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Explicações a respeito

dos crimes e dos desvios sociais

Professor: Daniel de Pádua


1) Lombroso (1835-1909)

 O médico italiano Cesare Lombroso afirma que os


crimes ocorrem por razões biológicas.
 Segundo ele, haveriam criminosos natos, que
poderiam ser identificados.
Base para identificação
dos criminosos

 O formato do crânio: Os criminosos teriam testa


baixa e estreita.
 O formato da orelha: Orelhas de abano.
 Largura dos braços: Braços longos.
 Degeneração biológica: Atrasados no que se refere a
evolução do físico do homem.
Sheldon e Glueck(1949 e 1956)
 Uma teoria posterior distinguiu três tipos de
constituição física humana, afirmando que um
deles estavam diretamente associado à
delinqüência.
 Segundo a teoria, os indivíduos com músculos
grandes e enérgicos (MESOMORFOS) são mais
agressivos e propensos ao contato físico e, por
isso, têm mais probabilidade de se tornarem
delinqüentes do que os magros
(ECTOMORFOS)
Problemas na explicação
 As explicações de fatores biológicos no que se
referem à desvios não têm fundamento na
observação da realidade.
 Hoje se sabe que nenhum traço físico distingue um
criminoso de um não criminoso.
Existe “cara de ladrão”?
 Não existe uma relação entre o crime e a
constituição biológica do indivíduo que pratica.
 Um dos mais ferrenhos críticos à teoria de
Lombroso foi Charles Goring.
 The English Convict, publicado em 1913.
 No que diz respeito às teorias do crime
desenvolvidos pela biologia podemos dizer que
elas guardam grande relação com a escola
positivista de pensamento.
 O positivismo é a crença na explicação dos
métodos científicos ao estudo do mundo social de
modo a poder ser reveladas suas verdades
essenciais.
 No caso da criminologia positivista, este foi
conduzida com base na crença de que a pesquisa
empírica poderia apontar para as causas do crime.
2) Explicações Psicológicas
 Entendiam que tipos de personalidade com traços
psicológicos (psicopáticos) estariam propensas ao
crime.
 Com base nessas explicações, bastaria identificar as
pessoas com semelhantes características e isolá-las
para previnir os desvios.

 Serial Killer: Alexander Pichushkin


“Para mim, uma vida sem assassinato é
como uma vida sem comida”
 Cho Seung-Hui: Estudante sul-coreano de 23 anos
que matou 32 pessoas na universidade em que
estudava, no Estado americano da Virgínia.
 Apesar de haver numerosos casos de criminosos
psicopatas, (em todas as sociedades) não é fato que a
pessoa que possui tais traços psicológicos vai
cometer necessariamente algum crime.
Psicopatia
 Psicopatia descreve um padrão de
comportamento anti-social crônico.

 O conceito atual de psicopatia refere-se a um


transtorno caracterizado por atos anti-sociais
contínuos (sem ser sinônimo de criminalidade) e
principalmente por uma inabilidade de seguir
normas sociais em muitos aspectos do
desenvolvimento da adolescência e da vida adulta
.
 Apesar da psicopatia ser muito mais frequente nos
indivíduos do sexo masculino, também atinge as
mulheres, em variados níveis, embora com
características diferenciadas e menos específicas
que a psicopatia que atinge os homens.
 Os psicopatas são introvertidos , personagens sem
emoções que agem impulsivamente e raramente
evidenciam sentimentos de culpa. Alguns
psicopatas satisfazem-se com a violência como
um fim em si.
Será que as explicações psicológicas são
suficientes?

 Também deve ser comentado que os crimes são


cometidos por pesssoas com os mais variados traços
psicológicos.

 Enquanto as explicações biológicas são


completamente infundadas, as explicações
psicológicas são limitadas, justificando apenas alguns
crimes.
3) Primeiras explicações
Sociológicas - FUNCIONALISTAS
 As teorias funcionalistas observam o crime e o
desvio como o resultado de tensões estruturais e da
ausência de regulação moral no seio da sociedade.
 Durkheim, um dos fundadores da sociologia, sugere
que nas sociedades modernas as normas e os
modelos tradicionais desaparecem sem serem
substituídos por outros novos. Decreta uma possível
falência da sociedade
DURKHEIM
CONTEXTO SOCIAL:
 Foi o sociólogo Emile Durkheim o primeiro que
ressaltou a importância do contexto social para
explicar os desvios e crimes.
 Segundo ele, nas sociedades modernas, os
indivíduos sentem-se menos pressionados a
adotar um comportamento regido pelas normas e
regras sociais.
O que Durkheim queria dizer....

