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AULA 3- REPRESENTAÇÃO

DA MULHER VITORIANA E
GINOCRÍTICA
PROFª DRª ELIZABETH SOUTO MAIOR
RELEMBRANDO NOSSA ÚLTIMA AULA,
DE QUE CONSISTIAM...
O CONSTRUTO ‘THE ANGEL IN THE HOUSE’?
O DUPLO PADRÃO DE MORALIDADE VITORIANA?
THE ANGEL IN THE HOUSE:
“Man must be pleased;
but him to please
Is woman’s pleasure;
down the gulf
Of his condoled necessities
She casts her best,
she flings herself. …
And whilst his love has any life,
Or any eye to see her charms,
At any time, she’s still his wife,
Dearly devoted to his arms;
She loves with love that cannot tire;
And when, ah woe, she loves alone,
Through passionate duty love springs higher,
As grass grows taller round a stone.”
Também chamado de fada do lar, esse ideal
foi prevalente especialmente na Inglaterra ao
longo do reinado da rainha Vitória;
O IDEAL DO
Consistia na propagação de um construto que
“ANJO DO reduzia às mulheres a uma função estritamente
LAR” doméstica, reduzindo-as à esfera privada e a
um papel decorativo;
(COVENTRY
PATMORE, Esta mulher, elevada e com valores morais e
éticos impecáveis, seria definida
1857): exclusivamente a partir do seu papel de não-
sujeito;

Seus deveres eram de devoção filial,


conjugal e maternal;
A woman’s
occupation
A woman’s
past time
A woman’s
proper sphere
A RICHARD REDGRAVE
representa GEORGE FREDERICK
ção da WATTS
‘outra
DANTE GABRIEL ROSETTI
mulher’ na
pintura WILLIAM HOLMAN HUNT
Vitoriana AUGUSTUS EGG
‘The
Awakening
Conscience’
by William
Holman Hunt
(1854)
‘Found’ by
Dante Gabriel
Rosetti
(c.1855)
‘The Outcast’
by Richard
Redgrave
(1851)
‘Found drowned’ by George Frederick
Watts (c. 1850)
‘Past and
Present 1’ by
Augustus Egg
(1858)
‘Past and
Present 2’ by
Augustus Egg
(1858)
‘Past and
Present 3’ by
Augustus Egg
(1858)
GINOCRÍTICA
ELAINE SHOWALTER (Toward a Feminist
Poetics, 1979)
O QUE É A
GINOCRÍTICA?
1- AGAINST LITERARY DISCRIMINATION
OF WOMEN BY MEN
2- CRITICIZES THE STATUS OF WOMEN
AS ‘THE OTHER’
Gynocriticism
3- EXPLORES AND REVEALS THE
(ELAINE DISCRIMINATORY BIAS OF TEXTS
SHOWALTER) WRITTEN BY MEN
4- HAS A DESIRE TO FORMULATE A
CANON OF TEXTS BY FEMALE AUTHORS
5- IS INTERESTED IN GYNOTEXTS
A ginocrítica tem por objeto a mulher
enquanto escritora e produtora de
significado textual. O seu objeto de estudo é
a psicodinâmica da criatividade feminina. É
necessário aqui uma virada conceitual, uma
vez que deixamos de considerar os moldes
masculinos pré-estabelecidos, para centrar
Ginocrítica e na questão da diferença;
crítica
feminista A crítica feminista se preocupa com a
mulher enquanto leitora, enquanto
consumidora de uma literatura produzida por
homens a fim de depreender do texto por
eles escritos os seus códigos sexuais,
subjacentes ou óbvios.
Quais argumentos
usados?
Um teto
todo seu,
Virginia Toda a “grande literatura”
existente foi
Woolf
aparentemente escrita por
(1928) homens.

