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3.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS NO


BRASIL E NO DIREITO COMPARADO
3.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
3.2. MODALIDADES DE INCONSTITUCIONALIDADE
3.2.1. FORMAL E MATERIAL
3.2.2. POR AÇÃO E POR OMISSÃO
3.3. MOMENTO DO CONTROLE
3.4. CONTROLE POLÍTICO, JURÍDICO E O MODELO
BRASILEIRO
3.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE CONSISTE NA VERIFICAÇÃO
DA ADEQUAÇÃO DE UMA NORMA JURÍDICA COM OS PRECEITOS
CONTIDOS EM UMA CONSTITUIÇÃO , EM UM ORDENAMENTO JURÍDICO
EM QUE HAJA ESCALONAMENTO HIERÁRQUICO DAS NORMAS, NO
QUAL OS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS ENCONTRAM-SE NO PATAMAR
MAIS ALTO.
PARA QUE SEJA POSSÍVEL O CONTROLE DAS LEIS EM FACE DA
CONSTITUIÇÃO, DEVE HAVER UM OU MAIS ÓRGÃOS RESPONSÁVEIS
PELO PRONUNCIAMENTO ACERCA DAS INCONSTITUCIONALIDADES
QUE APONTAREM NO ORDENAMENTO JURÍDICO.
NO CASO DO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO, O GUARDIÃO DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL É O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
3.1.1. PRESSUPOSTOS CONSTITUCIONAIS – RIGIDEZ E SUPREMACIA
DA CONSTITUIÇÃO
NOS CASOS EM QUE A CONSTITUIÇÃO É RÍGIDA E FORMALMENTE
ESCRITA, TEM-SE COMO CONSEQUÊNCIA A GARANTIA DA
SUPREMACIA DA MESMA, POIS EXIGE A CRIAÇÃO DE LEIS E ATOS
NORMATIVOS COMPATÍVEIS COM O QUE VEM PRESCRITO NA
CONSTITUIÇÃO.
DESSA FORMA, PODERÁ SER FEITO UM CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE EM RAZÃO DAS ESPÉCIES NORMATIVAS QUE
VENHAM A CONFRONTAR A LEI MAIOR DO PAÍS.
DIZEM-SE RÍGIDAS AS CONSTITUIÇÕES QUE POSSUEM UM PROCESSO
DE ALTERAÇÃO SOLENE, MAIS DIFICULTOSO , DISTINTO DO
PROCESSO LEGISLATIVO COMUM.
ASSIM, A RIGIDEZ É O PRESSUPOSTO PARA O SURGIMENTO E A
EFETIVAÇÃO DO DENOMINADO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
DAS LEIS.
SE A CONSTITUIÇÃO É DO TIPO RÍGIDA, OCUPA O VÉRTICE DO
ORDENAMENTO JURÍDICO E, ENTÃO, HÁ QUE SE VERIFICAR QUAIS LEIS
DESSE ORDENAMENTO ESTÃO DE ACORDO COM AS SUAS PRESCRIÇÕES
(E, PORTANTO, SÃO CONSTITUCIONAIS) E QUAIS LEIS ESTÃO EM
DESACORDO COM OS SEUS COMANDOS (E, SÃO, DESSARTE,
INCONSTITUCIONAIS, DEVENDO SER RETIRADAS DO ORDENAMENTO
JURÍDICO) .
O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE VISA, PORTANTO, GARANTIR A
SEGURANÇA JURÍDICA DENTRO DO SISTEMA NORMATIVO E, POR
CONSEGUINTE, A SUPREMACIA CONSTITUCIONAL .
3.1.2. ORIGENS DO CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE
SISTEMA NORTE-AMERICANO E SISTEMA AUSTRÍACO
O SISTEMA DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NORTE-
AMERICANO ESTABELECE QUE QUALQUER JUIZ PODE AVERIGUAR A
ALEGAÇÃO DE INCONSTITTUCIONALIDADE DIANTE DO CASO
CONCRETO , NA VIA DE DEFESA OU EXCEÇÃO.
