABSTRATO (LEI Nº 9.868/99, ART.
7º, CAPUT).
CUIDADO! A IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NÃO SE
CONFUNDE COM A ADMISSIBILIDADE DE FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO ATIVO
ENTRE LEGITIMADOS PARA A PROPOSITURA DA ADI.
O §2º DO ART. 7º DA LEI Nº 9.868/99 DETERMINA QUE O RELATOR,
CONSIDERANDO A RELEVÂNCIA DA MATÉRIA E A REPRESENTIVIDADE DOS
POSTULANTES, PODERÁ, POR DESPACHO IRRECORRÍVEL, ADMITIR A
MANIFESTAÇÃO DE OUTROS ÓRGÃOS OU ENTIDADES, DENOMINADO AMICUS CURIE
(AMIGO DA CORTE), COMPREENDIDO COMO TERCEIRO CONHECEDOR DA MATÉRIA
EM DEBATE NA ADI, E QUE TEM INTERESSE EM COLABORAR COM O TRIBUNAL NA
SOLUÇÃO DA CONTROVÉRSIA. É UM AUXILIAR DO JUÍZO, QUE PODE FORNECER AOS
MINISTROS DA CORTE SUPREMA CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS PARA O
ADEQUADO JULGAMENTO DA CAUSA, NOTADAMENTE NOS PROCESSOS QUE
ENVOLVAM MATÉRIAS TÉCNICAS ESPECÍFICAS OU DE ALTA RELEVÂNCIA POLÍTICA.
CONFORME ENTENDIMENTO DA SUPREMA CORTE, A ATUAÇÃO DO AMIGO DA
CORTE NÃO SE RESTRINGE À PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES OU OFERECIMENTO
DE MEMORIAIS, PODENDO ATUAR NO FEITO DE MANEIRA PLENA, INCLUSIVE COM
A OPORTUNIDADE DE SUSTENÇÃO ORAL, NA SESSÃO DE JULGAMENTO. O STF
TAMBÉM FIRMOU ENTENDIMENTO DE QUE PESSOA NATURAL (PESSOA FÍSICA)
NÃO PODE ATUAR COMO AMIGO DA CORTE, POR FALTA DE PRÉ-CONDIÇÃO DE
REPRESENTATIVIDADE. POR FIM, A JURISPRUDÊNCIA DO STF, NÃO ASSSEGURA AO
AMIGO DA CORTE O DIREITO À INTERPOSIÇÃO DE RECURSO NO RESPECTIVO
PROCESSO DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
LEGITIMADOS PASSIVOS
O LEGITIMADO PASSIVO SERÁ O ÓRGÃO QUE EMITIU OU ELABOROU O ATO OU
NORMA A QUAL SE PEDE A IMPUGNAÇÃO. OU AINDA, QUE DEIXOU DE EMITI-LA
(OMISSÃO) QUANDO ERA SUA OBRIGAÇÃO EXPEDIR COMO FOI DETERMINADO
PELA CONSTITUIÇÃOFEDERAL.
CASO O ATO A SER IMPUGNADO, FOR FORMADO POR MAIS DE UM ÓRGÃO DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, OCORRERÁ LITISCONSÓRCIO PASSIVO, COMO POR
EXEMPLO, NO CASO DO LEGISLATIVO VOTAR UMA LEI E O EXECUTIVO A
SANCIONAR.
IMPORTANTE! NO ENTANTO, COMO SE TRATA DE AÇÃO DE CONTROLE
CONCENTRADO, DE PROCESSO OBJETIVO, A IMPUGNAÇÃO É DA LEI, EM TESE, DE
FORMA ABSTRATA. DESTA FORMA, NÃO HÁ RÉUS NO POLO PASSIVO DA AÇÃO.
6.3. PAPEL DO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
NÃO SENDO PARTE, O MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO ATUARÁ COMO FISCAL DA
LEI (CUSTOS LEGIS), DEVENDO SER OUVIDO EM TODOS OS PROCESSOS DE
COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (CF, ART. 103, §1º).
