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Módulo: Inventário

Curso: Técnico/a de Distribuição EFA

1
Noção de Inventário

Consiste numa relação (lista) dos elementos patrimoniais com a indicação do


seu valor.

No inventário devemos considerar três fases:

a) Identificação, em que se verifica quais os elementos patrimoniais existentes;

b) Descrição e classificação, em que os elementos serão apresentados e


repartidos pelas classes a que dizem respeito (por ex: cadeira giratória em
tecido verde com braços, marca, modelo, número de série, dimensão, ano de
fabricação, capacidade e estado de conservação (ótimo, bom ou mau).

c) Valorização, acto de atribuição de um valor a cada elemento patrimonial.

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Classificação de Inventários

Os inventários podem ser:

 Gerais – quando abarca todos os elementos que constituem um dado património


(faz-se uma descrição completa da empresa);

 Parciais – quando abrange apenas alguns dos elementos patrimoniais;

 Simples – os elementos aparecem dispostos sem obedecer a qualquer ordem;

 Classificados – os elementos aparecem agrupados, segundo a sua natureza,


característica ou função.

 Ordinários – são efetuados periodicamente, ou seja, são regulares e previsíveis;

 Extraordinários – apenas são elaborados em consequência de condições


excecionais, ou seja, são imprevisíveis, (exemplo: saída de
um sócio, venda do capital a terceiros).

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Objetivo do Inventário

Saber o que existe na empresa e onde está armazenado, controlando assim


eventuais extravios e garantindo a sua disponibilização em caso de
necessidade imediata.

Ou seja:

assegurar o registo e controlo de todos os movimentos de stocks.

Neste caso, o inventário transforma-se numa ferramenta indispensável para

controlar as perdas e os custos, mas também para otimizar os processos de

acondicionamento, manuseamento, armazenamento dos produtos,

garantindo o mínimo de desperdício possível.

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Importância do inventário

 Conhecer as existências, em quantidade e em valor, responde a várias


necessidades da empresa, (contabilidade, gerir a tesouraria e gerir os
reaprovisionamentos).

 Conhecer o preço unitário dos artigos para os poder integrar no cálculo


dos preços de custo dos produtos finais ou em curso.

 Verificar a qualidade do estado dos stocks (diferença entre stock real e

registo informático do stock), é necessário efetuar inventários e

eventualmente atualizar a registo informático.

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Quais as consequências de não fazer um inventário?

A falta de controlo de um inventário significa que a empresa não tem

capacidade para saber se tem de comprar ou encomendar mais

produtos aos seus fornecedores.

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Necessidade de existência de inventários:

 Evitar stocks excessivos;

 Evitar quebras de stock;

 Evitar a existência de monos;

 Proteção contra as incertezas (procura aleatória, imprevistos);

 Reduzir custos de armazenagem;

 Cobrir antecipadamente flutuações da procura ou do fornecimento

(sazonais);

 Cobrir necessidades de trânsito dos produtos;

 Controlo rigoroso das entradas e saídas.

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Tipos de Inventários

 Permanente
 Intermitente

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Inventário permanente

O sistema de Inventário Permanente consiste na identificação dos bens


quanto à sua natureza, quantidade, custos unitários e globais, de forma a
permitir uma verificação, a qualquer momento, da correspondência entre as
contagens físicas e os respetivos registos contabilísticos.

No SIP é possível determinar permanentemente o valor dos stocks em


armazém e apurar em qualquer momento os resultados obtidos nas vendas
ou na produção.

Resultado Bruto das Vendas = Vendas Líquidas – Custo das Mercadorias


Vendidas e Matérias Consumidas

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Inventário Permanente – Novas normas a partir de janeiro de 2016

Na sequência das alterações introduzidas pelo Decreto-Lei 98/2015 de


02-06-2015, a partir de 1 de janeiro de 2016, foi alargado o universo de
empresas obrigadas a inventário permanente.

Estas alterações traduzem-se no seguinte:

 Obrigatoriedade de praticarem uma gestão efetiva e continua das suas


existências;

 Efetuarem o registo do respetivo custo das mercadorias;

 Registarem os movimentos de entradas e saídas, tendo estes que estar


integrados com os fluxos de compras, vendas, produção e consumos.

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Inventário Permanente – Novas normas a partir de janeiro de 2016

Que empresas estão obrigadas a ter o Inventário Permanente?

Esta alteração aplica-se a empresas que ultrapassem 2 dos 3


critérios seguintes:

 350.000€ de balanço

 700.000€ de vendas liquidas

 10 empregados

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Quais as empresas que não são abrangidas pelo novo sistema?

As empresas classificadas como Microentidades ficam dispensadas desta


obrigatoriedade bem como as entidades que prossigam as atividades de:

• Agricultura, produção animal, apicultura e caça;

• Silvicultura e exploração florestal;

• Indústria piscatória e aquicultura;

• Pontos de venda a retalho que, no seu conjunto não apresentem, no período


de um exercício, vendas superiores a 300.000€ nem a 10% das vendas
globais da respetiva entidade.

• Prestação de serviços, considerando-se como tais as que apresentem, no


período de um exercício, um custo das mercadorias vendidas e das matérias
consumidas que não exceda 300.000€ nem 20% dos respetivos custos
operacionais.

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Artigo 9.º - Decreto-Lei nº 98/2015 de 02-06-2015 - Categorias de entidades

1 – Consideram-se microentidades aquelas que, à data do balanço, não


ultrapassem dois dos três limites seguintes:

• Total do balanço: 350.000€;


• Volume de negócios líquido: 700.000€;
• Número médio de empregados durante o período: 10

2 – Consideram-se pequenas entidades aquelas que, à data do balanço,


não ultrapassem dois dos três limites seguintes:

• Total do balanço: 4.000.000€;


• Volume de negócios líquido: 8.000.000€;
• Número médio de empregados durante o período: 50.

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Artigo 9.º - Decreto-Lei nº 98/2015 de 02-06-2015 - Categorias de entidades

3 – Consideram-se médias entidades aquelas que, à data do balanço, não


ultrapassem dois dos três limites seguintes:

• Total do balanço: 20.000.000€;


• Volume de negócios líquido: 40.000.000€;
• Número médio de empregados durante o período: 250

4 – Grandes entidades são as entidades que, à data do balanço, ultrapassem


dois dos três limites referidos no número anterior.

5 – Para efeitos do presente decreto-lei 98/2015, as entidades de interesse


público são consideradas grandes entidades, independentemente do
respetivo volume de negócios líquido, do total do balanço ou do número
médio de empregados do período.

