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1.

SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO
1.1. MODELO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO
1.2. NECESSIDADE DE MECANISMOS DE PROTEÇÃO SISTÊMICOS
E DIREITOS INDIVIDUAIS
1.3. OBJETIVOS DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO E
DERIVADO
1.4. INVOVAÇÕES DECORRENTES DO NEOCONSTITUCIONALISMO
1.1. MODELO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO
O PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO EXPRESSA QUE A
CONSTITUIÇÃO VEICULA AS NORMAS JURÍDICAS DE MÁXIMA HIERARQUIA NO
SISTEMA DE DIREITO POSITIVO, FIGURANDO COMO FUNDAMENTO DE
VALIDADE DE TODO ORDENAMENTO JURÍDICO NORMATIVO.
A SUPREMACIA PODE SER ANALISADA SOB O ASPECTO FORMAL E MATERIAL.
A SUPREMACIA FORMAL INDUZ A RELAÇÃO DE HIERARQUIA ENTRE A
CONSTITUIÇÃO E AS DEMAIS ESPÉCIES NORMATIVAS, POIS A PRIMEIRA É
PRODUZIDA PELO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO, AO PASSO QUE AS
SEGUNDAS SÃO PRODUZIDAS PELOS PODERES CONSTITUÍDOS.
DO PONTO DE VISTA JURÍDICO, PARA FINS DE CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE, É IMPRESCINDÍVEL A EXISTÊNCIA DE UMA
SUPREMACIA FORMAL.
JÁ A SUPREMACIA MATERIAL INDICA A MAIOR IMPORTÂNCIA DAS NORMAS
CONSTITUCIONAIS, UMA VEZ QUE A ESTRUTURA FUNDAMENTAL DO ESTADO É
DELINEADA NA LEX LEGUM. UM DISPOSTIVO É DOTADO DE SUPREMACIA
CONSTITUCIONAL MATERIAL QUANDO SEU CONTEÚDO É
SUBSTANCIALMENTE MATERIAL, VALE DIZER, QUANDO ELE CUIDA DE UM DOS
ELEMENTOS RELEVANTES DO ESTADO (DIREITOS E GARANTIAS
FUNDAMENTAIS, ORGANIZAÇÃO DOS PODERES E ETC).
A SUPREMACIA MATERIAL (OU SUBSTANCIAL) DIZ RESPEITO À SUJEIÇÃO,
TANTO POR PARTE DO PODER PÚBLICO QUANTO DOS PARTICULARES, AOS
DITAMES CONSTITUCIONAIS, POR SABEREM QUE ESTES CONSISTEM NAS
NORMAS FUNDAMENTAIS DE REGÊNCIA DO ESTADO. NESSE SENTIDO, O
ESTADO BRASILEIRO TEM A CONSTITUIÇÃO COMO A NORMA FUNDAMENTAL
DE TODO SEU ORDENAMENTO JURÍDICO.
A DISTINÇÃO ENTRE SUPREMACIA FORMAL E MATERIAL ESTÁ
RELACIONADA COM A DEFINIÇÃO DE CONSTITUIÇÃO FORMAL E
CONSTITUIÇÃO MATERIAL.
CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO MATERIAL PODE SER CONCEITUADA COMO
CONJUNTO DE NORMAS, ESCRITAS OU NÃO, CUJO CONTEÚDO SEJA
CONSIDERADO PROPRIAMENTE CONSTITUCIONAL, ISTO É, ESSENCIAL À
ESTRUTURAÇÃO DO ESTADO, À REGULAÇÃO DO EXERCÍCIO DO PODER E AO
RECONHECIMENTO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.
JÁ CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO FORMAL DIZ RESPEITO AO DOCUMENTO
ESCRITO, POR ÓRGÃO SOBERANO INSTITUÍDO COM TAL FINALIDADE. EM
GERAL, COMPREENDE TANTO AS NORMAS MATERIALMENTE
CONSTITUCIONAIS (CF/88, ARTS, 18 A 43), COMO NORMAS FORMALMENTE
CONSTITUCIONAIS (CF/88, ART. 242, §2º).
ATENÇÃO! CONSTITUIÇÕES FLEXÍVEIS PODEM POSSUIR SUPREMACIA
MATERIAL, DESDE QUE TRATEM DE MATÉRIAS RESERVADAS À
CONSTITUIÇÃO. CONTUDO, NÃO POSSUEM SUPREMACIA FORMAL.