6.4. OBJETO E OBJETIVO
PODEM SER OBJETO DE ADI LEIS OU ATOS NORMATIVOS FEDERAIS E ESTADUAIS.
O EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA É O OBJETO DA AÇÃO.
TRATA-SE DE UM PROCESSO DE NATUREZA OBJETIVA, UMA VEZ QUE NÃO HÁ
INTERESSE SUBJETIVO DE PARTICULARES SENDO APRECIADO NA DEMANDA. JÁ O
OBJETIVO DA ADI É RETIRAR DO SISTEMA JURÍDICO VIGENTE LEI OU ATO
NORMATIVO INCOMPATÍVEL AO QUE CONVENCIONA A ORDEM CONSTITUCIONAL.
ATUA O STF AO JULGAR A ADI COMO LEGISLADOR NEGATIVO, POIS RETIRA A
EFICÁCIA DE UMA NORMA PRODUZIDA PELO LEGISLATIVO QUE AGE DE MODO
POSITIVO. A AÇÃO ATINGE A NORMA INCOMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO E A
EXCLUI DO ORDENAMENTO JURÍDICO.
6.5. POSSIBILIDADE DE PEDIDO CAUTELAR
A LEI MAIOR PREVÊ A POSSIBILIDADE DE PEDIDO CAUTELAR NAS AÇÕES
DIRETAS DE INCONSTITUCIONALIDADE (CF, ART. 102, I, “P” E LEI Nº 9.868/99,
ART. 10). SUA CONCESSÃO CONSTITUI PROVIDÊNCIA DE CARÁTER EXCEPCIONAL,
À VISTA DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DOS ATOS NORMATIVOS.
6.5.1. FORÇA DA MEDIDA CAUTELAR
SUSPENDE A EFICÁCIA DA NORMA IMPUGNADA ATÉ O JULGAMENTO DO MÉRITO E
O JULGAMENTO DE PROCESSOS QUE ENVOLVAM A APLICAÇÃO DA NORMA. TORNA
APLICÁVEL A LEGISLAÇÃO ANTERIOR CASO EXISTA, SALVO MANIFESTAÇÃO DO STF
EM CONTRÁRIO (LEI Nº 9.868/99, ART. 11, §2º).
6.5.2. EFEITOS DA CONCESSÃO DA MEDIDA CAUTELAR
EM REGRA, A DECISÃO QUE CONCEDE MEDIDA LIMINAR EM ADI PRODUZ EFEITO
EX NUNC. NO ENTANTO, EXCEPCIONALMENTE, PODERÁ PRODUZIR EFEITO EX
TUNC, DESDE QUE O STF O DETERMINE EXPRESSAMENTE. A DECISÃO PRODUZ
AINDA EFICÁCIA ERGA OMNES E EFEITO VINCULANTE (LEI Nº 9.868/99, ART. 11,
§1º).
6.5.3. DELIBERAÇÃO DA MEDIDA CAUTELAR
A MEDIDA CAUTELAR SERÁ CONCEDIDA POR DECISÃO DA MAIORIA ABSOLUTA DOS
MEMBROS DO STF.
DESTA FORMA, PARA A CONCESSÃO DA MEDIDA CAUTELAR, DEVEM ESTAR
PRESENTES, PELO MENOS OITO (8) MINISTROS DO STF, COM A VOTAÇÃO DE SEIS
(6) MINISTROS (LEI Nº 9.868/99, ARTS. 10 E 22).
NO ENTANTO, NOS PERÍODOS DE RECESSO, A MEDIDA PODERÁ SER CONCEDIDA
PELO PRESIDENTE DO TRIBUNAL, AD REFERENDUM DO TRIBUNAL PLENO.
6.6. EFEITOS DA DECISÃO DE MÉRITO (CF, ART. 102, §2º)
EM REGRA, A DECISÃO DO STF EM ADI É DOTADA DE:
I – EFICÁCIA CONTRA TODOS (ERGA OMNES)
A DECISÃO DA SUPREMA CORTE ALCANÇA TODAS AS PESSOAS QUE ESTEJAM
SUJEITAS À APLICAÇÃO DA LEI OU DO ATO NORMATIVO IMPUGNADO.