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Inventário Permanente – Novas normas a partir de janeiro de 2016

Quais os termos de contabilização do Inventário Permanente?

Os termos de contabilização dos inventários são os seguintes:

 Proceder às contagens físicas dos inventários com referência ao final do


período, ou, ao longo do período, de forma rotativa, de modo a que cada
bem seja contado, pelo menos, uma vez em cada período.

 Identificar os bens quanto à sua natureza, quantidade e custos unitários


e globais, por forma a permitir a verificação, a todo o momento, da
correspondência entre as contagens físicas e os respetivos registos
contabilísticos.

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Inventário intermitente

O sistema de inventário intermitente não permite que as empresas


conheçam, momento a momento, tanto o valor dos inventários em armazém,
como o custo das existências vendidas e consumidas e ainda o resultado
obtido no final de cada período (mensal, trimestral ou semestral).

Esta informação só é conhecida no final do período quando, após a contagem


física dos bens, se apurar o montante do seu inventário.

É um sistema que, embora de fácil aplicação, não permite tanto uma gestão
eficaz, como a aplicação de medidas atempadas para combater faltas de
controlo sobre as existências, já que a informação sobre os resultados da
empresa depende sempre de uma contagem física.

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NOTA

 Conforme o art.º 86 do CIVA, “salvo prova em contrário, presumem-se


adquiridos os bens que se encontrem em qualquer dos locais em que o
sujeito passivo exerce a sua atividade e presumem-se transmitidos os bens
adquiridos, importados ou produzidos que se não encontrem em qualquer
desses locais”.

 Assim sendo, a não existência da mercadoria em stock pode conduzir à


presunção de que o produto foi vendido de forma não documentada, pelo
que esta ausência deve ser controlada e registada pela empresa, com
respetivos documentos de quebras e regularização de existências no
sistema (ex. certidão de furto comunicada à Polícia Judiciária).

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NOTA

 “não existe obrigação legal de proceder a qualquer prévia diligência


ou participação junto dos serviços da administração fiscal. Crê-se,

no entanto, que os sujeitos passivos terão vantagem em ter na sua

posse elementos justificativos das faltas nas suas existências dos

bens destruídos ou inutilizados, como forma mais segura de elidir a

presunção no citado artigo 86”.

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Objetivos e periodicidade do inventário

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Objetivos

a) Nível de quebras

b) Métodos de abastecimento

c) Nível de stocks de cada referência

d) Politica de diminuição do nível de quebra

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a) Nível de quebra

Quebra Desconhecida

Definição

Consiste na parte dos lucros esperados que, de acordo com o nível de stocks nos
inventários, não chegam a ser realizados.

A quebra desconhecida é a diferença entre o stock teórico e o stock real, ou


seja, a diferença entre o que deveríamos ter de acordo com a nossa atividade
empresarial e o que realmente temos.

As três causas:

• Furto externo – pessoas alheias à empresa.

• Furto interno – empregados da própria empresa ou pessoas com atividades


ligadas à empresa.

• Erros de gestão – resultado de falhas de gestão não intencionadas, como por


exemplo registo de vendas com preços errados.

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Quebra Desconhecida

Seja fruto de roubo externo, interno ou de erros de gestão, a perda


desconhecida na cadeia de abastecimento tem forte impacto nas finanças
das empresas.

Identificar as fontes de risco e as causas da quebra é a tábua de salvação


das empresas e constitui informação imprescindível para pôr em marcha
um plano de ataque à principal dor de cabeça dos operadores.

O que deve ser feito?

Calcular a quebra desconhecida

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Calcular a quebra desconhecida

São recomendadas três regras:

1. Conhecer a quebra: Reunir informação

2. Boas práticas (medidas corretoras )

3. Conhecer os fatores de risco

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Calcular a quebra desconhecida

1. Conhecer a quebra: Reunir informação

Para reduzir e combater o impacto da Quebra Desconhecida na nossa empresa, o


que se deve fazer?

calcular a diferença de inventário.

A diferença de inventário = inventário teórico - inventário real ou físico

Ou seja,

A diferença entre o que deveríamos ter de acordo com a nossa atividade empresarial
e o que realmente temos.

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1. Conhecer a quebra: Reunir informação

Após o cálculo da diferença de inventário, o que fazer?

a) Olhar para os resultados, analisando:

1º a percentagem do custo das quebras relativamente ao número de


vendas, valorizando as quebras de produtos a preços de custo médio.

2º a percentagem de unidades que faltam no total das unidades


vendidas.

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Conhecer o nível de quebra serve para

b) Rever os procedimentos, de modo a evitar:

 Enganos nos movimentos a serem considerados pelo cálculo do inventário


teórico como, por exemplo, não inclusão de vendas realizadas durante a
inventariação e os cálculos.

Para isso, deve-se estabelecer um momento preciso para fechar a inventariação


e proceder ao cálculo.

 Analisar informação incorreta ou incompleta, especialmente, duplicação de


vendas, envios incorretos de transações, confusão de códigos, notas de
entrega de armazém, faturas relativas a entrega nas lojas, devoluções de
produtos, alterações e regularizações de preço (especialmente nas promoções
e saldos).

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Conhecer o nível de quebra serve para

c) Tomar decisões a vários níveis:

 Revisão ou implementação de novos procedimentos internos (logística,


segurança, encomendas);

 Adoção de medidas de segurança pontuais sobre determinados


produtos, áreas da loja, pessoas, circuito;

 Alterações sobre a exposição dos produtos, concebendo formas mais


seguras de o fazer, nomeadamente, alterando a sua localização,
embalagem e disposição;

 Corrigir eventuais desvios entre o inventário teórico e a atividade real.

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2. Boas práticas (medidas corretoras)

 Deve ser minucioso na gestão da informação e tentar, através da diferença


de inventário, observar quais os produtos que mais desaparecem e com
que frequência.

 Deve estar atento e, assim, talvez consiga mesmo identificar os períodos


do dia, da semana, do mês e do ano em que o risco aumenta.

Verá que vai ter uma visão precisa sobre:

• O que atrai mais os larápios;

• Se a disposição dos produtos na loja é correta em função da


segurança;

• A rotação do produto;

• O seu grau de perecibilidade.

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2. Boas práticas (medidas corretoras)

Na realização do inventário, devem participar os departamentos de


controlo de gestão, exploração de loja, logística e segurança.

São aconselháveis ações de formação com os colaboradores envolvidos


na realização do inventário físico, para:

 Estabelecer melhores práticas, como, por exemplo, a realização de


uma contagem prévia sobre a localização dos produtos, sobretudo os
arrumados em diferentes locais.

