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ABDOME AGUDO Inflamatório

Apresentação: Luiz Henrique Mota¹


Orientação: Dr. Daniel Rohrs²

¹ Interno do curso de Medicina – UFRB


² Docente do curso de Medicina - UFRB 1
Sumário
 Abdome agudo - Fisiopatologia
- Classificação - Diagnostico  Doença Inflamatória Pélvica
- Etiologia - Tratamento - Aspectos clínicos
- Exame físico - Abordagem cirúrgica - Fisiopatologia
- Classificação e características da - Diagnostico
dor
 Colecistite aguda - Tratamento
- Avaliação do paciente
- Aspectos clínicos
- Fisiopatologia  Caso Clínico
 Apendicite aguda
- Diagnostico  Caso Clínico (bônus)
- Aspectos clínicos
- Tratamento
- Fisiopatologia
- Abordagem cirúrgica
- Diagnostico
- Tratamento
 Pancreatite aguda
- Abordagem Cirúrgica
- Aspectos clínico
- Fisiopatologia
 Diverticulite
- Diagnostico
- Aspectos clínicos 2
- Tratamento
Abdome agudo
• Dor abdominal, não traumática, de aparecimento súbito e de
intensidade variável à qual se associam, frequentemente, outras
manifestações locais e gerais, e que podem ter extrema gravidade,
necessitando de definição diagnóstica e de conduta terapêutica
imediata.
Brunetti & Scarpellni, 2007

Townsend e cols., 2015. 3


Classificação
• Classificação
- Anatomia

- Causas abdominais e extra-abdominais


Endócrinas e metabólicas ou Hematológicas ou Toxinas/Drogas

- Processo desencadeante:

Inflamatório Vascular Perfurativo Hemorrágico Obstrutivo


Townsend e cols., 2015. 4
Principais causas de Abdome Agudo
Inflamatório

Townsend e cols., 2015. 5


Principais causas de Abdome Agudo
Inflamatório

Townsend e cols., 2015. 6


Sítio da dor e
correlação
anatômica

Figura 1. Caráter da dor – Gradual, progressiva Townsend e cols., 2015. 7


Dor abdominal – Fisiopatologia
• Dor visceral - inervadas por fibras autonômicas que respondem
basicamente a sensações de distensão e contração muscular – a dor
visceral é tipicamente vaga, imprecisa e nauseante.

• Dor somática vem do peritônio parietal, o qual é inervado por nervos


somáticos que respondem à irritação secundária a processos
infecciosos, químicos ou inflamatórios. A dor somática é forte e bem
localizada.

Townsend e cols., 2015. Meneghelli, 20038


Dor referida é a dor percebida em locais distantes de sua origem e resulta da
convergência de fibras nervosas na medula espinal.

Townsend e cols., 2015. 9


Meneghelli, 2003
Características da dor

• Modo de aparecimento e curso

• Localização inicial, mudança de local e irradiação.

• Intensidade e tipo

• Fatores agravantes e fatores que aliviam

• Sinais e sintomas associados

Townsend e cols., 2015. 10


Avaliação do Paciente
• Postos-chave
- Exame físico detalhado
- Procurar, primeiramente, por causas que ameacem a vida;
- Descartar gravidez em mulheres em idade fértil;
- Buscar sinais de peritonite, choque e obstrução;

• Sinais de gravidade:
- Dor intensa
- Sinais de choque (taquicardia, hipotensão, diaforese, confusão mental)
- Sinais de peritonite
- Distensão abdominal

Townsend e cols., 2015. 11


Apendicite aguda

Townsend e cols., 2015. 12


Apendicite aguda
• Inflamação do apêndice vermiforme;
• Obstrução do lúmen do apêndice
- Fecalito;
- Agentes infecciosos;
- Hiperplasia linfoide;
- Sementes e grãos alimentares*

• Homens vs. mulheres (1.3:1);


• Risco de acometimento = 8.6%;