II – EFEITOS RETROATIVOS (EX TUNC)
A DECISÃO DO STF ALCANÇA TODA A EXISTÊNCIA DA LEI, RETIRANDO-A DO
ORDENAMENTO JURÍDICO DESDE O SEU NASCIMENTO. TRATA-SE DE ATO NULO.
ATENÇÃO! POR RAZÕES DE SEGURANÇA JURÍDICA OU DE EXCEPCIONAL
INTERESSE SOCIAL, PODERÁ A CORTE SUPREMA, POR 2/3 DE SEUS MEMBROS,
LIMITAR OS EFEITOS DO RECONHECIMENTO DA INCONSTITUCIONALIDADE DE
UMA NORMA (TÉCNICA DE MODULAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DA DECISÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE (LEI Nº 9.868/99, ART. 27).
DESTA FORMA, O STF PODERÁ DECIDIR QUE A DECISÃO FOSSE RESTRINGIDA,
QUE SÓ TENHA EFICÁCIA A PARTIR DE SEU TRÂNSITO EM JULGADO (EX NUNC) OU
FIXAR OUTRO MOMENTO PARA O INÍCIO DA EFICÁCIA DA DECISÃO.
EM RELAÇÃO À RESTRINÇÃO DOS EEITOS, A CORTE SUPREMA PODERIA, POR
EXEMPLO, AFASTAR OS EFEITOS REPRISTINATÓRIOS DA PRONÚNCIA DE
INCONSTITUCIONALIDADE NO TOCANTE À LEGISLAÇÃO ANTERIOR QUE HAVIA
SIDO REVOGADA PELA LEI OU ATO NORMATIVO DECLARADO
INCONSTITUCIONAL EM AÇÃO DIRETA.
III – EFEITO VINCULANTE
DECISÃO PROFERIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PRODUZ EFEITO
VINCULANTE, RELATIVAMENTE AOS DEMAIS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO E À
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA, NAS ESFERAS FEDERAL,
ESTADUAL E MUNICIPAL.
CUIDADO! A DECISÃO DO STF NÃO VINCULA O PODER LEGISLATIVO, QUE NÃO
ESTÁ IMPEDIDO DE ELABORAR NOVA LEI, EM CONFORMIDADE COM O PROCESSO
LEGISLATIVO, AINDA QUE CONTRARIARMENTE AO QUE RESTOU DECIDIDO NO
CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE. PENSAR DE FORMA DIVERSA,
PODERIA OCASIONAR O INCONCEBÍVEL FENÔMENO DA FOSSILIZAÇÃO DA
CONSTITUIÇÃO, COMO RESSALTA O MINISTRO PELUSO.
TAMBÉM NÃO VINCULA O PRÓPRIO STF QUE, EM DETERMINADAS
CIRCUNSTÂNCIAS, PODERÁ REVER SUAS DECISÕES (ADI, Nº 907 E ADI Nº 864).
COMO CONSEQUÊNCIA DO EFEITO VINCULANTE DA DECISÃO PROFERIDA EM
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE, QUALQUER INTERESSADO PODERÁ
OFERECER RECLAMAÇÃO PERANTE O STF (CF, ART. 102, I, “l”), PARA GARANTIR A
AUTORIDADE DAS DECISÕES DA CORTE SUPREMA, QUANDO ÓRGÃOS DO PODER
JUDICIÁRIO OU DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NÃO OBSERVAREM O QUANTO
RESTOU DECIDIDO NAQUELA AÇÃO.
POR FIM, CABE ESCLARECER QUE A CORTE SUPREMA RECONHECE O FENÔMENO
DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS QUE EMBASARAM A SUA DECISÃO NO
CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE. ISTO É, RECONHECE QUE O
EFEITO VINCULANTE REFERE-SE TAMBÉM AOS FUNDAMENTOS DETERMINANTES,
PROJETANDO-SE, EM CONSEQUÊNCIA, PARA ALÉM DA PARTE DISPOSITIVA DO
JULGAMENTO. OCASIONANDO, ASSIM, EFEITO VINCULANTE TAMBÉM NOS
FUNDAMENTOS DA DECISÃO.