1.2. NECESSIDADE DE MECANISMOS DE PROTEÇÃO SISTÊMICO E DIREITOS
FUNDAMENTAIS
PARA GARANTIR A SUPREMACIA FORMAL DA CONSTITUIÇÃO É NECESSÁRIO
MECANISMOS DE PROTEÇÃO CONTÍNUO, COMO O CONTROLE DE
CONSTITUICIONALIDADE (CF, ARTS. 102, I, “a”, 103) E O PROCESSO DE
ALTERAÇÃO DO PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL, QUE EXPRESSA UM
PROCEDIMENTO MAIS DIFICULTOSO CONSOANTE DETERMINA O ART. 60 DA
CF. DENTRO DESSE CONTEXTO, PODE-SE AFIRMAR QUE O CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE E O PROCESSO DIFICULTOSO DE ALTERAÇÃO DA LEI
MAIOR VISAM ASSEGURAR OS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.
1.3. OBJETIVOS DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO E PODER CONSTITUINTE
DERIVADO
PODER CONSTITUINTE PODE SER ENTENDIDO COMO A MANIFESTAÇÃO
SOBERANA DA SUPREMA VONTADE POLÍTICA DE UM POVO, SOCIAL E
JURIDICAMENTE ORGANIZADO. DIVIDE-SE EM PODER CONSTITUINTE
ORIGINÁRIO E PODER CONSTITUINTE DERIVADO.
O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO É AQUELE QUE ELABORA A
CONSTITUIÇÃO, ORGANIZANDO, JURIDICAMENTE, O ESTADO. CARACTERIZA-SE
COMO UM PODER INICIAL E INCONDICIONADO. TEM POR OBJETIVO CRIAR O
ESTADO. ESTABELECE A CONSTITUIÇÃO DE UM NOVO ESTADO, ORGANIZANDO-
SE E CRIANDO OS PODERES DESTINADOS A REGER OS INTERESSES DE UMA
SOCIEDADE. NÃO DERIVA DE NENHUM OUTRO, NÃO SOFRE QUALQUER LIMITE
E NÃO SE SUBORDINA A NENHUMA CONDIÇÃO.
OCORRE PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO NO SURGIMENTO DA 1ª
CONSTITUIÇÃO E TAMBÉM NA ELABORAÇÃO DE QUALQUER OUTRA QUE
VENHA DEPOIS.
O PODER CONSTITUINTE DERIVADO É AQUELE QUE ALTERA, FORMALMENTE, A
CONSTITUIÇÃO, RECRIANDO E INOVANDO A ORDEM JURÍDICA POR MEIO DE
REVISÕES OU EMENDAS CONSTTUCIONAIS. É TAMBÉM CHAMADO DE
REFORMADOR, INSTITUÍDO, DE SEGUNDO GRAU OU SECUNDÁRIO.
O PRINCIPAL OBJETIVO DESSE PODER É, JUSTAMENTE, EMENDAR, MUDAR,
TRANSFORMAR, MODIFICAR OU REVER A CONSTITUIÇÃO ORIGINÁRIA.
HÁ DUAS ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE DERIVADO: O PODER
CONSTITUINTE REFORMADOR E O PODER CONSTITUINTE DECORRENTE. O
PRIMEIRO VISA MODIFICAR A CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE REVISÕES OU
EMENDAS CONSTITUCIONAIS.
O PODER DERIVADO DECORRENTE CONSISTE NO PODER DOS ESTADOS,
UNIDADES DA FEDERAÇÃO, DE ELABORAR AS SUAS PRÓPRIAS
CONSTITUIÇÕES. O EXERCENTE DESTE PODER SÃO AS ASSEMBLEIAS
LEGISLATIVAS DOS ESTADOS. POSSIBILITA QUE OS ESTADOS MEMBROS SE
AUTO-ORGANIZEM.
