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PSICOTERAPIAS

Faculdade Maurício de Nassau


Curso de Psicologia
Disciplina: Técnicas Psicoterápicas
Prof.ª: Luciana Melo
Introdução
 Origens: medicina antiga, religião, cura
pela fé, hipnotismo;
 Inicialmente chamada de cura pela fala;
 Final do séc. XIX: começa a ser utilizada
no tratamento de “doenças nervosas”,
sendo inicialmente restrita ao médico
psiquiatra;
 Sec. XX: passou a ser utilizada por
profissionais de diversas áreas.
Introdução
 Expansão das psicoterapias: diversos
modelos e escolas;
 Os termos utilizados permaneceram
ligados à origem médica: paciente,
diagnóstico, prognóstico, etc.
 A preocupação com a efetividade da
psicoterapia começa na década de 50:
Eysenk afirmou que os efeitos da
psicoterapia eram devidos à passagem do
tempo;
Introdução
 Projeto Menninger (1960): Comprovar a
efetividade das terapias;
 Hoje é consenso que as psicoterapias são
eficazes, mas sua eficácia depende de
diversos fatores: específicos (a técnica
utilizada) e não-específicos (contexto
interpessoal da terapia);
 Verificação da eficácia, indicações e
contraindicações está cada vez mais acurada;
Psicoterapia
 O que é psicoterapia?

“A psicoterapia é um método de tratamento mediante


o qual um profissional treinado, valendo-se de meios
psicológicos, especialmente a comunicação verbal e a
relação terapêutica, realiza, deliberadamente, uma
variedade de intervenções, com o intuito de
influenciar um cliente ou paciente, auxiliando-o a
modificar problemas de natureza emocional, cognitiva
e comportamental, já que ele o procurou com essa
finalidade” (Strupp, 1978 apud Cordioli, 2013)
Psicoterapias
 A psicoterapia é uma atividade colaborativa
entre profissional e paciente;
 As psicoterapias distinguem-se em relação
aos seus objetivos, fundamentos teóricos,
duração, frequência das sessões, treinamento
do terapeuta e condições do paciente;
 A partir daí são definidos diferentes tipos de
psicoterapia: breve, de apoio, psicodinâmica,
etc.
Psicoterapias
 Três elementos são comuns às
psicoterapias(Frank, 1973):
 Relação de confiança, emocionalmente
carregada, do paciente para com o
terapeuta;
 O paciente acredita que o profissional pode
ajudá-lo e confia no objetivo da terapia;
 Esquema conceitual que explica como o
sintoma surge e como ele pode ser
modificado.
Psicoterapias
 Critérios para que um modelo psicoterápico seja
considerado consolidado:
◦ Deve estar embasado em uma teoria abrangente que
explique a origem e manutenção dos sintomas e
como eliminá-los;
◦ Objetivos claramente especificados;
◦ Comprovação de que as mudanças são decorrentes
das técnicas utilizadas;
◦ Os resultados devem ser mantidos a longo prazo;
◦ A relação custo-efetividade deve ser favorável em
comparação com outros modelos de tratamento.
Psicanálise
 Fundamentos teóricos:
◦ O termo “psicanálise” significa dividir a mente em
seus elementos constituintes;
◦ O termo é utilizado com 3 significados diferentes:
 Conjunto de teorias psicológicas sobre o funcionamento
mental, formação da personalidade e aspectos
psicopatológicos e normais;
 Método de investigação dos conteúdos mentais;
 Método psicoterápico que se propõe a modificações no
caráter por meio de: obtenção de insight, análise dos
mecanismos de defesa e da neurose de transferência.
Psicanálise
 Origem: Freud e Breuer – tratamento de
sintomas conversivos em pacientes
histéricas;
 Hipótese explicativa para o sintomas: “o
afastamento de impulsos inaceitáveis da
consciência, por meio da repressão, era o
responsável por seu caráter patogênico, e o
fato de trazê-los à consciência fazia com que
perdessem tais características e
desaparecessem” (Cordioli, 2013, p. 23)
Psicanálise
 Freud desenvolveu formas de acessar o
conteúdo mental inconsciente:
◦ Associação livre (regra fundamental da
psicanálise);
◦ Interpretação dos sonhos;
◦ Análise da transferência.