6.6.1. INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO (OU POR ATRAÇÃO)
NO CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE, A CORTE MAIOR ESTÁ
ADSTRITA AO PRINCÍPIO DO PEDIDO OU DA CONGRUÊNCIA. SIGNIFICA DIZER QUE
O JULGADOR NÃO PODERÁ AGIR DE OFÍCIO, DEVENDO LIMITAR A SUA DECISÃO
ESTRITAMENTE AO QUE FOI PEDIDO NA PETIÇÃO INICIAL.
CONTUDO, EM CARÁTER EXCEPCIONAL, O PRETÓRIO EXCELSO TEM ADMITIDO A
INCONSTITUCIONALIDADE DE OUTROS DISPOSITIVOS, QUE NÃO FORAM
EXPRESSAMENTE CITADOS NA PETIÇÃO INICIAL DA AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE, QUANDO RECONHECER UMA INEQUÍVOCA CONEXÃO
OU DEPENDÊNCIA ENTRE ELES, DE MANEIRA QUE UNS NÃO POSSAM SER
MANTIDOS NO ORDENAMENTO JURÍDICO, QUANDO FOR DECLARADA A
INCONSTITUCIONALIDADE DE OUTROS. TRATA-SE DE INCONSTITUCIONALIDADE
POR ARRASTAMENTO OU POR ATRAÇÃO.
ESSA RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA PODERÁ SER ENTRE DISPOSITIVOS DE
UMA MESMA NORMA OU A ATOS REGULAMENTARES DA NORMA ORIGINALMENTE
IMPUGNADA.
A PRIMEIRA HIPÓTESE É CHAMADA POR ARRASTAMENTO HORIZONTAL, UMA VEZ
QUE A RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA SE DÁ ENTRE DISPOSITIVOS DA MESMA
NORMA. NA SEGUNDA HIPÓTESE, SE TEM A CHAMADA INCONSTITUCIONALIDADE
POR ARRASTAMENTO VERTICAL, POIS A DECISÃO ATINGE O ATO
REGULAMENTADOR DA NORMA DIRETAMENTE IMPUGNADA, JÁ QUE ACABA POR
PERDER SEU FUNDAMENTO DE VALIDADE.
A NORMA REGULAMENTADORA (POR EXEMPLO, DECRETO) ESTÁ DIRETAMENTE
VINCULADA A LEI QUE LHE DÁ ORIGEM, NÃO SENDO RAZOÁVEL PERMANECER
NO CENÁRIO JURÍDICO SE A NORMA PRINCIPAL FOI CONSIDERADA
INCONSTITUCIONAL.
6.7. PETIÇÃO INICIAL (LEI Nº 9.868/99, ART. 3º)
NÃO É SUBMETIDA A PRAZO, OU SEJA, O AJUIZAMENTO DA ADI NÃO ESTÁ SUJEITO
À OBSERVÂNCIA DE QUALQUER PRAZO DE NATUREZA PRESCRICIONAL OU
DECADENCIAL, EIS QUE OS ATOS INCONSTITUCIONAIS JAMAIS SE CONVALIDAM
PELO DECURSO DE TEMPO. A PETIÇÃO INICIAL DEVE INDICAR OS SEGUINTES
REQUISITOS: I – O DISPOSITIVO DA LEI OU ATO NORMATIVO IMPUGNADO E OS
FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO EM RELAÇÃO A CADA UMA DAS
IMPUGNAÇÕES; II – O PEDIDO, COM SUAS ESPECIFICAÇÕES, SOB PENA DE INÉPCIA.
