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Vigilância

Epidemiológica
Vigilância
 Surgiu no final do século XIX como
instrumento de saúde pública.

 Desenvolvimento da microbiologia
como alternativa à prática restritiva da
quarentena.
• Observação dos contatos de pacientes
das chamadas doenças pestilenciais.
 Seu propósito era detectar doentes já em
seus primeiros sintomas, para a rápida
instituição do isolamento.
 Em 1965, é criada a Unidade de
Vigilância Epidemiológica da Divisão
de Doenças Transmissíveis da
Organização Mundial de Saúde
(OMS).

 Sistema de informações para a


agilização das ações de controle.
“INFORMAÇÃO
PARA A AÇÃO”
 Na década de 70, do século XX, OMS e
OPAS incentivaram a criação do Sistema
de Vigilância Epidemiológica nos países
não desenvolvidos.

 Ampliação das ações para um conjunto


maior de doenças transmissíveis, visando
à redução da morbimortalidade entre
crianças e adultos jovens.
A Lei nº 6.259, de 1975, que criou o SNVE,
definiu VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA como o
conjunto de atividades que permite reunir a
informação indispensável para conhecer, em todo
momento, o comportamento ou história natural da
doença, detectar ou prever qualquer mudança que
possa ocorrer por alterações dos fatores
condicionantes, com o fim de recomendar
oportunamente, sobre bases firmes, as medidas
indicadas, eficientes, que levem à prevenção e ao
controle da doença.
O Conceito de Vigilância em Saúde dá
ênfase a monitorização e acompanhamento
dos indicadores de Saúde, à avaliação da
saúde e ao bem estar da comunidade
através das ações de seus componentes:
 Vigilância das Doenças Transmissíveis;

 Vigilância das Doenças não


Transmissíveis;

 Vigilância da Situação de Saúde;

 Vigilância da Saúde do Trabalhador;

 Vigilância Sanitária.
Artigo 8º da Lei
nº 6.259 de 1975:
“ É dever de todo cidadão comunicar a autoridade
sanitária local a ocorrência de fato comprovado ou
presumível de casos de doença transmissível,
sendo obrigatório a médicos e outros profissionais
de saúde, no exercício de sua profissão, bem
como aos responsáveis por organizações e
estabelecimentos de ensino, a notificação de
casos suspeitos ou confirmados das doenças de
notificação compulsória”.
Conceito de
Vigilância
Epidemiológica
Constitui-se em um conjunto de ações que
proporciona:

• Conhecimento.

• Detecção.

• Prevenção de qualquer mudança nos fatores


determinantes e condicionantes de saúde
individual ou coletiva.
Finalidade
Recomendar e adotar as
medidas de prevenção e
controle das doenças ou
agravos. (Lei 8080/90).
Objetivos da
Vigilância
Epidemiológica
 Estar alerta, permanentemente e de modo

responsável, para a ocorrência de

doenças e agravos no território.

 Conhecer e acompanhar o comportamento

epidemiológico de doenças e de agravos.


 Detectar, precocemente, o aparecimento das
doenças sob vigilância e realizar intervenção
oportuna.

 Recomendar as estratégias de detecção de casos.

 Realizar a investigação epidemiológica.

 Detectar epidemias.

 Controlar as cadeias de transmissão de doenças.


 Recomendar e implementar os programas de
controle de doenças.

 Avaliar as medidas de prevenção e o controle das


doenças e dos agravos sob vigilância.

 Produzir, consolidar e analisar os dados.

 Divulgar as informações.

 Dar subsídios para o Planejamento em Saúde no


SUS.
Atividades da
Vigilância
Epidemiológica
O cumprimento das funções de
vigilância epidemiológica depende da
disponibilidade de dados que sirvam
para subsidiar o processo de produção
de INFORMAÇÃO PARA AÇÃO.
A qualidade da
informação depende,
sobretudo, da
adequada coleta de
dados gerados no
local onde ocorre o
evento sanitário
(dado coletado).
É também nesse nível que os dados devem,
primariamente, ser tratados e estruturados, para
se constituírem em um poderoso instrumento – a
INFORMAÇÃO – capaz de subsidiar um processo
dinâmico de planejamento, avaliação, manutenção
e aprimoramento das ações.
INFORMAÇÃO DECISÃO