1.4. INOVAÇÕES DECORRENTES DO NEOCONSTITUCIONALISMO
(CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO)
1.4.1. CONSTITUCIONALISMO MODERNO ADQUIRE CONSISTÊNCIA NO FIM DO
SÉCULO XVIII, CUJA IDEIA ESTÁ ASSOCIADA À NECESSIDADE DE UMA
CONSTITUIÇÃO ESCRITA PARA FREAR O ARBÍTRIO DOS PODERES PÚBLICOS.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
1ª - AS CONSTITUIÇÕES PASSARAM A SER ESCRITAS, INTEGRANDO UM CÓDIGO
SISTEMÁTICO E ÚNICO DE TODO O SEU CONTEÚDO;
2ª - OS TEXTOS CONSTITUCIONAIS SÃO CRIADOS POR UM PODER
CONSTITUINTE ORIGINÁRIO;
3ª - CONSAGRAÇÃO, NO CAMPO DAS REFORMAS CONSTITUCIONAIS, DE UM
PROCESSO LEGISLATIVO CERIMONIOSO, DIVERSO DAQUELE RESPONSÁVEL
PELA FEITURA DAS LEI COMUNS, BASEADO EM CRITÉRIOS SOLENES,
DIFICULTOSOS E DEMORADOS. INAUGUROU-SE, A PARTIR DAÍ, O IMPÉRIO DAS
CONSTITUIÇÕES RÍGIDAS E DAS CLAÚSULAS PÉTREAS;
4ª - SURGIMENTO DAS CONCEPÇÕES DO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE;
5ª - EXISTÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA (FRUTO DE UM TRABALHO
LEGISLATIVO ESPECÍFICO), ESCRITA E SISTEMATIZADA POR UM ÓRGÃO
CONSTITUINTE SOBERANO;
6ª - LIMITAÇÃO DAS FUNÇÕES ESTATAIS;
7ª - OS MANDATÁRIOS DO POVO, OS EXERCENTES DE FUNÇÕES PÚBLICAS, OS
APLICADORES DA LEI TÊM RESPONSABILIDADE PELOS SEUS ATOS.
O NEOCONSTITUCIONALISMO PROCLAMA A PRIMAZIA DO PRINCÍPIO DA
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, QUE DEVE SER PROTEGIDA E PROMOVIDA
PELOS PODERES PÚBLICOS E PELA SOCIEDADE. DA MESMA FORMA, ESSE
MOVIMENTO ENALTECE A FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO, A QUAL
DEIXA DE SER UM MERO CATÁLOGO DE COMPETÊNCIAS E DE
RECOMENDAÇÕES POLÍTICAS E MORAIS, PARA SE TORNAR UM SISTEMA DE
PRECEITOS VINCULANTES, CAPAZES DE CONFORMAR A REALIDADE.
NO BRASIL, OS GRANDES MARCOS DO NEOCONSTITUCIONALISMO SÃO A
ABERTURA DEMOCRÁTICA VIVIDA EM MEADOS DA DÉCADA DE 1980 E A
CONSTITUIÇÃO DE 1988.
INOCÊNCIO MÁRTIRES COELHO ENSINA QUE ESSE NOVO
CONSTITUCIONALISMO MARCA-SE PELOS SEGUINTES ASPECTOS: “A) MAIS
CONSTITUIÇÃO DO QUE LEIS; B) MAIS JUÍZES DO QUE LEGISLADORES; C) MAIS
PRINCÍPIOS DO QUE REGRAS; D) MAIS PONDERAÇÃO DO QUE SUBSUNÇÃO; E)
MAIS CONCRETIZAÇÃO DO QUE INTERPRETAÇÃO”.
PRINCIPAIS INOVAÇÕES COM O NEOCONSTITUCIONALISMO:
1ª - FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO
NO BRASIL, ANTES DA CONSTITUIÇÃO DE 1988, AS NORMAS
CONSTITUCIONAIS NÃO PASSAVAM DE PROGRAMAS QUE NORTEAVAM OS
PODERES E AS ATIVIDADES DO ESTADO, E SUA NÃO EFETIVAÇÃO OU SEU
DESCUMPRIMENTO NÃO ACARRETAVAM EM SANÇÃO ALGUMA, POIS ELAS
NÃO POSSUÍAM IMPERATIVIDADE.
A REALIZAÇÃO PROGRAMÁTICA INSERIDA NO TEXTO CONSTITUCIONAL
DEPENDIA DA BOA VONTADE DO LEGISLADOR E DOS POLÍTICOS, ALÉM DE
UMA REGULAMENTAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL.
