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CULTURA DE MASSA E PERSPECTIVA

CULTUROLÓGICA EM EDGAR MORIN

TEORIA DA COMUNICAÇÃO II-


PROFESSORA: JÚLIA PESSÔA
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Funcionalistas e críticos defendiam a


inevitabilidade do poder dos meios de
comunicação sobre a audiência.

• Portanto, analisavam o fenômeno da


comunicação na perspectiva do

“antes” e do “depois” da exposição à


comunicação, como forma de destacar
os efeitos desta.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Para Edgar Morin, o tema da


cultura é muito mais complexo
e a cultura de massa é muito
mais ampla do que aquela
imposta pela mídia.

• Valores e instituições culturais


importantes na vida das
pessoas não são totalmente
obscurecidos pela atuação
da mídia.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Edgar Morin considera


a cultura de massa
como sistema de
símbolos, valores, mitos
e imagens relacionados
tanto à vida cotidiana
como ao imaginário
coletivo.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• No começo do século XX o poder


industrial estendeu-se por todo o globo
terrestre. Este avanço vai dar origem a
uma segunda industrialização: a que se
processa nas imagens e nos sonhos, a
industrialização do espírito.

• A segunda colonização não se processa


em sentido horizontal (conquista de
territórios), mas vertical – penetrando a
alma humana.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A Indústria Cultural põe em movimento uma Terceira


Cultura, oriunda da imprensa, do cinema, do rádio, da
televisão, que surge, desenvolve- se, projeta-se, ao lado
das culturas ditas clássicas

• A cultura se constitui como um corpo complexo de


normas, símbolos, mitos e imagens penetram o indivíduo
em sua intimidade, estruturam os instintos, orientam as
emoções.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A cultura de massa também é uma cultura, constituída


de símbolos, mitos e imagens concernentes à vida
prática e à vida imaginária, um sistema de projeções e
de identificações específicas.

• Ela se soma à cultura nacional, à cultura humanista, à


cultura religiosa, e entra em concorrência com essas
culturas.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A cultura midiática não encontra a sociedade destituída de


referências culturais. Antes, depara-se com outros fatores
transcendentais presentes na cultura: religião, folclore,
tradições, um repertório cultural
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A mídia participa da construção da cultura, mas


não tem poder absoluto e tampouco é
inevitável. Não é a única forma de cultura das
sociedades contemporâneas.

• Se bem que ela conquiste [cultura de massa] seu


campo de ação corroendo ou reprimindo as
outras culturas, a cultura de massa não pode
fazer submergir ou desagregar a Religião ou o
Estado.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• As sociedades modernas são policulturais. Focos


culturais de naturezas diferentes encontram-se em
atividade afrontando-se ou conjugando suas morais,
seus mitos, seus modelos.

• A cultura de massa integra e se integra ao mesmo


tempo, numa realidade policultural. Faz-se conter,
controlar, censurar (pela estado, pela igreja) e,
simultaneamente, tende a corroer e desagregar as
outras culturas.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Ela [cultura de massa] não é autônoma: pode, ao contrário,


embebedar-se de outras formas culturais, e ao mesmo tempo,
misturar-se a elas

• Embora não seja a única expressão cultural do século XX,


constitui-se como a única corrente culturalverdadeiramente
maciça e nova deste século. Nascida nos EUA, se aclimatou à
Europa e se espalhou por todo o globo.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Trata-se de uma cultura cosmopolita e planetária.


Constitui-se como a primeira cultura verdadeiramente
universal da história da humanidade.

• A intelectualidade à direita a considera divertimento


de hilotas, barbarismo plebeu. Já a crítica marxista a
considera como ópio do povo e mistificação
deliberada.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Ambas correntes concordam na crítica à cultura de


massa classificando-a como produto cultural
intelectualmente pobre, de baixa qualidade estética,
sem originalidade (kitsch).
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A Indústria Cultural tem controle da cultura de massa tanto nos


regimes autoritários como nos democráticos. No primeiro caso, a
produção e a distribuição são controladas pelo estado; no segundo
caso, grandes grupos empresariais de mídia controlam a produção e
a distribuição dos conteúdos.

• Em ambos os casos, atende aos interesses das classes dirigentes – no


primeiro caso, legitimando o exercício do poder; no segundo, gerando
lucro.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Para se viabilizar, a Indústria Cultural precisa superar


constantemente uma contradição fundamental: por um
lado, sua produção se opera por meio da padronização
dos conteúdos, em estruturas empresariais burocráticas;
por outro precisa sempre oferecer produtos
caracterizados pela inventividade e pela individualidade.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

- Os chamados olimpianos modernos são as verdadeiras


vedetes da mídia. São pessoas como artistas de TV, web
celebridades, atletas, cantores, modelos… ou seja,
aqueles que estão sujeitos a ser o centro da atenção e
inspiração para muitas pessoas.

