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Naiara Guilhermino.


Biografia de um visionário da
criação artística

 Nascimento: 28 de novembro de 1757, Londres.
 Falecimento: 12 de agosto de 1827. Londres.
 Blake foi: poeta, pintor, ilustrador, editor e gravador.
 Desde sua infância, Blake demostrava o gosto pela literatura e
desenho.
 Aos 14 anos foi aprendiz do gravador James Basire.
As visões de Blake

 Blake revelou logo cedo a tendência visionária e mística.
 Aos noves anos, Blake revelou aos seus pais ter visto
anjos enfeitando galhos de árvores.
 Ele estava ligado ao sagrado em que costumava ser
inspirado.
 Por todo sua vida ele disse que recebeu visitas de
entidades aladas e também demoníacas.

 Considerado por muitos como o primeiro Romântico
inglês.
 Blake viveu toda sua vida à beira da pobreza e
morreu sem ter o devido reconhecimento.
 Blake desenvolveu um método chamado de
“illuminated Printing” (impressão iluminada) onde
utilizava uma mesma matriz de cobre para desenhar
e imprimir o texto de suas poemas.
 Catherine Boucher.
 John Milton

 Embora religioso, Blake rejeitava a moral da época e
a igreja institucionalizada. Acredita na santidade da
liberdade sexual, que via como um caminho para a
beleza e a inocência.
 A arte para Blake.
 Entusiasta da Revolução Francesa, foi um grande
crítico dos males causados pela Revolução Industrial
 A divina comédia de Dante.
Contexto Histórico

Iluminismo (1715-1789)

Revolução Francesa ( 1789-1799)

Revolução Industrial (1820-1840)


Iluminismo

 Iluminismo é um movimento cultural que se desenvolveu
na Inglaterra, Holanda e França, nos anos 1715 a 1789.
Revolução Francesa

 Revolução Francesa foi um período de intensa
agitação política e social na França, que teve inicio
no dia 17 de junho de 1789 a 1799.

“Uma Imagem Divina” foi gravada no
instante mesmo em que as cabeças caíam.
Esta passagem da “Europa” cuja data é a
mesma é mais diretamente a evocação do
Terror. A divindade da paixão, que são uma
e mesma coisa, sob o nome de Orc, como
Luvah, que encarna as revoluções, aí está
para acabar evocada na fúria das chamas:

...Os clarões de sua fúria aparecem nos vinhedos
da França republicana.
O sol reluz no brilho do fogo!
Os terrores furiosos se erguem por todos os lados,
Impelidos pela violência das charretes douradas de
cujas rodas vermelhas goteja sangue!
Os leões fustigam o ar com suas caudas agitadas!
Revolução Industrial

 Revolução Industrial foi um conjunto de mudanças que
aconteceram na Europa nos anos de 1820 a 1840
Rintrah representa toda a Ira e fúria de
Blake sobre o mundo ao seu redor.

William Blake – um artista
multifacetado

Segundo Walter Crane (1905), Blake era um
artista excepcional , posto que conseguia atingir a
harmonia entre texto e pictografia, visando, em
princípio, a completude.
Primeiros passos de Blake como
artista-aprendiz

 Em 4 de agosto de 1772, Blake tornou-se aprendiz do famoso
estampador James Basire. Dentre os trabalhos realizados nesta
época, destaca-se a estampagem de imagens de igrejas góticas
Londrinas.
 Em 1779, Blake começou seus estudos na The Royal
Academy, uma respeitada instituição artística Londrina.

 No primeiro volume de poemas, Canções da inocência (1789),


aparecem traços de misticismo.
A arte fantástica nas produções
blakeanas

 Aspectos imaginativos irracionais como parte da realidade
humana;
 Referência a movimentos como o maneirismo, o
simbolismo e o surrealismo, os quais são intrinsicamente
pertencentes à Literatura Fantástica;
 Presença constante de alegorias;
 Forte tendência ocultista.
Técnica de produção original de Blake –
Iluminated Printing

 Por meio da impressão iluminada, o artista gravava
poemas e imagens em uma mesma matriz de cobre;
 As páginas impressas eram coloridas à mão;
 Ele desenhava e escrevia com um líquido resistente a
ácido, usando, apenas, pinceis e canetas de pena,
esperando, em seguida, o secamento do líquido;
 O desenho era semelhante ao de uma xilografura;
 O texto era escrito de forma inversa, para que ele
aparecesse de maneira correta quando impresso.
Antecipação temática nas Canções de
Inocência e Experiência

Fig. 01 – Fólio 16v do manuscrito An Island in the Moon, 1785.


ANTECIPAÇÃO DO POEMA “THE TIGER”

Fig. 03 – Fólio N2 Fig. 04 - Fólio N109


Fonte: Blake, 1973, p. 68 Fonte: Blake, 1973, p. 283

ANTECIPAÇÃO DO POEMA LONDON
(LONDRES)

Fig. 10 – Fólio N15


Fonte: Blake, 1973, p. 95

Fig. 11 – Fólio N17 Fig. 12 – Fólio N54


Fonte: Blake, 1973, p. 99 Fonte: Blake, 1973, p. 172
Último trabalho de Blake

 Em 1826, aos 65 anos, Blake recebeu uma comissão para
ilustrar A Divina Comédia, de Dante Alighieri, de John
Linnell - um jovem artista amigo de Blake, que
compartilhou com ele um desafio às tendências modernas
e uma crença com o espiritualismo como uma fundação
artística para a Nova Era. Blake foi atraído para o projeto
porque - apesar dos cinco séculos que os separavam (ele e
Dante) - ficou tocado com o desprezo de Dante com o
materialismo e a forma como o poder distorce a
moralidade - a oportunidade de representar essas ideias
pictoricamente, sem dúvida, o encantou

