Você está na página 1de 98

Epidemiologia

da doenças
transmissíveis
não
transmissíveis
APS - III

Profa. Maria Socorro Carneiro Linhares


ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS
TRANSMISSÍVEIS

DOENÇA

I. CONCEITOS BÁSICOS:

A) Doença: Desajustamento ou falha nos mecanismos de


adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos
estímulos a cuja ação está exposta.

B) Infecção: é a penetração, alojamento e, em geral,


multiplicação de uma agente etiológico animado (parasita)
no organismo de um hospedeiro, produzindo-lhe danos, com
ou sem aparecimento de sintomas clinicamente reconhecíveis.
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

C) Doença contagiosa: doenças cujos


agentes etiológicos atingem indivíduos
saudáveis através do contato direto.

D) Doença transmissível: qualquer doença causada


por um agente infeccioso específico, que se manifesta
pela transmissão deste agente de uma pessoa ou
animal infectado ou de um reservatório a um
hospedeiro suscetível, direta ou indiretamente, por
meio de um hospedeiro intermediário, de um vetor ou
do meio ambiente inanimado.
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

C) Infestação: alojamento, desenvolvimento, e


reprodução de artrópodes na superfície do
corpo ou nas vestes de pessoas, sem
penetração do meio interno do organismo

D) Manifesta: é a doença que apresenta todas as


características semiológicas que lhe são típicas
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Importante saber!
Toda doença contagiosa é infecciosa, mas o
inverso não é verdadeiro!
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

RESUMO - Classificação das doenças quanto a


duração e a etiologia
DURAÇÃO
ETIOLOGIA AGUDAS CRÔNICAS

Tuberculose, calazar,
Tétano, raiva, difteria,
INFECCIOSAS hanseníase, doença de
sarampo, gripe
chagas

Envenenamento por picada Diabetes, doença


NÃO
INFECCIOSAS
de cobra ou “chumbinho”, coronariana, cirrose
acidentes devida ao álcool
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Fase de manifestação das doenças

FASE CLÍNICA – Sinais e Sintomas

FASE NÃO CLÍNICA (não Aparente):

1) Fase pré-clínica: A doença ainda não é clinicamente


aparente, mas está destinada a evoluir para uma fase
clínica;

2) Fase subclínica: A doença ainda não é clinicamente


aparente e não está destinada a se tornar clinicamente
aparente
FASE DAS DOENÇAS
Distribuição da gravidade clínica em três classes de infecção

CLASSE A: Frequência de Infecção não aparente


Ex: Bacilo da Tuberculose
100
0
CLASSE B: Frequência da doença em fase clínica, poucas mortes
Ex: Vírus do sarampo

0 100

CLASSE C: Infecções geralmente fatais


Ex: Vírus da Raiva
0
100
Percentual da Infecção

Não Fraca Moderada Grave (não Fatal


aparente fatal)

Fonte: Epidemiology: Na Introductory Text Philadelphia, WB Sauders , 1985, p 265


ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Fase de manifestação das doenças

3) Doença Persistente: Uma pessoa não consegue se “livrar”


da infecção e, ela persiste por anos ou mesmo por toda vida.
Ex: síndrome pós-poliomielite; reação pós hanseníase.

4) Doença latente: Uma infecção sem multiplicação ativa do


agente, quando o acido nucleico viral é incorporado à célula
como um pró-vírus. Ao contrario da infecção persistente,
somente a mensagem genética está presente no hospedeiro,
não um organismo viável.
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Formas de manifestação das doenças:

Doenças quarentenáveis Doenças de isolamento

Período de
Período de incubação
transmissibilidade
IV. PROPRIEDADES DO
BIOAGENTE

1. Infectividade:
5.Poder imunogênico: capacidade de o agente
capacidade do agente etiológico alojar-se e
biológico de estimular a multiplicar-se no
resposta imune no organismo do
5.
hospedeiro, conforme as 1.
hospedeiro e transmitir-
características desse agente se para um novo
Poder IGg
(imunoglobulinas Infectividade
hospedeiro
(tardia) eimunogênico
IGm -recente).