O SISTEMA AUSTRÍACO DETERMINA QUE OS ATOS LEGISLATIVOS
PODEM SER OBJETO DE CONTROLE ABSTRATO DE NORMAS
(CONTROLE CONCENTRADO) . SENDO QUE APENAS AS NORMAS
VIGENTES PODEM SER FISCALIZADA NA VIA ABSTRATA, ONDE ESSA
FISCALIZAÇÃO SERÁ REALIZADA POR UM ÓRGÃO DE CÚPULA DO
PODER JUDICIÁRIO.
O BRASIL ADOTOU OS DOIS SISTEMAS, OU SEJA, O CONTROLE DIFUSO
E O CONTROLE CONCENTRADO .
3.1.3. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES SOBRE CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE
1ª - A NOÇÃO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS TEM
COMO PRESSUPOSTO A EXISTÊNCIA DE UMA CONSTITUIÇÃO DO TIPO
RÍGIDA;
2ª - A RIGIDEZ DA CONSTITUIÇÃO TEM COMO CONSEQUÊNCIA
IMEDIATA O PRINCÍPIO DA SUPREMACIA FORMAL DA CONSTITUIÇÃO;
3ª - O PRINCÍPIO DA SUPREMACIA FORMAL DA CONSTITUIÇÃO EXIGE
QUE TODAS AS DEMAIS NORMAS DO ORDENAMENTO JURÍDICO
ESTEJAM DE ACORDO COM O TEXTO CONSTITUCIONAL ;
4ª - AS NORMAS QUE NÃO ESTIVEREM DE ACORDO COM A
CONSTITUIÇÃO SERÃO INVÁLIDAS, INCONSTITUCIONAIS E DEVERÃO
SER RETIRADAS DO ORDENAMENTO JURÍDICO;
5ª - NECESSIDADE DE ÓRGÃO (OU ÓRGÃOS) ENCARREGADOS DE
FISCALIZAR SE A NORMA INFERIOR ESTÁ (OU NÃO) CONTRARIANDO
O TEXTO CONSTITUCIONAL ;
6ª - SEMPRE QUE O ÓRGÃO COMPETENTE REALIZAR O CONFRONTO
ENTRE A LEI E A CONSTITUIÇÃO , ESTARÁ ELE EFETIVANDO O
“CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE” .
IMPORTANTE! A MAIORIA DA DOUTRINA BRASILEIRA ENTENDE QUE A
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OCASIONA A NULIDADE
DO ATO NORMATIVO (QUE JÁ NASCEU MORTO).
ASSIM, A DECISÃO TEM EFICÁCIA DECLARATÓRIA DE SITUAÇÃO
PREEXISTENTE . POR REGRA, O VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE É
AFERIDO NO PLANO DA VALIDADE E A DECISÃO QUE DECLARA A
INCONSTITUCIONALIDADE PRODUZ EFEITOS EX TUNC.
JÁ PARA HANS KELSEN, A DECISÃO QUE RECONHECE A
INCONSTITUCIONALIDADE NÃO DECLARA UMA NULIDADE, MAS ANULA
UMA LEI QUE, ATÉ O MOMENTO EM QUE O PRONUNCIAMENTO DA
CORTE NÃO SEJA PUBLICADO, É VÁLIDA E EFICAZ. DESTA FORMA, A
DECISÃO TEM EFICÁCIA CONSTITUTIVA.
ASSIM, POR REGRA, O VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE É AFERIDO
NO PLANO DA EFICÁCIA E A DECISÃO QUE DECLARA A
INCONSTITUCIONALIDADE PRODUZ EFEITO EX NUNC, OU SEJA, PARA O
FUTURO.
NA LINHA DA TEORIA DA ANULABILIDADE DA LEI INCONSTITUCIONAL,
NO BRASIL, EM SEDE DOUTRINÁRIA E MINORITÁRIA, DESTACAM-SE
PONTES DE MIRANDA E REGINA NERY FERRARI.