Mesmo que uma mulher escritora


possua 500 libras anuais, ela ainda
está fadada ao esquecimento, pois
não pode fazer parte do cânone
literário.
A rainha Vitória

a)Bela, mãe de vários filhos, esposa


devotada
b)Viúva, gênio explosivo, rainha do
império britânico em expansão, que
se tornou uma potência imperialista
No caso Isabella Robinson, 1858, ela uma adúltera perdeu
o direito ao divórcio. O marido, 3 filhas fora do casamento,
foi à corte dizer que o adultério da mulher era mais grave,
já que poderia poluir sua descendência.
Os manuais de saúde da mulher comumente associavam
O duplo forte desejo sexual feminino à loucura.
padrão de Quando os diários de Mrs Robinson narrando seus
moralidade, encontros eróticos com amantes foram encontrados, ela
foi considerada louca.
Inglaterra,
(1837-1901)
O divórcio não era comum, raramente
aceito e muito difícil de obter. Deveriam
existir motivos justificáveis para uma mulher
solicitor pedido de divórcio.

A única razão possível e aceitável para um


juiz da era Vitoriana conceder o divórcio a
LEIS DO um cônjuge era o adultério, valido apenas
DIVORCIO para o homem.

Se uma mulher quisesse obter o divórcio, ela teria


que provar que o marido cometeu bigamia, além
de comprovar que ele tinha sido excessivamente
cruel para com ela e que também teve relações
incestuosas. Um pedido de divórcio tinha que ter
testemunhas, usualmente escolhidas pelo marido.
Nos idos de 1860, uma série de leis- as
Contagious Diseases Acts- tentaram controlar
as doenças venéreas, especialmente nas
forças armadas, através da retirada das
prostitutas das ruas de centros urbanos e zonas
portuárias. Tais leis foram resultado de
campanhas de vários grupos “preocupados
com a saúde pública”.
MAIS
EXEMPLOS: Um forte protesto cresceu, liderado pela
reformista social Josephine Butler, líder da
Ladies' National Association. Seu argumento
era o de que os homens frequentadores de
prostíbulos é quem precisavam ser punidos.
Tais leis foram suspensas em 1883 e extintas em
1886.
Com Charles Darwin, deteriora-se
a visão de que a criação do
mundo foi divina e que Bíblia é o
texto sagrado mais importante.

RELIGIOSIDADE
NO PERÍODO
Quem define nossa moralidade e
nossas regras sociais?
A revolução sexual ainda é parcial pois as mulheres
ainda são inferiores aos homens;
SIMONE DE
BEAUVOIR,
O Segundo A tradição concede o status de mito a autores como
Sexo (1949): D. H. Lawrence, Andre Breton.
“One is not
born a
Por outro lado, solidifica a construção de uma
woman; imagem da mulher como sendo ‘o outro’;
rather,
becomes
one.” Necessidade de explorar e desnudar as convenções
patriarcais e os preconceitos e imparcialidades
existentes em textos escritos por homens.
As tais ‘qualidades femininas’ são um
construto social, assim como o são a
submissão, o silenciamento, a necessidade
de validação e a ausência de autonomia;
Simone de
Beauvoir, A mulher acaba por ter retirada sua
subjetividade e sua capacidade de se impor
O Segundo enquanto sujeito de si mesma, sendo
Sexo (1949) mantida em perpétuo estado de escravidão;

Aprende a ser como uma boneca, feita


para o olhar dos outros, para a
expectativa do mundo, e para ser consolo
e conforto de alguém.
Debate de hoje (1,0 extra):
Quais as visões defendidas por Showalter e de Beavouir?
Como estas confluem com as de Virginia Woolf?
Após a leitura do conto A Viúva e o Papagaio, discuta:
a) que tipo de ‘moral da estória’ parece querer construir a autora?
b) O conto pode ser considerado um exemplo de literatura infanto-
juvenil?
Que questões parecem ser problematizadas ao longo da narrativa?
Você percebe que a autora traz à tona a construção de algum tipo
de feminilidade unilateral/ discriminatória/ excludente?
Como o conto se alinha às leituras teórico-críticas feitas até o
momento?
Julia
Kristeva
Pesquisa: Helene
French Cixous
feminism
Luce
Irigaray
Resumo crítico: ‘O Segundo Sexo’ de Simone,
vol. 2: A experiência vivida, pp. 7-65 e as 3
ondas feministas

Pontuação: 3,0
Entrega 20 de Junho, por e-mail