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Pronto socorro em oftalmologia

João Vicente Queiroz de Moraes


Queixas mais comuns:
• Olho vermelho • Queimadura fotoelétrica
• Baixa visual súbita • Corpo estranho ocular
• Dor ocular • Fratura orbitária
• Traumas oculares • Celulite orbitária
– Não-perfurantes • Emergência hipertensiva
– Perfurantes • Diplopia
• Queimaduras químicas – Paralisia III par craniano
– Supercola
– Base
– Ácido
Caso 1
Paciente, sexo masculino, 35 anos, refere
hiperemia ocular, fotofobia e leve embaçamento
visual em olho esquerdo há 2 dias. Conta que faz
tratamento de espondilite anquilosante. Nega
secreção.
Qual a doença mais provável:
a)Conjuntivite viral
b)Conjuntivite bacteriana
c)Hemorragia subconjuntival
d)Conjuntivite alérgica
e)Uveíte anterior aguda
Caso 2
Paciente, 24 anos, refere ter levado “pedrada”
no olho direito durante discussão com familiar.
Evoluiu com dor ocular, hiperemia, piora visual
importante e perda de conteúdo líquido no
referido olho.
Dentre as alternativas abaixo qual a causa
menos provável da baixa acuidade visual:
a)Descolamento de retina
b)Trauma corto contuso corneano
c)Perfuração ocular
d)Hifema traumático
e)Úlcera corneana
Trauma contuso
• Principais manifestações
– Hiposfagma (hemorragia subconjuntival)
– Fratura orbitária
(+comuns: Fx medial e assoalho)
– Lesões corneanas
– Lesões pupilares
– Uveíte traumática
– Hifema traumático
– Descolamento de retina
– Hemorragia vítrea
– Rotura do globo ocular
Traumas oculares
• Não-perfurantes
– Trauma contuso
– Corpo estranho
– Acidentes com vegetais (contaminação por fungos)
Trauma não perfurante
• Laceração conjuntival
• Corpo estranho conjuntival / corneano
• Abrasão de córnea
• Laceração palpebral
• Laceração vias lacrimais
Traumas não-perfurantes
• Conduta
– Retirar objeto perfurante (?)
– Irrigação com soro fisiológico
– Colírio antibiótico / pomada epitelizante
– Proteção do globo ocular
Perfuração ocular
• Conduta
– Não pingar colírios
– Não comprimir o olho lesionado
– Realizar oclusão com oclusor rígido (copo plástico)
– Administrar analgésicos orais ou EV
– Realizar estabilização clínica
– Encaminhar para serviço oftalmológico com
urgência
Caso 3
• Paciente, sexo masculino, 58 anos, serralheiro,
refere que durante uso de esmerilhadeira,
sentiu entrada de corpo estranho em olho
esquerdo há 2 dias.
Qual seria a conduta mais correta nesse caso?
a)Irrigação exaustiva
b)Irrigação exaustiva + curativo oclusivo
c)Pomada epitelizante + curativo oclusivo
d)Anestésico e tentar retirar corpo estranho
e)Anestésico e encaminhar ao oftalmologista
Corpo estranho ocular
Corpo estranho ocular
• Quadro clínico
– Paciente refere entrada de corpo estranho
– Natureza do corpo estranho – vegetal?! (fungos)
• Sinais e sintomas
– Hiperemia conjuntival
– Dor
– Sensação de areia
– Embaçamento visual
Corpo estranho ocular
• Ao exame
– Presença de corpo estranho
– Avaliar estrutura lesada
– Exame com fluoresceína
• Tratamento
– Retirada do material por completo, quando não
ameaçar integridade ocular
– Pomada epitelizante
– Colírio antibiótico
Caso 4
Criança vem trazida ao PS pela mãe, que após
manuseio de supercola (“superbonder”) coçou
os olhos e grudou os cílios do olho esquerdo.
Qual seria a conduta correta?
Trauma ocular
• Supercola
– Identificar possíveis estruturas lesadas
– Avaliar motilidade ocular
– Encaminhar para serviço especializado
– Conduta:
• Gotejamento de soro fisiológico morno
• Cortar cílios acometidos
• Avaliar lesão corneana
Caso 5
Paciente, sexo masculino, 47 anos, pedreiro,
refere acidente de trabalho com “ massa
corrida” nos olhos.
Qual a conduta correta:
a)Limpeza com soro fisiológico
b)Limpeza com soro fisiológico + pomada
epitelizante
c)Irrigação abundante + pomada epitelizante
d)Irrigação abundante + oclusão ocular
e)Irrigação abundante + remoção dos detritos
+ pomada epitelizante e encaminhar ao
especialista para avaliar lesão limbar
Queimadura química – álcalis (base)
• pH saponificação dos ácidos graxos nas
membranas celulares com degradação celular
• Dano atinge estruturas + profundas: lesões + graves
• Sinais e sintomas:
– Dor ocular
– Fotofobia
– Lacrimejamento
– Piora ou embaçamento visual
– Hiperemia conjuntival
Queimadura química – álcali (base)
• Ao exame:
– Abrasão corneano
– Hiperemia conjuntival
• Tratamento
– Irrigação abundante e constante com SF 0,9%
– Limpeza do fundo de saco
– Pomada epitelizante
– Colírio antibiótico + esteróide tópico leve(?)
Queimadura química - ácido
• Desnaturam e precipitam as proteínas dos
tecidos
• Menos danosos que álcalis devido a baixa
penetração na câmara anterior
• Sinais e sintomas:
– Dor ocular
– Fotofobia
– Lacrimejamento
– Piora ou embaçamento visual
Queimadura química - ácido
• Ao exame:
– Abrasão corneano e conjuntival
– Hiperemia conjuntival
• Tratamento
– Irrigação abundante com SF 0,9%
– Limpeza do fundo de saco
– Pomada epitelizante
– Colírio antibiótico+esteróide tópico leve(?!)
Caso 6
Paciente sexo masculino, 47 anos, dá entrada no
PS com hiperemia ocular, fotofobia, dor e lacri-
mejamento intenso em ambos os olhos. Refere
ter trabalhado o dia inteiro com solda elétrica,
mas tirou a proteção para enxergar melhor.
Qual o provável diagnóstico:
a)Conjuntivite aguda
b)Uveíte aguda
c)Queimadura por ácido
d)Queimadura por álcali
e)Queimadura fotoelétrica
Queimaduras oculares