 Uniformizar e normalizar a metodologia da contagem e a


documentação de apoio a utilizar, como sejam formulários e tabelas.

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3. Conhecer os fatores de risco

Agora que já se conhece o valor da quebra que a empresa sofreu, como


determinar a sua origem (furto externo, interno e erros)?

A única forma é reunir informação das ocorrências e tirar conclusões que


permitam ponderar o peso de cada uma das três causas.

As informações mais úteis são:

• Tentativas de furto detetadas;

• As provas que demonstrem furto: etiquetas eletrónicas encontradas na


loja e etiquetas de preço violadas;

• Discrepância detetada nas encomendas;

• Erros de fixação de preços.

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b) Métodos de abastecimento

Deve-se fazer prevenção e controlar os erros na cadeia de abastecimento.

Recomenda-se de seguida um conjunto de melhores práticas e ferramentas


cuja aplicação contribui para melhorar a eficiência do fluxo de mercadoria e
de informação na cadeia de abastecimento:

1) Preparação de encomendas, manipulação, carga, transporte, descarga


e receção da mercadoria.

32
b) Métodos de abastecimento

2) (Intercâmbio Eletrónico de Dados) EDI: através de mensagens de


linguagem standard EANCOM para EDI, as empresas podem, de uma
forma standard e integrada e automaticamente nos sistemas das
empresas:

• Comunicar com antecedência o conteúdo exato dos envios.

• Confirmar a receção da mercadoria e informar de possíveis


ocorrências no processo de receção.

• Informar sobre a situação concreta das encomendas.

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b) Métodos de abastecimento

3. Codificação EAN.UCC 128: É um sistema de identificação criado para


ambientes não retalhistas (armazém), para ligar o fluxo físico de
mercadorias ao fluxo de informação e facilitar a integração dos fluxos de
informação entre as empresas. A codificação EAN.UCC 128, entre outras
questões, permite:

 Automatizar a gestão dos armazéns (Ex: A leitura do código permite


colocar a mercadoria no armazém em função da data de validade do
produto, informação incluída no código EAN.UCC 128).

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b) Métodos de abastecimento

 Agilizar os processos de receção de mercadoria. Com a leitura do


SSCC (Código Seriado de Unidade de Envio ou Número de Matrícula)
que possui a etiqueta EAN. UCC 128, é possível relacionar o
conteúdo do envio com o aviso de expedição que se fez previamente
com a mensagem DESADV da linguagem EANCOM do EDI.

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Em suma:

Estas ferramentas aliadas às melhores práticas permitem reduzir as


ocorrências e controlar os pontos de risco que constituem uma fonte de
erros na cadeia logística:

 Agilizam e aumentam a qualidade da informação para os fluxos


administrativos e operacionais.

 Reduzem ocorrências nas entregas e no processo de faturação.

 Aumentam os níveis de informação e localização dos produtos.

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c) Nível de stocks de cada referência

O que é recomendado ?

Calcular a diferença de inventário com uma frequência proporcional ao


risco que cada secção ou produto tenha em termos de furto ou erro.

Para estabelecer esta frequência recomenda-se ter em consideração o


seguinte:

 A atratividade dos produtos sentida pelos ladrões.

 A situação na loja. Os produtos localizados em pontos críticos da loja


têm mais possibilidades de serem furtados.

 A rotação do produto.

 O seu grau de perecibilidade.

37
c) Nível de stocks de cada referência

Nos produtos de risco de quebra elevado recomenda-se aumentar o


nível de precisão dos inventários.

Nesse sentido, aconselha-se:

 Contar fisicamente duas vezes os produtos.

 Fazer comprovações aleatórias da integridade dos produtos (Ex:


verificar se nas unidades de venda estão todos os componentes).

38
d) Politica de diminuição do nível de quebra

O que a empresa deve fazer para diminuir o nível de quebra dos seus
produtos?

1º - Fazer inventários físicos e teóricos e calcular a diferença de inventário,


uma vez que:

 Conhecer o problema é o primeiro passo para o solucionar.

 Com esta informação serão tomadas melhores medidas de prevenção


e controlo.

 Constitui uma forma de consciencializar e envolver os trabalhadores


da empresa na prevenção de Quebras Desconhecidas.

39
d) Politica de diminuição do nível de quebra

2º - Fazer ações de formação e de acompanhamento das pessoas envolvidas


na realização do inventário físico.

Qual é o objetivo destas ações de formação ?

 Estabelecer melhores práticas como por exemplo, realizar uma análise


prévia da contagem sobre a localização dos produtos, especialmente os
que estão situados em mais do que um local diferente.

 Unificar e normalizar aspetos como:

• A metodologia da contagem. (ex: de cima para baixo e da esquerda


para a direita). Assim conseguiremos evitar erros e acelerar o processo.

• A documentação de apoio a utilizar (formulários, tabelas).

40
d) Politica de diminuição do nível de quebra

Divergência entre inventários – O que fazer?

1- Se surgirem diferenças significativas no último inventário calculadas e


a evolução dos dados não seja muito consistente, recomenda-se:

 Rever a metodologia de cálculo.

 Aumentar a frequência de cálculo.

2 - Caso não se disponha de sistemas de informação que o permitam,


recomenda-se fazer o inventário físico com a atividade da empresa
parada (vendas, receção de mercadoria).

41
Considerações prévias sobre a quebra desconhecida

1. O cálculo da diferença de inventário dá-nos o montante das quebras que


a empresa sofreu, mas em nenhum caso consegue determinar que parte
dessa Quebra se deve a Furto externo, Furto interno e a Erros.

2. Para obter uma aproximação deste dado a única forma é reunir


informação das ocorrências que acontecem na empresa e, a partir dela,
tirar conclusões que nos permitam ponderar o peso das três causas.

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Considerações prévias sobre a quebra desconhecida

 Para determinar o peso dos três fatores determinantes da Quebra Desconhecida,


recomenda-se:

Que seja reunida informação e que se faça um registo dos factos que sejam a
causa da Quebra Desconhecida ou das provas que demonstrem que um destes
factos aconteceu.

Quais são as informações mais úteis para determinar o peso das três causas?

• As tentativas de furto que foram detetadas (produto, secção).

• As provas que demonstrem que aconteceu um furto: etiquetas eletrónicas


encontradas na loja, etiquetas de preço arrancadas.

• Discrepância detetada nas encomendas.

• Erros de fixação de preços.

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Considerações prévias sobre a quebra desconhecida

 Esta informação irá dar uma aproximação de como aconteceram os

factos relativos ao furto externo, ao furto interno e aos erros e,

consequentemente, uma aproximação relativamente ao peso que

tiveram cada uma destas três causas no conjunto do montante da

Quebra Desconhecida.