Townsend e cols., 2015. 13


Fisiopatologia

Townsend e cols., 2015. 14


Aspectos clínicos
• Dor periumbilical > migra para QID (em 1 a 12 horas) > piora à valsalva >
cólica intermitente;

• Tempo de apresentação sintomatológica e Idade > 50 anos ↑ probabilidade


de Apendicite Complicada (perfuração ou abscesso intra-abdominal) –
(4 - 6%);

• Sintomas comumente associados: Anorexia (em 95% dos pacientes com


apendicite aguda) e Vômitos (observados somente em 75% dos pacientes);

• Variações anatômicas e apresentações atípicas:


Townsend e cols., 2015. 15
Variação anatômica (frequência)

• Retrocecal e paracecal – 75%


• Pélvico e subcecal – 20%
• Pre-ileal e retro-ileal – 5%

- Retrocecal → dor no flanco;


- Retroileal → dor nos testículos, devido à
irritação da artéria espermática ou do ureter;
- Pélvico → dor suprapúbica;
- Apêndice longo com inflamação na ponta
(QIE) → dor ipsilateral;
Townsend e cols., 2015. 16
Diagnóstico
• Clínico, investigações adicionais não deverão atrasar o manejo cirúrgico;
• Em particular, as mulheres, idosos e crianças podem se beneficiar de
exames de imagem pré-operatórios;
• Variações na literatura e regionais;

Townsend e cols., 2015. 17


Tratamento

• Apendicite aguda não complicada


- Apendicectomia + cuidados de suporte

• Apendicite aguda complicada


- Apendicectomia com conduta específica + cuidados de suporte + antibiótico

Townsend e cols., 2015. 18


Abordagem cirúrgica

Apêndice: Ligadura e excisão na base e/ou invaginação do


coto no ceco. 19
Atualização

Townsend e cols., 2015. 20


Townsend e cols., 2015. 21
Diverticulite

Townsend e cols., 2015. 22


Diverticulite
• Diverticulose cólica → herniação da mucosa e da submucosa através da
camada muscular da parede cólica → hiperatividade do músculo liso
cólico;

• Doença diverticular → estado clínico causado por sintomas relacionados


aos divertículos cólicos e inclui um amplo espectro de sinais e sintomas;
- colite segmentar; hemorragia digestiva; perfuração, peritonite; fístula;

• Diverticulite → inflamação ≥ 1 divertículos → associado ou não a processo


infeccioso.

Townsend e cols., 2015. 23


Epidemiologia
• Incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente > 50 anos;
↓ incidência de doença diverticular entre os vegetarianos;

Etiologia
• Multifatorial – Fatores genéticos e ambientais;
• Baixo consumo de fibra alimentar ( Ocidente)
• ↓ atividade física; ↑ de carne vermelha, ↑ bebidas alcoólicas e cafeína; uso de
AINES;

Townsend e cols., 2015. 24


Fisiopatologia
• Uma dieta pobre em fibras aumenta o tempo do trânsito intestinal e diminui
o volume das fezes, resultando em aumento da pressão intraluminal e da
segmentação cólica, que predispõem à formação diverticular;

• O espessamento dos músculos circulares e a diminuição das tênias cólicas


sem uma verdadeira hipertrofia muscular são causados pelo aumento de
deposição de elastina entre as células musculares e as tênias do colo;

• óxido nítrico > atua na complacência da camada


muscular circular > sendo responsável pela segmentação da parede cólica;

Townsend e cols., 2015. 25


Classificação

• O risco de morte é < 5% no estágio 1; 13%


estágio 3 e 43% estágio 4;

Townsend e cols., 2015. 26


Tratamento
• Diverticulite aguda não complicada
Antibióticos + sintomatológicos + hidratação; .
Casos em que deve-se considerar internamento:
- Analgesia com narcóticos;
- Vômitos incoercíveis e intolerância à ingestão oral;
- > 80 anos
- Comorbidades (DM; IRC; Imunossupresso; Neoplasia hematológicas, ATB EV)