IMPORTANTE! ALÉM DOS REQUISITOS CONTIDOS NOS ARTS. 319 E 320 DO CÓDIGO
DE PROCESSO CIVIL, DEVEM SER OBSERVADOS OS SEGUINTES ELEMENTOS DE
INSTRUÇÃO: CÓPIAS DA LEI OU DO ATO NORMATIVO IMPUGNADO E DOS
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA COMPROVAR A IMPUGNAÇÃO; O
INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO, QUANDO SUBSCRITA POR ADVOGADO.
O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EXIGE A OUTORGA DE PODERES ESPECIAIS E A
INDICAÇÃO OBJETIVA DO DIPLOMA LEGISLATIVO OU DO ATO NORMATIVO QUE
SERÃO IMPUGNADOS (STF, ADIn 1.991-DF, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 3/12/2004).
SÃO POSSÍVEIS ADITAMENTOS OU EMENDAS À EXORDIAL, DESDE QUE OCORRAM
ANTES, E NÃO DEPOIS, DA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES AO ÓRGÃO QUE
ELABOROU O ATO IMPUGNADO (STF, Pleno, ADIn 474, Rel. Min. Moreira Alves, DJ,
1, de 8/11/1991). (DESTAQUE NOSSO)
QUESTÕES DA OAB E DE CONCURSOS
1. A Lei Z, elaborada recentemente pelo Poder Legislativo do Município M, foi
promulgada e passou a produzir seus efeitos regulares após a Câmara Municipal
ter derrubado o veto aposto pelo Prefeito. A peculiaridade é que o conteúdo da lei é
praticamente idêntico ao de outras leis que foram editadas em milhares de outros
Municípios, o que lhe atribui inegável relevância.
Inconformado com a derrubada do veto, o Prefeito do Município M, partindo da
premissa de que a Lei Z possui diversas normas violadoras da ordem constitucional
federal, pretende que sua inconstitucionalidade seja submetida à apreciação do
Supremo Tribunal Federal. A partir das informações acima, assinale a opção que se
encontra em consonância com o sistema de controle de constitucionalidade
adotado no Brasil.
a) O Prefeito do Município M, como agente legitimado pela Constituição Federal,
está habilitado a propor arguição de descumprimento de preceito fundamental
questionando a constitucionalidade dos dispositivos que entende violadores da
ordem constitucional federal.
b) A temática pode ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade ou de
arguição de descumprimento de preceito fundamental, se proposta por qualquer
um dos legitimados pelo Art. 103 da Constituição Federal.
c) A Lei Z não poderá ser objeto de ação, pela via concentrada, perante o Supremo
Tribunal Federal, já que, de acordo com o sistema de controle de
constitucionalidade adotado no Brasil, atos normativos municipais só podem ser
objeto de controle, caso se utilize como paradigma de confronto a Constituição
Federal, pela via difusa.
d) Os dispositivos normativos da Lei Z, sem desconsiderar a possibilidade de ser
realizado o controle incidental pela via difusa, podem ser objeto de controle por
via de arguição de descumprimento de preceito fundamental, se proposta por
qualquer um dos legitimados pelo Art. 103 da Constituição Federal.
2. A concessão de medida cautelar em sede de ação direta de inconstitucionalidade
proposta contra diploma legal
a) não produz efeito vinculante, pois cuida-se de eficácia especial reservada
constitucionalmente às decisões de mérito proferidas em sede de controle abstrato
de normas.
b) determina, como regra geral, a suspensão dos processos judiciais e
administrativos em que é discutida a aplicação da lei impugnada, mantendo, porém,
suas disposições em vigor até que seja proferido o julgamento de mérito.
c) determina, como regra geral, a suspensão de eficácia da lei impugnada com efeito
ex nunc e eficácia contra todos, restabelecendo, no entanto, a legislação que
vigorava anteriormente, de modo a não ensejar situação de indesejável vácuo
legislativo.
d) determina, como regra geral, a suspensão de eficácia da lei impugnada com efeito
ex tunc e eficácia contra todos, restabelecendo a legislação que vigorava
anteriormente, pois a retroatividade decorrente do provimento cautelar alcança a
revogação realizada.
e) determina, como regra geral, a suspensão de eficácia da lei impugnada com efeito
ex nunc e eficácia contra todos, não restabelecendo a legislação que vigorava
anteriormente, pois ficam mantidos os efeitos produzidos, inclusive os revogatórios,
até o provimento cautelar.