3.2. MODALIDADES DE INCONSTITUCIONALIDADE
3.2.1. INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO E POR OMISSÃO
OCORRE A INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO QUANDO O
DESRESPEITO RESULTA DE UMA CONDUTA COMISSIVA, POSITIVA,
PRATICADA POR ALGUM ÓRGÃO ESTATAL.
INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO OCORRE QUANDO A
AFRONTA À CONSTITUIÇÃO RESULTA DE UMA OMISSÃO DO
LEGISLADOR , EM FACE DE UM PRECEITO CONSTITUCIONAL QUE
DETERMINE SEJA ELABORADA NORMA REGULAMENTANDO SUAS
DISPOSIÇÕES. ASSIM, A INCONSTITUCIONALIDADE POR CONDUTA
OMISSIVA OCORRE DIANTE DE NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA, EM
QUE A LEI MAIOR EXIGE DO LEGISLADOR ORDINÁRIO A EDIÇÃO DE
UMA NORMA REGULAMENTADORA .
3.2.2. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL E FORMAL
INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL (NOMOESTÁTICA)
OCORRE QUANDO O CONTEÚDO DA LEI CONTRARIA A CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. NESTA HIPÓTESE, O PROCESSO LEGISLATIVO PODE TER
OBSERVADO TODAS AS DETERMINAÇÕES, MAS A MATÉRIA TRATADA É
INCOMPATÍVEL COM A LEI MAIOR.
EXEMPLO : ART. 5º, XLVII DA CF/88 QUE PROÍBE AS PENAS DE MORTE,
DE CARÁTER PERPÉTUO, DE TRABALHOS FORÇADOS, DE BANIMENTO OU
CRUÉIS. CASO SEJA EDITADA UMA LEI QUE APLIQUE TAIS
APENAMENTOS, SEU CONTEÚDO ESTARÁ EIVADO DE
INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL.
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL (NOMODINÂMICA)
OCORRE QUANDO HÁ UM DESRESPEITO À CONSTITUIÇÃO NO TOCANTE
AO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DA NORMA.
NESSA ESPÉCIE DE INCONSTITUCIONALIDADE, O CONTEÚDO DA
NORMA PODE SER PLENAMENTE COMPATÍVEL COM O TEXTO
CONSTITUCIONAL, MAS ALGUMA FORMALIDADE EXIGIDA PELA
CONSTITUIÇÃO, NO TOCANTE AO TRÂMITE LEGISLATIVO OU ÀS
REGRAS DE COMPETÊNCIA , FOI DESOBEDECIDA . PODE ALCANÇAR
TANTO O REQUISITO DE COMPETÊNCIA QUANTO O PROCESSO
LEGISLATIVO EM SI.
ATENÇÃO! A INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL DIVIDE -SE EM:
ORGÂNICA E PROPRIAMENTE DITA.
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL ORGÂNICA
ESTÁ RELACIONADA AO ENTE LEGISLATIVO COMPETENTE PARA
LEGISLAR DETERMINADA MATÉRIA, OU SEJA, DECORRE DA
INOBSERVÂNCIA DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA PARA A
ELABORAÇÃO DO ATO.
NESSE SENTIDO, O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ENTENDE
INCONSTITUCIONAL LEI MUNICIPAL QUE DISCIPLINE O USO DO
CINTO DE SEGURANÇA , UMA VEZ QUE A COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR
SOBRE ESSE TEMA PERTENCE A UNIÃO (CF, ART. 22, XI).