Psicanálise
 A técnica da psicanálise:
◦ Analista tem postura neutra;
◦ Paciente é encorajado a falar livremente sobre
seus pensamentos, sentimentos, sonhos,
imagens, etc., sem prejulgar sua importância
ou significado;
◦ Ocasionalmente o terapeuta interrompe o
discurso do paciente fazendo conexões entra
fatos da vida mental do paciente
(interpretação);
Psicanálise
 A técnica da psicanálise:
◦ Faz interpretações de emoções e sentimentos
relacionados ao terapeuta (transferência);
◦ Em função da repetição e regularidade das
sessões forma-se a neurose de transferência;
◦ Princípio básico: elaboração – paciente elabora
conflitos e assume o controle sobre estes e
sobre as emoções associadas;
◦ Terapeuta tem que ser neutro (não julgar) e
abstinente (não gratifica os desejos
transferenciais do paciente);
Psicanálise
 A técnica da psicanálise:
◦ O terapeuta não revela dados sobre sua vida
pessoal ou de sua família;
◦ Sessões: duas por semana (a depender do caso –
diferente do que está no texto);
 A técnica da psicoterapia de base analítica:
◦ As associações não são tão livres como na
psicanálise;
◦ As interpretações transferenciais são menos
frequentes;
◦ Foco nas defesas;
Psicanálise
 Como ocorrem as mudanças na
psicoterapia psicodinâmica?
◦ Insight;
◦ Relação terapeutica – internalização de
aspectos do terapeuta;
◦ Elaboração;
◦ Aumento da capacidade de refletir sobre si
mesmo;
Psicanálise
 Objetivos e indicações das terapias
psicodinâmicas:
◦ Tratamento de problemas crônicos;
◦ Traços ou transtornos de personalidade que
causem problemas nos relacionamentos dos
pacientes;
◦ Atrasos em tarefas evolutivas;
◦ Objetivos: reorganização da estrutura da
personalidade, modificação de traços
desadaptativos.;
◦ Pacientes que desejem fazer mudanças profundas
na personalidade.
Psicanálise
 Pré-requisitos para o paciente:
◦ Seja capaz de se comunicar de forma honesta
com o terapeuta;
◦ Experimente conflitos internos;
◦ Capacidade de introspecção;
◦ Consiga experimentar afetos internos e
externalizar sua conduta;
◦ Possa desenvolver um bom vínculo terapêutico;
◦ Seja capaz de estabelecer metas junto com o
terapeuta;
Psicoterapias de apoio
 Fundamenta-se também na psicanálise;
 Apoio como elemento essencial;
 Objetivos:
◦ Redução ou eliminação de sintomas;
◦ Manutenção ou restabelecimento do nível de
funcionamento anterior a uma crise;
◦ Melhora a autoestima;
◦ Melhora a capacidade de lidar com estresse;
◦ Reforço das defesas adaptativas;
◦ Desenvolvimento de capacidades para lidar com
déficits relacionados à doença física.
Psicoterapias de apoio
 Fundamentação teórica:
◦ Força do ego;
◦ Mecanismo de defesa;
◦ Terapeuta como holding ou Ego auxiliar;
◦ Identificação introjetiva;
◦ Tarefas evolutivas – Erick Ericksson;
◦ Teoria das crises de Caplan;
◦ Também utiliza conceitos da teoria cognitivo-
comportamental e da aprendizagem;
Psicoterapias de apoio
◦ Estratégia: mapear as áreas de dificuldade dos
pacientes e melhorá-las (ao invés de tentar
descobrir suas causas);
◦ Ajudar o paciente a fortalecer as defesas
adaptativas;
◦ Foco no pensamento consciente e não no
inconsciente;
◦ Novas aprendizagens;
Psicoterapias de apoio
 Técnica:
◦ Julgamento criterioso por parte do terapeuta, das
vulnerabilidades e potencialidades dos pacientes;
◦ Terapeuta: postura ativa, responde questões,
fazem aconselhamentos, sugestões, educa o
paciente;
◦ Estilo conversacional, focado nos problemas;
◦ A transferência é raramente interpretada;
◦ Não é utilizada a livre associação;
◦ Foco no aqui e agora;
◦ Frequência das sessões é variável.
Psicoterapias de apoio
 Indicações da terapia de apoio de longo prazo:
◦ Déficits crônicos de ego;
◦ Teste de realidade comprometido (psicoses,
transtorno bipolar);
◦ Controle de impulsos deficiente (borderline,
transtornos orgânicos, TDAH);
◦ Relações interpessoais pobres;
◦ Dificuldade em experimentar e controlar afetos;
◦ Dificuldades para sublimar;
◦ Pouca capacidade de introspecção (retardo mental);
◦ Pouca capacidade de verbalizar sentimentos e
pensamentos;
◦ Problemas físicos crônicos e incapacitantes;
Psicoterapias de apoio
 Indicação para psicoterapia breve de
apoio:
◦ Pacientes sem transtorno mental, bem
adaptados, bom suporte social e boas
relações interpessoais;
◦ Predomínio de defesas mais maduras e
flexíveis, teste de realidade preservado;
◦ Situações de crise, traumas, etc.
