Você está na página 1de 94

Corrosão - definição

 Segundo o Dicionário Aurélio:


 “Ato ou efeito de corroer”
 “Desgaste ou modificação química ou
estrutural de um material, provocado
pela ação de agentes do meio
ambiente”
Corrosão - definição

 Segundo Gentil* (1982):


 “A deterioração de um material,
geralmente metálico, por ação química
ou eletroquímica do meio ambiente
aliada a ou não a esforços mecânicos”

* GENTIL, Vicente. Corrosão. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Dois, 1982.


Corrosão

 Fenômeno químico ou eletroquímico 


transferência de elétrons

 Oxidar  perder elétrons;


 Reduzir  Ganhar elétrons;
Corrosão

 Para a oxidação do metal M:


_
n
M M  ne
 Ferro: _
2
Fe  Fe  2 e
_
3
 Alumínio: Al  Al  3e
Corrosão

 Íons metálicos também podem ser


reduzidos:
_
n ( n 1) 
M  1e  M
 Ou reduzi-los até a forma metálica:
_
n
M  ne  M 0
Cátodo e Ânodo

 Elétrons cedidos pelo metal oxidado são


transferidos para outro composto.
 Para soluções ácidas:
_

2 H  2 e  H 2 ( g )
 Para soluções ácidas com O2 dissolvido:
_

4 H  2O2  4 e  2 H 2O
Cátodo e Ânodo

 Para soluções aquosas neutras ou básicas:


_

O2  2 H 2O  4 e  4(OH )

 Local onde ocorre:


 OXIDAÇÃO  ÂNODO
 REDUÇÃO  CÁTODO

 Reações simultâneas  oxi-redução


Reação de oxi-redução

 Carga líquida  deve ser ZERO


 Exemplo do Zinco imerso em uma solução
ácida

HCl

Zinco
Reação de oxi-redução

Solução ácida

Zn2+
2 e + 2H+  H2

Zn
Cátodo e Ânodo
 Para o sistema Zn/HCl:
_
2
Zn  Zn  2e
_

2H  2 e  H 2( g )

Zn  2 H   Zn 2  H 2 ( g )

 OXIDAÇÃO  Zn  ÂNODO
 REDUÇÃO  Solução ácida  CÁTODO
Potenciais de eletrodo
Voltímetro
e e

Fe2+ Cu
Fe Cu2+

Solução de Fe2+ Solução de Cu2+


1,0M 1,0M
Membrana
Par galvânico

 Redução do cobre às custas da


oxidação do ferro:
_
Fe  Fe2  2 e
_
Cu 2  2 e  Cu( g )
2 2
Cu  Fe  Cu  Fe
Par galvânico

 Sistema  par galvânico


 Geração de um potencial elétrico a partir
de reações de oxi-redução
 Para o sistema Cu-Fe, a 25ºC  0,780 V
 Ferrugem no aço ou ferro;
Par galvânico Zn-Fe
Voltímetro
e e

Fe2+ Zn
Fe Zn2+

Solução de Fe2+ Solução de Zn2+


1,0M 1,0M
Membrana
Par galvânico Zn-Fe

 Ao contrário da célula eletrolítica Fe-Zn,


quem recebe os elétrons é o ferro, sendo
ele o CÁTODO
 Para o sistema Zn-Fe, a 25ºC  0,323 V
 Cada eletrodo corresponde a uma SEMI-
PILHA
 Um material imerso em uma solução 1,0
M a 25ºC  SEMI-PILHA PADRÃO
Potenciais de eletrodo padrão
 Eletrodo padrão de referência  Eletrodo
de hidrogênio padrão
Voltímetro
Pt: inerte

Pt
Gás
hidrogênio
(25ºC; 1 atm)

Solução de H+
1,0M
Membrana
Série galvânica
Série galvânica prática
METAL VOLTS ( * )
Magnésio comercial puro -1,5
Liga de Magnésio (6% Al,
-1,60
3% Zn, 0.15% Mn)
Zinco -1,10
Liga de Alumínio (5% Zn) -1,05
Alumínio comercial puro -0,80
Aço acalmado (limpo e
-0,5 a -0,8
brilhante)
Aço acalmado (enferrujado) -0,4 a -0,55
Aço fundido (não grafitado) -0,50
Chumbo -0,50
Aço acalmado em concreto -0,20
Cobre, Latão e Bronze -0,20
Camada Moída sobre aço -0,20

