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Aula 3: Frequência Cardíaca e Arritmias

Paulo Henrique Vasconcelos


7º Semestre
Revisando!
O que fazer ao receber um ECG?
Existe alguma sequência a qual
devo seguir?
Felizmente, SIM!
Passos:

• 1º Passo: Calcular FC.


• 2º Passo: Analisar ritmo (4 perguntas).
• 3º Passo: Avaliar eixo do QRS.
• 4º Passo: Avaliar sobrecargas.
• 5º Passo: Analisar intervalo PR.
• 6º Passo: Analisar IAM.
• F -> Frequência.
Explicando o • R -> Ritmo.
• E -> Eixo.
• S -> Sobrecargas.
• P -> Intervalo PR.
• I -> IAM.
1º Passo: Frequência Cardíaca
Como calcular a FC a partir do ECG?
Só isso:

1500 300
ou
∎↓ ∎↑
Taquicardia e Bradicardia Sinusal

• TS: ritmo sinusal + FC > 100 bpm.


• BS: ritmo sinusal + FC < 50 bpm.

• Normais ou patológicas.
• Causas normais: exercício, atleta (bradicardia).
2º Passo: Analisar o Ritmo
O que é um ritmo de origem
sinusal?
Explicação

• Ritmo que têm origem nas células do nó sinusal.

• Como é identificado no ECG?


- Ondas P precedendo os complexos QRS.
- Onda P + em DI, DII e aVF.
Parada Sinusal...Assistolia...Batimento
de Escape...
Qual a relação entre essas 3 Arritmias
Sinusais?
Parada Sinusal
• Nó SA (marca-passo) para de estimular o coração. Se nada
ocorrer?
R Linha isoelétrica se mantém constante. E aí?
R  Morte.
• Inatividade elétrica prolongada?
R  ASSISTOLIA.
• Caso outra região assuma o papel do nó SA?
R  BATIMENTOS DE ESCAPE.
Batimento de Espace Juncional (BEJ)
• Padrão de despolarização  não é o habitual.
• Onda P:
- Pode estar ausente.
- Pode ser retrógrada. Há alteração do padrão em DII e aVR (era
+ em DII e – em aVR; passa a ser – em DII e + em aVF).
Como determinar se o batimento é um
batimento de escape juncional, e não
um simples retorno do funcionamento
do nó SA?
Possuem a mesma taxa de disparo do nó SA? Não!
• O que é um marca-passo juncional?
- Aquele localizado próximo ao nó AV
- Mecanismo de escape mais comum.

• Dois eventos podem ocorrer após um BEJ:


1º: pode “resgatar” o nó SA inadequado.
2º: pode originar uma série desses batimentos.
O que são Ritmos Ectópicos?
São ritmos que se originam de
outro lugar que não seja o nó SA.
Marca-Passos Não Sinusais
O que são Ritmos Reentrantes?
Explicação
• Distúrbio de transmissão do estímulo elétrico, onde um
mesmo impulso retorna, gerando uma sucessão de
despolarização.
• Geralmente é desencadeado por um batimento precoce
(extrassístole).
Como vou identificar todas as
arritmias?
Basta fazer quatro perguntas:
1ª: Há ondas P normais?
• Sim = origem da arritmia, em geral, nos átrios.

• Não = origem da arritmia, em geral, abaixo dos átrios (NAV ou


ventrículos).

• Onda P com eixo anormal pode refletir uma ativação


retrógrada.
2ª: QRS estreito ou largo?
• QRS < 0,12s = impulso segue “caminho” correto  origem da
arritmia  nó AV ou acima dele.

• QRS > 0,12s = origem do impulso fora do sistema de condução,


dentro dos ventrículos.
O que podemos perceber com
essas 2 primeiras perguntas?
Elas permitem definir se a arritmia é
supraventricular ou ventricular.
3ª: Qual a Relação P:QRS?
• Se toda onda P precede o QRS = ritmo provavelmente tem
origem atrial ou sinusal.

