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CIRCUITOS ELÉTRICOS II

MSc. Felipe Mendes de Vasconcellos


E-mail: felipe.vasconcellos@ufba.br
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0508094462424211
UNIDADE 1
 Seção 1.2 – Fasores e impedância
 Quando um circuito elétrico é excitado por uma fonte de corrente alternada, os
instantes iniciais correspondem à resposta transitória regida pelas equações
diferenciais que compõem o modelo completo do sistema;

 Quando este período transitório termina, as tensões e as correntes deste


circuito podem ser representadas puramente por funções senoidais iniciando o
regime permanente;

 Para facilitar a análise matemática de circuitos elétricos de corrente alternada


(CA) em regime permanente, utilizamos a representação da função senoidal
por meio de um fasor;

 Uma função senoidal é representada por uma amplitude de pico Ap , uma


frequência angular ω e uma fase φ, parâmetros que não variam com o tempo,
Tal equação consiste em uma generalização das equações senoidais para
tensão e corrente vistas na seção anterior.

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 Considere agora um vetor girante no plano complexo, com velocidade de
rotação w e amplitude Ap constantes (representados no interior da
circunferência da figura;

 Ao longo do tempo, a extremidade deste vetor dá origem à senoide da


equação anterior. Em um determinado instante t = τ, o vetor pode assumir uma
magnitude igual à e a amplitude da função a(t) neste instante corresponde
à projeção deste vetor no eixo imaginário, ou seja, a(t=τ) = Apsen(α), como está
indicado na figura;

 À medida que o tempo cresce, o vetor gira no sentido antihorário, como pode
ser observado na figura, assumindo outros valores para o ângulo de inclinação.

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 Por exemplo, no instante de pico positivo, o vetor assume sendo 90° = π/2
rad, e no instante de pico negativo, o valor corresponde a , sendo 270° =
3π/2 rad;

 Assim, essa representação vetorial pode ser utilizada para representar de


forma simplificada um sinal senoidal, dando origem à notação fasorial em
circuitos CA;

 Tal notação consiste na representação da senoide por meio de um vetor


estático cujo módulo (ou intensidade) é o valor eficaz da grandeza elétrica
Ap/√2 (que pode ser tensão, corrente, potência, etc.) e o ângulo de fase
corresponde ao ângulo que o vetor forma com o eixo real em t = 0s. Este
ângulo corresponde ao ângulo de defasagem do sinal (ou fase) θ;

 O valor eficaz é utilizado, pois corresponde ao valor medido por instrumentos


tais como o multímetro e também o mais utilizado na análise de circuitos CA. A
representação do sinal senoidal da equação em t = 0s está ilustrada na figura a
seguir para diferentes sinais senoidais.

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 Note que a frequência angular não é representada, pois em regime permanente
a frequência do sinal resultante não se altera, tornando este valor comum a
todos os componentes do sistema. Assim, a transformação de uma tensão
senoidal (ou cossenoidal) do domínio do tempo para o domínio da frequência
resulta:

 E esta associação é válida para as demais grandezas elétricas: corrente,


potência, etc. Outra representação possível é utilizar o valor de pico ao invés
do valor eficaz, porém o valor eficaz associado às grandezas elétricas são mais
úteis devido à calibração dos equipamentos de medida, por exemplo,
voltímetros e amperímetros, que fornecem as medidas dos respectivos valores
eficazes;

 Observe que o fasor da equação anterior, representado por uma amplitude e


um ângulo, trata-se de um número complexo, correspondendo à sua forma
polar. No entanto, ele pode ser representado também na forma retangular;

 Considere um número complexo genérico na forma polar: , em que r é o


raio (ou amplitude) e f é o ângulo de inclinação. Sua forma retangular pode ser
representada por uma parte real e uma parte imaginária: z = x + jy , em que x é
a parte real e y é a parte imaginária.

