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Um estudo da discursivização de projetos de

resposta em livros didáticos de Língua


Portuguesa: um estudo dos manuais do
professor

Autoras: Amanda Maria de Oliveira e Luana


de Araujo Huff
Orientação: Prof. Dr. Rodrigo Acosta Pereira
Objetivo Geral

• Compreender se há e, em caso afirmativo, como


se discursiviza, a prática de análise linguística,
na perspectiva proposta por Geraldi (1984), nas
atividades sugeridas nos livros didáticos
distribuídos aos alunos de Língua Portuguesa do
Ensino Médio da rede pública de ensino do
estado de Santa Catarina (SC).
Objetivos Específicos

• Analisar como as atividades são discursivizadas


nos manuais do professor da referida disciplina;

• Compreender como a antecipação da(s)


possibilidade(s) de resposta(s) contribui(em)
para um ensino de língua materna/portuguesa
de natureza operacional e reflexiva.
Referencial teórico-metodológico

• (i) Escritos do Círculo de Bakhtin;

• (ii) Considerações do campo da Linguística


Aplicada e da Linguística Textual em torno de
ensino e da aprendizagem da linguagem em uso
mediado por textos.
Universo de Análise

• Ancoragens da escolha dos LDs:

1) livros didáticos de Língua Portuguesa


distribuídos pelo PNLD;

2) livros didáticos de Ensino Médio;

3) triênio de distribuição 2015-2017;

4) ampla abrangência nas escolas estaduais de


Santa Catarina (SC).
Livro Editora Autores Cidades Escolas Urbanas Rurais
Língua Portuguesa Positivo Hernandez; Martins 27 33 30 3

Língua Portuguesa: Faraco; Moura; Maruxo


Ática 81 119 105 14
linguagem e interação Jr.

Amaral; Ferreira; Leite;


Novas Palavras FTD 86 141 124 17
Antônio
Português Linguagens Saraiva Cereja; Magalhães 142 268 247 21

Português vozes do Abreu-Tardelli; Oda;


Saraiva 5 6 3 3
mundo Toledo

Português: contexto, Abaurre; Abaurre;


Moderna 42 69 60 9
interlocução e sentido Pontara

Português: língua e
Base Faraco 16 23 21 2
cultura
Português: linguagens
Leya Sette; Travalha; Starling 13 17 14 3
em conexão
Ser Protagonista:
Edições SM Ramos 15 31 29 2
Língua Portuguesa

Campos; Marques; Pinto;


Viva Português Ática 12 20 18 2
Andrade
Recorte do objeto de análise
• Mapeamento da organização da coleção;

• Levantamento dos conteúdos indicados pelos autores


como pertencentes ao grupo de análise e reflexão sobre
a língua.

• Dada a impossibilidade de analisarmos todos os livros


e/ou todos os conteúdos e a necessidade de operarmos a
partir de um objeto de análise comum às três coleções,
optamos pelo assunto que se repetia no primeiro volume
(1º ano do Ensino Médio) das três coleções: Introdução
à semântica: antonímia, sinonímia e homonímia.
Coleção Língua portuguesa: linguagem
e interação
Coleção Novas Palavras
Coleção Português: Linguagens
As análises