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Periodicidade do Inventário

 Periódicos

 Pontuais

 Sistemáticos

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Periódicos

 Inventário Físico Permanente

Este sistema consiste em contar diariamente, no fim de cada dia de trabalho,


apenas os artigos que tenham tido movimento durante esse dia.

Assim, se houver qualquer erro, terá apenas que se verificar esse dia,
simplificando-se a tarefa de correção.

 Inventário Físico Rotativo

Processa-se da seguinte forma:

• Dividem-se os artigos, de acordo com o número de movimentos, nas


categorias A, B e C;

• Os artigos A são contados de forma cíclica e uma vez em cada trimestre,


enquanto os B são contados semestralmente e os C anualmente;

• No início de cada dia de trabalho são controlados os movimentos dos


artigos entrados e saídos, no dia anterior.

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Pontuais

 Inventário Físico Intermitente

Consiste no encerramento periódico do armazém, durante alguns


dias, a fim de fazer um balanço (contagem) dos diferentes artigos.

É geralmente efetuado uma vez por ano, no final do exercício


contabilístico.

Engloba todos os artigos da empresa, gerando uma elevada carga de


trabalho que pode perturbar a sua atividade.

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Sistemáticos

 Inventário programado

Este inventário permite:

a) Conhecer os stocks teóricos de materiais durante os próximos η períodos de

controlo;

b) Conhecer as entradas programadas (provenientes das encomendas

emitidas), e as previsões de saída, isto é, saber em que data se processa

qual movimento.

É neste pormenor que difere o inventário comum de materiais do inventário


programado.

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3. Processo de inventário

49
3. Processo de inventário

 Calendarizarão do inventário

 Os passos da gestão de inventário

50
 Calendarização do inventário

A contagem cíclica ajuda a manter níveis altos de exatidão de inventário e


é uma das melhores formas de identificar problemas. Além disso, pode
eliminar a necessidade da realização de inventários físicos, que costumam
ser mais caros.

No que respeita à execução, existem dois métodos para efetuar uma


contagem cíclica (contagem cíclica é uma metodologia de inventários
rotativos):

1) Calendário de Contagem
2) Contagem de Balanço Residual

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1) Calendário de Contagem

• Um dado número de recontagens é efetuado todos os dias, por vezes


durante mudanças de turno ou em alturas em que é possível
assegurar que não existem transações de inventário.

• As discrepâncias são corrigidas e registadas para análise.

• São mantidos registos das recontagens para assegurar que todos os


artigos são contados na frequência planeada.

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2) Contagem de Balanço Residual

Método no qual a recontagem é efetuada no momento em que o


funcionário visita a localização do artigo para fazer o picking ou a
sua reposição.

Pode ser programada para situações em que seja fácil a sua


contagem.

 As discrepâncias são corrigidas e registadas para análise.

 São mantidos registos das recontagens para assegurar que


todos os artigos são contados na frequência planeada.

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 Os passos da gestão de inventário

Uma gestão positiva e equilibrada do inventário é indispensável ao bom


funcionamento das empresas.

a) Plano de operações

b) Plano de necessidades materiais

c) A escolha dos fornecedores

d) Escolha da qualidade dos materiais

e) Avaliação dos fatores-chave para a política de existências

f) Criar um stock de segurança

g) Gerir o stock consoante o seu valor financeiro

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a) Plano de operações

Trata-se de um documento onde é reunida toda a informação, detalhada


e rigorosamente tratada, relativa a qualquer operação ou tarefa.

Inclui:

• A descrição da tarefa ou da operação;

• O número de pessoas nela envolvidas diretamente;

• O tempo exigível para a sua execução;

• Os materiais utilizados;

• O equipamento e maquinaria necessários;

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b) Plano de necessidades materiais

Avaliará todos os recursos materiais necessários à produção, incluindo


as matérias-primas e todos os outros componentes relacionados com a
elaboração dos produtos.

Integra a estrutura do produto e a política de existências.

 É também necessário avaliar os custos de aquisição, a qualidade, as


condições de armazenagem, a adequação e a disponibilidade de todos
os produtos e materiais de substituição ou alternativos.

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Estrutura do produto - a avaliação dos materiais deve ser feito tendo em conta:

 As características do produto do ponto de vista físico e químico;

 As condições de funcionamento;

 As dimensões requeridas;

 As tolerâncias máximas admitidas na produção;

 A embalagem e o modo de expedição;

 As condições de receção dos materiais;

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Política de existências - define o nível de stocks a adotar e depende de fatores internos e
externos como:

• Os prazos de entrega acordados com os clientes;

• A propensão ao risco: é importante evitar situações de rutura de stock


perante clientes insatisfeitos;

• As relações com os fornecedores: a necessidade de um stock elevado


pode ser diminuído se a empresa tiver com os fornecedores uma
relação caracterizada pela comunicação, cooperação e proximidade.

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c) A escolha dos fornecedores

 Este passo é fundamental pelo que deve ser antecedido de uma avaliação do
mercado dos fornecedores dos materiais, tendo em conta alguns critérios,
como a competência técnica, o preço e os prazos de entrega.

 No seguimento da identificação destes elementos, a empresa deve entrar em


contacto com os fornecedores para obter informação específica sobre a
estrutura e funcionamento das respetivas empresas. A seleção deve atender a
uma lista de critérios, concretamente estabelecidos por ordem de prioridade.

 É importante que a empresa estabeleça uma relação de parceria com o


fornecedor. Por outro lado, é importante que a empresa tenha mais
fornecedores. Só assim verá garantida a sua independência e capacidade de
gestão.

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d) Escolha da qualidade dos materiais

Neste âmbito, a aquisição de matérias-primas é uma medida que


deve ser privilegiada mesmo quando a empresa se encontra em fase
de lançamento.

Se se revelar necessário, deve-se atrasar os processos de vendas


para permitir o fabrico de um produto com maior qualidade.

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e) Avaliação dos fatores-chave para a política de existências

A política de existências deve procurar evitar duas situações:

1) A existência de um volume de stocks demasiado baixo, que


coloca a empresa em risco de não poder fornecer os seus
clientes;

2) O excesso de stock, que reflete uma imobilização de capital


difícil de gerir financeiramente.

Neste contexto, a empresa deve ter em conta a duração do ciclo de


produto, as previsões de vendas e os prazos de entrega.

61
f) Criar um stock de segurança:

Tem como objetivo minimizar as consequências de um aumento


inesperado da procura ou de um atraso ocasional dos fornecedores, o
que obriga a um aumento do prazo de entrega.