Virulência:
4. Poder invasivo -
capacidade de um
capacidade 4. de um
agente biológico se
agente2. infeccioso se
Poderdos
difundir através
expressar pela
órgãos invasivo
e sistemas
Virulência
gravidade da doença,
especialmente pela
anatomofisiológicos do
3. Patogenicidade letalidade e proporção
hospedeiro.
capacidade de um de casos com sequelas
3. Patogenicidade
agente biológico
causar doença em
uma hospedeiro
suscetível;
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS
Características do reservatório:

 Reservatório  hábitat de uma agente infeccioso, no qual este


vive, cresce e se multiplica.

 O reservatório é indispensável para a perpetuação do agente, ao


passo que a fonte de infecção é a responsável eventual pela
transmissão.

 Podem comportar-se como reservatório ou fontes de


infecção:

 O homem;

 Os animais;

 O ambiente;
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

VI. TRANSMISSÃO DAS


DOENÇAS

B) MODOS DE TRANSMISSÃO:
Por que uma doença se desenvolve em algumas
populações e em outras não?

A premissa principal da epidemiologia é que a doença, a


moléstia ou ausência de doença não são distribuídas ao
acaso na população.
Modos de transmissão
• Direta (Pessoa a pessoa)

• Indiretamente
a) Veículo comum
(1) Exposição única
(2) Exposição múltipla
(3) Exposição contínua
b) Vetor
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

1. TRANSMISSÃO DIRETA Transferência rápida do agente etiológico


sem a inferência de veículos, SOMENTE
O AR!

Caxumba
Coqueluche
Tuberculose
Hanseníase
Varicela
Sarampo
Resfriado
Rubéola
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS
2. TRANSMISSÃO
INDIRETA

Transferência do agente etiológico


por meio de veículos animados ou
inanimados.
Para isso, os agentes têm
capacidade de sobreviver fora do
organismo e existam veículos que
os transportem.
Algumas doenças cujos bioagentes
são transportados por:
Veículo Doença
Alimentos Febre tifoide (Salmonela typhi); amebíase; ascaridíase;;
Teníase; Tricuríase ; Brucelose; Fasciolíase hepática;
Hidatidose
Fômites Candidose; Estifilococcias aureus;Tinha de couro
cabeludo (Micosporum,Trichophyton); Tinha das
unhas(Trichophyton, Epidermophyton); Infecções
hospitalares
Agua utilizada Febre tifoide (Salmonela typhi); Hepatite A; Amebíase;
como bebida Coléra;; Shigeloses; Poliomielite (poliovírus 1,2,3).
Sangue em AIDS; Sífilis; Doença de Chagas; Hepatite C
transfusão
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS
DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Vias de Penetração
Entende-se por via de penetração o trajeto pelo qual o agente introduz-se
no novo hospedeiro.
Frequentemente as vias de penetração e eliminação são as mesmas.
Vias mais importantes:

 Trato respiratório;
 Trato gastrointestinal;
 Trato urinário;
 Pele, mucosas e secreções.
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS
TRANSMISSÍVEIS

3. TRANSMISSÃO VERTICAL
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

PROCESSO INFECCIOSO
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

CONCEITOS DIVERSOS
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

AGENTE INFECCIOSO
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

SUSCETÍVEL
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

VEÍCULO
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

FÔMITES
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

VETOR
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

SUBSTRATO DE
ELIMINAÇÃO
PORTADOR

O individuo abriga o organismo, mas não é infectado, quando


avaliado por exames sorológicos (sem evidências de resposta
de anticorpo) ou evidencia de doença em fase clínica. Essa
pessoa pode infectar outras pessoas, embora a infectividade
seja baixa comparada a outras infecções. A condição de
portador pode ser temporário ou crônico.
Mary Mallon, também conhecida
como Maria Tifoide, trabalhou
como cozinheira nas áreas de
Nova York, EUA, por muitos
abrigou o microrganismo
Salmonella typhi e morreu em
1938. Mesmo aparentando
saudável, continuou transmitindo
a doença. Mary emigrou sozinha
para os Estados Unidos em 1883.
Fonte: Gordis, 2013
Embora tenha contraído febre
tifoide, seu caso foi de gravidade
baixa, foi considerada culpada
por causar, pelo menos dez
surtos de febre tifoide que
incluíram 51 casos e três mortes.
• Conceito de doença
Perspectivas:

–Patologia Etiopatogenia

–Clínica Sinais e Sintomas


ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

VI. TRANSMISSÃO DAS DOENÇAS

A) MECANISMOS DE PENETRAÇÃO MAIS COMUNS:


ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

INGESTÃO
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

INALAÇÃO
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

VIA TRANSPLACENTÁRIA
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

ATRAVÉS DAS MUCOSAS


ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

PENETRAÇÃO ATRAVÉS DE SOLUÇÃO DE


CONTINUIDADE
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

INTRODUÇÃO NO ORGANISMO ATRAVÉS DE OBJETOS


E INSTRUMENTOS
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

INTRODUÇÃO EM TECIDO MUSCULAR OU NA


CORRENTE SANGUÍNEA, POR PICADAS DE INSETOS
OU MORDEDURA DE ANIMAIS
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS INFECCIOSAS /TRANSMISSÍVEIS

De acordo com a ocorrência:


• Doença esporádica: ocasional
Ex: Meningites, Leptospirose
• Endêmica: constantemente presente em uma
população
Ex: Hanseníase, Leishmaniose Visceral
• Epidêmica: muitos afetados em curto período =
surtos
Ex: Influenza, Dengue
• Pandêmica: doença epidêmica que se difunde em
outras regiões (países, continentes,...)
Ex: Aids– começou na África e se espalhou por todo o
mundo.
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS
PANORAMA ATUAL
FATORES DESFAVORÁVEIS FATORES FAVORÁVEIS
- Crescimento populacional - Vacinas
- Urbanização
- Transporte - Medicamentos
- Pobreza - Serviços de saneamento
- Desnutrição
- Resistência aos antibióticos - Serv. básicos de saúde
- Resistência aos inseticidas com nível elevado
- Deficiência diagnóstica - Melhora do nível de vida
-Medidas de combate
específicas -Melhora do saneamento
aplicadas de maneira
ineficiente
-Falta de recursos saúde
DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS
PANORAMA ATUAL

Aumento das Arboviroses


Zika (Microcefalia)
Chikungunya (Cronificação dos Sintomas
Osteomusculares)
Dengue (Aumento da gravidade dos
Casos)
Febre Amarela ( Avanço para urbanização)
AIDS (Recrudescimento de epidemia)
Aumento da sífilis (sífilis congênita)
DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS E INFECCIOSAS
Situação epidemiológica em Sobral
• HANSENÍASE Doenças de
• TUBERCULOSE Chagas
• HEPATITES VIRAIS Leishmaniose
• MALÁRIA Tegumentar
• DENGUE Doenças Diarreicas
• ZIKA
Doenças
• CHIKUNGUNYA
Respiratória
• MENINGITES
• LEISHMANIOSE VISCERAL
• TRACOMA
• AIDS
• SIFILIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• LEAVELL, H. & CLARK, E. G. Medicina Preventiva. São Paulo,


Megraw-Hill, 1976, 283p.
• PEREIRA, M.G. Epidemiologia: Teoria e Prática. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2015
• FELTCHER, R; FLETCHER, S; WAGNER, E. H. Epidemiologia
Clínica: elementos essenciais. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas,
1996.
• ROUQUAYROL, M. Z. Epidemiologia e Saúde. 7ª ed., 2013. Cap.
01.
• GORDIS, LEON. Epidemiologia - 4ª Ed. 2010. Revinter
Epidemiologia
da doenças
não
transmissíveis