 Com o “afrouxamento” dos costumes, algumas


pessoas sentem-se sem parâmetros de conduta.

 CONCEITO DE ANOMIA:
 Explicação dos suicídios
 Em um ambiente de anomia, existe uma propensão
aos desvios e ao crime que é maior do que num
ambiente de forte controle social.
 Papel das instituições sólidas.
Robert Merton (1910 - 2003)
 O Sociólogo americano R. Merton, introduziu a ideia
de pressão social para explicar muitos casos de
desvio.
 A sociedade pode ser analisada em dois níveis: o da
cultura e o da estrutura social.
 O plano cultural consiste de um conjunto de normas,
valores e atitudes que estabelecem as metas que os
indivíduos devem perseguir e que são consideradas
desejáveis.
Robert Merton (Dinheiro e Prestígio)
 A estrutura social delimita e controla como e quais
os meios aceitáveis para alcançar essas metas.
 Nem todos os meios podem ser utilizados para
atingir os resultados desejados.

 Buscando explicar o crime como resultado da


desarticulação entre esses dois planos, Merton vai
dizer que na sociedade americana todos são
encorajados a atingir sucesso, o que significa, nessa
sociedade, principalmente a posse de dinheiro.
Robert Merton (Barreiras para o alcance do
Sucesso)

 Por outro lado, nem todos que buscam o sucesso


conseguem alcançá-lo seguindo as normas
estabelecidas (trabalhar para enriquecer). Disso
decorre que indivíduos de classes baixas, por
encontrarem maiores barreiras para o alcance dessa
meta de sucesso, voltada para o dinheiro, possam vir
a ter maior propensão para o crime.
Robert Merton (“Eu quero comprar mas não
tenho dinheiro ...”)

 Disjunção entre os objetivos culturalmente impostos


(por exemplo, a valorização e o estímulo à aquisição
de certas mercadorias como roupas e sapatos de
marca) e os meios legítimos para a realização das
aspirações (dinheiro para comprar as mercadorias
desejadas).

 Por isso mesmo, alguns deles valem-se de meios não


legítimos (furto, roubo, etc.) para obtê-las.
A teoria dos grupos subculturais
 Tal como Merton, Albert Cohen entendia que a
causa principal do crime se encontrava nas
contradições do seio da sociedade americana .
 No entanto, enquanto Merton colocava a ênfase
nos comportamentos individuais como resposta à
tensão gerada entre valores a atingir e os meios
disponíveis. Cohen sugeriu que essas respostas
eram coletivas e não individuais.
COHEN
 O autor sugeriu que coletivamente através de
subculturas (Delinquent Boys -1955) que os
rapazes de classe baixa trabalhadora que se
sentem frustrados com a posição que atingiram na
vida, agrupam-se em subculturas (gangs).
 Essas gangs desprezam a classe média, o novos
valores são criados pelo grupo. A rejeição reitera
a posição grupo que desafia um ao outro um ato
de mais audácia criminal.
 Nosso comportamento individual é o mesmo do
comportamento coletivo?
Será que as teorias funcionalista
cobrem todos os crimes?
 A maior crítica dirigida aos funcionalistas:
Não é sempre que jovem de classe baixa aspiram ao
mesmo nível de sucesso material que as pessoas
mais abastadas.
 De uma maneira geral, as pessoas de classe baixa
tentam ajustar as suas aspirações ao que
consideram ser a realidade possível da situação.
TRABALHOS ACADÊMICOS SOBRE A FELICIDADE
COMO EXPLICAR OS CRIMES
ECONÔMICOS E EMPRESARIAIS?
 Merton e Cohen foram duramente questionados
pois muitos teóricos não acreditaram que os
valores da classe média americana são universais e
aceitos como ideais por toda a sociedade.