( * ) Potenciais típicos observados em solos neutros e água


, medidos com referência a eletrodo de sulfato de cobre padrão. www.abraco.com.br
O potencial de 2 eletrodos não-padrão

 Seja o metal M1  oxidando


 E o metal M2  reduzindo
_
n
M1  M1  ne (V1o)

_
n
M2  ne  M2 (V2o)

n n
M1  M 2 M 1  M2
O potencial de 2 eletrodos não-padrão

 O potencial da pilha será:

V  V 2
0
V 1
0

 Para que ocorra espontaneamente:


 O potencial da pilha deve ser POSITIVO
 Processos espontâneos são mais lentos
do que as pilhas eletrolíticas
Tipos de corrosão

1. Corrosão uniforme
 Ataque eletroquímico com intensidade
equivalente em toda a superfície exposta;
 Aleatória ao longo da superfície;
 Ferrugem no aço ou ferro;
2. Corrosão localizada
 Verificada em pontos únicos do material o
Corrosão uniforme

Corrosão uniforme em tubo enterrado no solo


Corrosão uniforme

Corrosão por ataque de ácido cítrico na limpeza química de uma caldeira


Corrosão uniforme

Corrosão uniforme na parte superior de vaso de caldeira


Corrosão uniforme

Corrosão atmosférica em válvula

Corrosão atmosférica em tubulação


industrial
Corrosão uniforme

Corrosão generalizada em rotor de


bomba
Corrosão generalizada em carcaça
de bomba
Categorias da corrosão
Categoria Perda de espessura (mm) Ambiente
Muito baixa – C1 < 0,1 -

Baixa – C2 0,1 a 0,7 Áreas rurais e de


atmosferas com baixo
índice de poluição

Média – C3 0,7 a 2,1 Urbanas e rurais com


médio SO2;
Áreas costeiras com
baixa salinidade
Alta – C4 2,1 a 4,2 Industriais e costeiras
com moderada salinidade
Muito alta 4,2 a 8,4 Industriais com alta
umidade
(industrial) – C5
Atmosferas agressivas
Muito alta 4,2 a 8,4 Áreas costeiras com alta
salinidade
(marinha) – C6
Medida da corrosão –
Taxa de corrosão
 Perda de espessura por unidade de tempo
Somente dado
w quantitativo.
TC  k QUALITATIVO
t. . A NÃO!

 TC: taxa de corrosão [mm/ano]; [mpa];


 W: perda de massa [kg]; Milésimos de
Polegada por Ano
 t: tempo de exposição do material [ano];
 : massa específica do material [kg.m-3];
 A: área do material exposta [m2];
 k: constante para conversão de unidades.
Taxa de corrosão
 Método padrão
 Corpo de prova
 Ambiente controlado
 Método prático
 instalar o corpo de prova no ambiente de
corrosão
 Valores Aceitáveis de TC
 20 mpa;
 0,5 mm.ano-1
Corrosão por oxigênio
 Oxidação combinada
 Em soluções aquosas:

 Em soluções ácidas
_
4 H   2O2  4 e  2 H 2O
 Em meios alcalinos
_
O2  2 H 2O  4 e  4(OH  )
Aço carbono
 oxi-hidróxido de ferro  oxigênio e umidade
do ambiente
Ambiente externo
O2 H2O
H2O O2
Fe2+ Fe2+ Camada de
Fe2(OH)3 porosa

Liga Fe-C
Formação da ferrugem
 Para o sistema o Ferro em sistemas
aquosos:
1. Oxidação do Fe para Fe2+;
2. Nova oxidação do Fe2+ para Fe3+.

