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MADEIRA – INTRODUÇÃO

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO II

Prof.: Rafael Araújo Guillou


e-mail: rafael.guillou@ifalpalmeira.edu.br
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
• A madeira é um dos materiais de utilização mais antiga nas
construções, no oriente ou ocidente.

• Com a revolução industrial a Inglaterra, como grande


potência, impõe a arquitetura em metal.

• Com a invenção do concreto armado os engenheiros


concentraram esforços no estudo do novo material,
desprezando a utilização da madeira.
INTRODUÇÃO
• O uso da madeira como constituinte principal da estrutura de
edificações, não é a principal aplicação como o concreto e o metal, mas
tem sido usada em diversas etapas das construções desde de fundações
até acabamentos.

• A madeira é empregada na construção civil, de forma temporária, na


instalação do canteiro de obras, nos andaimes, nos escoramentos e nas
fôrmas.

• De forma definitiva, é utilizada nas esquadrias, nas estruturas de


cobertura, nos forros e nos pisos.

• No Brasil, a madeira serrada ainda é o principal dos produtos de


madeira empregados na construção civil, enquanto que em países
desenvolvidos os painéis poliméricos têm participação mais significativa.
INTRODUÇÃO
Vantagens do uso da madeira:
• Alta resistência mecânica (tração e compressão);
• Baixa massa específica;
• Boa elasticidade;
• Baixa condutibilidade térmica;
• Isolante elétrico e acústico;
• Baixo custo;
• Encontra-se em grande abundância;
• Facilmente cortada;
• Material natural de fácil obtenção, renovável e reutilizável;
• Grande diversidade de tipos;
INTRODUÇÃO

Desvantagens do uso da madeira:


• Higroscopiscidade (absorve e devolve umidade);
• Combustibilidade;
• Deterioração;
• Retratilidade (alteração dimensional, de acordo com a
umidade e a temperatura);
• Anisotropia (estrutura fibrosa, propriedade direcional);
• Limitação dimensional (tamanhos padronizados);
• Heterogeneidade na estrutura.
INTRODUÇÃO

Rendimento Industrial:
ORIGEM DA MADEIRA
ORIGEM DA MADEIRA
• Apenas vegetais superiores:
• Árvores e arbustos lenhosos;
• Todo vegetal completo com raízes, caule, folhas, flores e sementes;
• Chamados também de Fenerógamas.
• Todas as características da madeira a ser utilizada depende de
sua origem;
• As fenerógamas se classificam, de acordo com sua geminação e
crescimento, em:
• Endógenas;
• Exógenas.
ORIGEM DA MADEIRA
• Endógenas:
• Germinação interna: Crescimento transversal do caule ocorre de fora
para dentro;
• A parte externa do lenho é mais antiga e mais endurecida;
• Geralmente caules ocos: Ex.: palmeiras e bambus;
• Pouco aproveitada na indústria da construção.
ORIGEM DA MADEIRA
• Exógenas:
• Germinação externa: Crescimento transversal do caule ocorre de fora
para dentro;
• Crescimento de novas camadas concêntricas: Anéis de crescimento;
• A parte interna do lenho é mais antiga e mais endurecida;
• Estão nesse grupo, as árvores mais utilizadas na indústria da construção.
• Se diferenciam morfológica e anatomicamente em dois grandes grupos:
• Gimnospermas ou angiospermas.
ORIGEM DA MADEIRA
• Gimnosperma:
• Gimno = nu ; sperma = semente => Semente nua;
• Não produzem frutos;
• Subdivide-se em: Cicadácias, Ginkgo, Gnetófitas e Coníferas;
• Apenas as coníferas produzem madeira para a construção.
• Coníferas:
• Clima frio => Muito comum no hemisfério norte;
• Geralmente são árvores em forma de cone e folhas no formato de agulhas;
• Chamadas de “Softwood” (Classificação americana);
• Chamadas de Resinosas (Quanto à sua microestrutura);
• Correspondem a 35% das espécies conhecidas;
• 400 espécies industrialmente úteis;
• Conífera nativa do Brasil: Pinho do Paraná (Araucaria Angustifolia).
ORIGEM DA MADEIRA
ORIGEM DA MADEIRA
• Angiosperma:
• Gimno = vaso ; sperma = semente => Semente em um recipiente;
• Produzem frutos;
• Subdivide-se em:
• Monocotiledôneas: Ex.: milho, trigo, etc...
• Dicotiledôneas: Ex.: Manga, laranja, etc...
OBS.: Cotilédone = Tecido de reserva que se encontra dentro da semente,
para a nutrição da planta no início da germinação.
• Apenas as Dicotiledôneas produzem madeira para a construção.;
• Nem toda Dicotiledônea produz madeira pra construção. Apenas as
Folhosas.
ORIGEM DA MADEIRA
• Dicotiledôneas Folhosas:
• Chamada de “hardwood” (classificação americana);
• No Brasil, chamadas de “Madeira de Lei”;
• Abrangem 65 % das espécies conhecidas:
• 50% em clima tropical;
• 15% em clima temperado.
• 1500 espécies industrialmente úteis.