- A imprensa ao mesmo tempo em que investe na ideia de


que os olimpianos modernos são pessoas inalcançáveis
exaltando eventos comuns em suas vidas como gravidez,
namoro e roupas, também mostra o lado “normal” de suas
vidas particulares, criando o conceito de pessoas exaltadas
pela sociedade, ditas com ideais inimitáveis e modelos
imitáveis.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

“A imprensa de
massa , ao mesmo
tempo que investe
os olimpianos de
um papel
mitológico ,
mergulha em suas
vidas provadas a
fim de extrair delas
a substância
humana que
permite a
identificação.”
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A solução para o dilema padronização/inventividade;


inalcançável/comum está na estrutura do imaginário: o uso de
arquétipos que ordenam os sonhos. A Indústria Cultural padroniza temas
míticos e romanescos. Regras, convenções, gêneros artísticos impõem
estruturas exteriores à obra, enquanto situações-tipo e personagens-tipo
fornecem as estruturas internas das obras. A Indústria reduz arquétipos a
estereótipos.

• A condição é que os produtos resultantes da cadeia de produção sejam


e/ou pareçam individualizados.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Para alcançar a
padronização, a
cultura de massas
adota arquétipos
(modelos), com os
quais constrói
estereótipos (padrões
pré- concebidos).
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN
• ESTEREÓTIPOS: lugar-
comum, sem
originalidade, padrão.
O conteúdo
homogêneo é o lugar-
comum onde as classes
sociais se encontram.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A busca por um público universal impõe a constante


busca pelo denominador comum na produção
cultural. A variedade no seio de um jornal, um filme, um
programa de rádio ou de TV, visa satisfazer todos os
interesses e gostos, de modo a obter o máximo de
consumo.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN
• Contudo, essa variedade é uma variedade
homogeneizada, obtida segundo normas comuns.
Sincretismo é a palavra mais apta para traduzir a
tendência a homogeneizar sob um denominador
comum a diversidade dos conteúdos.

• O cinema sincretiza num mesmo filme temas múltiplos


que atendem ao máximo possível de consumidores: num
filme de aventura haverá amor e comicidade; num filme
de amor haverá aventura e comicidade; num filme
cômico haverá amor e aventura.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A cultura de massa é animada por esse duplo


movimento – do imaginário simulando o real e do real
pegando as cores do imaginário.

• Essa dupla contaminação do real e do imaginário, esse


supremo e prodigioso sincretismo, se inscreve na busca
do máximo de consumo e dão à cultura de massa um
de seus caracteres fundamentais.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A homogeneização da produção leva à homogeneização


do consumo, entre outros aspectos atenuando as barreiras
entre as idades.

• Conteúdos infantis da cultura de massa levam crianças


precocemente a temas para consumo de adultos;
conteúdos adultos são apresentados numa simplificação
que os toma (os espectadores) como crianças.
https://www.buzzfeed.com/br/victornascimento/homens-revoltados-netflix-she-
ra-sexualizada
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Essa homogeneização das idades tende a se fixar


numa fase predominante: a idade juvenil. A
temática da juventude é um dos elementos
fundamentais da nova cultura.

• Do ponto de vista das classes sociais, pode-se afirmar


que as mass midia também contribuem para a
padronização dos gostos e dos interesses,
democratizando o consumo dos produtos da Indústria
Cultural entre todos os nivelamentos sociais.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• A cultura de massa pode ser considerada uma imensa


ética e estética do lazer. Esta não faz outra coisa se
não mobilizar o lazer através dos espetáculos, das
competições da televisão e do rádio, da leitura de
jornais e revistas.

• O lazer não é apenas o pano de fundo no qual


entram os conteúdos essenciais da vida e no qual a
aspiração à felicidade se torna exigência. Ela é
[cultura de massa], dessa forma, uma ética cultural.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN
• As técnicas da cultura midiática
criam uma espécie de espectador
puro, destacado fisicamente do
espetáculo, reduzido ao estado
passivo e voyeur. Tudo está diante de
seus olhos, mas ele não pode tocar
e nem aderir corporalmente àquilo
que contempla. Em compensação,
seus olhos estão em toda parte, do
camarote das celebridades às
sondas exploratórias espaciais.
PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA
DE EDGAR MORIN

• Assim, participamos de mundos ao alcance da mão,


mas fora do alcance da mão. O espetáculo moderno
é a maior presença e a maior ausência.

“O Louvre é um espetáculo que remete a outros espetáculos dos quais seu brilho por
sua vez se alimenta. É através dos espetáculos que se espalham os conteúdos
imaginários. A partir do modo estético, constrói-se a relação de consumo imaginário.
O visitante do Louvre chega em busca de uma emoção devidamente preparada por
uma coorte de imagens e narrativas que já traz consigo e que realimenta, modifica,
amplifica no decorrer da sua visita, e essa emoção é de ordem estética na sua
relação com o local, antes mesmo da sua relação com as obras. A relação estética
reinveste os mesmos processos psicológicos que operam na magia ou na religião,
em que o imaginário é percebido como tão real, ou até mais real, que o real.”
PERSPECTIVA
CULTUROLÓGICA DE
EDGAR MORIN

 Bibliografia recomendada

 MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo.


Vol. 1. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011.
 SANTOS, J. L. O que é cultura. São Paulo, Col. Primeiros Passos,
16ª edição, Ed. Brasiliense, 1996
 WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa, Ed. Presença, 1999