APS - III

Profa. Maria Socorro Carneiro Linhares


TERMINOLOGIA

 Doenças crônicas-degenerativas

 Doenças crônicas não infecciosas

 Doenças crônicas não transmissíveis

 Doenças não transmissíveis


ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

As várias transições: uma questão mundial

Demográfica: Envelhecimento populacional acelerado

Epidemiológica: Mortalidade por DANT supera DT

Dupla carga de doenças

Nutricional:    Obesidade e    Subnutrição

Mudanças na alimentação e    Atividade fisica

Globalização: Difusão rápida de hábitos e padrões de


comportamento
Perfil epidemiológico e demográfico
brasileiro
• Nas últimas décadas o Brasil passou por importantes
transformações no seu padrão de mortalidade
principalmente nas seguintes condições:

• Redução da mortalidade precoce (doenças infecciosas e


parasitárias)

• Aumento da expectativa de vida ao nascer

• Aumento de acidentes e violência, mudança do perfil


epidemiológico de algumas doenças não transmissíveis
(decorrência da urbanização)
Mudanças demográficas

Evolução das taxas de natalidade e


mortalidade no Brasil

Taxa Bruta Taxa Bruta


Período Natalidade Mortalidade
(1000 hab) (1000 hab)
1872-1890 46,5 30,2
1901- 1920 45,0 26,4
1981-1991 27,0 7,7
2016 14,16 6,08
Mudanças demográficas

Expectativa de vida em 1950 - 45,9 anos

Expectativa de vida em 2004 - 68,1 anos

Expectativa de vida em 2017 – 76 anos

Aumentos contínuos e significativos


das populações de idosos
Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP)

• 1930 – 45,6% do total de óbitos nas


capitais brasileiras
• 2001 – 5,6%
A redução da morbimortalidade foi obtida
entre outros fatores pelo:

 desenvolvimento de novas tecnologias (vacinas,


antibióticos)
 Ampliação do acesso aos serviços de saúde, medidas
de prevenção e controle
 Saneamento básico

Essa tendência foi particularmente verificada nas


doenças imunopreveníveis:

 erradicação da varíola (década de1970), poliomielite,


1989
Doenças e Agravos Não
Transmissíveis(DANT)

• As Doenças não transmissíveis são todas


as doenças que não são adquiridas por
contato com pessoas infectadas com o
agente causador da doença e ou vetores

• Esse grande grupo incorpora uma


miríadade de doenças que devido a sua
prevalência são importantes na área da
saúde pública
DOENÇAS E AGRAVOS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DANT)

 Doenças Psiquiátricas X
 Traumatismos (acidentes/violências)
 Doenças genéticas
 Doenças relacionadas à assistência da gestação e parto
 Deficiências/carências e outros distúrbios nutricionais
 Intoxicações
 Outras: doenças imunológicas, endócrinas, etc
 Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)
Características das DANT

 etiologia incerta
 múltiplos fatores de risco
 longos períodos de latência
 curso prolongado
 origem não infecciosa (?)

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS DAS
DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS
 História natural prolongada

 Longo período de latência

 Doenças complexas: multiplicidade de fatores de risco

 Interação de fatores etiológicos conhecidos e desconhecidos

 Causa necessária desconhecida em sua maioria


 Associadas a deficiências e incapacidades funcionais
(Brownson RC, 1993)

As causas destas enfermidades não são claramente


estabelecidas, mas as investigações biomédicas
identificam diversos fatores de risco.
HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA

Fase de Susceptibilidade Fase Clínica

Período Pré-patogênico Período Patogênico Fase de Incapacidade Residual

Fase Pré-clínica
ou
Período de
latência

Início Biológico Início dos Sinais


da Doença e Sintomas
Doenças Silenciosas!!
CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS DAS
DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS

 História natural prolongada

 Longo período de latência

 Doenças complexas: multiplicidade de fatores de risco

 Interação de fatores etiológicos conhecidos e


desconhecidos

 Causa necessária desconhecida em sua maioria


Modelos de causalidade
Modelo de causas suficiente e componente
(Rothman)