Ex.: Cedro (Cedrela Fissilis)


FISIOLOGIA DAS ÁRVORES
FISIOLOGIA DAS ÁRVORES
• Compõem uma árvore: Raiz, Caule e Copa;
• Raiz:
• Ancora a árvore no solo;
• Absorve a seiva bruta (água com sais minerais dissolvidos).
• Caule ou Tronco:
• Sustenta a copa com sua galharia;
• Conduz a seiva bruta – Da raiz à até as folhas;
• Conduz a seiva elaborada – Das folhas até o lenho em crescimento.
• Copa: Ramos + Folhas + Flores + Frutos
• Nem todas tem frutos;
• Nas folhas é que ocorre a transformação da seiva bruta em seiva elaborada.
• A madeira utilizada na construção é a do tronco.
FISIOLOGIA DAS ÁRVORES
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
• No tronco de árvores conífera/resinosa ou
dicotiledônea/folhosa, é possível encontrar as mesmas
características numa visão a nível macro;
• A seção transversal de um tronco pode ser divido em: Casca,
Câmbio, Lenho e Medula.
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
• Casca:
• Subdivide-se em duas: Interna ou Externa;
• Casca Externa (Cortiça):
• Formada de tecido morto;
• Protege os tecidos mais novos do lenho da perda de seiva e dos agentes
de destruição.
• Casca Interna (Líber):
• Formada de tecido vivo, mole e úmido.
• Conduz a seiva elaborada.
• Não é utilizada como material de construção.
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
• Câmbio:
• Camada muito fina de tecidos vivos com células em permanente
transformação – Tecido Meristemático;
• Os açucares contidos na seiva elaborada se armazenam nas células em
forma de amido e estes são transformados em celulose e lignina;
• Essa transformação ocorre no câmbio e é responsável pelo surgimento
de novas camadas concêntricas e periféricas: ANÉIS ANUAIS DE
CRESCIMENTO.
• Não é utilizado como material de construção.
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
• Lenho:
• É a parte do tronco utilizada como material de construção;
• Tem a função principal de sustentar a árvore;
• Subdivide-se em duas partes visualmente distintas: Alburno e Cerne.
• Alburno:
• Tem uma coloração mais clara. É mais mole e úmido;
• Parte mais externa do lenho (mais nova);
• Conduz a seiva bruta por ascensão capilar;
• Cerne:
• Mais escuro, duro e seco;
• Mais denso, compacto, resistente (mecânica) e durável.
• A diferença entre o alburno e o cerne é o que torna as peças de
madeira tão heterogêneas, mesmo advindas do mesmo tronco.
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
• Os anéis de crescimento mais novos (alburno) se transformam
em Cerne;
• Com o tempo, mais lignina, resinas, taninos e corantes se
impregnam nas células, tornando suas paredes mais espessas;
• Essas substâncias são transportadas transversalmente pelos
RAIOS MEDULARES.
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
ANÉIS ANUAIS DE CRESCIMENTO:
• Pouco distintos em climas de essência tropical de rápido
crescimento;
• Bem distintos e apertados em espécies oriundas de clima
temperado/frio;
• Um anel é constituído a cada ano;
• E em cada anel podem se destacar duas camadas: lenho inicial
e lenho tardio;
• Lenho inicial:
• Células largas e paredes finas. Formado na primavera e verão.
• Lenho Tardio:
• Células estreitas de paredes grossas. Formadas verão e outono.
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
• Devido à estrutura de crescimento em anéis, a madeira
apresenta o comportamento anisotrópico;
• Sendo assim, as propriedade físicas e mecânicas das madeiras
devem ser analisadas de acordo com os seguintes eixos:
• Longitudinal ou Axial: Na direção das fibras, longitudinal ao caule;
• Radial: Na direção transversal radial dos anéis de crescimento;
• Tangencial: Na direção transversal tangencial dos anéis de crescimento;
FISIOLOGIA DO TRONCO:
MACROESTRUTURA
ESTRUTURA FIBROSA DO LENHO:
MICROESTRUTURA
ESTRUTURA FIBROSA DO
LENHO: MICROESTRUTURA
• Em termos macroscópicos, as características das
conífera/resinosas e dicotiledôneas/folhosas são semelhantes;
• Em termos microscópicos são bastante diferentes;
• Coníferas/Resinosas:
• Possuem Traquídeos: Tubos longos que desempenham a dupla função
de condução de seiva e suporte mecânico;
• Dicotiledôneas Folhosas:
• Possuem fibras para suporte mecânico;
• Possuem vaso lenhosos para condução da seiva.
• Os raios medulares das folhosas são mais desenvolvidos que
nas resinosas.
ESTRUTURA FIBROSA DO
LENHO: MICROESTRUTURA
• Coníferas/Resinosas:

