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Introdução à Estruturas

de Aeronaves
PEE - Embraer

por:
Carlos Alberto Cimini Jr.
Paulo Henriques Iscold Andrade de Oliveira
Centro de Estudos Aeronáuticos da UFMG
Sumário

Conteúdo

 Introdução
 Histórico
 Forma das estruturas
 Materiais
 Processos de fabricação
 Detalhes estruturais
 Funções estruturais
Introdução

Função da Estrutura de uma Aeronave

Acomodar a carga útil da aeronave (tripulação, passageiros,


bagagem, armamentos, etc), suportando o seu peso e o
carregamento decorrente operação da aeronave (vôo),
oferecendo o máximo de segurança à carga viva, durante a
operação normal e, na medida do possível, durante as
situações de emergência e acidente.
Introdução

Função do Engenheiro de Estruturas

Entender a distribuição dos esforços na estrutura da aeronave,


sendo capaz de dimensionar a mesma, propor soluções mais
simples e mais leves, sempre que possível.
Introdução

Exemplo

F
Introdução

Exemplo

M F M F

F M F

My F
M  Fx  
I A
maximizar IeA
Histórico

1900 - Contraventamento com Cabos de Aço

Cabos de aço contraventando pórticos que formavam os


componentes da aeronave (asas, fuselagem, empenagens).

Biplanos: idéia de serem mais leves e robustos, menor alongamento


( pássaros).

Principal material - madeira (bambum)


Histórico

14bis -1906
Histórico

Flyer - 1903
Histórico

Sopwith Camel -1917


Histórico

Elementos Estruturais

Longarinas - Vigas principais da asa - absorção de cargas de


cisalhamento e de flexão.

Longerons - Vigas principais da fuselagem - absorção de cargas de


cisalhamento e de flexão.

Cavernas - Pórticos transversais da fuselagem - dar forma à


fuselagem e manter a distância entre os longerons

Nervuras - Estruturas transversais da asa - dar forma à asa


Histórico

1930 - Fim da Era dos Biplanos e da Madeira

Construção similar ao passado, apesar do aumento do uso de


metais.

Dificuldade de colagem diminui o uso da madeira.

O uso de monoplano teve-se de ser aceito pelo fato de proporcionar


melhor desempenho.
Histórico

Hawker Fury - 1931


Histórico

Hawker Hurricane - 1935


Histórico

Hawker Hurricane - 1935


Histórico

1930 - Estruturas Semi-Monocoque

Revestimento (em madeira e posteriormente em metal) ao invés do


contraventamento com cabos de aço.

Necessidade de espaço interno na fuselagem para acomodação de


cargas.

Migração de tecnologia da industria náutica.


Histórico

1930 - Estruturas Semi-Monocoque

COQUE palavra frrancesa que significa “casca de ovo”

MONO significa “em uma peça “ ou “integral”

A estrutura interna (cavernas e tensores) caracterizam uma estrutura


semi-monocoque
Histórico

Douglas DC2/3 1933


Histórico

Elementos Estruturais

Revestimento - Cobertura dos componentes capaz de resistir a


esforços de compressão e tração - absorver esforços de torção
(substituir o contraventamento).

Reforçadores - enrijecedores do revestimento.

Nervuras - nova função: servir de septo para o revestimento,


aumentando a sua rigidez.
Histórico

1950-60 - Consolidação do Atual Tipo de Estrutura

Troca definitiva de madeira por metais.

Consolidação dos elementos estruturais e suas funções.


Histórico

British Aerospace HS 748 - 1955


Histórico

Boeing 747 - 1970


Histórico

British Aerospace HS 125


Histórico

Até hoje

Sanduíches

Materiais compostos

Colagens

Fail-Safe

Damage-Tolerance
Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Cisalhamento - cargas tangentes à seção

Tração - cargas normais à seção

Compressão - cargas normais à seção


Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Cisalhamento
Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Tração
Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Compressão
Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Torção - momento que provoca cisalhamento no plano normal

Flexão - momento que provoca tração/compressão no plano normal


Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Torção
Forma das Estruturas

Tipos Básicos de Carregamento

Flexão
Forma das Estruturas

Tensão e Deformação

Deformação - variação percentual na dimensão de uma peça devido


a atuação de uma força.