Algumas razões para a existência de stocks:

A empresa necessita de produtos em armazém para os poder


transacionar e concretizar os seus objetivos económicos e financeiros;

Os stocks previnem as empresas em relação às flutuações da procura ou


face a situações imprevisíveis no fornecimento das matérias-primas;

Para certas empresas industriais é necessária a constituição e gestão de


diversos stocks intermédios de matérias-primas e produtos, de forma a
evitar uma eventual rutura do processo produtivo;

A criação de stocks surge como forma de aproveitar flutuações futuras


da procura.

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g) Gerir o stock consoante o seu valor financeiro

 Para a otimização da gestão do stock, as existências, tanto no âmbito


da compra, como do armazenamento, devem ser tratadas com graus
de importância que diferem consoante o seu valor financeiro (preço
unitário x compras anuais por parte da empresa).

 Aquelas que representam até 80% desse valor exigem um cuidado


especial; as que representam até 15% justificam alguma atenção;
finalmente aqueles que só chegam a 5% do valor financeiro, não
necessitam de tratamento.

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 Modelo de Classificação ABC

Como não é possível nem aconselhável tratar todos os artigos da mesma

forma, a análise ABC é uma ferramenta de gestão muito simples, mas com

grande eficácia na classificação correta dos stocks, criando três níveis de

prioridade distintos na gestão dos mesmos.

A classificação os stocks é feita em três grandes grupos, A, B ou C, de


acordo com a percentagem dos consumos anuais que cada grupo
representa.

A separação é feita de acordo com a seguinte metodologia:

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Modelo de Classificação ABC

Classe A - Este é o grupo de artigos com maior valor de consumo anual,


embora seja representado por um pequeno número de artigos: 15 a 20%
do total de artigos correspondem a 75 a 80% do valor do consumo anual
total.

Classe B - Este e um grupo intermédio:20 a 25% do total de artigos


representam 10 a 15% do valor do consumo anual de todos os artigos.

Classe C - Este grupo de artigos possui o menor valor de consumo anual,


embora represente um elevado número de referências: 60 a 65% do
número total de artigos correspondem a 5 a 10% do valor do consumo
anual de todos os artigos.

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Modelo de Classificação ABC

A gestão de cada grupo deve ser realizada da seguinte forma:

 Classe A - Os artigos devem ser controlados frequentemente de forma a


manter existências baixas e evitar ruturas.

 Classe B - Os artigos devem ser controlados de forma mais automatizada.

 Classe C - Os artigos devem possuir regras de decisão muito simples e


totalmente automatizadas. Os níveis de stock de segurança podem ser
elevados de forma a minimizar os inconvenientes de eventuais rupturas.

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67
 Instruções escritas para a realização das contagens físicas das existências:

Emitir instruções escritas sobre a realização das contagens físicas

 Detalhadas
 Redigidas de forma clara e acessível

Aspetos que devem constar das instruções:

1) Datas e locais de contagem – dias, horários e armazéns em que decorrerão


as contagens;

2) Existências a serem inventariadas - Contagem total ou parcial (itens a


inventariar);

3) Procedimentos pré-inventário - limpeza dos armazéns, arrumação das


existências e separação dos itens obsoletos, com pouco movimento…

68
Aspetos que devem constar das instruções (continuação)

4) Constituição das equipas de contagem

 Mínimo de duas pessoas –contador (armazém) e escrivão (secção


de contabilidade);

 Em cada local de contagem deverá estar um encarregado de


armazém e um conferente (secção de contabilidade);

 No caso de existirem auditores internos, estes devem fazer as


suas próprias Contagens.

5) Forma de realização do inventário – sequência e registo dos itens


contados.

69
Aspetos que devem constar das instruções (continuação)

6) Anotação das contagens

 As contagens devem ser anotadas em listas ou em talões (fichas);

• Talão: individualiza os diferentes produtos em talões separados.

• Ficha: relação dos diferentes produtos.

 Os documentos devem ser numerados tipográfica e


sequencialmente.

70
Aspetos que devem constar das instruções (continuação)

7) Procedimentos relativos ao «corte» de operações

Há acontecimentos que podem falsear o inventário, tais como:

a) Existências recebidas antes da data de inventário mas contabilizadas após essa


data;

b) Existências recebidas antes da data de inventário mas em trânsito e não


contabilizadas;

c) Transferências entre Secções indevidamente documentadas e controladas;

d) Vendas ocorridas antes da data do Balanço, mas cujos artigos só foram


expedidos após essa data, constando no inventário;

e) Existências expedidas após a data do Balanço, mas registadas posteriormente.

Nota: Todas as guias de entrada e saída de existências devem ser carimbadas


com a indicação: “Processado antes do inventário ou Processado depois do
inventário”

71
Aspetos que devem constar das instruções (continuação)

8) Procedimentos pós-inventário

• Comparar as quantidades contadas com os registos de quantidades e do


inventário permanente.

• A análise das diferenças deve ser realizada o mais cedo possível após o
inventário.

• As diferenças devem ser investigadas e retificadas.

9) Reunião Preparatória

• Distribuir as instruções escritas para a realização do inventário


antecipadamente a todas as pessoas envolvidas.

• Reunião alguns dias antes das contagens com todos as pessoas


envolvidas na contagem, inclusive, o auditor.

72
Controlo das contagens

73
Controlo das contagens

Procedimentos

O processo de inventário permanente divide-se na inventariação de dois tipos


de posições:

1)Posições de Preparação

2) Posições Vazias

Vejamos cada uma delas:

1) Posições de Preparação

O objetivo é inventariar todos os locais de preparação.

Como o local de preparação é uma posição onde vão parar 85% — em média
– de todas as paletes que entram no armazém, poder-se-á dizer que mais
cedo ou mais tarde quase todos os erros cometidos acabam por se refletir
nesta posição.

74
1) Posições de Preparação

Existem dois modos de fazer as coisas:

 Método clássico

 Método JIT

Modelo clássico

 Os operadores de inventário dirigem-se ao gabinete da equipa de


organização e recolhem o mapa das posições a inventariar;

 Para cada posição indicada o operador deverá verificar que esta contém o
artigo correto na quantidade e qualidade correta;

75
Modelo clássico (continuação)

 Se tal não acontecer, anota o erro e remove o artigo para uma zona de
artigos com problemas de inventário e que está devidamente marcada.