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL PROPRIAMENTE DITA
DECORRE DA INOBSERVÂNCIA DO DEVIDO PROCESSO
CONSTITUCIONAL . TRATA DE VÍCIO NO PROCEDIMENTO DA
ELABORAÇÃO DA NORMA, VERIFICADO EM MOMENTOS DISTINTOS: NA
FASE DE INICIATIVA (VÍCIO FORMAL SUBJETIVO) OU NAS FASES
POSTERIORES (VÍCIO FORMAL OBJETIVO)
VÍCIO FORMAL SUBJETIVO
VERIFICA-SE NA FASE DE INICIATIVA . TEM-SE, COMO EXEMPLO, AS
SITUAÇÕES ELENCADAS NO ART. 61, §1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
IMPORTANTE! A SANÇÃO DO PROJETO DE LEI NÃO CONVALIDA O VÍCIO
DE INCONSTITUCIONALIDADE RESULTANTE DA USURPAÇÃO DO
PODER DE INICIATIVA . A ULTERIOR AQUIESCÊNCIA DO CHEFE DO
PODER EXECUTIVO, MEDIANTE SANÇÃO DO PROJETO DE LEI, AINDA
QUANDO DELE SEJA A PRERROGATIVA USURPADA, NÃO TEM O CONDÃO
DE SANAR O VÍCIO RADICAL DA INCONSTITUCIONALIDADE . ADI 2.867,
REL. MIN. CELSO DE MELLO, J. 3-12-2003, P, DJ DE 9-2-2007 E ADI
2.305, REL. MIN. CEZAR PELUSO, J. 30-6-2011, P, DJE DE 5-8-2011).
VÍCIO FORMAL OBJETIVO
SERÁ VERIFICADO NAS DEMAIS FASES DO PROCESSO LEGISLATIVO ,
POSTERIORES À FASE DE INICIATIVA. COMO EXEMPLO, CITAMOS UMA
LEI COMPLEMENTAR SENDO VOTADA POR UM QUORUM DE MAIORIA
RELATIVA.
3. MOMENTO DE CONTROLE
3.1. CONTROLE PREVENTIVO(OU A PRIORI)
AQUELE REALIZADO ANTES DA LEI OU DO ATO NORMATIVO SER
PROMULGADO E PUBLICADO. TEM POR FINALIDADE IMPEDIR QUE UM
PROJETO DE LEI INCONSTITUCIONAL VENHA A SER UMA LEI. ESSE
CONTROLE É REALIZADO, EM REGRA, POR MEIO DO PODER
LEGISLATIVO (COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA) E DO PODER
EXECUTIVO (VETO JURÍDICO).
O PODER JUDICIÁRIO, EXCEPCIONALMENTE, EXERCE O CONTROLE
PREVENTIVO APENAS NO CASO DE IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE
SEGURANÇA POR PARLAMENTAR QUESTIONANDO A INOBSERVÂNCIA
DO DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO CONSTITUCIONAL.
POR TEREM DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO À OBSERVÂNCIA DO
DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO CONSTITUCIONAL , APENAS OS
PARLAMETARES, E NUNCA TERCEIROS ESTRANHOS À ATIVIDADE
PARLAMENTAR , TÊM LEGITIMIDADE PARA IMPETRAR O MANDADO DE
SEGURANÇA NESSA HIPÓTESE.
NESSE SENTIDO SE MANIFESTA A CORTE MAIOR, AO DETERMINAR QUE
SOMENTE OS PARLAMENTARES POSSUEM LEGITIMIDADE PARA
IMPETRAR MANDADO DE SEGURANÇA PARA A GARANTIA DO
PROCESSO LEGISLATIVO.
NÃO SENDO POSSÍVEL A TERCEIROS A IMPETRAÇÃO, POIS NÃO
OSTENTAM A CONDIÇÃO DE PARLAMENTAR, MESMO QUE INVOQUEM A
CONDIÇÃO DE FUTURO DESTINATÁRIO DA NORMA.
A CORTE SUPREMA TAMBÉM JÁ DECIDIU QUE SE HOUVER APROVAÇÃO
DO PROJETO DE LEI OU DA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO,
APÓS A IMPETRAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA PELO
PARLAMENTAR, DAR-SE-Á A PERDA DE LEGITIMIDADE ATIVA DOS
MEMBROS DO CONGRESSO NACIONAL PARA O PROSSEGUIMENTO DA
AÇÃO MANDAMENTAL, QUE NÃO PODE SER UTILIZADA COMO
SUCEDÂNEO DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (MS Nº
22.487-DF).