2ª - A EXPANSÃO DA JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL
OS DIREITOS FUNDAMENTAIS E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ESTÃO
POSITIVADOS E PASSARAM A TER APLICABILIDADE IMEDIATA. NESSE
DIAPASÃO, O PODER JUDICIÁRIO GANHOU A RESPONSABILIDADE DE
ASSEGURÁ-LOS AOS CIDADÃOS, EM FACE DAS INGERÊNCIAS NEGATIVAS DO
ESTADO E DOS PRÓPRIOS PARTICULARES. NO BRASIL, ALÉM DA AMPLIAÇÃO
DO ROL DE LEGITIMADOS PARA PROPOSITURA DE AÇÕES DIRETAS E DE
CRIAÇÃO DE NOVOS MECANISMOS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE,
TAMBÉM SIGNIFICOU UMA MAIOR ATUAÇÃO DO JUDICIÁRIO, POIS A
ATRIBUIÇÃO DE CONCRETIZAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 FOI CONFERIDA
A ESSE PODER.
A SOCIEDADE PASSOU, ENTÃO, A TER MAIOR CONSCIENTIZAÇÃO DE SEUS
DIREITOS FUNDAMENTAIS, PLEITEANDO-OS JUDICIALMENTE.
3ª - NOVA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
A ATIVIDADE DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL, INCLUSIVE COMO
PRESSUPOSTO DO EXERCÍCIO EFETIVO DO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE, ACABA POR ADENTRAR EM TODAS AS ESFERAS DO
DIREITO, COMO FORMA MAIS PROTETIVA DE RESGUARDAR OS DIREITOS
FUNDAMENTAIS. OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IRRADIAM-SE SOBRE OS
DIFERENTES RAMOS DE DIREITO E SOBRE AS MAIS VARIADAS RELAÇÕES
JURÍDICAS, ATINGINDO TAMBÉM A ÓRBITA PRIVADA. PODE-SE QUE DIZER
QUE OS DIREITOS FUNDAMENTAIS SE APLICAM NÃO SÓ NAS RELAÇÕES
ENTRE O ESTADO E O CIDADÃO (EFICÁCIA VERTICAL), MAS TAMBÉM NAS
RELAÇÕES ENTRE OS PARTICULARES-CIDADÃOS (EFICÁCIA HORIZONTAL).
DESTA FORMA, TODA INTERPRETAÇÃO JURÍDICA É UMA INTERPRETAÇÃO
PRIMEIRAMENTE CONSTITUCIONAL.
PELA CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO DECORRE QUE A
INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS DE OUTROS RAMOS DO DIREITO DEVE SER
FEITA À LUZ DA CONSTITUIÇÃO. LOGO, PARA SE INTERPRETAR UMA LEI, O
PRIMEIRO PASSO É VERIFICAR SUA COMPATIBILIDADE CONSTITUCIONAL
(FILTRAGEM CONSTITUCIONAL). DAÍ DECORRE TAMBÉM A EFICÁCIA
HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. TODO ESSE CONTEXTO PASSA
NECESSARIAMENTE POR SOFISTICADAS TÉCNICAS DE HERMENÊUTICA,
AMPLIADAS NO NEOCONSTITUCIONALISMO. FALA-SE HOJE, INCLUSIVE, NO
FENÔMENO DA “CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO”, QUE CONSISTE NA
CONSAGRAÇÃO DE NORMAS DE OUTROS RAMOS DO DIREITO NA PRÓPRIA
CONSTITUIÇÃO.
EXERCÍCIOS
1. O NEOCONSTITUCIONALISMO É CARACTERIZADO POR UM CONJUNTO DE
TRANSFORMAÇÕES NO ESTADO E NO DIREITO CONSTITUCIONAL, ENTRE AS
QUAIS SE DESTACA A PREVALÊNCIA DO POSITIVISMO JURÍDICO, COM A CLARA
SEPARAÇÃO ENTRE DIREITO E VALORES SUBSTANTIVOS, COMO ÉTICA, MORAL
E JUSTIÇA.
( ) VERDADEIRO ( ) FALSO
2. O NEOCONSTITUCIONALISMO CARACTERIZA-SE PELA MUDANÇA DE
PARADIGMA, DE ESTADO LEGISLATIVO DE DIREITO PARA ESTADO
CONSTITUCIONAL DE DIREITO, EM QUE A CONSTITUIÇÃO PASSA A OCUPAR O
CENTRO DE TODO O SISTEMA JURÍDICO.