6.8. PONTOS IMPORTANTES!
6.8.1. INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL E PARCIAL
A INCONSTITUCIONALIDADE PODE ATINGIR TODO O ATO NORMATIVO (TOTAL) OU
APENAS PARTE DELE (PARCIAL). QUANDO UMA NORMA É TOTALMENTE
INCONSTITUCIONAL, ELA DEVERÁ SER INVALIDADA COMO UM TODO. JÁ QUANDO
SOMENTE PARTE DELA É INCOMPATÍVEL, HÁ ESPAÇO PARA QUE APENAS AS
PARTES CONFLITANTES SEJAM DESPROVIDAS DE EFETIVIDADE, COM O RESTANTE
PERMANECENDO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. A DECLARAÇÃO PARCIAL PELO
PODER JUDICIÁRIO, DEVIDO AO PRINCÍPIO DA PARCELARIDADE, PODE RECAIR
SOBRE FRAÇÃO DE ARTIGO, PARÁGRAFO, INCISO OU ALÍNEA, DA LEI OU DO (...)
(...) ATO NORMATIVO OU ATÉ MESMO SOBRE UMA ÚNICA PALAVRA DE UM DESSES
DISPOSITIVOS DA LEI.
CUIDADO! A REGRA CONSTITUCIONAL DE OBRIGATORIEDADE DE ABRANGER UM
TEXTO INTEGRAL DE ARTIGO, PARÁGRAFO, INCISO OU ALÍNEA (CF, ART. 66, §2º)
DIZ RESPEITO AO VETO DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO A PROJETO DE LEI NÃO
SE APLICANDO À DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS PELO
PODER JUDICIÁRIO. CITAMOS COMO EXEMPLO A LEI Nº 8.906/94 (ESTATUTO DA
OAB), QUE TEVE VÁRIOS DISPOSITIVOS (ART. 1º, INCISO I, ART. 7º, INCISOS V E IX
E §2º) CONSIDERADOS INCONSTITUCIONAIS PELA ADI 1.127-8.
6.8.2. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL SEM REDUÇÃO DE
TEXTO
PREVISTA NO ART. 28, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 9.868/99, TEM POR OBJETO
UMA NORMA COM UM SÓ SENTIDO, A QUAL TERÁ SEU TEXTO ORIGINAL (...)
.
(...) MANTIDO INTACTO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, PORÉM COM
REDUÇÃO DE SUA APLICAÇÃO. AO JULGAR A AÇÃO, O PRETÓRIO EXCELSO
DECLARA A NORMA PARCIALMENTE INCONSTITUCIONAL. CONTUDO, NÃO REDUZ
O SEU TEXTO, MANTENDO-O INTACTO; APENAS ASSEVERA A SUA
INCONSTITUCIONALIDADE EM DETERMINADAS HIPÓTESES DE APLICAÇÃO.
ATRIBUI À NORMA IMPUGNADA UMA DETERMINADA INTERPRETAÇÃO PARA
PRESERVAR SUA CONSTITUCIONALIDADE.
EXEMPLO: ADI 4578, QUE, AO TRATAR DA LEI DA FICHA SUJA, DECIDIU PELA SUA
INAPLICABILIDADE NAS ELEIÇÕES DE 2010, BEM COMO PARA OS MANDATOS EM
CURSO.
6.8.3. INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO
PREVISTA NO ART. 28, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 9.868/99, TEM POR OBJETO
UMA NORMA COM MAIS DE UM SIGNIFICADO (NORMA POLISSÊMICA).
NESSA HIPÓTESE, O APLICADOR DO DIREITO DEVE OPTAR PELA INTERPRETAÇÃO
QUE GARANTA A CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA, AFASTANDO AS
INTERPRETAÇÕES QUE POSSAM SER CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS, OU
SEJA, EXCLUI DA NORMA IMPUGNADA UMA DETERMINADA INTERPRETAÇÃO QUE
LHE POSSA ACARRETAR A INCONSTITUCIONALIDADE.