POR MEIO DO CONTROLE PREVENTIVO NÃO É DECLARADA A
INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA, MAS SIM EVITADA A
PRODUÇÃO DE NORMA INCONSTITUCIONAL , UMA VEZ QUE ESSA
FORMA DE CONTROLE TEM POR OBJETIVO EVITAR QUE A NORMA
INGRESSE NO ORDENAMENTO JURÍDICO E PRODUZA EFEITOS.
3.2. CONTROLE REPRESSIVO
O CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE OCORRE SOBRE A
PRÓPRIA LEI. NÃO MAIS RECAINDO SOBRE O PROJETO DE LEI. ESSE
CONTROLE É FEITO, EM REGRA, PELO PODER JUDICIÁRIO, QUE PODE
OCORRER PELA VIA INCIDENTAL (CONTROLE DIFUSO) OU PELA VIA
ABSTRATA. CONTUDO, HÁ EXCEÇÕES:
1ª - CONTROLE REPRESSIVO REALIZADO PELO PODER LEGISLATIVO
NO ÂMBITO FEDERAL, O PODER LEGISLATIVO EXERCE O CONTROLE
REPRESSIVO EM MAIS DE UMA HIPÓTESE. O CONGRESSO NACIONAL
PODE SUSTAR OS ATOS NORMATIVOS DO PODER EXECUTIVO QUE
EXORBITEM DO PODER REGULAMENTAR OU DOS LIMITES DA
DELEGAÇÃO LEGISLATIVA . TAL PODER CONFERIDO AO PODER
LEGISLATIVO É DENOMINADO PELA DOUTRINA “VETO LEGISLATIVO” (CF,
ARTS. 49, V E 84, IV).
O PARLAMENTO PODE, AINDA, REJEITAR UMA MEDIDA PROVISÓRIA
QUE CONSIDERE INCONSTITUCIONAL, NOS SEGUINTES CASOS: A) NÃO
ATENDIMENTO DOS PRESSUPOSTOS CONSTITUCIONAIS DE “RELEVÂNCIA
E URGÊNCIA” (CF, ART. 62, §5º); B) CONTEÚDO INCOMPATÍVEL COM A
CONSTITUIÇÃO OU VEDADO POR ELA (CF, ART. 62, §1º); C) REEDIÇÃO
NA MESMA SESSÃO LEGISLATIVA EM QUE TENHA SIDO REJEITADA OU
QUE TENHA PERDIDO SUA EFICÁCIA POR DECURSO DE PRAZO (CF, ART.
62, §10).
O TRIBUNAL DE CONTAS, ÓRGÃO AUXILIAR DO PODER LEGISLATIVO,
PODE, NO EXERCÍCIO DE SUAS ATRIBUIÇÕES, APRECIAR A
CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS E DOS ATOS DO PODER PÚBLICO (STF
– SÚMULA 347). ESSA FORMA DE CONTROLE REPRESSIVO É REALIZADA
NA VIA INCIDENTAL (NO CASO CONCRETO).
2º - CONTROLE REPRESSIVO REALIZADO PELO PODER EXECUTIVO
PODE O CHEFE DO PODER EXECUTIVO REALIZAR CONTROLE POLÍTICO
DE CONSTITUCIONALIDADE DO TIPO REPRESSIVO, QUANDO SE
DEPARAR COM UMA NORMA MANIFESTAMENTE INCONSTITUCIONAL,
ATÉ QUE A SUPREMA CORTE SE MANIFESTE SOBRE A QUESTÃO.
DEVERÁ O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, O GOVERNADOR DO ESTADO OU
DO DISTRITO FEDERAL, OU O PREFEITO (E SOMENTE ELES), EDITAR UM
ATO ADMINISTRATIVO DETERMINANDO QUE REFERIDA NORMA NÃO
SEJA OBSERVADA, POR SEUS SUBORDINADOS, ATÉ QUE O CASO SEJA
DECIDIDO PELO PODER JUDICIÁRIO.