OUTRA CRÍTICA:
 Como explicar os crimes de colarinho branco?
Teorias Interacionistas
 Os teóricos desta escola de pensamento analisam
o desvio como um fenômeno socialmente
construído.
 Os interacionistas interrogam-se sobre o modo
como os comportamentos são inicialmente
definidos como desviantes.
 Porque é que determinados grupos e não outros
são rotulados como desviantes.
SUTHERLAND
 Sutherland fala da associação diferencial – Numa sociedade
onde existem muitas subculturas diferentes, alguns ambientes
sociais tendem a encorajar atividades ilegais, ao passo que
outros não.
 Os indivíduos tornam-se delinqüentes ou criminosos através
da sua associação com outros que são portadores de normas
criminais.
 De uma maneira geral, o comportamento criminoso é
aprendido nos grupos primários de relacionamento. Portanto
as atividades criminosas são aprendidas (naturalizadas) em
grande medida da mesma forma que existem as leis.
Rotulação - Becker
 Processo de interação entre os que desviam
e os que não desviam. Os agentes que vão
orientar essas práticas com apoio da mídia.

 Criação de categorias.

 Luis Eduardo Soares (Elevador)


Continuação BECKER
 Uma vez rotulado como criminoso, o
indivíduo é estigmatizado como indigno de
confiança. O modo de vestir de uma pessoa,
a maneira de falar, o seu país de origem, ou
a sua região, são fatores chave que podem
determinar o rótulo de desviante.

 TEORIA QUE SE AUTO CUMPRE


Amplificação do Desvio
 Leslie Wilkins (1964) se interessou pelas
identidade dos desviantes e da integração deste
com a integração na sociedade.
 O autor entende que existe uma espécie de
amplificação do desvio quando uma agência de
controle rotula um determinado comportamento
como desviante, provocando um aumento do
mesmo.
Efeito ricochete
 O modo de como a polícia tentou controlar a
delinquência juvenil dos anos 60 (Mods vs.
Rockers) serviu apenas para chamar mais atenção
sobre o grupo.
 O processo de rotular um subgrupo teve um
efeito ricochete e criou ainda mais problemas às
forças policiais.
 A mídia sensacionalista provocou um pânico
moral.
Teoria do conflito
 Taylor, Walton e Young em 1973 produziram “A nova
criminologia”. Fruto de um pensamento Marxista que
defende que o conflito é uma opção deliberada e
freqüentemente de natureza política.
 Os indivíduos optam ativamente por enveredar num
comportamento desviante, em resposta às desigualdades
do sistema capitalista.
 Stuart Hall (Falecido recentemente) conduziu
importantes pesquisas nessa linha, durante a década de
70 na Inglaterra. A partir de uma grande análise sobre
crimes de assaltos de rua com intimidação física.
 Os assaltos foram amplamente divulgados pela
mídia e isso alimentou uma enorme preocupação
em torno de uma possível explosão da
criminalidade de rua.
 A mídia colocou os imigrantes (Paquistão e Índia)
como os principais responsáveis por esse tipo de
crime.
 O que o Stuart Hall percebeu é que o Estado não
fazia nada para desqualificar as reportagens
midiáticas. Pelo contrário, o estado usou a força
da mídia para legitimar o discurso anti
imigrantes.
 O que o Estado não queria divulgar: O aumento do
desemprego, o declínio dos salários, falhas
estruturais no Estado de Bem Estar social.
 Afastar atenção (Manobra midiática)
 Segundo os autores da “nova criminologia” as leis
são ferramentas usadas pelos poderosos para poder
manter as suas posições sociais. Estes autores
rejeitam a ideia das leis como neutras e aplicadas
imparcialmente.
 Os tribunais não são imparciais. Os poderosos
também quebram as leis, mas raramente são
apanhados.
Loic Wacquant
 O autor denuncia o perigo da substituição de um
Estado de bem-estar social - de caráter preventivo
em relação ao crime - por um Estado meramente
punitivo e repressor .

 ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL X ESTADO PENAL


Trecho do filme: TROPA DE ELITE II
TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS
 Política criminal de tolerância zero
 Prefeito Rudolph Giuliani
 Em 1982, o cientista político James Q. Wilson e
o psicólogo criminologista George Kelling,
ambos americanos, publicaram na revista Atlantic
um estudo em que, pela primeira vez, se
estabelecia uma relação de causalidade entre
desordem e criminalidade.
Mas por que teoria das “janelas
quebradas”?

 Os autores sustentavam que se uma janela de


uma fábrica ou de um escritório fosse quebrada
e não fosse imediatamente consertada, as
pessoas que por ali passassem concluiriam que
ninguém se importava com isso e que, naquela
localidade, não havia autoridade responsável
pela manutenção da ordem.
Exemplo brasileiro: Trêm VS Metrô
 Caso narrado no livro “ O meu casaco de general” - Luis Eduardo
Soares