 Causa suficiente: condição mínima de eventos para que a


doença ocorra. Uma causa suficiente geralmente é
composta por diversos componentes

 Causa componente: componentes que compõem a causa


suficiente

 Causa necessária: a doença se desenvolve somente na sua


presença
Modelos de causalidade
Modelo de causas suficiente e componente (Rothman)
Exemplo: tuberculose

 1. A=alcoolismo; U=desnutrição; B=M.tuberculosis

 2. T=imunodepressão; X=AIDS; B=M.tuberculosis

Causa componente Causa necessária

?
U T
DCNTs
A B X B

Causa suficiente 1 Causa suficiente 2


Pode haver diversos
conjuntos de causas
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DAS

DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS


 Longo curso assintomático → “Doenças Silenciosas!!”

 Curso clínico lento, prolongado, permanente

 Tratamento sem cura obrigatória

 Períodos de remissão e exacerbação

 Lesões celulares irreversíveis

 Evolução para graus variáveis de incapacidade ou morte

 Terapêutica personalizada
DINÂMICA DAS DOENÇAS

TRANSMISSÍVEIS NÃO TRANSMISSÍVEIS

– Agente infeccioso – Fatores de Risco

– Ambiente – Ambiente

– Suscetível (hospedeiro) – Suscetível (genética)


FATORES DE RISCO RELACIONADOS ÀS
DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS

 Idade
 Sexo
 Fatores genéticos e epigenéticos
 Tabagismo
 Consumo excessivo de bebidas alcoólicas
 Obesidade
 Fatores nutricionais
 Consumo insuficiente de frutas e hortaliças
OMS
 Consumo excessivo de gorduras animais
 Consumo de sal e açúcar acima das doses
recomendadas

 Inatividade física
 Exposições tóxicas ocupacionais/ambientais
PLANO DE AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA O ENFRENTAMENTO DAS
DCNT NO BRASIL2011-2022
(Ministério da Saúde)
Metas nacionais propostas:
 reduzir a taxa de mortalidade prematura (<70 anos) por DCNT em 2% ao ano;
 reduzir a prevalência de obesidade em crianças;
 reduzir a prevalência de obesidade em adolescentes;
 deter o crescimento da obesidade em adultos;
 reduzir as prevalências de consumo nocivo de álcool;
 aumentar a prevalência de atividade física no lazer;
 aumentar o consumo de frutas e hortaliças;
 reduzir o consumo médio de sal;
 reduzir a prevalência de tabagismo;
 aumentar a cobertura de mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos;
 aumentar a cobertura de exame preventivo de câncer de colo uterino em
mulheres de 25 a 64 anos;
 tratar 100% das mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de câncer.
“NEXO CAUSAL”

“CAUSA” “EFEITO”
“CAUSA DE DOENÇAS”

“EFEITO” 1

“EFEITO” 2
“CAUSA”

“EFEITO” 3

“EFEITO” 4
“CAUSA DE DOENÇAS”

“EFEITO” 1
Neoplasia Maligna do Estômago

“EFEITO” 2
Tabaco Neoplasia Maligna da Laringe

“CAUSA”
“EFEITO” 3

“EFEITO” 4
UMA “CAUSA” VÁRIOS “EFEITOS”
Tabaco

 Neoplasia Maligna dos Brônquios e do Pulmão


 Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas
 Acidente Vascular Cerebral
“CAUSAS DE DOENÇA”

“CAUSA” 1

“CAUSA” 2

“EFEITO”

“CAUSA” 3

“CAUSA” 4
VÁRIAS “CAUSAS” UM “EFEITO”
CÂNCER DE BOCA, FARINGE E LARINGE

 Tabagismo
 Consumo de bebidas alcoólicas
 Tabagismo passivo
 Infecção pelo HPV
 Comportamento sexual
 Exposições ocupacionais
 Higiene bucal
 Fatores genéticos
 Fatores nutricionais
FATORES DE RISCO PARA
DOENÇAS NÃO TRANSMISSÍVEIS