ATENÇÃO! NA HIPÓTESE DE DECLARAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE
DA LEI PELO PODER JUDICIÁRIO , A NEGATIVA DO CUMPRIMENTO PELO
CHEFE DO PODER EXECUTIVO NÃO PODERÁ PERMANECER.
4. CONTROLE POLÍTICO, JURÍDICO E O MODELO BRASILEIRO
QUANTO AO ÓRGÃO QUE O REALIZA, O CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE PODERÁ SER POLÍTICO, JURISDICIONAL
( JUDICIAL) OU, AINDA MISTO. SERÁ POLÍTICO QUANDO REALIZADO
POR ÓRGÃO NÃO INTEGRANTE DO PODER JUDICIÁRIO . PODERÁ SER
EXERCIDO PELO PODER EXECUTIVO, PELO PODER LEGISLATIVO, OU,
AINDA, POR UMA CORTE CONSTITUCIONAL , NÃO PERTENCENTE A
QUALQUER DOS OUTROS PODERES, E DOTADA DE AMPLA
INDEPENDÊNCIA . EXEMPLO DE ÓRGÃO ESPECIAL CRIADO PARA TAL
FINALIDADE, NÃO PERTENCENTE AOS DEMAIS PODERES, É O CONSELHO
CONSTITUCIONAL FRANCÊS, COMPOSTO POR MEMBROS COM MANDATO
FIXO, E QUE REALIZA UM CONTROLE PREVENTIVO DO ATO NORMATIVO
EDITADO PELO PODER LEGISLATIVO DAQUELE PAÍS.
O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE SERÁ JURISDICIONAL QUANDO
REALIZADO EXCLUSIVAMENTE PELO PODER JUDICIÁRIO . SERÁ MISTO
QUANDO EXERCIDO, CONCOMITATEMENTE, PELO PODER JUDICIÁRIO E
POR OUTROS PODERES.
NA LIÇÃO DE JOSÉ AFONSO DA SILVA, O CONTROLE MISTO REALIZA-SE
QUANDO A CONSTITUIÇÃO SUBMETE CERTAS CATEGORIAS DE LEIS AO
CONTROLE POLÍTICO E OUTRAS AO CONTROLE JURISDICIONAL, COMO
OCORRE NA SUÍÇA, ONDE AS LEIS FEDERAIS FICAM SOB O CONTROLE
POLÍTICO DA ASSEMBLEIA NACIONAL, E AS LEIS LOCAIS SOB O
CONTROLE JURISDICIONAL . COSTUMA-SE DIZER QUE O BRASIL ADOTA
O CONTROLE JURISDICIONAL , POIS, AINDA QUE O LEGISLATIVO E O
EXECUTIVO POSSAM REALIZAR CONTROLE DE CONSTIUCIONALIDADE,
TODAS AS NORMAS ESTÃO SUJEITAS A UM CONTROLE POR PARTE DO
JUDICIÁRIO. NÃO HÁ RESERVAS FEITAS A OUTROS PODERES.
CUIDADO! QUANTO AO ÓRGÃO CONTROLADOR, O BRASIL ADOTA O
CONTROLE JURISDICIONAL. NO ENTANTO, QUANTO À FORMA, O
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE PODE OCORRER: DA FORMA
CONCENTRADA , EM QUE O STF ANALISA A CONSTITUCIONALIDADE DA
NORMA EM ABSTRATO, INDEPENDENTEMENTE DO CASO CONCRETO ; E A
FORMA DIFUSA, EM QUE QUALQUER JUIZ OU TRIBUNAL PODERÁ
DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DIANTE DE UM CASO CONCRETO
SOB SUA ANÁLISE . NESTA HIPÓTESE, PODE-SE DIZER QUE O BRASIL,
QUANTO À FORMA, ADOTA UM SISTEMA JURISDICIONAL MISTO, DEVIDO
A EXISTÊNCIA DAS DUAS FORMAS DE CONTROLE (ABSTRATA E DIFUSA).
