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AS RELAÇÕES AFETIVAS NA

CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM
MARIA, DE CORDA BAMBA
Nayanne Ribeiro da Silva¹
Denise Noronha Lima²

¹Aluna do curso de Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa e Literatura da UECE/FAFIDAM, email:


nayanne.ribeiro@aluno.uece.br

²Professora do curso de Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa e Literatura da UECE/FAFIDAM, email:


Denise.noronha@uece.br
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
• Nasceu em 26 de agosto de 1932 em Pelotas no Rio
Grande do Sul, mas se mudou durante a infância para o
Rio de Janeiro;
• Em 1951 entrou para a Companhia de Teatro Os Artistas
Unidos, que se apresentou pelo interior. Nessa época
passou a atuar como atriz de rádio e participava de
programas de televisão;
• Em busca de uma vida integrada à natureza mudou-se
para o interior do Estado do Rio de Janeiro. Abandonou
os palcos e as outras atividades na televisão. Junto com
o marido fundou a “Toca”, uma escola rural para crianças
carentes;
Fotografia 1 – Lygia Bojunga Nunes

• Em 1972 publicou seu primeiro livro “Os colegas”; Fonte: Google Imagens. Disponível em:
https://www.google.com.br/search?q=lygia+bojunga+nunes&rlz=1C1AVUC_enBR742BR743&source=lnms&tbm=isch&sa
=X&ved=0ahUKEwi4y4_KsZLbAhVMHpAKHWJODZoQ_AUICygC&biw=1366&bih=662#imgrc=8pSgxYH7jyldgM:. Acesso
• Sua obra já foi traduzida para diversos idiomas. em: 19 de maio de 2018.
LITERATURA INFANTIL, ARTE LITERÁRIA OU
INSTRUMENTO PEDAGÓGICO?
• A relação da literatura infantil com a • Desde o início a literatura infantil
tradição oral; possuiu forte caráter exemplar;
Assim pode-se falar sobre a origem • Porém, a literatura não se limita a
mítica da literatura e sobre a função ensinar, mas possibilita também ao
mitológica da leitura que substituiu no leitor aflorar sua criatividade,
mundo moderno a literatura oral e a imaginação e criticidade;
narração de mitos das sociedades A literatura infantil é, antes de tudo,
primitivas. Ouvir histórias foi e continua literatura; ou melhor, é arte: fenômeno
sendo parte integrante da constituição de criatividade que representa o
psicológica do homem. (SANDRONI, mundo, o homem, a vida, através da
2011, p.24) palavra. Funde os sonhos e a vida
• O caráter moralizante das histórias prática, o imaginário e o real, os ideais e
contadas pela tradição oral. sua possível/impossível realização...
(COELHO, 2000, p.27)
LYGIA BOJUNGA NUNES: A ORGANIZAÇÃO FICCIONAL
• Infância como tema principal da obra A estrutura da narrativa é
de Lygia Bojunga Nunes; virtualmente a mesma em todos os
• Narrativa com elementos fantásticos: livros: pequenos capítulos que se
elementos tomados do real para sucedem sem compromisso com a
discutir os comportamentos sociais;
• Com o objetivo de discutir os
ordem cronológica e nos quais os
comportamentos sociais frutos da personagens principais apresentam
ideologia dominante sem, no sua história, interrompida
entanto, deixar de lado sua função frequentemente pelo aparecimento
lúdica. de outros personagens secundários,
que acrescentam novos dados à
narrativa principal, além de trazerem
motivos de interesse próprio.
(SANDRONI, 2011, p.73-74)
CORDA BAMBA Imagem 1 – Capa do livro “Corda bamba”.

• Publicado em 1979;
• Divido em 12 capítulos;
• Corda bamba é a história da viagem de
Maria para dentro de si mesma;
• Assistiu à morte de seus pais durante
um espetáculo;
• Assim, Maria passa a ser criada pela a
avó, na casa dela Maria encontra todas
as coisas de que precisa, exceto amor.
Fonte: Google Imagens. Disponível em:
https://www.google.com.br/search?rlz=1C1AVUC_enBR742BR743&biw=1366&bih=613&tbm=isch&s
a=1&ei=PHEAW7eoEoWVwATr9bq4Cw&q=corda+bamba+lygia+bojunga&oq=corda+bamba+lygi&gs
_l=img.3.0.0j0i24k1l4.2032.3424.0.4470.5.3.0.2.2.0.179.517.0j3.3.0....0...1c.1.64.img..0.5.530...0i8i30
k1.0.g3uHRmjHp0Y#imgrc=jD0igZoLS9V-YM:. Acesso em 19 de maio de 2018.
A LINGUAGEM SIMBÓLICA EM CORDA BAMBA
• Para propiciar um maior entendimento e A literatura infantil, trabalhando com a
aproximação do jovem leitor, a literatura linguagem simbólica, dá a criança respostas a
infantil utiliza-se de determinadas estratégias, seus conflitos, possibilitando-lhe vivenciá-los
como por exemplo, a linguagem utilizada; em seu imaginário e com isso sugerindo
• Em Corda Bamba, podemos observar o uso da soluções que levarão ao amadurecimento
linguagem simbólica em alguns aspectos, a psicológico. (SANDRONI, 2011, p.82)
história retrata a viagem de Maria para
dentro de si mesma, na busca da
recomposição de seu interior, de sua vida;
• A própria corda é o elemento simbólico, que
representa o viver na corda bamba, expressão
cotidiana que utilizamos para expressar que
existir requer enfrentar obstáculos e desafios
diários necessários para sobreviver;
• Dessa maneira, Maria na corda bamba busca
equilíbrio entre o passado que viveu e o
futuro que a aguarda.
AS RELAÇÕES AFETIVAS E A CONSTRUÇÃO DA
PERSONAGEM MARIA, EM CORDA BAMBA
• Henri Wallon em seu estudo • A personagem Maria no estágio
psicogenético, considera que a categorial, o abrandamento dos
dimensão afetiva ocupa lugar conflitos ou trégua interpessoal.
central, tanto da ótica da • A partir do momento que Maria
construção da pessoa quando do aceita os traumas do passado e
conhecimento; começa a pensar no seu futuro, ela
• Entre o ter e o ser: as relações de está apta para avançar para mais
Maria com Maria Cecília Mendonça um estágio de desenvolvimento,
de Melo (avó) em outras palavras, Maria está
• A relação autoritária: professora pronta para seguir em frente.
Dona Eunice;
• As portas do passado;
• As portas para o futuro;
CONSIDERAÇÕES FINAIS
• Podemos observar na obra
Corda Bamba a infância vista
pela ótica de uma criança que
acabou de passar pelo trauma
de perder os pais e passa a viver
com sua avó com quem tem
pouco contato;
• A afetividade como ponto
importante para a construção da
personagem Maria.
REFERÊNCIAS
CANDIDO, Antonio. A personagem do Romance. In: _____ et al. A personagem de
ficção. São Paulo: Perspectiva, 2007. Disponível em:
http://elcv.art.br/santoandre/biblioteca/_em_portugues/A%20Personagem%20do
%20Romance%20-%20Antonio%20Candido.pdf. Acesso em: 26 de maio de 2018.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. 1. ed. São Paulo:
Moderna, 2000.
NUNES, Lygia Bojunga. Corda bamba. 16. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995. 8
SANDRONI, Laura Constância. De Lobato a Bojunga: as reinações renovadas. 2. ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
DANTAS, Heloysa. A afetividade e a Construção do Sujeito na Psicogenética de
Wallon. In: LA TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloysa. Piaget,
Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. 10. ed. São Paulo: Sumus,
1992. p.85-98.