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42-8 A transformação de Lorentz

Conforme mostrado na Fig. 42-9, o referencial inercial S’ se


move a velocidade V em relação ao referencial S, no sentido
positivo do eixo horizontal (marcado por x e x’) comum aos
dois. Um observador em S registra as coordenadas espaço-
tempo x, y, z, t para um evento x’, y’, z’, t’ para o mesmo
evento.
As coordenadas y e z perpendiculares à direção do
movimento, não são afetadas pelo movimento. Isto é y = y’ e
z = z’. O nosso interesse se reduz então à relação entre x e x’
e entre t e t’

Fig. 42-9 Dois referenciais que têm um eixo horizontal comum


(x, x’). O referencial S’ se afasta de S com a velocidade escalar
v.
As Equações da Transformação de Galileu

Na época pré-relativística, as relações que estamos


procurando seriam dadas por

Equação de
x'  x  vt, transformação de
(42-
t'  t 14) Galileu, válida apenas
para baixa velocidades

A primeira dessas duas equações parece derivar da Fig. 42-


9, juntamente com a escolha t = t’ = 0 feitos pelos
observadores para representar o instante em que as origens
dos dois sistemas de coordenadas coincidem.
O fato das equações 42-14 nos parecer tão evidente é
reflexo do fato de que toda a nossa experiência com as
coordenadas de espaço e de tempo é limitada ao caso
muito especial v « c. Realmente, para velocidades
comparáveis com a velocidade da luz, cada uma das
equações da transformação de Galileu deixa de concordar
com a experiência.
As Equações de Transformação de Lorentz

Vamos enunciar, sem provar, que as equações de


transformação corretas, que permanecem válidas para todas
as velocidades, até a velocidade da luz, podem ser
deduzidas dos postulados da relatividade. Os resultados são:

x'  γx  vt , Equação de


y'  y, (42- transformação de
z'  z, 14) Lorentz, válida apenas
 vx  para todas as
t´ γ t  2 
 c  velocidades

Vamos supor que a equação da transformada relativística


para x seja idêntica à transformação clássica exceto pela
presença da constante γ que depende de v e c, mas não das
coordenadas. A transformada inversa deve ser a mesma
forma, a não ser pelo sinal da velocidade:
x  γx'  vt' 
x'  γx  vt 

Os postulados de Einstein exigem que a equação da


componente x da frente de onda do pulso seja x = ct no
referencial S e x’ = ct’ no referencial S’. Substituindo x por ct
e x’ por ct’ na

ct  γct' vt'   γc  v t'


ct'  γct  vt   γc  v t

Podemos eliminar t e t’ dessas duas equações e determinar o


valor de γ. O resultado é o seguinte:

1
 v  2
γ
1
γ 1  2 
2

 c  1  v 2 /c 2
Transformada
inversa

x  vt
x'  ; x'  vt'
1 v / c
2 2 x ;
1  v /c2 2

y'  y; y  y' ;

z  z' ;
z  z' ;

 v  v
t   2 x t' 2 x'
t'  c   c 
t
1  v 2 /c 2 1  v 2 /c 2
Composição das velocidades de Lorentz

dx  vdt v x  v dt
dx'  
1  v /c
2 2
1  v 2 /c 2

dy'  dy dz'  dz

 v  v.v x 
dt   2 dx 1  2 dt
dt'  c    c 
1  v 2 /c 2 1  v 2 /c 2
v x'  v
dx' vx  v vx 
v x'    v
dt'  v2  1   2  v x'
1   2  v x c 
c 

v y' 1  v /c 2 2

dy' v y 1  v /c
2 2
vy 
v y'  
 v  v
1   2  v x'
dt'
1   2 v x
c 
c 

v z' 1  v /c 2 2
dz' v z 1  v 2 /c 2 vz 
v z'  
 v  v
1   2  v x'
dt'
1   2 v x
c 
c 
Contração do comprimento (Lorentz - Fritzgerald)

S S Repouso
’ V e S’

S': L 0  x '2  x 1' Comprimento


Próprio
L
X
0
’ S: L 0  x 2  x 1 Comprimento
L Relativo
X

Com
o:
L 0  x '2  x 1'
L 0  γx 2  vt   γx 1  vt 
x 1'  γx 1  vt 
L 0  γx 2  x 1 
L 0  γL
L  L 0 1  v 2 /c 2
Dilatação Temporal (Relatividade do tempo)