* Ausência de melhora clínica e laboratorial em 72h considerar


abordagem cirúrgica;

Townsend e cols., 2015. 27


Tratamento
• Diverticulite aguda complicada
Abscesso intra-abdominal
< 4 cm e sem peritonite (estádio 1 de Hinchey) >> ATB + repouso intestinal
> 4 cm (estádio 2 de Hinchey) >> considerar drenagem percutânea guiada
pela TC + ATB;
*Procedimento substitui a operação de urgência por procedimento eletivo (6 a
8 semanas após drenagem);

Estágio 3 e 4 de Hinchey – Sigmoidectomia + anastomose primária* ou a


Hartmann;

Townsend e cols., 2015. 28


Abordagens cirúrgica

Townsend e cols., 2015. 29


Townsend e cols., 2015. 30
Prevenção de recorrência
• Dieta rica em fibras
• Terapia antibiótica de longo uso com Rifaximina – 400 mg 12/12h, durante
sete dias a cada mês
• Atua na redução da pressão intracolônica e o risco de recorrência.

Townsend e cols., 2015. 31


Dica de Leitura

32
Colecistite aguda

33
Colecistite aguda
• Colecistite aguda é a inflamação aguda da vesícula biliar, é uma das
principais complicações da colelitíase;

• Calculosa >> 90% - 95% dos casos;


• Formas específicas:
- Acalculosa >> 5 a 10% dos casos
- Xantogranulomatosa
- Enfisematosa

Townsend e cols., 2015. 34


Epidemiologia
• > sexo feminino (3:1), nas 5.ª e 6.ª décadas;

• 2ª causa mais frequente de abdome agudo na gravidez, apendicite 1ª;

• Forma alitiásica > sexo masculino (2 a 3:1), tal como sucede com a enfisematosa
(5:1).

• Complicações nas formas avançadas de colecistite aguda varia entre 7,2 e 26%.

• Incidência de morbilidade = 17% - gangrenosa (7,1%), supurativa (6,3%),


perfurada (3,3%) e enfisematosa (0,5%).
Townsend e cols., 2015. 35
Classificação
Classificação histopatológica
- Edematosa
1ª fase (2 a 4 dias)
Edema na camada subserosa.
- Necrosante
2ª fase (3 a 5 dias)
Edema com áreas de hemorragia e necrose.
- Supurativa
3ª fase (7 a 10 dias)
Abscessos parietal e perivesicular;
- Crônica
Atrofia da mucosa e fibrose da parede da vesícula biliar

Townsend e cols., 2015. 36


Aspectos clínicos
• Episódio prévio de dor biliar

• Dor intensa e contínua por > 30 min, podendo está associado a piora pós
prandial, febre, anorexia e náuseas;

• Sintomas incomuns: vômitos, icterícia leve (10%);

• O exame físico pode revelar sensibilidade ou uma massa palpável no


quadrante superior direito

• Murphy positivo (especificidade 76% a 96%) para colecistite aguda;


Townsend e cols., 2015. 37
Diagnóstico
Critério Diagnóstico

Fonte: Tokyo Consensus Meeting Tokyo Guidelines, 2007.

Townsend e cols., 2015. 38


Diagnóstico
• Laboratoriais • Imagem
Hemograma USG
PCR TC
Bilirrubina total e frações
FA
G-GT
Coagulograma
TGO/TGP
Ureia/Creatinina
Townsend e cols., 2015. 39
Diagnóstico
• USG de abdome
sensibilidade 85%
especificidade95%

Achados
Espessamento da parede da vesícula ( > 4 mm)
Distensão da vesícula (> 8 cm)
Cálculos na vesícula
Líquido perivesicular
Murphy ultrassonográfico especificidade 95%

Townsend e cols., 2015. 40


Critério de Gravidade – Colecistite Aguda

Fonte: Tokyo Consensus Meeting Tokyo Guidelines, 2007.