AÇÃO
Tipos de
Dados
DEMOGRÁFICOS

AMBIENTAIS

SOCIOECONÔMICOS

MORBIDADE
MORTALIDADE
Sistema de Informação de
Mortalidade (SIM)
 O Sistema de Informação Sobre Mortalidade -
SIM foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde
em 1975. O SIM é uma fonte complementar de
dados devendo ser utilizado na busca de casos
de doenças de notificação compulsória não
notificados no SINAN, assim como para
complementar informações da evolução do caso
por todos os níveis do sistema.
 O instrumento de coleta de dados de
mortalidade no Brasil é a Declaração de Óbito
(DO).
Sistema de Informação de
Mortalidade (SIM)
 É um sistema de importância para a vigilância
epidemiológica na análise do perfil de
morbimortalidade:
 Das doenças transmissíveis;
 Das não transmissíveis;
 De acidentes;
 Da vigilância do óbito infantil, materno e de
mulheres em idade fértil.
Sistema de Informações sobre
Nascidos Vivos (SINASC)
 O SINASC foi implantado em 1990, com o
objetivo de reunir informações epidemiológicas
referentes aos nascimentos informados em todo
território nacional.
 A Declaração de Nascidos Vivos (DN) é o
instrumento de coleta de dados do SINASC; é
um formulário padronizado em nível nacional,
cuja emissão é de responsabilidade do
Ministério da Saúde.
Definição de Caso
na Vigilância
Epidemiológica
O sistema de vigilância epidemiológica
trabalha diversos tipos de dados, mas sua
base tem sido a notificação de casos
suspeitos e/ou confirmados de doenças,
objetos de notificação compulsória.
A definição padronizada de caso é
um dos requisitos para a notificação e
investigação de doenças de notificação
compulsória em um sistema de
Vigilância Epidemiológica nacional.
Isto garante que casos de determinada
doença que estejam sendo investigados em
diferentes lugares e períodos, e que possam
ser classificados adequadamente,
permitindo comparações entre espaços
geográficos, conjuntos populacionais
distintos, entre outros.
 Os casos podem ser classificados como:

a) Caso suspeito - pessoa cuja história clínica e


epidemiológica, sintomas e possível exposição
a uma fonte de infecção/contaminação sugerem
estar desenvolvendo ou em vias de desenvolver
alguma doença.
b) Caso confirmado – pessoa ou
animal infectado ou doente que
apresenta características clínicas,
laboratoriais e epidemiológicas
específicas de uma doença ou agravo.
c) Caso descartado - pessoa que não
preenche os critérios de confirmação
ou para a qual é diagnosticada outra
patologia que não seja aquela que se
está apurando.
Estratégias
Utilizadas para
Detecção de
Casos
a) Vigilância passiva: Notificações voluntárias e
espontâneas que ocorrem na rotina do serviço de
saúde.

b) Vigilância ativa: Combinação de vigilância


passiva com busca ativa de casos, também
utilizada em situações alarmantes ou em
programas de erradicação e/ou controle
prioritários.
c) Vigilância sindrômica: Vigilância de um grupo
de doenças que apresentam sinais, sintomas e
fisiopatologia comuns a etiologias diversas,
permite intervenções rápidas, para evitar a
ocorrência de surtos/epidemias.

d) Fonte-sentinela: Seleção de um ou mais


estabelecimentos de saúde, onde se concentram
os esforços para a obtenção das informações
epidemiológicas desejadas.
 A Portaria MS/GM n° 2.529, de 23 de Novembro
de 2004, instituiu o Subsistema Nacional de
Vigilância Epidemiológica em Âmbito Hospitalar.
 e) Vigilância Epidemiológica em Âmbito Hospitalar

Atividade que tem como principal objetivo realizar


ações de vigilância epidemiológica das DNC, no
ambiente hospitalar, onde visam à detecção de
casos de agravos suspeitos ou confirmados de
DNC atendidos no hospital, utilizando, para isso,
normas e rotinas do sistema de vigilância
epidemiológica.
Desenvolve um conjunto de ações que
visam à detecção de casos de agravos suspeitos
ou confirmados de DNC atendidos no hospital,
utilizando, para isso, normas e rotinas do sistema
de vigilância epidemiológica. A Portaria MS/GM n°
2.529, de 23 de novembro de 2004, instituiu o
Subsistema Nacional de Vigilância Epidemiológica
em Âmbito Hospitalar.
Fontes de Dados
Utilizados pela
Vigilância
Epidemiológica
a) Dados demográficos, ambientais e
socioeconômicos: permitem quantificar e
caracterizar a população.