EXEMPLO: INTERPRETAÇÃO DO ART. 1.723 DO CÓDIGO CIVIL.
6.8.4. INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA
TÉCNICA DE DECISÃO JUDICIAL APLICADA ÀS SITUAÇÕES CONSTITUCIONAIS
IMPERFEITAS, EM QUE A NORMA SITUA-SE EM UM ESTÁGIO ENTRE A
CONSTITUCIONALIDADE PLENA E A INCONSTITUCIONALIDADE ABSOLUTA, E AS
CIRCUNSTÂNCIAS DE FATOS VIGENTES NO MOMENTO AINDA JUSTIFICAM A SUA
PERMANÊNCIA DENTRO DO ORDENAMENTO JURÍDICO. É DENOMINADA PELO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COMO “NORMA AINDA CONSTITUCIONAL”.
REFERIDA TÉCNICA PERMITE A MANUTENÇÃO TEMPORÁRIA DA “NORMA AINDA
CONSTITUCIONAL” NO ORDENAMENTO JURÍDICO, TENDO EM VISTA QUE SUA
RETIRADA ENSEJARIA UM PREJUÍZO MAIOR DO QUE A SUA PERMANÊNCIA, POR
RAZÕES DE SEGURANÇA JURÍDICA.
O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL APLICOU ESTA TÉCNICA DE DECISÃO EM SEDE
DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 147.776/SP, EM QUE SE CONSIGNOU QUE O
ARTIGO 68 DO CPP PERMANECERIA VÁLIDO ENQUANTO NÃO FOSSEM CRIADAS
DEFENSORIAS PÚBLICAS EM TODOS OS ESTADOS DO BRASIL.
6.8.5. INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE
FENÔMENO EM QUE UMA LEI QUE ERA CONSTITUCIONAL AO TEMPO DE SUA
EDIÇÃO, JÁ QUE COMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO VIGENTE À ÉPOCA, PASSA A
SER INCONSTITUCIONAL EM VIRTUDE DE UMA MODIFICAÇÃO NO PARÂMETRO
CONSTITUCIONAL (ALTERAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO OU DA INTERPRETAÇÃO (...)
(...) DE UMA NORMA CONSTITUCIONAL), TORNANDO-A INCOMPATÍVEL COM A
CONSTITUIÇÃO VIGENTE. A INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE NÃO É
ACEITA PELA MAIORIA DA DOUTRINA E TAMBÉM PELO STF QUE ENTENDEM
TRATAR TÃO-SOMENTE DE UMA QUESTÃO DE DIREITO INTERTEMPORAL, EM QUE A
NORMA PRÉ-CONSTITUCIONAL NÃO É RECEPCIONADA PELA NOVA CONSTITUIÇÃO.
"CONSTITUIÇÃO – LEI ANTERIOR QUE A CONTRARIE – REVOGAÇÃO –
INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – IMPOSSIBILIDADE – 1. A lei ou é
constitucional ou não é lei. Lei inconstitucional é uma contradição em si. A lei é
constitucional quando fiel à Constituição; inconstitucional na medida em que a
desrespeita, dispondo sobre o que lhe era vedado. O vício da inconstitucionalidade é
congênito à lei e há de ser apurado em face da Constituição vigente ao tempo de sua
elaboração. Lei anterior não pode ser inconstitucional em relação à Constituição
superveniente; nem o legislador poderia infringir Constituição futura. (...)