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 A relação entre as formas polar e retangular pode ser vista na figura e as
relações entre r , ɸ , x e y são dadas nas equações;

 Para realizar operações de adição e subtração, são utilizadas as


propriedades conforme as equações;

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 Visto o conceito de notação fasorial, é possível iniciar a análise de circuitos
elétricos CA em regime permanente por meio de fasores. Primeiro precisamos
entender a resposta de elementos básicos, sendo eles o resistor, o capacitor e o
indutor, às tensões e correntes senoidais;

 Em seguida, aplicando a lei de Ohm nos três circuitos, podemos obter a


corrente que percorre cada um dos elementos e/ ou a queda de tensão
provocada por ela;

 Na figura abaixo observamos um circuito puramente resistivo cuja corrente de


entrada CA é dada por:
Então a tensão sobre ele será:

E, portanto,

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 Na figura a seguir observamos um circuito indutivo cuja corrente é dada por:

Dessa forma o fasor pode ser representado por


A oposição à corrente alternada provocada pelo indutor é diretamente
proporcional à frequência do sinal aplicado e ao valor da indutância. Esta
oposição é denominada reatância indutiva e sendo , o valor desta
reatância é dado pela equação:

O fasor da reatância indutiva é igual à , e calculando a tensão sobre o indutor


temos:

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 Já figura a seguir observamos um circuito capacitivo cuja tensão é dada por:

A oposição à corrente alternada provocada pelo capacitor é denominada


reatância capacitiva , e este valor é inversamente proporcional à
frequência do sinal aplicado e ao valor da capacitância, conforme a equação.

Aplicando a derivada da tensão sobre o capacitor, chegamos à corrente que o


percorre:

Portanto,

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 Para um dispositivo resistivo, a corrente que o atravessa e a queda de tensão
que ela provoca estão em fase, como pode ser visto na figura. Neste caso, os
valores de pico de tensão e correntes são relacionados pela lei de Ohm. Além
disso, o valor da resistência não é influenciado pela frequência do sinal de
alimentação aplicado.

 Para o circuito indutivo, observe que o comportamento do indutor é


caracterizado por uma oposição à variação de corrente, por isso ele sempre
provoca um atraso de 90º da corrente em relação à tensão, como pode ser visto
na figura.

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 Por final, para o circuito capacitivo, usamos a relação trigonométrica

e obtemos
Verifique que ao contrário do indutor, o capacitor se comporta em oposição à
variação de tensão, portanto dizemos que a tensão no capacitor está sempre
atrasada de 90º em relação à corrente. Ou seja, no circuito capacitivo, a corrente
está sempre adiantada de 90º em relação à tensão, como mostra a figura.

 Representando a corrente e a tensão nos elementos resistor, indutor e capacitor


na forma fasorial, podemos esboçá-las por meio de um gráfico, denominado
diagrama fasorial, segundo a figura.

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 Com isso, são dadas as relações entre os fasores de tensão e corrente obtidas
para os elementos resistor, indutor e capacitor respectivamente:

 Escrevendo as relações como função da razão entre a tensão e a corrente

podemos relacionar as expressões resultantes com a lei de Ohm:

Onde Z é denominada impedância do circuito em Ohm (Ω). Temos, assim, as


impedâncias para resistores, indutores e capacitores respectivamente:

A combinação entre elementos resistivos, indutivos e capacitivos resulta em uma


impedância na forma da equação , onde:

 Assim como a impedância Z representa uma oposição ao fluxo de corrente


alternada (CA), a habilidade que um condutor tem de conduzir corrente CA é
chamada de admitância Y, cuja unidade é Siemens (S).

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 A admitância é dada por:

Onde G é acondutância e B é a susceptância do circuito, ambas com unidade


Siemens (S).