b) Dados de morbidade: permitem descrever os


agravos, identificar suas causas, tendências e
comportamento por meio de diversos atributos,
como: idade; gênero; profissão; entre outros.
c) Dados de mortalidade: são dados das
declarações de óbitos, permitindo o estudo das
causas de morte, da avaliação do risco de morrer
por determinadas causas e da expectativa de vida.

d) Dados de ações de controle de doenças e de


serviços de saúde: são dados obtidos na
operacionalização e execução de medidas de
controle.
e) Dados de laboratório: por serem locais de
confirmação diagnóstica.

f) Dados de uso de produtos biológicos,


farmacológicos, químicos (intoxicações
exógenas): a coleta de dados sobre o uso de
certos produtos, como medicamentos, vacinas,
soros, agrotóxicos complementam as informações
rotineiras sobre a morbidade.
Método de
Investigação
Epidemiológica
Investigação epidemiológica é
um trabalho de campo realizado a
partir de casos notificados
(suspeitos ou confirmados) e de
seus contatos.
 A investigação
deve ser iniciada,
imediatamente,
após a
notificação, pois
é um instrumento
fundamental para
conhecer a real
ocorrência de
uma doença.
Objetivos
1. Identificar a fonte e o modo de transmissão;

2. Identificar os grupos expostos a maior risco;

3. Identificar casos secundários;

4. Identificar os fatores determinantes: esclarecer


as circunstâncias que propiciaram a ocorrência,

investigar os fatores de risco e coletar informações


adicionais;
5. Confirmar o diagnóstico;

6. Determinar as principais características


epidemiológicas;

7. Recomendar e adotar medidas oportunas


de prevenção e controle.
Os dados da investigação
epidemiológica devem ser anotados na
Ficha de Investigação, que deverá ser
totalmente digitada no Sistema de
Informação de Agravos de Notificação –
SINAN.
A investigação epidemiológica
deve ser realizada para
esclarecimento de casos, de
óbitos, de surtos ou epidemias e
deve ser realizada sempre que
ocorrer:
 Eventos de relevância epidemiológica;

 Doenças de notificação compulsória;

 Surtos e epidemias;

 Doenças emergentes, de etiologia


desconhecida, não esclarecida, inusitadas;

 Óbitos de causa desconhecida.


A investigação deve ser realizada com a
busca ativa de novos casos atendidos nos
Serviços de Saúde do município, através de
levantamento de prontuários, das fichas de
atendimento e da análise dos dados clínicos e
laboratoriais. Esta atividade possibilita a
identificação de casos suspeitos de doenças de
notificação compulsória (DNC) ou de agravos de
relevância para a Saúde Pública.
Os comunicantes domiciliares estão sob
maior risco de contrair a doença, pois encontram-
se, muitas vezes, expostos aos mesmos fatores
causadores. A visita aos comunicantes deve incluir
o domicílio, a escola/ creche, a vizinhança, o
ambiente de trabalho e outros locais frequentados
pelo doente durante o período de
transmissibilidade.
A investigação visa identificar a
fonte de infecção e prevenir casos
secundários e coprimários entre os
comunicantes do paciente, adotando
medidas de prevenção e controle.
Etapas da
Investigação
Epidemiológica
 Confirmação do diagnóstico da doença;

 Busca ativa de casos;

 Definição de Caso suspeito e de Caso confirmado;

 Produção, consolidação e análise das informações;

 Recomendação e Implementação das Medidas de


Prevenção e Controle;

 Divulgação de informações;

 Avaliação.
Para Não
Esquecer
 Doença: significa uma enfermidade ou estado clínico,
independentemente de origem ou fonte, que represente
ou possa representar um dano significativo para os seres
humanos.

 Agravo: significa qualquer dano à integridade física,


mental e social dos indivíduos provocado por
circunstâncias nocivas, como acidentes, intoxicações,
abuso de drogas, e lesões auto ou heteroinfligidas.

 Evento: significa manifestação de doença ou uma


ocorrência que apresente potencial para causar doença.
Referência
Bibliográfica
KOLZUME, I. K; OLIVEIRA, M. B; MILAGRES, M. C. M. A. K. B.
Sistema De Vigilância Epidemiológica. In: CENTRO DE VIGILÂNCIA
EPIDEMIOLÓGICA PROFESSOR ALEXANDRE VRANJAC. Guia De
Vigilância Epidemiológica. São Paulo CVE 2012. P. 15 à 24.