EXERCÍCI OS
1. (ESAF/ESAF/ESPECIALI STA EM POLÍTICAS PÚ BLICAS E GESTÃO
GOVERNAM ENTAL/M POG 2009 ) No Brasil, o contro le de constitucio nalidade
realiza -se mediante a submissão das leis federais ao contro le po lítico do
Congresso N acio nal e as leis estaduais, mu nicipais, o u distritais ao co ntro le
jurisdicional .
( ) Certo ( ) Errado
2. (FGV/ JUI Z/ TJ/M S/ 2008) No sistem a brasileiro , o contro le repressivo de
constitucionalidade é exercido exclusivamente pelo Poder Judiciário .
( ) Certo ( ) Errado
3. (CESPE/DEFENSORIA PÚB LICA/ES/ 2013) Po r meio do co ntro le
concentrado, todo e qualquer juiz po de reconhecer a inco nstitucio nalidade de
uma lei e, consequentemente, determinar sua não aplicação ao caso concreto
a ser julgado .
( ) Certo ( ) Errado
4. (CESPE/ ANALISTA TÉCNICO ADMINISTRATIVO DA DEFENSORIA PÚBLICA
DA UNIÃO/2010) A inobservância da co mpetência co nstitucio nal de um
ente federativo para a elabo ração de determinada lei enseja a declaração
da inconstitucio nalidade material do ente normativo .
( ) Certo ( ) Errado
5. (CESPE/ADVOGADO DA UNIÃO/AGU/2008) É admissível o contro le de
constitucionalidade de emenda co nstitucio nal antes mesmo de ela se r
votada, no caso de a proposta atentar contra cláusula pétrea, sendo o
referido controle feito por meio de mandado de segurança, que deve ser
impetrado exclusivamente por parlamentar federal.
( ) Certo ( ) Errado
6. (VUNES/ 2 01 6/Pre feitura de M ogi das Cruze s – SP/Procurador
Jurídico) Assinale a alterna tiva co rreta a respeito do direito processual
constitucional .
a) A supremacia material da Constituição Federal é o princípio que embasa
o controle de constitucionalidade no direito brasileiro .
b) Dentre o s diferentes sistemas de contro le de constitucionalidade
existentes no mundo, o Brasil adota o sistema político, originado na França .
c) O sistema de co ntro le de constituc io nalid ade preventivo surgiu no s
Estados Unido s, em 1803, com base na decisão do caso Marbur y versus
Madison .
d) O contro le de co nstitucio nalidade co ncentrado fo i idealizado po r Hans
Kelsen e introduzido , em 1920, na Constituição Austríaca.
e) As normas anteriores à Constituição Federal de 1 988 não são passíveis
de serem submetidas ao co ntro le de co nstitucio nalidade co ncentrado, a não
ser por meio da Ação Declaratória de Constitucionalidade .
7. (M RE/ESAF / 2004 ) O co ntro le de co nstitucionalidade adotado no Brasil é
o sistema misto , uma vez que há um c ontro le po lítico da
constitucionalidade das leis, exercido pelo Poder E xec utivo e pelo Poder
Legislativo , e um controle jurisdicio nal, exercido pelo Poder Judiciário .
( ) Certo ( ) Errado
8. (ANALI STA/TRT/ 16ª/FCC/ 20 0 9) No Brasil, o co ntro le de
constitucionalidade repressivo o u judiciário é misto , po is exercido tanto da
forma concentrada quanto da forma difusa .
( ) Certo ( ) Errado
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado . 18ª Edição. São
Paulo. Editora Saraiva. 2014.
MEIRELLES, Hely Lopes. Mandado de Segurança e Ações
Constitucionais . 35ª Edição. São Paulo. Editora Malheiros Editores.
2013.
BULOS, Uadi Lammêgo Bulos. Curso de Direito Constitucional . 6ª
Edição. São Paulo. Editora Saraiva. 2011.
PAULO, Vicente e ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Constitucional
Descomplicado. 15ª Edição. Editora Método. 2016.