 Dado o conceito de impedância e a sua representação fasorial, os circuitos CA


podem ser analisados de forma análoga aos circuitos CC, trocando-se a
resistência R pela impedância Z, como veremos a seguir;

 Considerando N impedâncias conectadas em série, conforme a figura, a


impedância total equivalente do circuito é dada pela soma das impedâncias;

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 Como a corrente é a mesma em todos os elementos, para um circuito com
associação em série, ela pode ser determinada pela lei de Ohm:

E as tensões nas impedâncias podem ser calculadas:


A lei de Kirchhoff das tensões (LKT) pode ser aplicada ao longo do laço, logo:
e então:
De forma análoga, quando temos N impedâncias conectadas em paralelo,
conforme a figura, a impedância total do circuito é obtida somando-se as
admitâncias em paralelo, conforme a equação:

Onde é definido pela equação:


Nos circuitos em paralelo, a tensão é a mesma em todos os elementos. Assim,
pela lei de Ohm, temos:

E as correntes nas impedâncias podem ser calculadas:


A lei de Kirchhoff das correntes (LKC) pode ser aplicada no circuito , ou
seja:

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EXEMPLO
 Para o circuito apresentado pela figura:

a. Obtenha a tensão na fonte em forma de fasor.


b. Calcule as reatâncias X L e XC , se w = 1000 rad/s.
c. Obtenha as impedâncias relacionadas aos elementos resistor, capacitor e
indutor.
d. Calcule a impedância total (ZT ) do circuito e desenhe o diagrama de
impedâncias.
e. Calcule a corrente na fonte em forma de fasor e desenhe o diagrama
fasorial de tensão e corrente do circuito.
f. A partir da corrente em forma de fasor, obtenha a expressão da corrente
na forma temporal.
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 Resolução:

a. Para calcular o fasor de tensão:

b. Calculando as reatâncias segundo as equações, obtemos:

c. As impedâncias são dadas por:


e

d. A impedância total consiste na soma das impedâncias resistiva, capacitiva


e indutiva, pois os elementos estão em série.

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e. Para calcular a corrente, aplicamos a lei de Ohm:

f. Transformando o fasor de corrente para sua função no tempo, temos:

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 Para finalizar, vamos observar um caso especial que ocorre quando as
reatâncias capacitiva e indutiva se anulam. Na figura, vemos o comportamento
da reatância do capacitor e indutor em função da frequência.

Em um determinado ponto, as reatâncias se cruzam, ou seja, para uma


determinada frequência , anulando a reatância equivalente do circuito.
Esta frequência é denominada frequência de ressonância do circuito, dada pela
equação.
Ou em Hz:

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 Determinação da corrente nominal para especificação de um
fusível em uma fábrica
Você é o responsável técnico pelo projeto e manutenção de um circuito interno
de uma fábrica. O projeto apresenta quatro equipamentos elétricos e um fusível
de proteção contra sobrecorrentes que ainda deve ser dimensionado. Uma das
características necessárias para o dimensionamento do fusível é a corrente
nominal do circuito, ou seja, o valor de corrente que ele deve suportar
continuamente sem romper. Esta corrente nominal corresponde à corrente do
circuito quando todos os equipamentos estiverem em operação
As características das cargas foram disponibilizadas pela fábrica e constam no
circuito desenhado a seguir. Como você faria para obter a corrente nominal do
fusível?

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Há dois caminhos a seguir que poderão levar ao mesmo resultado para este
problema. O primeiro é obter a admitância total do circuito e aplicar a lei de
Ohm para obter a corrente da fonte. O segundo é obter as correntes individuais
das cargas aplicando a lei de Ohm em cada uma delas e em seguida utilizar a lei
de Kirchhoff dos nós para obter a corrente total do circuito.
Vamos utilizar o primeiro método, e você, aluno, está convidado a testar o
segundo. Primeiro vamos escrever as cargas na forma polar.
Para obter as admitâncias, basta fazer:

Aplicando a lei de Ohm:

Portanto, para este circuito interno da fábrica, a corrente nominal que deve ser
levada em consideração para dimensionamento do fusível é

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ATIVIDADE AVALIATIVA
 Resolução das questões da seção “Faça valer a pena” do Livro
Didático Digital da Seção 1.2
 Entrega: Próxima aula

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