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INSTITUTO FEDERAL DE RONDÔNIA

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E INOVAÇÃO


MESTRADO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

ESCOLA UNITÁRIA
VOLTADA À FORMAÇÃO HUMANA
Discentes: Fabiana Imberti Liuth
Francirley C. Araújo
Docentes: Edilberto Fernandes Syryczyk
Xenia de C. Barbosa
Afinal quem foi
Antonio Gramsci?
▪ Viveu na Itália (1891-1937).
▪ Criou dois periódicos: Ordine Nuovo e Unità,
com um objetivo: educar a nova classe
operária criada pela indústria e pela guerra.
▪ Era integrante do Partido Comunista
Italiano.
▪ Cadernos do Cárceres.
▪ Proposta de uma Escola Única ou Unitária.
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Contextualização histórica
▪ Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
- Gramsci começou sua aprendizagem política e educativa nesse
período, e como jornalista e crítico de teatro.

▪ Regime de Mussolini (1922-1943)


- 1923, Giovanni Gentile (Ministro da Educação) reformulou o sistema
escolar italiano. Acentuou a separação ideológica entre a formação
técnica e profissional (para o trabalho).
- 1926, “Legislação Especial”: dissolvia o Parlamento italiano e todas
as organizações de oposição.

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Gramsci e a educação
▪ Nova “cultura profissional”: Vínculo entre a organização do
trabalho e a organização da cultura.

▪ Um ensino único para todos, fundamentada no trabalho


moderno (industrial) como princípio educativo, seguida de
escolas profissionais de ensino superior, teóricas e práticas.

▪ O protagonismo dos estudantes possibilitaria o


desenvolvimento da autodisciplina intelectual e da autonomia
moral necessária a uma formação humana integrada.

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Gramsci e a escola
▪ Carreira escolar (currículo escolar) tem como propósito o
desenvolvimento intelectual-moral dos alunos, em seus vários
níveis e de acordo com a idade.

▪ A escola tem que possibilitar aos filhos das classes trabalhadoras


superarem as enormes dificuldades que têm em se apropriar do
conhecimento historicamente acumulado pela sociedade.

▪ A escola unitária deve estabelecer uma luta entre a velha


concepção do mundo, fragmentada e acrítica do senso comum e a
nova concepção do mundo, unitária e dirigente.
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Para Gramsci (2006, p.39) o aluno
somente após ter se apropriado do
legado de conhecimentos
produzidos pelo conjunto da
humanidade e de adquirir “uma
consciência moral e social sólida e
homogênea” passaria então o
indivíduo ao processo de trabalho
ou às escolas técnicas.
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Capacidade de
criação intelectual e
Formação prática Estado assuma a
humanista despesa

ESCOLA Escola pública, sem


Formação UNITÁRIA: divisões de grupos
omnilateral ou castas
O QUE É?
Primeiras noções
Crítica e criativa do Estado e da
Escola-colégio, sociedade
corpo docente
aumentado
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Escola Unitária
▪ O estudo de forma desinteressada, buscando a formação geral da
personalidade, não devendo ter finalidades práticas imediatas.

▪ Escola única inicial de cultura geral, humanista e formativa; e


posteriormente a uma escola especializada.

▪ Uma escola de liberdade e de livre iniciativa, não uma escola de


escravidão e de orientação mecânica. A união do desenvolvimento
manual e intelectual.

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Escola Unitária
Os alunos tem que se apropriar de
CONTEÚDO todos os conhecimentos historicamente
produzido.

Criadora, autodisciplina intelectual e


MÉTODO
autonomia moral (ilimitadas)

Laico; Pública, custeada pelo Estado;


ORGANIZAÇÃO Vários recursos; Integral: ensino e
tempo.
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Gramsci tem como objetivo uma
formação que articule o saber e o
fazer das classes subalternas para
“[...] lutar contra as relações de
poder vigente, visando superar a
situação de dirigência e dominação
(situação hegemônica) a que
estavam submetidas”. (MARTINS, 2008,
p.308)
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Formação omnilateral
▪ A politecnia, escola unitária, e educação tecnológica são conceitos
centrais que constituem a base para a formação omnilateral.

POLITECNIA: Marx associa EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA: Marx


educação politécnica à ideia de conjectura a unidade absoluta entre
indivíduo integralmente teoria e prática, partindo da atividade
desenvolvido. “No ensino produtiva para a atividade social, de
politécnico, não é suficiente forma a garantir a possibilidade de
apenas o domínio das técnicas; “manifestação plena e total de si
faz-se necessário dominá-las mesmo, independente das ocupações
ao nível intelectual” específicas que cada indivíduo exerce”
(MACHADO, 1989, p.129). (MANACORDA, 2010, p. 48).
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Qual o sentido da formação humana na
aprendizagem para o trabalho?