FATORES DE RISCO DOENÇAS


1. História familiar
2. Estresse/tipo personalidade
3. Vida sedentária/falta de exercício a. Coronariana
4. Dieta inadequada b. Cerebrovascular
5. Hipercolesterolemia c. Câncer
6. Obesidade d. Diabetes
7. Hábito de fumar e. DPOC
8. Consumo de álcool f. Cirrose hepática
9. Hipertensão arterial
10. Exposição a agentes específicos
A representação de Dahlgren e Whitehead em
1992 dos determinantes mais amplos da saúde
CAUSALIDADE EM CÂNCER

Estilo de vida Local de trabalho


Tabagismo Químicos
Álcool Fibras
Nutrição Radiações
Características
individuais
Idade, sexo, herança genética,
imunidade, etc. Ambiente geral
Outros Ar
Agentes infecciosos
Água
Medicamentos
Alimentos
Radiações
Radiações
Doenças Crônicas Não Transmissíveis
• A magnitude das DANTs na civilização humana é crescente e
os custos econômicos e sociais delas decorrentes se
avolumam e tornam-se um problema de saúde pública

incapacidade em idade
produtiva
morte prematura

Sobrecarga da demanda Aumento dos custos


assistenciais

pelos serviços de saúde


Importância dos fatores de risco
relacionados com as DANT

• Pressão sanguínea elevada – 7,1 milhões de


mortes – 13% do total de mortes
• Nível elevado de colesterol – 18% das
doenças cerebrovasculares, 56% das doenças
isquêmicas do coração

• Índice de massa corporal superior a 21kg/m2


– 58% dos casos de diabete mellitus, 21% das
doenças isquêmicas do coração, 8% a 42% de
certos tipos de câncer
• Baixo consumo de frutas e vegetais – 19% das
neoplasias gastrointestinais, 31% das doenças
isquêmicas do coração, 11% dos AVC

• Inatividade física – 1,9milhão de mortes, 10% a 16%


dos casos de câncer de mama, colon e reto, 22% das
doenças isquêmicas do coração

• Tabagismo – 8,8% das mortes, 4,1% dos anos de vida


perdidos ajustados por incapacidade, 12% das doenças
vasculares, 66% das neoplasias de traquéia, brônquios
e pulmão, 38% das doenças respiratórias crônicas
• Ingestão de álcool – 3,2% das mortes, 4% dos
anos de vida perdidos ajustados por
incapacidade, entre 20% e 30% dos casos de
neoplasia do esôfago, fígado, cirrose hepática,
de homicídios, epilepsia, acidentes com veículos

• Lesões por acidentes de trânsito – 2,3% das


mortes (90% dessas mortes ocorreram em
países de médio e baixo índice de
desenvolvimento econômico)
Incapacidades decorrentes das DANT

• DANT + Causas externas representam 54,2% e


17,7% dos anos vividos com incapacitação

• Apesar dessa constatação há relativamente


pouca informação sobre o perfil epidemiológico
das DANT, o comportamento de risco e o
impacto sobre os sistemas de saúde, capazes
de subsidiar a adoção de políticas de promoção,
prevenção e recuperação da saúde nesse
campo.
• No Brasil em 2002 as DANT representaram 76,7% do
total desses gastos, R$ 4,1bilhões

• Doença do Aparelho Circulatório R$ 1 bilhão para as 1,2


milhão de internações realizadas nesse ano

• Prevalência de diabetes = 7,6% da população entre 30 e


69 anos

• Detecção de casos suspeitos nas unidades básicas SUS


com a realização de glicemia capilar > 40 anos= 2,9
milhões (14,66%) de suspeitos (MINISTÈRIO DA
SAÙDE,2002)
Vigilância epidemiológica das DANT

• FRAMINGHAN – EUA 1950 – estudos constituíram-se


nas primeiras referências para implantação de ações de
vigilância de fatores de risco (DCV)