• Queimadura fotoelétrica
– Exposição prolongada à solda elétrica
– Epitélio corneano altamente sensível
– Sintomas ocorrem poucas horas após a exposição
– Tratamento
• Lubrificação + curativo oclusivo com pomada
epitelizante (Regencel/Epitezam)
Caso 7
Paciente vítima de acidente automobilístico,
após estabilização do quadro iniciou com queixa
de diplopia que piora ao olhar para cima. Ainda
notou que olho direito “está menor” que olho
esquerdo.
Qual a provável causa dos sintomas:
a)Fratura do teto da órbita
b)Fratura da parede temporal da órbita
c)Fratura da parede medial da órbita
d)Fratura assoalha da órbita (blow-out)
Fratura orbitária
Fratura blow-out
Mento-naso-placo ou Waters
Caso 8
Criança, sexo feminino, 9 anos, vem trazida ao
PS pela mãe com edema e hiperemia palpebral
em olho esquerdo há 2 dias. Conta que já vinha
com sintomas gripais, como coriza obstrução
nasal.
Qual o diagnóstico mais provável:
a)Hordéolo
b)Calázio
c)Sinusite
d)Abscesso palpebral
e)Celulite orbitária
Celulite orbitária
• Infecção região orbitária
• + comum na infância
• Agentes etiológicos:
– Strep. pneumoniae, Staph. aureus, Strep. pyogenes e H. influenzae
• Sinais e sintomas
– Edema palpebral e periorbitário, unilateral, macio, quente e
vermelho
– Enfisema orbitário
– Proptose
– Oftalmoplegia dolorosa
– Disfunção do nervo óptico
– Rápida evolução com febre e mal-estar geral
Celulite orbitária
Celulite orbitária
• Importante diferenciar: pré septal x pós septal
– TC órbita, seios da face e crânio
– Avaliar motilidade ocular
• Diagnóstico
– Clínico
• Tratamento
– Antibioticoterapia VO ou EV (pós-septal)
– AINES
Caso 9
Paciente, sexo feminino, 35 anos, refere
episódio aguda de cefaléia holocraniana,
seguida de embaçamento visual. Ao exame
clínico foi evidenciado PA: 220 x 140 mmHg e
fundoscopia:
Qual o diagnóstico mais provável:
a)Retinoptia diabética
b)Retinopatia falciforme
c)Edema de papila unilateral
d)Emergência hipertensiva
e)Retinopatia hipertensiva
Emergência hipertensiva
• Sinais e sintomas
– Cefaléia intensa e abrupta
– Embaçamento visual repentino
– Alteração da percepção de cores
• Ao exame
– Piora da acuidade visual
– Presença de edema de papila bilateral, exusdatos
algodonosos e hemorragias retinianas
• Tratamento
– Encaminhar a um PS com urgência
– Reduzir pressão arterial
Caso 10
Paciente sexo feminino, 74 anos, refere perda
visual aguda em olho direito há 1 dia. Associa
cefaléia, dor cervical, hipersensibilidade couro
cabeludo e dor à mastigação. Nega dor ocular.
Qual o diagnóstico mais provável:
a)Neurite óptica
b)Neurorretinite óptica
c)Neuromielite óptica
d)NOIA-não arterítica
e)NOIA-arterítica
NOIA arterítica
• Associada a arterite de células gigantes
• Condição grave que pode levar a cegueira
bilateral
• Sinais e sintomas
– Cefaléia
– Sensibilidade dolorosa ao couro cabeludo
– Claudicação mandibular
– Anorexia/perda de peso/febre/mal-estar
– Oftalmológicos: perda visual súbita acentuada,
diplopia e precedida por obscurecimentos visuais
transitórios e flashes
NOIA arterítica
• Diagnóstico
– Claudicação da mandíbula
– Dor cervical
– Proteína C-reativa > 2,45 mg/dl e VHS > 47 mm/h
– Biópsia artéria temporal

• Tratamento
– Pulsoterapia:
• metilprednisolona 1g/dia – 3 dias
Caso 11
Paciente, sexo masculino, 67 anos, refere
diplopia, leve queda palpebral do olho esquerdo
e desvio do olho esquerdo “para fora” há 3 dias.
É hipertenso e diabético.
Qual o provável diagnóstico:
a)Paralisia do VI par craniano
b)Paralisia do IV par craniano
c)Oftalmopatia de graves
d)Paralisia do III para craniano
e)Miastenia gravis
Diplopia

• Visão dupla – perda da fusão binocular


• Caracterizar o sintoma:
– mono ou binocular
– vertical ou horizontal
– intermitente ou constante
• Avaliar motilidade ocular
– Paralisia III, IV ou VI par (?!)
Diplopia
• Causas principais
– Miopatias restritivas
– Miastenia gravis
– Miopatias oculares
– Paralisias dos nervos: oculomotor, troclear ou
abducente
Questões
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joaovicentemoraes@gmail.com