1) Fe  12 O2  2 H 2O  Fe 2  2(OH ) 
Fe 2  2(OH  )  Fe(OH ) 2
2)2 Fe(OH ) 2  12 O2  H 2O  2 Fe(OH ) 3
Fe  2 H 2O  O2  2 Fe(OH ) 3

FERRUGEM
Corrosão por oxigênio

Corrosão severa de uma linha de condensado pela presença de oxigênio


Corrosão por oxigênio
 Produtos de corrosão por oxigênio  cor
vermelha
Corrosão por oxigênio

Presença de tubérculos nos pites da corrosão por oxigênio


Corrosão por oxigênio

Corrosão severa de uma linha de condensado pela presença de oxigênio


Corrosão uniforme

Corrosão uniforme na parte superior de vaso de caldeira


CORROSÃO SOB DEPÓSITO
EFEITO DO pH NA
CORROSÃO
 H+  Aceptor de elétrons
 Para soluções ácidas:
_
2 H   2 e  H 2 ( g )

 Para soluções ácidas com O2 dissolvido:


_

4 H  2O2  4 e  2 H 2O
Corrosão por baixo pH

Ruptura de um tubo de
caldeira devido à corrosão
ácida de longo período
Corrosão por baixo pH
Baixo pH
 Ataque ácido sob altas concentrações 
limpeza química de trocadores de calor
Ataque ácido por limpeza química

Ataque ácido na parede interna de um tubo


Ataque ácido por limpeza química

Ataque ácido em porcas e parafusos


Ataque por ácidos concentrados

Dois tubos que


sofreram corrosão
ácida
Corrosão cáustica
1) Ataque cáustico à magnetita

2) Ataque cáustico ao ferro metálico


Corrosão cáustica

Pites cilíndricos formados pela corrosão cáustica ao longo do sulco


(foto retirada após remoção dos óxidos de ferro formados)
Corrosão cáustica

Corrosão cáustica no interior de um tubo


Corrosão cáustica

Produtos de corrosão (óxidos de ferro) depositados no sulco


Corrosão cáustica sob depósito
 Depósito  auxilia na formação do par
galvânico
Efeito do pH
Prevenção da corrosão por oxigênio

 Barreira
 Revestimentos
 Pinturas
 Ânodo de sacrifício
 Metal menos nobre
Prevenção da corrosão por oxigênio
 Eliminação do oxigênio dissolvido
 Elevação da temperatura

 Inibidores de corrosão

 Sulfito de sódio

Na2 SO3  1 2 O2  Na2 SO4


Prevenção da corrosão por oxigênio
 Reação da Hidrazina com oxigênio

N2 H 4  O2  N2  H 2O
 Em caldeiras:
 Formação da magnetita (Fe3O4)

 Decomposição térmica da hidrazina


Corrosão galvânica

 Formação do par galvânico;


 Dois metais ou ligas diferentes acoplados
eletricamente e expostos a um eletrólito;
 Metal menos nobre se oxida
 Metal mais nobre se reduz
 Tubos soldados expostos ao ambiente;
 Tubos soldados enterrados no solo
Corrosão galvânica

Micrografia mostrando fissuras devido a incompatibilidade de materiais


Corrosão galvânica

Corrosão galvânica na junção de tubos de galvanizado e cobre


Corrosão galvânica

 Prevenção da corrosão galvânica


 Selecionar materiais próximos na série
galvânica;
 Isolar os dois metais:
 Pintar com tinta epóxi em juntas, etc;
 Colocar isolantes entre os materiais;
Prevenção da corrosão galvânica

Instalação de isolantes nos suportes de tubulações

www.forumdaconstrucao.com.br
Prevenção da corrosão galvânica

Instalação de isolantes nos suportes de tubulações

www.forumdaconstrucao.com.br
Corrosão em frestas

 Materiais expostos a diferentes


concentrações de eletrólitos
 Local de menor concentração  corrosão
 Ocorre em fendas e recessos onde há a
redução da seção de tubulações, etc
Corrosão em frestas
Corrosão em frestas

Corrosão por fresta em rosca


Corrosão por fresta em parafusos e porcas
Corrosão em frestas

PREVENÇÃO:
?????