• demonstrando ser possível fazer predição sobre


incidência futura de eventos fatais e não-fatais

• a partir do mapeamento populacional dos principais


fatores de risco: tabagismo, HA, aumento do colesterol
no sangue, obesidade, diabetes (SYTKOWSLY,1990)
Vigilância epidemiológica das DANT

• Para a VE das DANT não há interesse que sejam


conhecidos casos individualizados pois a ação não está
centralizada em único agente que produza a doença

• As etiologia das DANT são geralmente multicausais

• O foco central é estabelecer os níveis de exposição aos


fatores de risco algumas vezes a diversas doenças ao
mesmo tempo

• As relações estabelecidas nas DANT são de


associações estatísticas significantes (fator e agravo)
essa relação não pressupõe, necessariamente, seu
surgimento
Modelos epidemiológicos e Vigilância das
DANT

• A abordagem para as ações de vigilância das


DANT muda do modelo ecológico, aplicado nas
Doenças Transmissíveis (tríade – hospedeiro,
agente, meio ambiente) com a proposta de
Laframboise, 1973.
• O novo modelo aborda o binômio saúde –
doença denominado “campo da saúde”
• Sua característica central está no
reconhecimento da multicausalidade para
determinação da saúde ou doença
Os estados saúde – doença decorrem de fatores
relacionados aos seguintes elementos

• Biologia humana : constituição orgânica do indivíduo (herança


genética, processo natural do envelhecimento, constituição do
indivíduo, mecanismo de defesa, suscetibilidades, resistência.

• Ambiente : dimensão física (clima, acesso a água, radiação),


exposição a agentes poluentes (pesticidas, gases), social (nível
sócio econômico, renda, escolaridade, tipo de inserção no mercado
de trabalho, riscos ocupacionais, novas tecnologias) - os fatores
sociais ganha cada vez mais importância como elemento explicativo
da determinação das DANT.

• Estilo de vida : decisões a respeito da saúde como lazer, hábitos


alimentares, cultura determinado pelo ambiente social

• Organização da atenção a saúde : envolve a disponibilidade, a


quantidade e a qualidade dos recursos destinados aos cuidados
com a saúde
Objetivos da Prevenção e Controle das
DANT

• Reduzir a incidência e a prevalência


• Retardar as complicações e
incapacidades
• Aliviar a gravidade
• Prolongar a vida com qualidade
Objetivos da Prevenção e Controle das
DANT

• Um importante objetivo estratégico para a


prevenção das DANT é buscar a mudança na
percepção social sobre esses agravos á saúde
e suas complicações, removendo o sentimento
de inevitabilidade, modificando o perfil
epidemiológico por intervenções no setor saúde
com políticas de promoção da saúde de caráter
multisetorial (campo regulatório, intervenções
com políticas públicas, educação, mobilização
comunitária)
Monitoramento dos fatores de risco

• O foco principal da prevenção e controle das DANT está


centrado na redução da exposição das pessoas aos
fatores de risco. Eles são agrupados em quatro
categorias:

• Constitucionais sexo, idade, raça, hereditariedade

• Comportamentais tabagismo, dieta, sedentarismo,


consumo de bebidas alcoólicas, anticoncepcionais

• Distúrbios Metabólicos HÁ, obesidade, hiperglicemias

• Características socioeconômico-culturais ocupação,


renda, escolaridade, classe social, ambiente de trabalho
Intervenção para prevenção de DANT e
promoção a saúde
• As DANT constituem-se em um dos mais importantes
problemas de saúde pública da atualidade, responsável
por 59% do total de mortes ocorridas no mundo e por
43% da carga global de doenças (OMS, 2001)
• Prevenção Primária dirigida as pessoas suscetíveis,
antes que elas desenvolvam a doença – recomendação
para mudanças
• Nível Secundário de prevenção dirigido ao controle de
doenças, ás pessoas assintomáticas pertencentes aos
grupos de comportamento de risco, evitando que se
tornem doentes
• Nível terciário ações dirigidas as pessoas que já se
apresentam doentes com o objetivo de prevenir
complicações e incapacidades
Estratégias para a Implementação de
Programas de Prevenção para as DANT
• Reorientar o Sistema de Saúde para alocar recursos humanos
treinar e atualizar os profissionais em prevenção

