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Curso: Técnico de Turismo

Disciplina: Português
Professora: Ana Vital

Os Maias
“O jantar no Hotel Central”

“As corridas de cavalos no


Hipódromo”

“O jantar em casa dos condes de


Gouvarinho”
Introdução
 Este trabalho foi proposto na disciplina de Português, referente ao módulo V, pela professora Ana Vital. Serão
apresentados três episódios pertencentes à obra “Os Maias”, de Eça de Queirós.

 No primeiro episódio será apresentado um dos jantares no Hotel Central, em que serão discutidos vários assuntos e
problemas da atualidade em grupo e serão confrontadas diversas opiniões contraditórias.

 No segundo episódio, o Hipódromo de Belém é o espaço físico, em que se critica o fracasso dos objetivos das
corridas, o atraso da sociedade lisboeta, a falta de coerência por parte dos intervenientes, assim como, as guerras
entre os mesmos e a falta de interesse verdadeiro pelas corridas.

 No terceiro episódio, o cenário passa-se num jantar na casa dos condes de Gouvarinho, no qual serão apresentados
os objetivos, os intervenientes do jantar e os temas discutidos entre todos, como a escravatura.
O Jantar no Hotel Central
Objetivos
 Homenagear o banqueiro Jacob Cohen por parte de João
da Ega;

 Proporcionar a Carlos da Maia um primeiro contacto


com a sociedade lisboeta e o seu encontro com Maria
Eduarda;
Hotel Central, Lisboa
 Apresentar a visão crítica de alguns problemas sobre
temas da atualidade.
O Jantar no Hotel Central
Intervenientes
 João da Ega
É a personagem mais interventiva e exagera nos seus argumentos defensivos.
É ateu, revolucionário, rebelde e sentimental. Impulsiona a homenagem a
Jacob Cohen e é amante de Raquel (mulher de Cohen).

 Jacob Cohen
É o homenageado durante o jantar. Desempenha funções importantes nas
Finanças.
O Jantar no Hotel Central

 Tomás de Alencar

É representante e poeta do Ultrarromantismo.

 Dâmaso Salcede

É um combinado de defeitos. Tenta ser uma pessoa com classe, porém só


mostra a sua vaidade e futilidade. Representa a nova riqueza da burguesia e
os vícios da sociedade lisboeta.
O Jantar no Hotel Central
 Carlos da Maia
Neste jantar mantém-se um pouco aparte da conversa, comentando de vez de
quando.
Amigo do seu amigo e generoso. É culto, bem-educado e de gostos
requintados.

 Craft
Defende a arte como idealização do que há de melhor na natureza.
É coleccionador de obras de arte e representante da cultura artística e
britânica.
O Jantar no Hotel Central
Temas discutidos no jantar
Literatura e a Crítica Literária
João da Ega Tomás de Alencar Carlos e Craft Narrador

 Defende o Realismo /  Opositor do realismo/naturalismo;  Criticam o ultrarromantismo  Crítica o ultrarromantismo de

Naturalismo; de Alencar; Alencar;


 Incoerente, uma vez que condena
 Exagerado quando o que defendia no passado (o  Recusam o exagero de Ega;  Recusa a distorção que Ega

defende o cientificismo na estudo dos vícios da sociedade); apresenta do Naturalismo;


 Carlos acha intolerável os
literatura;
 Defensor da crítica literária de ares científicos do realismo;

 Teimoso por não querer natureza académica:


 Craft defende a arte como
distinguir ciência e preocupação com aspetos
idealização o que de
literatura. formais, preocupação com o
melhor há na natureza;
plágio (imitação).
O Jantar no Hotel Central
Temas discutidos no jantar

Finanças
 O país tinha uma absoluta necessidade dos empréstimos do estrangeiro;

 Cohen mostra-se calculista e cínico. Lava as mãos e afirma alegremente que o país vai direitinho para a
bancarrota.
O Jantar no Hotel Central
Temas discutidos no jantar
História e Política
João da Ega Tomás de Alencar Jacob Cohen Dâmaso Salcede
 Delira com a bancarrota  Teme a invasão espanhola:  Defende que há  Afirma que se
como determinante de é um perigo para a gente séria na houvesse uma
uma agitação independência nacional; política; invasão espanhola,
revolucionária; ele “raspava-se”
 Defende o romantismo  Considera Ega
 Defende a invasão para Paris e que
político: uma república um exagerado.
espanhola; toda a gente fugiria
governada por génios;
como uma lebre.
 Defende o afastamento
 Esquece o adormecimento
violento da monarquia;
geral do país.
 Aplaude a instauração
da República;
O Jantar no Hotel Central
Fim do Jantar
 Resolução da Disputa
Ega e Alencar insultam-se. Envolvem-se num conflito que quase termina numa luta;
Acabam por se reconciliar e mostram arrependimento, com abraços e protestos de amizade.