A remoção dos artigos só se justifica se ele for diferente do que deveria


estar na posição, se não deve-se fazer um acerto de inventário para
corrigir a quantidade;

 Procede para a próxima posição da lista e repete os três últimos passos;

 No final da lista, o operador deverá dirigir-se ao gabinete da equipa de


organização e entregar o mapa com os erros;

 O mapa entregue será alvo da atenção dele próprio ou de um operador


administrativo para que as diferenças sejam registadas no sistema.

76
Modelo JIT

 O operador de inventário indica ao computador via rádio-terminal que


vai começar um inventário às posições de preparação;

 O computador mostra-lhe a primeira posição e pergunta o artigo e


quantas caixas lá estão.

O operador responde – quer introduzindo o código do artigo quer lendo-


o com um leitor de código de barras – e indicando também o número de
caixas;

77
Modelo JIT (continuação)

 Em caso de erro e depois da confirmação dos valores, o computador


assume a quantidade indicada como sendo a da posição.

O operador remove a mercadoria que está mal posicionada – se for este


o caso – para a zona de artigos com problemas de inventário.

A remoção dos artigos só se justifica se ele for diferente do que


deveria estar na posição, senão deve-se fazer um acerto de inventário
para corrigir a quantidade.

78
2) Posições Vazias

O interesse deste inventário reside no facto de ser muito simples


inventariar uma posição vazia – é olhar e ver se está ou não.

Devido a esta simplicidade ele pode ser utilizado para níveis superiores
aos do chão, que são difíceis de inventariar.

Existem dois modos de fazer as coisas:

 Método clássico

 Método JIT

79
Modelo clássico

 Os operadores de inventário dirigem-se ao gabinete da equipa de


organização e recolhem o mapa das posições a inventariar;

 Para cada posição indicada o operador deverá verificar se ela está vazia ou
não. No caso de ela estar ocupada assinalará esse facto no mapa;

 Procede para a próxima posição da lista e repete o último passo;

 No final da lista, o operador deverá dirigir-se ao gabinete da equipa de


organização e entregar o mapa com os erros;

 O mapa entregue será alvo da atenção dele próprio ou de um operador


administrativo para que as diferenças sejam registadas no sistema;

 As diferenças existentes deverão ser passadas para um operador de


movimentação de paletes para que a palete mal colocada seja retirada para
a zona de artigos com problemas de inventário.

80
Modelo JIT

 O operador de inventário indica ao computador via rádio-terminal que vai


começar um inventário às posições vazias;

 O computador mostra-lhe a primeira posição e pede a chave da posição;

 O operador deverá dirigir-se para a posição e introduzir a chave correta,


confirmando se está ou não vazia;

 Caso não esteja vazia, e após a necessária confirmação, o computador


marcará a posição para que a palete seja removida e colocada na zona de
artigos com problemas de inventário – esta marcação irá fazer que seja
dada uma ordem de movimentação à máquina que esteja mais próximo
dela, logo que possível.

81
Em síntese:

 O modelo JIT funciona de uma forma muito mais natural e produtiva, em


que as ações são tomadas em tempo real.

 De novo se coloca o problema da idade da informação, no caso do


modelo clássico há que garantir que não é arrumada nenhuma palete
entre o momento de emissão do mapa e a respetiva contagem.

Esta necessidade levanta muitos problemas práticos, que impedem uma


utilização mais frequente deste método.

Isto não se passa no modelo JIT, onde a informação é em tempo real.

82
Resolução dos problemas encontrados nos Modelos anteriores

Este procedimento permite-nos resolver os problemas e inventário


encontrados e que foram devidamente isolados numa área do armazém
marcada para o efeito.

Os passos que têm de ser seguidos são:

Modelo Clássico

1. Pegar num bloco de folhas de operações manuais – acertos, transferências


e outras atividades semelhantes e selecionar um artigo dos que estão na
zona referida;

2. Se a quantidade for pequena – algumas caixas – o operador deverá


identificar o local de preparação do artigo – por consulta num terminal do
computador — e acrescentar essas caixas lá. De seguida deve fazer uma
contagem ao total de caixas e anotar o total na folha de acertos;

83
Modelo Clássico

3. Se a quantidade for uma palete inteira — ou perto disso – deverá identificar todos
os locais onde esse artigo existe e, um a um, verificar se estão ocupados:

a) Se estão, deverá arrumar a palete noutro local e anotar o facto na folha de


acertos;

b) Se não estão deverá colocar a palete no local onde falta e cujo número de caixas
é igual. Se não existir nenhum local nestas condições deverá colocar a palete em
falta num dos locais e anotar na folha de operações o acerto correspondente
para o sistema informático ficar concordante com a realidade;

c) Se ao inventariar as posições, no ponto anterior, identificar qualquer erro, ele


terá de ser resolvido pelo método apresentado nos procedimentos: Posições de
Preparação ou Posições Vazias.

84
Modelo Clássico

4. Selecionar o artigo seguinte e proceder do mesmo modo;

5. Periodicamente deverá levar o conjunto de folhas de operações para o


gabinete da equipa de organização para que as alterações físicas sejam
refletidas no sistema.

85
Modelo JIT

1. Selecionar um artigo dos que estão na zona referida;

2. Se a quantidade for pequena – algumas caixas – o operador deve identificar o local


de preparação do artigo – por consulta no rádio terminal — e acrescentar lá essas
caixas. De seguida deve fazer uma contagem ao total de caixas e atualizar de
imediato o sistema;

3. Se a quantidade for uma palete inteira — ou perto disso – deverá identificar todos os
locais onde esse artigo existe e, um a um, verificar se estão ocupados:

 Se sim, deve arrumar a palete noutro local e atualizar de imediato o sistema


(rádio terminal);

 Se não, colocar a palete no local onde falta e cujo número de caixas é igual. Se
não existir nenhum local nestas condições deverá colocar a palete em falta num
dos locais e atualizar o sistema informático para que ele fique concordante com
a realidade;

86
Modelo JIT

4. Se ao inventariar as posições, no ponto anterior, identificar qualquer


erro, ele terá de ser resolvido pelo método apresentado nos
procedimentos: Posições de Preparação ou Posições Vazias;

5. Selecionar o artigo seguinte e proceder do mesmo modo.

Este processo permite manter a atividade do armazém num nível


elevado.

87
Tratamento do inventário

1) Precisão do Inventário

2) Sistemas de Medição e Monitorização do inventário

3) Auditoria a inventário

88
1) Precisão do Inventário

As previsões, o planeamento e a tomada de decisões nos departamentos


responsáveis pelo aprovisionamento baseiam-se em informações sobre
transações de stock, registadas e comunicadas pelo armazém. A precisão
desta informação é crucial para o seu funcionamento.