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Todos os homens são intelectuais:
porém nem todos exercem a função
de intelectuais na sociedade. Não
existe atividade humana da qual se
possa excluir absolutamente
alguma participação intelectual: não
é possível separar o homo faber do
homo sapiens (Gramsci, 2010, p. 21).

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Formação Humana
 O filósofo italiano defende a necessidade de criação de uma escola
única, de cultura geral e profissional na qual a formação humana
supere a fragmentação entre as dimensões intelectual e manual do
trabalho produzida pela sociedade capitalista.

 Essa escola busca formar humanamente o trabalhador


desenvolvendo harmoniosamente as dimensões do trabalho
manual e intelectual, do especialista e dirigente, do “Homo Faber” e
do “Homo Sapiens”.
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Formação Humana
▪ Orientar um projeto de educação profissional comprometido com
a formação humana, concluindo que a educação profissional não é
meramente ensinar a fazer e preparar para o mercado de
trabalho, mas é proporcionar a compreensão das dinâmicas
sócioprodutivas das sociedades modernas, com as suas
conquistas e os seus revezes, e também habilitar as pessoas para
o exercício autônomo e crítico de profissões, sem nunca se
esgotar a elas.
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Formação Humana

▪ Trata-se de superar a redução da preparação para o trabalho ao


seu aspecto operacional, simplificado, escoimado dos
conhecimentos que estão na sua gênese científico-tecnológica e na
sua apropriação histórico-social.

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Formação Humana
▪ Como formação humana, o que se busca é garantir ao adolescente,
ao jovem e ao adulto trabalhador o direito a uma formação
completa para a leitura do mundo e para a atuação como cidadão
pertencente a um país, integrado dignamente à sua sociedade
política. Formação que, neste sentido, supõe a compreensão das
relações sociais subjacentes a todos os fenômenos (CIAVATTA,
2005, p. 85).

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Considerações finais
A proposta educacional de Gramsci não deve ser compreendida
separada da luta por um novo projeto de sociedade, que por sua vez
representa a possibilidade de autoconstrução de um novo ser humano.
Superação da escola `àquela aristocrática, considerada, por ele, como
interessada, por servir a uma minoria de privilegiados. Somente uma
escola dessa natureza poderá unir trabalho intelectual e manual;
teoria e prática; formação profissional e formação geral; contribuindo
para uma formação humana emancipatória.

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Considerações finais
Em síntese, o filósofo italiano advoga que a escola nessa perspectiva
não ficaria limitada a ser um instrumento a serviço da perpetuação da
sociedade burguesa, mas pode converter-se em espaço e tempo que
possibilite um processo formativo crítico alternativo das relações
socais capitalistas.

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OBRIGADA!

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Referências bibliográficas
▪ GRAMSCI, Antonio. Antonio Gramsci. ? In: MONASTA, Attilio.
Antonio Gramsci. Tradução Paolo Nosella. Recife: Fundação
Joaquim Nabuco. Editora Massangana, 154 p. 2012. (Coleção
Educadores).
▪ ________.Homens ou máquinas? In: MONASTA, Attilio. Antonio
Gramsci. Tradução Paolo Nosella. Recife: Fundação Joaquim
Nabuco. Editora Massangana, 2012. (Coleção Educadores).
▪ ________.Caderno 12. In: Cadernos do Cárcere. Vol. 2 (Os
intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo). Edição e Tradução
de Carlos Nelson Coutinho. Co-edição de Luiz Sérgio Henriques e
Marco Aurélio Nogueira. 4ª Ed. – Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2006.
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Referências bibliográficas
▪ MACHADO, L. Politecnia, escola unitária e trabalho. São Paulo:
Cortez, 1989.
▪ MANACORDA, Mario Alighiero. Marx e a pedagogia moderna.
Campinas: Alínea, 2010.
▪ MARTINS, M. F. Marx, Gramsci e o conhecimento: ruptura
▪ ou continuidade? Campinas:Autores Associados, 2008.
▪ RAMOS, Marise Nogueira. História e política da educação
profissional. Curitiba : Instituto Federal do Paraná, 2014.

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Referências bibliográficas
▪ RIBEIRO, E. C. S., et.al. Omnilateralidade, politecnia, ecola unitária
e educação tecnológica: uma análise marxista. I JOINGG e VII
JOREGG . 2016.
▪ ZEN, E. T.; MELO, D. C. F. Gramsci, escola unitária e a formação
humana. Cad. Pes., São Luís, v. 23, n. 1, jan./abr. 2016

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