Corrosão por fresta em aço inoxidável


Corrosão alveolar – PITES

 Ataques em pontos isolados


 Perfurações com pequenos diâmetros e
grandes profundidades
 Com freqüência  ruptura do tubo
-
 Aço inox  Cl
Corrosão por pites

Tubulação que sofreu severa


Micrografia de corrosão por pite corrosão por pites
Fotos de corrosão por pites

Corrosão por pites em tubulação

Retirado de www.resnapshot.com/COR1000.htm
Fotos de corrosão por pites

Pites em aço inoxidável

Retirado de www.resnapshot.com/COR1000.htm
Corrosão intergranular

 Aço inox  formação do carboneto de


cromo (Cr23C6)
 Redução do Cr abaixo de 11% no inox 
perda da passividade
 Pontos de solda entre 500ºC e 800ºC 
ponto de fragilidade
Corrosão intergranular

Corrosão de
um bloco de
aço
inoxidável
por corrosão
intergranular
Corrosão intergranular

Detalhes das fissuras em uma liga de cromo devido à corrosão


intergranular do aço pela exposição a altas temperaturas
Corrosão intergranular

Detalhes das fissuras em uma um tubo de aço inoxidável devido à perda


de cromo na região de solda
Prevenção da corrosão intergranular

 Aquecimento rápido a 1100ºC (solubilização


do carboneto de cromo) e resfriamento
rápido (sem tempo para formação do
precipitado de carboneto de cromo);
 Aço com C reduzido (< 0,2%)  inox 304 L
e 316L;
 Adição de elementos liga com preferência na
reação com cromo  Titânio e Nióbio
Corrosão sob tensão

 Ação combinada entre


agentes químicos e uma
tensão aplicada;
 Formação de trincas que se
propagam;
 Curvas, peças dobradas,
etc.
Corrosão sob tensão

Combinação de
corrosão cáustica
sob tensão –
Aço quebradiço
Corrosão sob tensão

Micrografia de uma fissura


sob tensão
Corrosão sob tensão
Fissura transversal
em aço inoxidável
Corrosão por erosão
 Ação combinada de ataque químico e
abrasão mecânica;
 Altas velocidades de fluidos;
 Metais com películas passivas  remoção
por abrasão permite a corrosão;
 Metais moles  cobre
 Dobras, curvas, reduções ou expansões
bruscas;
 Rotores de bombas, palhetas de turbinas,
válvulas, etc.
Corrosão por erosão

Corrosão por erosão em tubo


Corrosão por erosão

Detalhe dos sulcos formados pela erosão em tubo


Corrosão por erosão

Sulcos em um tubo de um superaquecedor de caldeira


Corrosão por erosão

Erosão por altas velocidades em tubulação de cobre


Corrosão por erosão

Redução da espessura
da parede por erosão
Corrosão por erosão
Erosão em rotor de
bomba

Erosão rotor de bomba centrífuga


Prevenção da corrosão por erosão

 Projetos com velocidades do fluido


medianas;
 Evitar turbulências localizadas;
 Uso de materiais com maior
resistência à abrasão;
 Remoção de particulados e bolhas de
gás
Corrosão por cavitação
 Cavitação
 Formação de bolhas no interior de tubos,
vasos e tanques
 Líquidos com baixa pressão de vapor
 Líquidos aquecidos
 Tanques sob vácuo
 Bolhas atingem as paredes e causam a
erosão do material
Corrosão por cavitação

Rotor de bomba centrífuga danificado por cavitação


Corrosão por cavitação

Carcaça de uma bomba danificada por severa cavitação


Corrosão por cavitação

Tubulação de condensado danificada pelo ataque de oxigênio e cavitação


Prevenção da corrosão

 Ambiente de corrosão
 Ambiente
 Ar
 Solo
 Ácidos
 Básicos
 Solventes orgânicos
Prevenção da corrosão

1. Seleção do material
 Ambiente de corrosão e aplicação
 Custo x tempo de projeto
2. Alteração do ambiente
 Temperatura do fluido;
 Tratamento de água para caldeiras
 Hidrazina ou sulfito de sódio
 Barreiras físicas.
Prevenção da corrosão

3. Barreira física sobre a superfície


 Não devem ser reativos nos
ambientes corrosivos
 Grande adesão à superfície (rugosa)
 Resistente à danos mecânicos
 Tintas, vernizes, recobrimentos
Prevenção da corrosão

3. Proteção catódica
 M  M+ + e-
 Fornecer elétrons para o metal 
sentido inverso da equação
 ANÔDO DE SACRIFÍCIO
 Série galvânica, escolha de metal com
maior tendência à anodo
 Zinco para o aço  galvanização

Você também pode gostar