• Desenvolver educação em saúde dentro e fora dos serviços de


saúde Capacitar lideranças, voluntários, comunidade

• Aumentar o nível de informação na rede de ensino formal e


informal

• Desenvolver programas de prevenção nos locais de trabalho

• Buscar a adesão de parceiros em múltiplos setores

• Monitorar os riscos e avaliar os resultados

Fonte ROUQUAYROL, ALMEIDA FILHO, 2013


INTERVENÇÃO NOS FATORES DE RISCO

• Não modificáveis
– Sexo
– Idade
– Genótipo

• Modificáveis
– Pela ação direta dos serviços de saúde
- Estado imunitário
- Mudanças dos hábitos alimentares
- Nível de colesterol sérico
- Políticas anti-tabagismo
– Pela ação de outros setores
- Analfabetismo
- Pobreza
DCNT – 10 enganos generalizados

ENGANO 1 –Afetam principalmente países de alta renda

ENGANO 2 –Países em desenvolvimento deveriam


controlar as doenças infecciosas antes das DCNT

ENGANO 3 –As DCNT afetam principalmente as pessoas


ricas

ENGANO 4 –As DCNT afetam principalmente as pessoas


de idade
Organização Pan americana de Saúde. Prevenção de Doenças Crônicas – Um
investimento vital. Organização Mundial de Saúde, 2005.
DCNT – 10 enganos generalizados

ENGANO 5 –Afetam primordialmente indivíduos do sexo


masculino

ENGANO 6 –As DCNT são resultado de um “estilo de vida


não saudáveis” – São resultados de “ modos de vida não
saudáveis”

ENGANO 7 –As DCNT não podem ser prevenidas

Organização Pan americana de Saúde. Prevenção de Doenças Crônicas – Um


investimento vital. Organização Mundial de Saúde, 2005.
DCNT – 10 enganos generalizados

ENGANO 8 –A prevenção e controle das DCNT são caros


demais

Meias verdades
• “Meu avô fumou e viveu acima do peso até os 96
anos de idade”
• “Todo mundo tem que morrer de alguma coisa”

Organização Pan americana de Saúde. Prevenção de Doenças Crônicas – Um


investimento vital. Organização Mundial de Saúde, 2005.
CENÁRIO BRASILEIRO

PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA COM


60 OU MAIS ANOS DE IDADE

1900 1950 2000 2010

3,2% 4,2% 8,6% 11,1%

Fonte: IBGE
TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA NO BRASIL
SÍNTESE

• Desde 1950 a população brasileira cresceu 3 vezes, a


parcela com > 60 anos > 6 vezes e tende a aumentar

• Controle de doenças potencialmente letais em décadas


recentes mudou expectativa de vida

• Queda da mortalidade e fertilidade modificou estrutura


de idade da população, desviando-a para faixas etárias
avançadas

• A industrialização e a urbanização influenciam no


envelhecimento populacional
EVOLUÇÃO DA PROPORÇÃO DE IDOSOS POR
FAIXAS ETÁRIAS, BRASIL 2010-2050
Cenário Brasileiro

2000
1980

2025 2050
Referencias

Rouquayrol, Maria Zélia; Gurgel, Marcelo. Epidemiologia e Saúde.7 ed –


Rio de Janeiro. MedBook. 2013
Cap 11. Aspectos Epidemiológicos das doenças Transmissíveis – Maria Zelia
Rouquayrol ; Fátima Maria Fernandes Veras e Lara Gurgel Fernandes Távora
Cap 14 – Epidemiologia das Doenças Crônicas não transmissíveis – Deborah
Carvalho malta , Lenildo Moura e Jarbas Barbosa da Silva Junior
Vamos pensar:

Medidas de Prevenção!

Primária
Secundária
Terciária