Seja 1 ponto A em repouso em S’: Dois eventos ocorrem no


intervalo medidos

Em S’ → t’1 e t’2 → T0 = t’1 – t’2 → Tempo Próprio


Em S → γ e t2 → T = t1 – t2 → Tempo Relativo

 vx' 
t 1  γ t 1'  2 
 c 
T  γT0
T0
T
v2
1 2
c
Exemplo 1/4
Mostre que dois eventos que ocorrem ao mesmo tempo em
dois pontos diferentes do referencial S: A(XA, yA) e B(XB,
yB) não são simultâneos no referencial S’

t = tA = t B
Co  v 
mo t 'A  γ t  2 x A 
 c 
 v 
t'  γ t  2 x 
 c 
 v 
t 'B  γ t  2 x B 
 c 

t 'A  t 'B  γ
v
2
x A  x b 
c

xA  xB t  t '
A
'
B
Exemplo 2/4
Uma partícula tem vida média τ  T0  10 7 seg . no repouso.
Que espaço percorrerá antes de desintegrar-se se no
instante de sua criação tem v = 0,99c

y  vT0  vτ v2
y0 1  vT0
v2 c2
y  y 0 /γ  y 0 1 2 vT0
c y0 
v2
1 2
c
y 0  210m
Exemplo 3/4
Uma barra é projetada no espaço com velocidade tão alta
que seu comprimento parece contraído a metade. Qual a
velocidade da barra?

L0
L
γ
L0
 γ  0,5
L
1
γ
v2
1 2
c
v  0,86c
Exemplo 4/4
Uma partícula que se move ao longo do eixo x’ do
referencial S’ com vx’ = 0,4c. O referencial S’ se move em
relação ao referencial S com v = 0,6c. Qual a velocidade da
partícula em relação ao referencial S?

v x'  v
vx 
v2 '
1  2 vx
c
0,4c  0,6c Galileu: vx = vx’ + v = 0,4c
vx  + 0,6c = c
1  0,6  2
2 c

c
v x  0,8c
5E. A vida media de múons freados num bloco de
chumbo, fixo num laboratório, é 2,2 µs. A vida média dos
múons com grande velocidade, numa explosão de raios
cósmicos, observada da terra, é 16 µs. Ache a velocidade
destes múons dos raios cósmicos em relação à terra.

Dados:
1
Δt0 = 2,2 µs t  γt 0 γ
1 β2
Δt = 16 µs
β  v/c
V=?
t 0
v  βc
t 
1 β2
2
 t  2
t   
2   2,2 μs 
β  1   
0

 β 2 
 1 
 16 μs 
t 02
t 
2

1 β2 β  0,99

t 02  t 2 1  β 2  v  0,99.3.10 8 m / s
t 02
1 β 
v  2,97.10 8 m / s
2

t 2
t 02
 β  1 
2
( 1) v  3.10 8 m / s
t 2
t 02
β  1
2

t 2
 t 
2

β  1  0 
 t 
8P. Desejamos fazer uma viagem, de ida e volta, viajando
numa espaçonave com a mesma velocidade. Desejamos,
além disso, ao retornar, encontrar a terra como ela será após
1.000 anos contados do início da viagem. (a) com que
velocidade devemos viajar? (b) Importa, ou não, que a
viagem se faça em linha reta? Se, por exemplo, viajássemos
em círculo durante um ano, ainda assim, ao retornarmos,
teriam decorridos 1.000 anos pelos relógios da terra?
Dados:
t
Δt0 = 6 mês t 
Δt = 1000 anos 1 β2
V=? v
β
c
1ano → 12 mês
v  βc

 t 0 
0

β  1  
 t 
2
 6mês 
β  1  
 1000.12mês 
β  0,999999875
v  0,999999875c
12E. O raio de repouso da terra é de 6.370 km e a sua
velocidade orbital em torno do sol é 30 km/s. Qual seria a
redução do diâmetro da terra constatada por um observador
em repouso capaz de ver a terra passar por ele, com esta
velocidade?

Dados:
R0 = 6.370 km
V = 30 km/s
R=?
1 v
R
R0 γ β
γ 1 β2 c
R0
R
2 1km → 1000m
v
1   C = 3.108 m/s
c
6.370km
R
2
 30km / s 
1  
 3.10 km / s 
5

6.370km
R
0,999949998
R  6370,318529km
R  6,37.10 8 cm
13E. Uma nave espacial, com um comprimento de repouso de
130 m, passa por uma estação de observação em a velocidade
de 0,70c. (a) Qual é o comprimento da nave medido pela
estação? (b) Qual é o intervalo de tempo registrado pelo
monitor da estação entre a passagem da parte dianteira e a da
parte traseira e a da parte traseira da nave?