 Conclusão
João da Ega e Tomás de Alencar defendem princípios totalmente diferentes;
O país caminha em direção à bancarrota;
Ega avança com uma das suas ideias revolucionárias – a invasão espanhola.
As corridas de cavalos nos Hipódromos
Objetivos
 Demonstrar o contacto de Carlos com a alta sociedade
lisboeta e o Rei;

 Mostrar a visão panorâmica da sociedade sobre o olhar


crítico de Carlos e a tentativa frustrada de igualar Lisboa
às capitais europeias

 Evidenciar o fracasso das corridas; Hipódromo de Belém

 Criticar a contradição entre “o ser” e “o parecer”;


As corridas de cavalos nos Hipódromos
Intervenientes
Os Jóqueis:
1.ª corrida: 3.ª corrida:
o Pinheiro montava o “Escocês” um gentleman montava um cavalo
um sujeito montava o “Júpiter” um jóquei roxo e preto montava uma pileca
(cavalo magro e fraco)
2.ª corrida:
um jóquei montava o “Rabino”
4.ª corrida:
um jóquei espanhol montava o “Minhoto
jóqueis sem identificação
um jóquei inglês montava o “Vladimiro”
As corridas de cavalos nos Hipódromos
Intervenientes
Homens:
 Visconde de Darque = A sua participação é considerada um sacrifício; é um sabichão; não apurava
cavalos para “aquela melancolia de Belém”, por achar um “horror”.
 El-Rei = Mostra-se sempre sorridente.
 Alencar = Encontra nas corridas “um certo ar de elegância”; é um homem bem vestido e penteado.
 O Barão de Craben = Pequeno e encontra-se sempre aos pulinhos.
 Craft = É quem apresenta Clifford a Carlos.
 Steinbroken = Aposta sem sequer conhecer os cavalos da corrida.
As corridas de cavalos nos Hipódromos
Intervenientes
 Conde de Gouvarinho = Usa um discurso de ignorância e disparates exagerados.

 Teles da Gama = Encarregado de organizar as apostas.

 Eusebiozinho = Acompanhado por Concha e por Carmen.

 Dâmaso = Designado como “chique a valer”; é caracterizado pela sua gabarolice, falta de educação e de
respeito para com as mulheres.
As corridas de cavalos nos Hipódromos
Intervenientes
Mulheres:
 Irmãs do Taveira = Magras, loiras e corretamente vestidas.
 Viscondessa de Alvim = Tem a pele lustrosa e branca.
 Joaninha Vilar = Com um quebranto mais doce no olhar; parece oferecer o seu “apetitoso peito de
rola”.
 As Pedrosos = Banqueiras, com interesse pelas corridas.
 Condessa de Soutal = Desarranjada e com lama nas saias.
 D. Maria da Cunha = Bonita, muito à vontade, era a única a divertir-se, ousada, foi a única a sentar-se
junto dos homens.
As corridas de cavalos nos Hipódromos
Intervenientes
 Menina Sá Videira = Filha de um rico negociante; abonecada; “com o arzinho petulante e enojado”;

 Ministra da Baviera, a baronesa Craben = Enorme e empavoada; muito gorda: “feitio de barrica”;
insolente e sobranceira.

 A Condessa de Gouvarinho = Sensual; bem vestida e admirada por vários homens; na dia seguinte à
corrida partirá para o Porto para comemorar o aniversário do seu pai e quer que Carlos a acompanhe.
As corridas de cavalos nos Hipódromos

Público/Concorrentes
 Alta sociedade (público) e Rei D. Luís (realeza);

 Pertencentes à alta sociedade lisboeta, embora revelem comportamentos desajustados e incoerentes, um


vestuário desapropriado e desinteresse pelo fenómeno desportivo;

 Existência de faltas de respeito e de civismo;

 Desordem originada pelo jóquei que montava o cavalo “Júpiter” e que insultava Mendonça (juiz da
corrida) pela sua perda na corrida, dita como injusta pelo juiz ser íntimo do vencedor;
As corridas de cavalos nos Hipódromos

Conclusão do Episódio
 Este episódio é uma verdadeira sátira, retratada pelo desejo de imitar o que é feito no estrangeiro. Desta
forma, as corridas no hipódromo permitem apreciar uma sociedade burguesa que vive de aparências.