Tensão - unidade de medida de uma força que leva em


consideração a quantidade de material disponível para absorver tal
força.
Forma das Estruturas

Tensão e Deformação

Comprimento (l)
Carga (P)
Alongamento (e)
Área transversal (A)

Deformação e=e/l adimensional

Tensão s=P/A unidade de pressão


Forma das Estruturas

Tensão e Deformação

Módulo de Elasticidade - relação tensão/deformação

mesmo material materiais diferentes


Forma das Estruturas

Tensão e Deformação

Lei de Hooke - relação tensão deformação é linear, e o Módulo de


Elasticidade é a constante de proporcionalidade.

Só é valida para deformações elásticas

Pode ser diferente para tração e compressão

No caso de cisalhamento chama-se Módulo de Cisalhamento


Forma das Estruturas

Tensão e Deformação

Curvas Tensão x Deformação

P - limite de proporcionalidade S - deformação permanente


Y - ponto de escoamento
Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

Viga em flexão (diagrama de corpo livre)

Obviamente existe tração na face inferior e compressão na face superior


Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

Entretanto, existe também cisalhamento na viga.


Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

Considerando a seguinte viga:


Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

É de se esperar sua alma falhe da seguinte forma:


Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

Esta falha ocorre porque o cisalhamento da viga foi ignorado.


Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

Necessita-se uma ligação da extremidade da alma com as mesas


Forma das Estruturas

Detalhes de Flexão

Outras considerações a serem feitas:

Resistência dos rebites (cisalhamento)


Flambagem da alma

Resistência após flambagem


Forma das Estruturas

Detalhes de Torção

Torção em uma barra:

Distorção (deformação) no centro da barra é nula - tensão é nula -


Contribui pouco para a resistência na barra.
Forma das Estruturas

Detalhes de Torção

 Torção em tubos - sem material no interior


 Flambagem excessiva no caso sem enrijecedores
 Uso de enrijecedores
Forma das Estruturas

Detalhes de Torção

Combinação de enrijecedores longitudinais e diametrais - estrutura


de aeronaves.

Comportamento semelhante ao de vigas.


Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Comportamento de uma caixa a esforços de flexão em dois planos e


torção - parte de uma asa.

Engastamento com a fuselagem em ABCD


Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Princípio da superposição - análise dos efeitos de cada


carregamento separadamente (funciona para casos lineares).

Cada carga produz uma deflexão na estrutura e, se as cargas forem


aplicadas em conjunto, a deflexão resultante será a soma das
deflexões anteriores.

Idem para deformações e tensões


Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Necessidade de uma chapa PQRS para transmitir as cargas V e H


para o resto da estrutura (nervuras, cavernas)

Almas PADS e QBCR para resistir ao cisalhamento devido a V e


Almas PABQ e SDCR para resistir ao cisalhamento devido a H.

Necessidade tensores para resistir às cargas de compressão e


tração devido às flexões - auxiliam também na ligação entre as
almas.
Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma


Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Espessura da chapa pode ser constante pois o cisalhamento devido


a V ou H é constante.

Dimensão dos tensores deve ser modificada ao longo do


comprimento pois o momento de flexão é crescente.
Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Considerando o torque T - necessidade de diminuir o tamanho das


almas para evitar a flambagem - uso de enrijecedores e outras
nervuras (cavernas).
Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Deve-se considerar que o torque em vigas com seção retangular irá


distorcer as nervuras para fora de seu plano.
Forma das Estruturas

Porque as Aeronaves São Construídas Desta Forma

Contribuições de cada carregamento para os esforços em cada


componente.

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