Dados:
L0
L0 = 130 m a) L
γ
V = 0,70c
a) L = ? L  L0 1  β 2
b) Δt0 = ? v
2

L  L0 1  
c
L
b) t 0   0,74c 
2

v L  130m 1   
 c 
87,4m
t 0  L  130m 1  0,74
2
0,74c
L  87,4m
87,4m
t 0 
0,74.3.10 8 m / s
t 0  3,94.10 8 s
t 0  394ns
15P. Um avião, cujo comprimento de repouso é de 40,0 m,
está se movendo, em relação à terra, com uma velocidade
constante de 630 m/s. (a) Em que fração o seu
comprimento de repouso parecerá encurtado pelos relógios
da terra, para um atraso de 1,00 µs registrado nos relógios
do avião? (suponha que somente a relatividade restrita seja
aplicável.)
L0
Dados: L  L0 1  β 2
γ
L0 = 40 m 2
v
v = 630 m/s L  L0 1   
c

2
 630m / s  L
L  40m 1    t 0 
 3.10 m / s 
8
v
2
 630.10 8
 40m
L  40m 1    t 0 
 3  630m / s
L  40m t 0  0,06349 s
17E. A um certo evento, um observador S atribui as
seguintes coordenadas espaço-tempo. Quais são as
coordenadas deste evento num referencial S’ que se move,
no sentido positivo do eixo x, com a velocidade de 0,950c?
Suponha x = x’ para t = t’ = 0.
Dados:
S’
x'  γx  vt 
S
x = 100 km v = 0,950c
 vx 
t = 200 µs t '  γ t  2 
1  c 
γ
2
 0,950c  v
1   β
 c  c
γ
1 v x  βxv c
1  0,950 βx v
2
vx

γ  3,2026 c2 c
vx (0,950)100km

x'  3,2026100km  0,950c.200 μs  c2 3.10 8 m / s


x'  3,2026 100km  0,950.3.10 8.200.10 6 s  vx
c2

(0,950)100.10 3 m
3.10 8 m / s
x'  3,2026100km  57 km vx (0,950)100.10 3.10 8
 s
x'  3,2026.43km c2 3
vx
x'  138km  316,6 μs
t '  3,2026200 μs  316,6 μs 
c2

t '  3,2026 116,6 μs 


t '  373,6 μs
t '  374 μs
18E. Um observador S afirma que um evento ocorreu no
seu eixo x na posição x = 3,00 x 108 m e no instante t = 2,50
s. (a) Um observador S’ está se movendo no sentido dos x
crescentes com a velocidade de 0,400c. Que coordenadas
ele registraria para este evento? (b) Que coordenadas seriam
registradas por S’ se ele estivesse se movendo no sentido
dos x decrescentes, com a mesma velocidade?
Dados: 1
γ
x = 3.108 m  0,4c 
2

1  
t = 2,50 s  c 
γ  1,09
V = 0,4c
x'  γ x  vt 

x'  1.09 3.10 8 m  0,4.3.10 8 m / s.2,5s 
x'  1.093.10 8
m  3.10 8 m 
x'  0
 v  x  γx'vt'
t '  γ t  x2 
 c  
x  1,09 3.10 8 m  0,4.3.10 8 m / s.2,5s 
x  1,093.10 m  3.10 m 
 βx 
t '  1,09 2,5s  v  8 8
 c 
 (0,4)3.10 8 m  x  6,55m
t '  1,09 2,5s  
 3. 10 8
m / s   v 
t  γ t ' x2 
t '  1,092,5s  0,4 s   c 
t  1,092,5s  0,4s 
 t '  2,289 s
t '  2,29 s
t  3,16s
23E. Um observador S vê um clarão de luz vermelha a
1.200 m da sua posição e um clarão de luz azul 720 m mais
perto, sobre a mesma linha reta. Ele mede o intervalo de
tempo entre os dois clarão e encontra 5,00 µs, com o clarão
vermelho ocorrendo primeiro. (a) Que velocidade relativa v
(módulo, direção e sentido) deve ter um segundo observador
S’ para que possa registrar estes dois clarão como ocorrendo
num mesmo local? (b) De acordo com S’, qual o clarão que
ocorre primeiro? (c) Qual é o intervalo de tempo que S’
mediria entre eles?
Dados: 720m
a) v
xv = 1.200 m 5.10 6 s
xa = 720 m
v  1,44.10 8 m / s(3)
v  0,48c
Δt = 5 µs = 5.10-6 s
S’ se move para S. sobre o eixo
comum á velocidade.