Townsend e cols., 2015. 41
Tratamento

Townsend e cols., 2015. 42


Abordagem cirúrgica

Zoolinger. 43
Abordagem cirúrgica

Townsend e cols., 2015. 44


Dica de leitura

Townsend e cols., 2015. 45


Pancreatite aguda

46
Pancreatite aguda
• Transtorno do pâncreas exócrino associado com lesão da célula acinar
com respostas inflamatórias sistêmica e local;

• Biliar e Alcoólica >> Biliar mais comum em mulheres > 60 anos e a


alcoólica em homens;

• Forma leve > mortalidade de 1%, Forma grave > 10% (com necrose
estéril) e 25% (com necrose infecciosa);

Townsend e cols., 2015. 47


Apresentação Clínica
• Dor em abdominal ( em faixa) ou epigástrica com irradiação pra dorso;

• Vômitos e náuseas (70/80%) >> desidratação, anormalidades eletrolíticas e


alcalose metabólica hipocalêmica;

• Anorexia (comum)

• Sinais de hipovolemia ( hipotensão, sudorese, turgor dimiunuido) em casos


mais graves taquicardia e taquipneia;

Townsend e cols., 2015. 48


Sinais clínicos
• Sinal de Grey tuner
• Sinal de Culen
• Sinal de Chvostek

Townsend e cols., 2015. 49


Fisiopatologia
• (1) ativação prematura de tripsina dentro do pâncreas;
• (2) inflamação intrapancreática;
• (3) processos extrapancreáticos inflamatórios;

• Episódios recorrentes de pancreatite resultam em fibrose e pancreatite


crónica.

• Além do risco de desidratação e desnutrição, a pancreatite crónica não é


tipicamente ameaçadora de vida.

Townsend e cols., 2015. 50


Critérios para diagnóstico

Townsend e cols., 2015. 51


Diagnóstico
• Exame laboratorial
Lipase sérica*
Amilase sérica
Razão amilase/lipase > 5 ( etiologia alcoólica - ↓ sens.)
Hemograma completo
PCR
Hematócrito
Gasometria arterial
TGP/TGO

• Exame de imagem
TC de abdome (Critérios de Balthazar)
Townsend e cols., 2015. 52
Critérios de Predição de formas graves
• Critérios de Hanson

0 a 2 = 0%
3 a 4 = 15%
5 a 6 = 50%
>6 = 100%

Townsend e cols., 2015. 53


Critérios de
Predição de formas
graves
• Classificação de Atlanta

Townsend e cols., 2015. 54


Classificação
• Classificação de
Bhaltazar

Townsend e cols., 2015. 55


Tratamento

Townsend e cols., 2015. 56


Tratamento

Townsend e cols., 2015. 57


Dica de leitura

Townsend e cols., 2015. 58


Doença Inflamatória Pélvica

59
Aspectos Gerais
• Importante causa de consultas de mulheres em idade reprotutiva
• DST: associação em 85-90% dos casos
• Diagnóstico difícil (sintomas pouco específicos)
• Atraso assistencial -> Sequelas inflamatórias.

Conceito
Infecção aguda das estruturas do Trato Genital Superior feminino
(envolvendo útero, tubas e ovários); acompanhada muitas vezes de
acometimento de órgãos pélvicos vizinhos.

Townsend e cols., 2015. 60


Etiologia
85% causados por agentes patogênicos
transmissíveis sexualmente ou associados a
Vaginose bacteriana.
• Mulheres na menacme: Mycoplasma genitalium e anaeróbios.

15% causados por agentes não


transmissíveis sexualmente.

• Agentes entéricos: E coli, Bacterióides fragilis, estreptococos do


Grupo B e Campylobacter spp.

• Agentes respiratórios: Mycobacterium tuberculosis, Haemophilus


influenzae, Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus.
Townsend e cols., 2015. 61
Etiologia
Neisseria gonorrhoeae

Agentes patogênicos mais comuns


nas mulheres sexualmente ativas
• 15% das infecções
endocervicais produzem DIP.