A precisão do inventário prende-se com a correspondência entre os


registos da informação sobre stock e a realidade.

A falta da precisão do inventário pode ser percebida através dos


seguintes custos:

• Diminuição de património
• Uso de stocks de segurança, para garantir nível de serviço
• Sobre investimento em stock
• Roturas de Stock
• Insatisfação do cliente
• Obsolescência

89
2) Sistemas de Medição e Monitorização do inventário

Objetivo - manter níveis altos de fiabilidade da informação sobre o


Inventário com o mínimo de investimento possível.

 Os melhores sistemas monitorizam o processo e não apenas o stock.


Implicam habitualmente:

• A definição de uma equipa responsável;

• A simplificação e normalização de procedimentos;

• A garantia da integridade dos registos;

• O treino do pessoal para a disciplina na execução dos procedimentos;

• Inspeção do inventário (controle).

90
3) Auditoria a inventários

 Os objetivos do trabalho de auditoria são:

1) Verificar se o tratamento contabilístico e as medidas de controlo interno


relacionadas com os inventários são adequados e se estão, de facto, a ser
aplicados;

2) Determinar se as quantidades relativas aos inventários existem, estão


corretamente inventariadas, são propriedade da empresa e são apropriados
para a sua finalidade;

3) Determinar se os inventários:

• estão valorizadas ao custo de aquisição e/ou ao custo de produção,

• se os critérios de mensuração foram aplicados de forma consistente em


relação ao exercício anterior, estando os inventários corretamente
contabilizadas quanto à conta, montante e período.

91
Os objetivos do trabalho de auditoria (continuação)

4) Determinar se:
 o custo de aquisição e/ou de produção foi superior ao valor realizável
líquido, e se foi este último o utilizado na valorização dos inventários.

5) Verificar se:
 os inventários incluem a plenitude dos produtos na data do balanço e
se as informações foram adequadamente divulgadas.

6) O custo das mercadorias vendidas e consumidas refletido nas DF´s está


relacionado com o período sob exame.

7) Verificar se estão adequadamente divulgadas no anexo as informações


pertinentes.

92
 Procedimentos de auditoria

Observar os procedimentos seguidos na contagem e registo das quantidades.

Efetuar testes apropriados para determinar se os procedimentos estão a ser


devidamente seguidos

Comparar os resultados dos seus testes com os inventários da empresa.

Se a empresa regista as quantidades pelo SIPermanente e efetua contagens


cíclicas – observar periodicamente as contagens e fazer testes seletivos às
mesmas.

Se a empresa não possui registos adequadas e efetua as contagens no fim do


exercício – as observações e testes às contagens são nessa mesma data.

93
 Fases da auditoria ao processo de contagens físicas

FASE 1: Assistir ao planeamento da contagem:

a) Fontes de informação sobre os stocks, armazéns e pessoas

b) Estratégia a seguir na contagem física

c) Tempo e localização da contagem

a) Responsáveis e técnicos na contagem

b) Procedimentos de contagem

À medida que realizam os testes, devem comparar as contagens com os


valores inscritos nas folhas ou talões e, naquele momento e local, esclarecer as
diferenças encontradas.

Os itens a testar geralmente são os de maior valor – amostra sobre valores


estratificados ou visita aos armazéns antecipadamente.

94
FASE 2: Observação da contagem:

a) Os stocks estão devidamente arrumados?

b) Os stocks que não pertencem à empresa estão identificados?

c) Como é que os stocks são registados?

d) Como é avaliado o estado de conservação dos stocks?

e) Como são marcados/etiquetados os stocks já contados?

f) Determinação dos stocks danificados, obsoletos ou de baixa


rotatividade?

g) As instruções estão a ser seguidas?

h) Métodos de pesar, medir, são os corretos?

95
FASE 3: Encerramento da contagem

a) Certificar que todos os artigos foram contados

b) Obter a relação numérica das folhas de contagem utilizadas, não


utilizadas e inutilizadas

c) Encerrar a contagem.

96
Reconciliação de stocks

Valorimetria de existências
A valorização de entradas
A valorização de saídas
Calcular a taxa de diferença
Cálculo da Posição de inventário
Nível de inventário
Modelos de Controlo de Inventário

97
Valorimetria de existências

• Quando um fator de produção “dá entrada” em armazém traz,


associado a si um custo (que depende do preço e das condições de
compra); o mesmo acontece com os diversos produtos que entram nos
respetivos armazéns.

• Num determinado período de tempo é possível que entrem nos


respetivos armazéns diversas quantidades do mesmo produto a
diferentes custos.

Assim, coloca-se a seguinte questão:

No momento em que se efetue a primeira saída de armazém do


produto em causa, por que valor é que ele deverá sair?

98
Valorimetria de existências

Para responder a esta questão, estudaremos os três critérios


valorimétricos permitidos pelo SNC:

 Custo específico

 Custo médio ponderado

 FIFO (first in first out).

99
 Custo Específico – valorização das existências pelo custo exato das
mesmas.
Critério adequado para empresas que transacionam um número reduzido
de existências, por exemplo: empresas de diamantes.

 FIFO – (First In First Out) - de acordo com este critério, considera-se que
saem primeiro do armazém as existências que lá estão à mais tempo, isto
é, as que foram as primeiras a entrar.

 Custo Médio Ponderado: valoriza o stock de cada artigo pela média


ponderada dos custo dos artigos existentes.
Esta média é calculada após cada entrada de produtos no armazém.

CMP = Valor das existências em armazém + Valor das entradas


Quantidades existentes em armazém + Quantidades entradas

10
0
Valorimetria de existências

Conclusão:

Cada um dos critérios apresentados origina um valor diferente para o


custo associado à saída do armazém, o que quer dizer que a escolha do
critério, apesar de não ir afetar o resultado final da empresa, tem
alguma influência sobre os resultados das atividades e, em contraponto,
no valor da variação de existências do período em causa.

O valor unitário das existências em armazém após cada saída (bem


como após cada entrada) é diferente, dependendo do critério
valorimétrico adotado.

10
1
A valorização de entradas

a) Para os produtos comprados, a avaliação faz-se tendo em conta o custo de


compra ou o custo de aquisição:

O importe é o que figura na fatura de compra (sem IVA).


+ gastos externos de compra: segurança, alfândega, transporte.
+ gastos internos de armazenamento: gastos de receção, armazenagem.

b) Para os bens produzidos, a avaliação faz-se segundo o custo de produção.

Nota:
 Os custos financeiros e os custos de armazenagem e manutenção não são
tomadas em conta.
 O stock inicial em quantidade e em valor, corresponde ao stock final do
período precedente.