b) O clarão “vermelho” com o deslocamento Doppler


1
c)  vx  γ
t '  γ t  2   0,48c 
2

 c  1  
 c 
 0,48c.720m 
t '  1,29 5 μs   γ
1
 c.3.10 m / s 
8
0,769
t '  1,295 μs  1,152 μs  γ  1,29

t '  4,9 μs
27E. Uma partícula dos raios cósmicos aproxima-se da terra, ao
longo do seu eixo, com uma velocidade de 0,80c em direção ao
Pólo Norte, e uma outra partícula aproxima-se, a 0,60c em direção
ao Pólo Sul. (Veja a Fig. 42-13.) Qual é a velocidade relativa de
aproximadamente de uma partícula em relação à outra? (sugestão:
é util considerar a terra e uma das partículas com dois referenciais
inerciais.)
Usando a equação
Dados: 23 temos
V’ = 0,8c v'v
v
vv'
V = 0,6c 1 2
c
(0,8c)  (0,6c)
v
(0,6c.0,8c)
1
c2
1,4c
v
0,48c 2
1
c2
1,4c
v
1  0,48
1,4c
v
1,48
v  0,945945945c
v  0,95c
41E. Ache o parâmetro de velocidade β e o fator de Lorentz γ de
uma partícula cuja energia cinética seja 10,0 Mev, se a partícula
for (a) um elétron, (b) um próton e (c) uma partícula alfa.

K  10Mev
a) me = 9,11.10-31 kg
K  10.10 ev
6

K  10.10 6.1,602.10 12 j b) mp = 1,67.10-27 kg


K  1,602.10 12 j
c) mα = 6,59.10-27 kg

1
K  mc γ  1
2 γ
1 β2
 γ  1
K
1
mc 2 γ
K 1  β 1  β 
γ 1 
mc 2 1 Nesta expressão fizemos 1 + β
γ aproximadamente igual a 2,
γ
K
1 1  β 2 pois β é muito próximo da
mc 2 2 unidade. Resolvendo está
 1  equação em 1 – β, achamos
γ 
2 
 1  β 2 

1
γ2 
1  β 2
1  β 2γ 2  1
1
1 β 
2γ 2
1
β 2

41E. Ache o parâmetro de velocidade β e o fator de Lorentz γ de
uma partícula cuja energia cinética seja 10,0 Mev, se a partícula
for (a) um elétron, (b) um próton e (c) uma partícula alfa.

1,602.10 12 j
γe  1

9,11.10 31 kg 3.10 8 m / s 
2

1
βe   1
1,602.10 12 220,6 
2
γe  31 16
1
9,11.10 .9.10 β e  0,9988
γe  20,6

1,602.10 12 j
γp  1
1,67.10  27
 8
kg 3.10 m / s 
2
1
12 βp   1
1,602.10 21,01
2
γp  10
1
1,503.10 j
β p  0,5
γ p  1,01

1,602.10 12 j
γα  1
6,59.10  27
 8
kg 3.10 m / s  2

1,602.10 12 βα  
1
1
γα  1
21,0027 
10 2
5,931.10 j
γα  1,0027 β α  0,5
55E. A vida média dos múons em repouso é de 2,20 µs. Em
medidas realizadas em laboratório, sobre o decaimento de múons
altamente energéticos proveniente de um feixe que emerge de um
acelerador de partículas, encontra-se para a vida-média 6,90 µs. (a)
Qual é a velocidade destes múons no laboratório. (b) Qual é a
energia cinética e (c) Qual é o seu momento linear? A massa de um
múon é 207 vezes a massa de um elétron.
Dados: 2
a) V = ? a)  2,2 μs 
β  1   
Δt0 = 2,2 µs b) K = ?  6,9 μs 
c) P = ?
Δt = 6,9 µs β  0,948
v  0,99.c
b)
K  mc 2 (γ  1) c)
2  t 0   
E 2  Pc   mc 2
2 2

K  mc   1
 t  Pc   E  mc 
2 2 2 2

Tabela 38.3 E  mc 


2 2 2
P
c 2  511kev c2

c 2  511.10 3 ev P
E 2  mc 2 2


mc 2  (207) 511.10 3 ev  c
106mEV  226Mev 2  106Mev 2
mc  105777000ev
2
P
c
mc  106 Mev
2
314 Mev
P
 6,9 μs  c
K  106 Mev  1 P  314 Mev / c
 2,2 μs 
K  226 Mev