Chlamydia trachomatis
• 10 a 15% das infecções
endocervicais produzem DIP.
• Responsável por cerca de 1/3
dos casos de DIP.

Townsend e cols., 2015. 62


Fatores de risco
• Múltiplas parcerias sexuais
• DST na parceria
• Mulheres jovens (15 – 25 anos)
• Passado de DIP
• Não uso de método contraceptivo de barreira
• Uso de contraceptivos orais*
• Uso de DIU*

Townsend e cols., 2015. 63


Características clínicas
Espectro da doença: Aguda ou indolente

• Dor abdominal:
- Bilateral, variável, duração inferior a duas semanas.
- Maior intensidade durante o coito ou com movimento brusco.
• Sangramento uterino anormal (1/3 dos casos).
• Corrimento vaginal.
• Sintomas mais intensos (dor e febre) -> Peritonite e abscesso pélvico.

Townsend e cols., 2015. 64


Exame Físico
• Sensibilidade abdominal à palpação.
Exame • DIP grave: Irritação peritoneal, febre e diminuição de RHA.
abdominal

• Corrimento endocervical purulento e/ou vaginal.


Exame
especular

• Dor ao toque (exame bimanual).


• Dor à mobilização do colo.
Toque • Dor à palpação dos anexos.
vaginal

Townsend e cols., 2015. 65


Diagnóstico

Townsend e cols., 2015. 66


Diagnóstico
Os critérios definitivos incluem:

• Biópsia do endométrio com evidência histopatológica de


endometrite

• Anormalidades laparoscópicas consistentes com a DIP

• USG transvaginal ou RNM exibindo tubas espessadas contendo


fluido com ou sem líquido livre na pelve ou complexo tubo-ovariano

• Estudos de Doppler sugerindo infecção pélvica (hiperemia tubária).


Townsend e cols., 2015. 67
Tratamento
• Iniciado a partir do diagnostico presuntivo;

TRATAMENTO TRATAMENTO
AMBULATORIAL HOSPITALAR

CRITÉRIOS DE HOSPITALIZAÇÃO:
• Não foi excluída uma emergência cirúrgica.
• Abscesso Tubo-ovariano.
• Gravidez.
• Severidade dos sintomas, náuseas e vômitos ou febre elevada.
• Falta de condições para seguimento ou intolerância ao esquema oral.
• Ausência de resposta clínica à terapia antimicrobiana oral.
Townsend e cols., 2015. 68
Tratamento
Regime Ambulatorial

Ceftriaxone 250mg
IM DU
OU Doxiciclina 100mg Metronidazol 500mg
Cefoxitina 2g IM VO 12/12h 14 dias VO 12/12h 14 dias
DU+ Probenecida 1g
VO DU

Townsend e cols., 2015. 69


Tratamento
Regime hospitalar
Cefalotina 2g EV 12/12h
Doxiciclina 100mg VO ou EV
OU
12/12h
Cefoxitina 2g EV 6/6h

Gentamicina EV ou IM
Clindamicina 900mg EV 8/8h Dose inicial: 2mg/kg
Doses seguintes: 1,5mg/dia

Townsend e cols., 2015. 70


Tratamento
Considerações:
• Seguimento
• Tratamento Hospitalar: avaliar melhora após 72h.
• Tratamento da parceria:
• Se constatada infecção para Clamídia e Gonococo
• Esquema: Azitromicina 1g VO DU + Ciprofloxacino 1g VO DU.
• Gravidez
• Tratamento Hospitalar sempre!
• Alta morbi-mortalidade e risco de Parto prematuro.
• DIU
• Não necessita ser retirado
• Retirar se não houver melhora clínica em 48-72h.
• Alérgicas à Penicilina:
• Preferir Cefalosporinas de 2ª ou 3ª geração.