Terapia interpessoal
 Terapia interpessoal ou TIP, desenvolvida
na década de 70 para tratamento da
depressão;
 Fundamentos teóricos:
◦ Os transtornos psiquiátricos, mesmo que
multideterminados, sempre surgem em um
determinado contexto social e interpessoal;
Terapia interpessoal
 Técnica:
◦ Objetivo: alívio de sintomas;
◦ Aborda problemas interpessoais que podem
estar na origem dos sintomas;
◦ Enfoque no presente;
◦ Foco:
 Perdas complicadas;
 Transições e papéis ou mudanças de vida;
 Conflitos interpessoais;
 Déficits interpessoais (isolamento, falta de apoio
social).
Terapia interpessoal
 Técnica:
◦ Avaliação: levantamento dos sintomas e diagnóstico;
◦ Problemas interpessoais que podem ter relação com
os sintomas;
◦ Explica-se o enfoque e os procedimentos da
psicoterapia;
◦ Contrato psicoterápico;
◦ Consolidação de ganhos, estimulação da
independência, riscos e recaídas;
◦ TIP é uma psicoterapia breve e focal, 12 a 20 sessões.
◦ Eficácia comprovada em quadros de depressão, não
indicada para depressão psicótica;
Terapia comportamental
 Fundamentos teóricos:
◦ Condicionamento clássico,
◦ Condicionamento operante,
◦ Aprendizagem social
◦ Habituação – reações de ansiedade e
desconforto diminuem com o passar do tempo;
◦ Exposição como principal estratégia;
◦ Extinção e habituação como responsáveis pelo
desaparecimento dos sintomas;
◦ Tendência atual é integrar a terapia cognitiva e a
comportamental (terapia cognitivo-
comportamental);
Terapia comportamental
 Técnica:
◦ Exposição ou prática programada;
◦ Prevenção de respostas:abster-se de realizar rituais;
◦ Modelação: demonstração de um comportamento
desejável;
◦ Reforço positivo: dar atenção, elogiar
◦ Reforço negativo: remoção de algo desagradável de
modo a reforçar o comportamento desejável.
◦ Extinção: Remoção de reforços positivos para o
enfraquecimento da resposta;
◦ Terapia aversiva: pareamento de um estímulo aversivo
leva ao desaparecimento do comportamento;
Terapia cognitiva
 Aaron T. Beck, verificou que os sintomas
depressivos melhoravam a partir da
correção de crenças negativas que os
pacientes tinham sobre si mesmos;
 Foco na atividade mental consciente ou
pré-consciente: pensamentos automáticos,
crenças, julgamentos e suas consequências
– comportamentos e emoções;
Terapia cognitiva
 Teoria:
◦ A maneira como as pessoas interpretam as
experiências determinam como elas se
sentem e se comportam;
◦ Processamento patológico de informações:
crenças disfuncionais e distorções cognitivas
típicas (ex. magnificação e minimização,
personalização, pensamento dicotômico ou
absolutista, pensamento catastrófico);
◦ Esquemas disfuncionais;
Terapia cognitiva
 Técnica:
◦ Geralmente é uma psicoterapia breve (10 a
20 sessões) mas pode ser estendida por mais
tempo;
◦ Terapeuta auxilia o paciente a usar seus
próprios recursos para identificar os erros de
lógica, crenças e comportamentos
disfuncionais e corrigi-los;
◦ No inicio da terapia o paciente é treinado
para identificar e registrar seus próprios
pensamentos;
Terapia cognitiva
 Técnica:
◦ As sessões são estruturadas:
 Revisão do humor no início da sessão;
 Ponte para a sessão anterior;
 Agenda;
 Revisão dos temas para casa;
 Pequeno resumo das sessões;
 Tarefas para casa;
Terapia familiar e de casal
 Fundamentos teóricos:
◦ Evolução lenta de pacientes tratados
individualmente;
◦ Efeitos da terapia neutralizados por outros
membros da família;
◦ Família como foco da intervenção – estrutura
e processos familiares;
◦ Teoria geral dos sistemas – família como
sistema parcialmente aberto;
◦ Sessões semanais;
Psicoterapia de grupo
 Utiliza fatores grupais para a psicoterapia:
◦ Instilação de esperança;
◦ Universalidade do problema;
◦ Compartilhamento de informações;
◦ Altruísmo;
◦ Socialização;
◦ Comportamento imitativo;
◦ Catarse;
◦ Recapitulação corretiva;
◦ Fatores existenciais;
◦ Coesão grupal;
◦ Aprendizagem interpessoal.
Psicoterapia de grupo
 Técnica:
◦ Varia de acordo com o setting;
◦ Podem ser usadas diversas abordagens;
Referência