• A partir da análise das atividades, pudemos


compreender que há a atuação de diversas forças
ideológico-valorativas (BAKHTIN, 1998 [1975])
conflitantes, no discurso do livro didático. Ainda é
evidente o embate do discurso do ensino tradicional
(força centrípeta) em relação ao discurso da mudança
do ensino (força centrífuga).
Exemplo: explicação de que não existem
sinônimos perfeitos x atividade de relação
de sinônimos
Explicação de que não existem sinônimos
perfeitos x atividade de relação de sinônimos
• Ao tratar do objeto de discurso introdução à
semântica, mais especificamente, sinonímia,
antonímia e homonímia, é possível perceber em
todas as coleções a discursivização dos já-ditos
(BAKHTIN, 1998 [1975]; VOLOCHÍNOV, 2013
[1930]) ancorados nessas forças (centrípetas e
centrífugas), formando um único material
pedagógico.
Exemplo: perguntas iniciais de
sensibilização x atividades no nível da frase
Exemplo: perguntas iniciais de
sensibilização x atividades no nível da
frase
• Além disso, observamos também que há uma
forte semelhança entre os livros didáticos no que
se refere à organização e discursivização dos
conteúdos, apesar das diferentes vozes que se
engendram no discurso do livro didático. No
entanto, ressaltamos a necessidade de observar
as nuances, os atravessamentos e discursos que
constituem o todo do enunciado e dialogam com
essa ou aquela perspectiva teórica; que atendem
a diferentes pressões sociais, etc. para, de fato,
entendermos que dizeres subjazem a
composição desse gênero.
• Quanto às respostas propostas pelos livros
didáticos para o professor, consideramos que,
em sua maioria, elas discursivizam o discurso do
ensino tradicional (força centrípeta), uma vez
que preveem uma única possibilidade de
resposta, sem nenhum encaminhamento para
discussões relativas à questão ou ao conteúdo.
Quando há o entendimento de que respostas
diferentes podem ser dadas, o manual aponta
como resposta pessoal, permitindo uma ampla
possibilidade de respostas também sem
nenhuma discussão para além do exercício
proposto.
Exemplo: Atividade de vestibular
Em síntese
• Nos livros analisados, as atividades propostas como
reflexão sobre a língua embora respondam a:
- já-ditos que se ancoram em discursos da mudança;
- já-ditos que discursivizam forças centrífugas em relação à
mudança no ensino de LP;
- já-ditos que demonstram a extratificação e a
heterogeneidade da língua(gem);

• Por vezes, discursivizam:


- já-ditos que reverberam o trabalho prescritivo da
gramática tradicional;
- já-ditos que reiteram o trabalho taxonômico e
metalinguístico com a língua(gem).
- já-ditos que direcionam o trabalho transmissivo e
mecânico em relação ao trabalho com a língua(gem)
Referências
• AMARAL, E.et al. Novas palavras (manual do professor). 2ª ed. v. 1. São Paulo:
FTD, 2013.
• BAKHTIN, M. M.. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance.
Tradução de Aurora Fornoni Bernadini. et al. 7ª ed. São Paulo: Hucitec, 2014 [1975].
• _____. (Volochínov). Marxismo e Filosofia da Linguagem: problemas
fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução do francês
por Michel Lahud e Yara F.Vieira.12º ed. São Paulo: Hucitec, 2009 [1929].
• BEZERRA, M. A.; REINALDO, M. A. Análise linguística: afinal, a que se refere?
São Paulo: Cortez, 2013.
• BRASIL. MEC/SEMTEC. Parâmetros curriculares nacionais: bases legais.
Brasília, 2000a.
• ______. MEC/SEMTEC. Parâmetros curriculares nacionais: linguagens,
códigos e suas tecnologias. Brasília, 2000b.
• ______. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº
9394/96. Brasília, 1996.
• BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical.
Campinas/SP: Mercado das Letras, 1997.
• CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Português: linguagens (manual do professor).
9ª ed. v. 1. São Paulo: Saraiva, 2013.
• FARACO, C. E.; MOURA F. M.; MARUXO JR J. H. Língua Portuguesa: linguagem
e interação (manual do professor). 2ª ed. v. 1. São Paulo: Ática, 2013a.
• FRANCHI, C. Mas o que é mesmo “gramática”? São Paulo: Parábola Editorial,
2006 [1991].
• GERALDI, J. W. Portos de passagem. 5ª ed. São Paulo: WMF Martins Fontes,
2013 [1991].
• ______. (Org.) O texto na sala de aula. 5ª ed. São Paulo: Ática, 2011 [1984].
• VOLOCHÍNOV, N. V. A construção da enunciação e outros ensaios. São
Carlos: Pedro & João Editores, 2013 [1930].