Raio Medular Traquídeos


ESTRUTURA FIBROSA DO
LENHO: MICROESTRUTURA
• Dicotiledôneas Folhosas:

Raio Medular
Vasos Lenhosos Fibras
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Depende muito do processo de fabricação e cada empresa e do
uso final da madeira extraída, mas o procedimento genérico é
dividido nas seguintes etapas:
• Planejamento da extração;
• Corte/Abate;
• Toragem;
• Falquejamento;
• Desdobro;
• Aparelhamento da peças;
• Beneficiamento.
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Planejamento da extração:
• Legalização e Licenciamento;
• Documento de Origem Florestal (DOF) – Acompanha a madeira desde
da extração da árvore até o destino final;
• Extração sustentável – Divisão de lotes anuais, seleção das árvores
viáveis economicamente, delimitação de APP’s.
• Dimensionamento de equipes;
• Definição de canteiro.

• Video 1
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Corte/Abate:
• Épocas do ano apropriada: Inverno
• Secam mais lentamente => Menor probabilidade de fendilhamento;
• Menor chance de pragas;
• Depende da legislação do país vigente;
• Depende também do transporte de escoamento – Ex.: Se for fluvial, quando o rio
tiver cheio.

• Video 2
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Toragem:
• Desgalhamento;
• Traçada em toras de 5 a 6 metros (Depende da necessidade);
• Comum serem descascadas nessa etapa: Diminui a possibilidade de
fungos e parasitas.
• Falquejamento:
• São retiradas quatro costaneiras, restando uma seção retangular
grosseira.
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Desdobro:
• Serragem do tronco em pranchões;
• Aproveitamento máximo da seção transversal;
• Desdobro normal: Mais fácil e barato;
• Desdobro Radial: Melhor qualidade da peça;

• Video 3
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Aparelhamento:
• Transformação dos pranchões em bitolas padrão.
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Aparelhamento:
• Transformação dos pranchões em bitolas padrão.
PRODUÇÃO DAS MADEIRAS
• Beneficiamento:
• Eliminação ou diminuição das principais desvantagens da madeira:
Higroscopia e Retratilidade;
• Secagem, Aplanamento e Processos de preservação.

• Video 4

• Secagem:
• Pode ser secagem ao ar livre ou artificial;
• Em ambos os casos, a melhor forma é empilhando as tábuas com espaçadores
para o ar passar por todas as faces;
• Ao ar livre pode demorar de 1 a 3 anos;
• Artificialmente, aplicando ar-quente, é possível acelerar esse processo para 10
à 30 dias.
MADEIRA – INTRODUÇÃO

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO II

Prof.: Rafael Araújo Guillou


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