• Dissociação AV: fenômeno em que os átrios e os ventrículos se


contratem independentes um do outro.
4ª: O ritmo é Regular ou Irregular?
• Verificar se as distâncias entre os QRS são as mesmas.
Taquicardias Supraventriculares
Taquicardia Supraventricular Paroxística
(TSVP)

• É muito comum. Decorrente de fenômenos de reentrada.

• Início súbito. Ritmo regular (150-250 bpm).

• Pode ocorrer em corações saudáveis.


Existem 3 tipos de Reentrada:

TSVP por reentrada nodal (TRN) (60%)


Reentrada atrioventricular por via
acessória ou Síndrome de Wolff-Parkinson-
White (WPW) (30%)
Outros (atrial, sinusal) (10%)
TRN
• Há ativação atrial no sentido NAV  NSA.

• Pseudo-s em parede inferior (DII, DIII e aVF).

• Pseudo-r’ em V1.

• Mas, onda P pode estar enterrada no QRS.


Dica

T R’ N
Síndrome de WPW
• Há uma conexão anormal entre o átrio e o ventrículo, além do
no AV. É a chamada via acessória.
• Esse estímulo despolariza parte do ventrículo precocemente, já
que não sofre pausa.
• Alargamento da porção inicial do QRS (onda delta).
• Encurtamento do intervalo PR (VR: 0,12-0,2).
Dica

QRS “gordo”
Flutter Atrial
• Onda F  aspecto em “dente de serrote”.

• Atividade elétrica atrial organizada.

• Intervalo RR regular ou pouco variável.

• Há bloqueio AV (P:QRS  2:1, em geral).

• Frequência atrial de 240-340 bpm.


DICA

FluTTer

Ondas F + Um T atrás do outro -> atividade atrial


organizada e RR regular
Fibrilação Atrial
• Ausência de onda P  linha de base isoelétrica ou com
irregularidades finas ou grosseiras  tremor da linha de base.

• Atividade elétrica atrial desorganizada.

• Irregularidade RR  passagem irregular de estímulos pelo NAV


(protege ventrículos de frequências atriais muito ↑).
DICA

Fibrilar já diz o conceito

Tremor da linha de base.

Tremor -> algo irregular -> RR irregular.


Taquicardia Atrial Multifocal (TAM)
• Presença de 3 morfologias diferentes de onda P.

• FC entre 100-200 bpm.

• Intervalos RR podem ser variáveis.

• Comum em PTE com doença pulmonar severa.


DICA

Taquicardia Atrial Multifocal -> 3 nomes

3 morfologias de onda P
Arritmias Ventriculares
Extrassístole Ventricular
• Arritmias ventriculares mais comuns.
• QRS largo e bizarro  despolarização não segue via de condução.
• Onda P ausente.
• Em geral, seguida por pausa compensatória.
• Extrassístoles isoladas  comum em corações normais  não
requer TTO.
• Podem desencadear taquicardia ventricular e fibrilação ventricular.
Quando se preocupar com as Extrassístoles?
Fui Pro Cárdio Tratar Infarto.
• Quando Frequentes.
• Quando Polimórficas.
• Quando Consecutivas.
• Quando caem sobre onda T. Fenômeno chamado de R sobre T.
Pode desencadear uma taquicardia ventricular.
• Quando ocorre diante de um IAM.
Taquicardia Ventricular
• É uma série de 3 ou mais extrassístoles.

• Pode ser:
- Monomórfica  morfologia uniforme e frequência > 100.
- Polimórfica  morfologia variada e frequência > 100.

• Podem ser:
- TV sustentada ou não  > 30s ou não, respectivamente.
TV polimórfica tem um padrão característico:

Torsades de Pointes (TdP)


Torsades de Pointes

• QRS largo e polimórfico.

• QRS gira em torno de uma linha de base.


Fibrilação Ventricular
• Evento pré-terminal.

• Vista em adultos com quadro de morte súbita.

• Ondas bizarras e caóticas, de amplitude e frequência variáveis.

• Pode ser precedida por TdP ou por TV, que degeneram em FV.
Obrigado!

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