Townsend e cols., 2015. 71


Indicações de Tratamento cirúrgico
• Falha do tratamento clínico;

• Presença de massa pélvica que persiste ou aumenta, apesar do


tratamento clínico;

• Suspeita de rotura de Abscesso Tubo-ovariano;

• Hemoperitôneo;

• Abscesso de fundo de saco de Douglas.

Townsend e cols., 2015. 72


CASO CLÍNICO
“”

73
Dor
abdominal há
HMA: 08 dias.
J.P.R., sexo masculino, 73 anos, branco, casado,
católico, natural e procedente de Serra Grande (Valença
– Ba), deu entrada no HRSAJ em 13/03/19 com quadro
de dor abdominal, de forte intensidade, em região de
hipocôndrio direito, irradiada pra dorso há 08 dias
associada a náusea, sudorese, taquicardia, e desconforto
respiratório durante a crise, buscou atendimento médico
no município de origem sendo prescrito sintomático e
recebendo alta após melhora clínica. Há 04 dias da
admissão evoluiu com piora da dor abdominal
localizada em todo abdome superior associada a
icterícia, colúria, acolia fecal e febre mensurada
(39,4°C), buscando atendimento médico em município
vizinho recebendo alta após melhora da dor.
74
Suspeitas diagnósticas

75
IS: Relata astenia e inapetência há 08 dias. Nega
cefaleia, síncope, vertigem, pirose, regurgitação, dor
retroesternal.

HV: Nega elitismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas.

HPS: Reside com esposa e dois filhos, tem acesso a agua


tratada. Nega animais de estimação. Aposentado,
desenvolve atividades na agricultura familiar.

HPP: Prostatectomia sec. a HPP há 1 anos. HAS em uso


de Valsartana 325mg + Hctz 25mg. Nega alergias.

76
HMA: (Continuação)
Em 13/02 ainda apresentando o quadro clínico
anteriormente apresentado o paciente buscou
atendimento ambulatorial de gastroenterologista no
município de SAJ-BA, que solicitou exames
complementares e o encaminhou para a
emergência do HRSAJ.

77
Exame Físico
SINAIS VITAIS TÓRAX
PA: 120 x 80 mmHg Simétrico, sem abaulamentos
FC: 98bpm ou retrações. Exame pulmonar
FR: 16 irpm e cardíaco sem alterações.
Temp.: 36,5° C
SatO2: 97% em ar ambiente
ABDOME
CABEÇA E PESCOÇO Plano, ausência de hérnias ou
Fotorreatividade pupilar circulação colateral. Doloroso a
preservada, ausência de palpação superficial e profunda.
hemorragias conjuntivais, Sinal de Murphy +, Ausência
linfadenopatias cervicais. de IP.
Estase de jugular ausente.

AP. APENDICULAR
SOMATOSCOPIA Pulsos periféricos palpáveis
LOTE, Ictérico +++/4+ AA, bilateralmente. Ausência de
corado e hidratado. artrites e edemas.
78
Suspeitas diagnósticas
• Acrescentariam mais alguma?

• Quais exames complementares


vocês solicitariam?

79
Exames complementares

Exames Laboratoriais Exame de Imagem

80
Exames laboratoriais (13/02/2019)
Valor Referência
Leuco 8.900 (4.000–10.000)
Bastões 0% (0 %)
Plaquetas 161.000 (150.000-450.000)
TP (RNI) 67,1 (1,23) (70– 100)

Valor Referência Valor Referência


TGO 48 U/L (0 – 37) Amilase 345 U/L ( 0– 115)
TGP 73 U/L (0 – 41) BT 12,2 mg/dL (< 1)
FA 122 U/L (40 - 129) BI 2,9 mg/dL (< 0,7)
G-GT 345 U/L (0 – 30) BD 4,6 mg/dL (< 0,3)
81
USG de Abdome
• Realizado em 13/02
- Colecistite crônica litiásica

Fonte: Arquivo do paciente JPR, 73 anos.