(...) A Constituição sobrevinda não torna inconstitucionais leis anteriores com ela
conflitantes: revoga-as. Pelo fato de ser superior, a Constituição não deixa de
produzir efeitos revogatórios. Seria ilógico que a lei fundamental, por ser suprema,
não revogasse, ao ser promulgada, leis ordinárias. A lei maior valeria menos que a
lei ordinária. 2. Reafirmação da antiga jurisprudência do STF, mais que
cinqüentenária. 3. Ação direta de que se não conhece por impossibilidade jurídica
do pedido". (STF – ADI 2 – DF – T.P. – Rel. Min. Paulo Brossard – DJU 21.11.1997)
(DESTAQUE NOSSO)
EXERCÍCIO
(Ano: 2013 Banca: FCC Órgão: DPE-SP Prova: Defensor Público) Analise os seguintes
casos apreciados e julgados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal em sede
de controle concentrado de constitucionalidade:
Caso I
Ação Direta de Inconstitucionalidade no 1.127. Os ministros do Supremo Tribunal
Federal, ao apreciarem o artigo 7º, §2º da Lei no 8.904/94 (Estatuto da Ordem
dos Advogados do Brasil), segundo o qual “o advogado tem imunidade
profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer
manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele,
sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que
cometer”, julgaram, por maioria, a ação parcialmente procedente, para declarar a
inconstitucionalidade da expressão “ou desacato”, sob o fundamento de que a
imunidade profissional do advogado não compreende o desacato, pois conflita
com a autoridade do magistrado na condução da atividade jurisdicional.
Caso II
Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132, julgada em
conjunto com a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.277, que tratou da união
estável entre pessoas do mesmo sexo. Os ministros do Supremo Tribunal Federal
julgaram o pedido procedente, para excluir do artigo 1723 do Código Civil (Art.
1723. "É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a
mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida
com o objetivo de constituição de família") qualquer significado que impeça o
reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo
sexo como família, destacando que tal reconhecimento deve ser feito segundo as
mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva. Da
análise do resultado desses dois julgamentos, o Supremo Tribunal Federal decidiu,
a) no primeiro caso, pela técnica de interpretação conforme a Constituição, sem
redução de texto, excluindo da norma impugnada uma determinada interpretação
que lhe acarretasse a inconstitucionalidade e, no segundo caso, pela técnica de
interpretação conforme a Constituição, sem redução de texto, atribuindo à norma
impugnada uma determinada interpretação que lhe preservasse a
constitucionalidade.
b) em ambos os casos, pela técnica de interpretação conforme a Constituição, sem
redução de texto, excluindo das normas impugnadas uma determinada
interpretação que lhes acarretasse a inconstitucionalidade.
c) em ambos os casos, pela técnica de interpretação conforme a Constituição, com
redução de texto, excluindo das normas impugnadas uma determinada
interpretação que lhes acarretasse a inconstitucionalidade.
d) no primeiro caso, pela declaração de inconstitucionalidade parcial, com redução
de texto, declarando a inconstitucionalidade de certa expressão contida na norma
impugnada, de modo que a tornasse compatível com a Constituição Federal e, no
segundo caso, pela técnica de interpretação conforme a Constituição, sem redução
de texto, excluindo da norma impugnada uma determinada interpretação que lhe
acarretasse a inconstitucionalidade.
e) no primeiro caso, pela declaração de inconstitucionalidade parcial, com redução
de texto, declarando a inconstitucionalidade de certa expressão contida na norma
impugnada, de modo que a tornasse compatível com a Constituição Federal e, no
segundo caso, pela técnica de interpretação conforme a Constituição, sem redução
de texto, atribuindo à norma impugnada uma determinada interpretação que lhe
preservasse a constitucionalidade.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DANTAS, Paulo Roberto de Figueiredo. Direito Processual Constitucional. 7ª Edição.
São Paulo. Editora Saraiva. 2017.
MORAES, Guilherme Peña. Curso de Direito Constitucional. 8ª Edição. São Paulo.
Editora Atlas. 2016.
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 18ª Edição. São Paulo. Editora
Saraiva. 2014.
NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. 6ª Edição. São Paulo. Editora Método.
2012.
MEDINA, Paulo Roberto de Gouvêa. Direito Processual Constitucional. 5ª Edição. Rio
de Janeiro. Editora Forense. 2012.
BULOS, Uadi Lammêgo Bulos. Curso de Direito Constitucional. 6ª Edição. São Paulo.
Editora Saraiva. 2011.