( ) VERDADEIRO ( ) FALSO
3. ACERCA DA CF, JULGUE O ITEM SEGUINTE.
O NEOCONSTITUCIONALISMO INFLUENCIOU A ATUAL CF E PROMOVEU O
FORTALECIMENTO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS, NOTADAMENTE, DOS
DIREITOS SOCIAIS.
( ) VERDADEIRO ( ) FALSO
4. EM RELAÇÃO AO FENÔMENO DA “CONSTITUCIONALIZAÇÃO” DO DIREITO,
IMPACTANDO AS DIVERSAS DISCIPLINAS JURÍDICAS, COMO, POR EXEMPLO, O
DIREITO CIVIL, O DIREITO PROCESSUAL CIVIL, O DIREITO PENAL ETC., E A
FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO, CONSIDERE:
I. A NOVA ORDEM CONSTITUCIONAL INAUGURADA EM 1988 TRATOU DE
CONSOLIDAR A FORÇA NORMATIVA E A SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO, MUITO
EMBORA MANTIDA A CENTRALIDADE NORMATIVO-AXIOLÓGICA DO CÓDIGO
CIVIL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO.
II. EM QUE PESE PARTE DA DOUTRINA ATRIBUIR FORÇA NORMATIVA À
CONSTITUIÇÃO, AINDA PREDOMINA, SOBRETUDO NA JURISPRUDÊNCIA DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, O ENTENDIMENTO DE QUE A NORMA
CONSTITUCIONAL POSSUI NATUREZA APENAS PROGRAMÁTICA.
III. NO ÂMBITO DO DIREITO PRIVADO, A EFICÁCIA ENTRE PARTICULARES (OU
VERTICAL) DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS É UM EXEMPLO SIGNIFICATIVO DA
FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO E DA “CONSTITUCIONALIZAÇÃO” DO
DIREITO CIVIL.
IV. NÃO OBSTANTE A FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO E O NOVO ROL DE
DIREITOS FUNDAMENTAIS CONSAGRADO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE
1988, O ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO AINDA SE ENCONTRA
ASSENTADO NORMATIVAMENTE EM UM PARADIGMA OU TRADIÇÃO LIBERAL-
INDIVIDUALISTA.
V. A “DESPATRIMONIALIZAÇÃO” DO DIREITO CIVIL, CONFORME SUSTENTADA
POR PARTE DA DOUTRINA, É REFLEXO DA CENTRALIDADE QUE O PRINCÍPIO
DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS PASSAM
A OCUPAR NO ÂMBITO DO DIREITO PRIVADO, NOTADAMENTE APÓS A
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.
ESTÁ CORRETO O QUE SE AFIRMA APENAS EM
A) V
B) I e III
C) III, IV e V
D) II e III
E) III e V
5. Dois advogados, com grande experiência profissional e com a justa
preocupação de se manterem atualizados, concluem que algumas ideias vêm
influenciando mais profundamente a percepção dos operadores do direito a
respeito da ordem jurídica. Um deles lembra que a Constituição brasileira vem
funcionando como verdadeiro "filtro", de forma a influenciar todas as normas do
ordenamento pátrio com os seus valores. O segundo, concordando, adiciona que
o crescente reconhecimento da natureza normativo-jurídica dos princípios pelos
tribunais, especialmente pelo Supremo Tribunal Federal, tem aproximado as
concepções de direito e justiça (buscada no diálogo racional) e oferecido um
papel de maior destaque aos magistrados. As posições apresentadas pelos
advogados mantêm relação comum a concepção teórico-jurídica que, no Brasil e
em outros países, vem sendo denominada de
a) neoconstitucionalismo
b) positivismo-normativista
c) neopositivismo
d) jusnaturalismo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DANTAS, Paulo Roberto de Figueiredo. Direito Processual Constitucional. 5ª Edição.
São Paulo. Editora Saraiva. 2017.
MORAES, Guilherme Peña de. Curso de Direito Constitucional. 8ª Edição. Editora
Atlas. 2016.
ENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 18ª Edição. São Paulo. Editora
Saraiva. 2014.
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. 6ª Edição. São Paulo.
Editora Saraiva. 2011.
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo
Gonet. Curso de Direito Constitucional. 2ª Edição. São Paulo. Editora Saraiva. 2008.
COELHO, Inocêncio Mártires. O novo constitucionalismo e a interpretação
constitucional. Direito Público, América do Norte, n.12, abr.-jun. 2006, p. 66-67.