 São ainda destacados o Carlos e Craft com o seu à vontade e familiaridade com o tipo de acontecimentos
sociais e Dâmaso, sedento de copiar Carlos, é destacado pela negativa, por ser pobre de carácter.
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho

Objetivos
 Juntar a nobreza e a alta burguesia e “desmascarar” a sua
ignorância;

 Observar a subvalorização dos valores sociais, o atraso


intelectual do país e a mediocridade mental de algumas
figuras de alta burguesia e da aristocracia.
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho
Intervenientes
 Carlos da Maia

 Sousa Neto e a sua mulher

Representante da instrução pública;


Defende a imitação do estrangeiro e não tem opinião própria;
Conheceu Pedro e Afonso da Maia;

 João da Ega
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho
Intervenientes
 Conde de Gouvarinho

Era deputado;

Voltado para o passado, tinha uma grande falha de memória e


revelava uma enorme falta de cultura;

É fútil, vaidoso, maçador e incompetente;

Representa a incompetência do poder político.


Ator que representa Conde de
Gouvarinho
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho
Intervenientes
 Condessa de Gouvarinho

Mulher fútil, que despreza o marido pelo seu fraco poder


económico e que desenvolve uma paixão por Carlos;

É imoral, provocadora, sem escrúpulos, sensual e anda sempre


vestida de forma exuberante;

Representa as mulheres adúlteras.


Atriz que representa
Condessa de Gouvarinho
 D. Maria da Cunha e a baronesa de Alvim
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho
Características da Linguagem
 A Frase e a Linguagem
Eça evitou frases demasiado expositivas e pouco esclarecedoras dos românticos.
“- Esperei meia hora; mas compreendi logo que estaria entretido com a brasileira…”

Para evitar o uso constante dos verbos declarativos, Eça optou por utilizar o discurso indireto livre.
“Em silêncio, até a casa da Gouvarinho, Carlos foi ruminando a sua cólera contra o Dâmaso. Aí estava pois rasgada
por aquele imbecil a penumbra suave e favorável em que se abrigara o seu amor!”
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho
Características da Linguagem
 O Adjetivo e o Advérbio

Na suas obras, Eça apoia-se nos adjetivos e advérbios de modo (…)


“A condessa baixara os olhos, partindo vagamente um bocadinho de pão, …”

(…) e no uso de adjetivação dupla e tripla.


“O conde interveio, afável e risonho…”

 Recursos Estilísticos
Neste episódio, a prosa de Eça é destacada com a ironia:
“A senhora condessa tem então uma credulidade infantil. Estou a ver que acredita que era uma vez uma filha d´um rei
que tinha uma estrela na testa…”
O Jantar em Casa dos Condes de Gouvarinho
Temas discutidos no jantar
 Escravatura
(Ega) – “A mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem”;
(Conde) – “Decerto o lugar da mulher era junto ao berço, não na biblioteca”; onde se fez paradoxos e onde se presenciou a
reconciliação entre Carlos e a Condessa.

Ao longo da discussão, os aspetos que se fizeram anotar foi o carácter impiedoso e crítico, a ignorância e a superficialidade
nas opiniões.

• Devido a estes aspetos, Eça caracteriza a sociedade portuguesa do século XIX, como fútil, superficial e ignorante. Também
critica o fato de se prezarem demasiado à importação de modas estrangeiras, uma vez que isso impede o progresso e a renovação
das mentalidades.
Conclusão
 Após a elaboração deste trabalho, pode concluir-se que “Os Maias” é uma obra complexa, extensa e bastante
enriquecedora.

 Este trabalho foi uma ótima ferramenta para aumentar o nosso conhecimento desde a obra geral até aos
episódios atribuídos em aula.

 Com este trabalho, chegámos à conclusão de que estes episódios nos permitem saber que são os espaços
físicos, sociais e psicológicos que nos dão a conhecer como era a sociedade do século XIX e de como o país
estava atrasado em diversos aspetos.
Webgrafia
 https://pt.slideshare.net/

 http://www.notapositiva.com/

 http://portugues-fcr.blogspot.com/

 https://prezi.com/

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