82
Próximos passos...

???

83
CPRM (20/02/19)

84
CASO CLÍNICO
“Estejam atentos aos diagnóstico diferenciais”

85
Dor forte na barriga há 18
horas. 1 dia.”

HMA:
F.A.S, sexo masculino, 54 anos, pardo, solteiro,
católico, natural e procedente de São Felipe, deu entrada
no HRSAJ em 21/02/19 com quadro de dor abdominal
em aperto há 18 horas, de início súbito e de forte
intensidade, em região de epigástrio que progrediu com
irradiação para fossa ilíaca direita evoluindo com dor
abdominal difusa, com piora a manobra de valsava e ao
toque, nega fator de melhora, associada a sudorese
profusa e um episódio de vômito pós prandial. Nega
febre, icterícia, obstipação, melena, diarreia.

86
IS: Nega cefaleia, síncope, vertigem, pirose, regurgitação, dor retroesternal e
alterações urinárias.
Hábitos de vida

HV: Etilista social há 30 anos. Nega tabagismo e uso de drogas ilícitas.

HPS: Reside sozinho em local provido de saneamento básico adequado. Coleta de lixo
e acesso a agua tratada. Nega animais de estimação. Trabalha como encanador da
Embasa.

HPP: Nega antecedentes patológicos, cirúrgicos e alergias.

87
SINAIS VITAIS
PA: 100 x 60 mmHg
Exame Físico TÓRAX
Simétrico, sem abaulamentos
FC: 108bpm ou retrações. Exame pulmonar
FR: 20 irpm e cardíaco sem alterações.
Temp.: 36,5° C
SatO2: 97% em ar ambiente

SOMATOSCOPIA ABDOME
LOTE, AAA, corado e Plano, ausência de hérnias ou
hidratado. circulação colateral. Doloroso a
palpação superficial e profunda.
Presença de Irritação peritoneal
CABEÇA E PESCOÇO difusamente.
Fotorreatividade pupilar
preservada, ausência de
hemorragias conjuntivais,
linfadenopatias cervicais. AP. APENDICULAR
Estase de jugular ausente. Pulsos periféricos palpáveis
bilateralmente. Ausência de
artrites e edemas.
88
SUSPEITAS DIAGNÓSTICAS

89
Lista de suspeitas
• Abdome Agudo inflamatório:
- Apendicite Aguda
- Colecistite
- Úlcera gástrica
- Pancreatite aguda

• Abdome agudo perfurativo:


- Ulcera péptica perfurada

90
Quais exames solicitar?
• Exames laboratoriais

• Exame de imagem

91
 Porta Exame:

Paciente porta USG de abdome total realizada em 21/02/19 com laudo de


Apendicite Aguda.

92
Centro Cirúrgico (ficha operatória)
1° momento
• Incisão de McBurney: líquido livre na cavidade sugestivo de conteúdo
gástrico

2º momento
• Incisão mediana supra-umbilical: Ulcera péptica perfurada em
localização de pequena curvatura ~1 cm.

93
Pontos chave
• Pensar sempre no diagnóstico diferencial

• Está preparado para as eventualidades

• Exame Físico e anamnese bem realizada

• Lembre-se: Abdome tem origem no latim “abdere” – esconder;

94
Referências
MAYUMI, T. et al., Results of the Tokyo Consensus Meeting Tokyo Guidelines. Journal of Hepato‐Biliary‐Pancreatic Surgery, 14: 114-121. 2007.
doi:10.1007/s00534-006-1163-8
Scott, AJ, Mason, SE, Arunakirinathan, M., Reissis, Y., Kinross, JM e Smith, JJ (2015), Estratificação de risco pelo escore de Resposta Inflamatória à
Apendicite para guiar a tomada de decisão em pacientes com suspeita de apendicite. Br J Surg, 102: 563-572. doi: 10.1002 / bjs.9773
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