10
2
A valorização de saídas

 Os elementos armazenados irão saindo segundo o custo ao qual


entraram.

 Este tipo de valoração não constitui nenhum problema para bens que
sejam perfeitamente individualizados (peças únicas) ou
individualizáveis (peças idênticas, isoláveis).

 No entanto, esta técnica é de difícil aplicação nos bens fungíveis


(trigo, vinho, azeite).

10
3
Calcular a taxa de diferença

• Cálculo de stock teórico = Saídas de produtos (vendas, devoluções de


fornecedores, taras, ruturas stock) + entradas de produto (compras,
devoluções de clientes).

• Cálculo das existências físicas: stock real avaliado no momento do


inventário:

Diferença de Inventário = Stock Teórico – Stock Real.

Taxa de diferença: diferença x 100


Vendas

O resultado encontrado é uma percentagem: se for alta, a perda


desconhecida é importante.

Para contabilizar o seu stock real com objetividade e transparência, é


necessário fazer inventários físicos de qualidade.

10
4
Cálculo da Posição de inventário

Qual é o objetivo de um sistema de controlo de inventário?

determinar “quando” e “quanto” encomendar

Este objetivo deve basear-se:


 na situação de stock (stock físico disponível)
 na antecipação da procura
 nos diferentes fatores de custo

Contudo, uma ordem de encomenda não pode apenas ser assente no stock físico.

Têm de ser consideradas:

 as encomendas pendentes dos consumidores;


 as encomendas executadas, mas que ainda não foram entregues pelo fornecedor.

Assim, no controlo de inventário, a situação de stock é caracterizado pela posição de


inventário:

Posição de inventário = stock físico + encomendas executadas – encomendas


pendentes

10
5
Nível de inventário

Ao contrário da posição de inventário, os custos de armazenamento e a


rutura de stock dependem do nível de inventário:

Nível de inventário = stock físico – encomendas pendentes

Um sistema de controlo de inventário pode ser desenhado de modo a


que a posição de inventário seja monitorizada de uma forma contínua.

Assim que a posição de inventário seja suficientemente baixa, uma


encomenda é desencadeada.

10
6
Modelos de Controlo de Inventário

 Modelo de revisão continua

 Modelo de revisão periódica

10
7
Existem diversos modelos de controlo de inventário.

Cada um responde de forma diferente às questões seguintes:


 Quando encomendar?
 Quanto encomendar ?

Para decidir qual o modelo de gestão de stocks que deve ser aplicado é
necessário avaliar um ponto fundamental no comportamento da oferta e
da procura: a existência ou não de aleatoriedade”.

10
8
 Do lado da oferta, se o prazo de entrega for fixo e sempre cumprido e
se as quantidades entregues corresponderem sempre às quantidades
encomendadas, então a oferta não tem aleatoriedade associada, e por
isso, é considerada determinística (ou seja, é possível prever com
exatidão qual irá ser o comportamento da mesma).

Pelo contrário,

o fornecedor pode ter um prazo de entrega variável e não entregar


sempre as quantidades encomendadas, sendo por isso considerado
que a oferta tem um comportamento aleatório.

10
9
 Do lado da procura, se as quantidades procuradas forem
conhecidas, então pode-se afirmar que a procura é determinística;

se a procura for variável, incerta, então tem-se um cenário de


procura aleatória.

11
0
Modelo de Revisão Contínua (Modelo Q)

Neste modelo:

 A quantidade encomendada é fixa;

 O período de encomendas varia, determinando um nível de stock onde


a encomenda é posta no mercado.

Quando o stock de um determinado produto atinge determinado nível,


o ponto de encomenda [Pe ] – encomenda-se uma quantidade.

Pe = Consumo Médio x Prazo Médio de Aprovisionamento (L) + Stock de


de segurança

11
1
Modelo de Revisão Contínua (Modelo Q)

Stock de segurança = quantidade para cobrir variações do consumo e do


prazo de aprovisionamento.

 O modelo diz que:

O nível de inventário deve ser revisto variadas vezes, obrigando a um


controlo automatizado de Inputs e Outputs de stock por meio de um
programa, que regista a quantidade e ponto de encomenda, avisando e
pedindo as encomendas.

11
2
Modelo de Revisão Contínua (Modelo Q)

Conclusões:

 Verificando-se o ponto de encomenda demasiado alto, o stock


médio aumenta assim como o custo de posse.

 Sendo a quantidade alta, o tempo e o custo de posse aumenta.

 Verificando-se o ponto de encomenda demasiado baixo, o stock


médio baixa e o risco de rutura aumenta.

 Sendo a quantidade baixa, o tempo diminui, aumentando o custo de


aprovisionamento.

11
3
Modelo de Revisão Contínua (Modelo Q)

Este Modelo é adequado quando existe:

 Elevada procura.

 Elevado preço de custo dos produtos.

 Disponibilidade permanente de stock no fornecedor.

11
4
Modelo de Revisão Periódica (Modelo P)

Neste modelo:

 O período de encomendas é fixo;

 A quantidade encomendada varia, em função do disponível em stock


e do consumo previsto até que nova encomenda de artigos entre no
armazém.

Encomenda-se com uma periodicidade – P fixa- uma quantidade variável,


de forma a repor o stock a um nível máximo – nível de stock de
segurança – Consequentemente, o valor das encomendas é variável,
adaptando-se à procura existente.

11
5
Modelo de Revisão Periódica (Modelo P)

Objetivo do modelo - restituir o stock a um nível máximo.

 No momento de uma revisão verifica-se o stock existente, como as


encomendas que ainda não tenham sido entregues caso existam:

• Se o stock objetivo for fixado demasiado alto, o stock médio


aumenta, assim como o custo de posse.

• Se o stock objetivo for demasiado baixo, o stock médio diminui e


o risco de rutura do stock aumenta.

11
6
Modelo de Revisão Periódica (Modelo P)

 Quanto ao período de revisão:

• Se este for demasiado longo, as encomendas diminuem e a


quantidade encomendada deverá ser maior para satisfazer a
procura num maior intervalo de tempo. Então iremos ter um custo
de aprovisionamento reduzido e um custo de posse elevado.

• Se o período de revisão for demasiado curto, teremos um custo de


aprovisionamento elevado e um custo de posse reduzido.

11
7
Modelo de Revisão Periódica (Modelo P)

Este Modelo é adequado quando existe:

 Baixa variação da procura e do prazo de aprovisionamento.

 Baixo preço de custo dos produtos.

 Interesse em encomendar um grupo do mesmo fornecedor.

11
8