Análise dos Poemas

Londres

Vagueio por estas ruas violadas, Do violado Tamisa ao derredor, E
noto em todas as faces encontradas Sinais de fraqueza e sinais de
dor.
Em toda a revolta do Homem que chora, Na Criança que grita o
pavor que sente, Em todas as vozes na proibição da hora, Escuto o
som das algemas da mente.
Dos Limpa-chaminés o choro triste As negras Igrejas atormenta; E
do pobre Soldado o suspiro que persiste Escorre em sangue p’los
Palácios que sustenta.
Mas nas ruas da noite aquilo que ouço mais É da jovem Prostituta
o seu fadário, Maldiz do tenro Filho os tristes ais, E do Matrimónio
insulta o carro funerário. William Blake, in “Canções da
Experiência” Tradução de Hélio Osvaldo Alves.

Todo leitor é capaz, sem a ajuda de um
crítico, de ver Londres simultaneamente
como a própria cidade de Blake, como uma
imagem do estado da sociedade da
Inglaterra e, como uma imagem de
condição humana. [....]’’ (THOMPSON,
1994, o 174).

Poema publicado em 1794 na coleção
“songs of experience”.
Explora o “social” no poema.
Visão da Inglaterra por Blake.
Sua estrutura é composta por versos
brancos.
O Tigre

Tygre! Tygre! Brilho, brasa que a furna noturna abrasa, que olho ou mão
armaria tua feroz symmetrya?
Em que céu se foi forjar o fogo do teu olhar? Em que asas veio a
chamma? Que mão colheu esta flamma?
Que força fez retorcer em nervos todo o teu ser? E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?
Teu cérebro, quem o malha? Que martelo? Que fornalha o moldou? Que
mão, que garra seu terror mortal amarra?
Quando as lanças das estrelas cortaram os céus, ao vê-las, quem as fez
sorriu talvez? Quem fez a ovelha te fez?
Tygre! Tygre! Brilho, brasa que a furna noturna abrasa, que olho ou mão
armaria tua feroz symmetrya? Tradução de Augusto Campos

Poema lírico, publicado em 1794, na
coleção “songs of experiencie”.
Poema se estrutura em rimas de AABB, na
tradução de Augusto Campos.
Alegorias presentes no poema: o tigre, o
cordeiro, longínguo abismo, céu.
Críticas De Outros Autores

Northrop Frye

 A arte parece produzir uma espécie de animação que,
embora amiúde chamada prazer, como o é por exemplo
por Wordsworth, é um tanto mais ampla que prazer. "A
exuberância é a beleza" - disse Blake (p.49).
 Tal exuberância é, naturalmente, tão intelectual como
emocional: o próprio Blake estava inclinado a definir a
poesia como "a alegoria dirigida às forças intelectuais"
(p.49).
 Em qualquer caso, há milhares de poesias líricas tão
intensamente concentradas nas imagens visuais, que,
podemos dizer, estão pintadas (p.136).

 No emblema surge um desenho real, e o pintor-poeta
Blake, cujas poesias líricas gravadas seguem a tradição do
emblema, tem um papel na lírica análogo ao dos
compositores-poetas Campion e Dowland na parte musical
(p.158).
 O movimento chamado imagismo produziu grande
quantidade de componentes pictóricos na lírica, e muitos
poemas imagísticos quase podiam ser descritos como uma
série de legendas de pinturas invisíveis (p.159).
Georges Bataille

 Segundo Bataille (1989): “Blake, em frases de uma
simplicidade peremptória,5 soube reduzir o humano à
poesia e a poesia ao Mal”. (p. 67)
 Suas obras (seus escritos, suas pinturas) têm uma
característica de desequilíbrio (p.67).
 O poeta é eternamente menor no mundo: disso resulta o
dilaceramento de que a vida e a obra de Blake são feitos.
Blake, que não foi louco, se manteve na fronteira da
loucura. (p. 69)

 O paradoxo de Blake é ter remetido a essência da religião à da
poesia, mas de ter ao mesmo tempo revelado, por impotência,
que nela mesma a poesia não pode simultaneamente ser livre e
ter o valor soberano. E dizer que na verdade ela não pode ser
simultaneamente poesia e religião (p.75).
 Ao falar de Milton, Blake dizia que ele era, "como todos os
poetas, partidário dos demônios sem o saber" (p.75).
 Assim como a poesia de Blake definharia longe do
"impossível“, seus imensos poemas em que se agitam fantasmas
inexistentes não enriquecem o espírito, mas o esvaziam, e o
enganam (p.75).

O que impressiona na vida e na obra de Blake
é a presença em tudo o que o mundo propõe.
Qualquer coisa ao contrário da hipótese
segundo a qual Blake ilustra o tipo do
introvertido de Jung, não há nada de sedutor,
de simples, de feliz que ele não tenha chamado
em suas preces; as canções, os risos de
infância, as jogas da sensualidade, o calor e a
embriaguez das tabernas. (p.79)
As visões de William Blake e
seus ensaios de imaginação ativa.

 Segundo (Jung, 2008, p. 2997-299) e (Blake, 1984, p. 13-17): não importa o
quão distantes estejam histórica e culturalmente, ou quão dissonantes tenham
sido suas maiores motivações pessoais, todos figuram como personalidades
históricas cujas vidas não guiadas por visões espirituais. E a relação que
estabeleceram com dimensões espirituais os dotou de sabedoria e motivação
para darem movimento a grandes ideais artísticas, filosóficas, religiosos,
políticos e sociais, que transformaram a história.
 Experiências espirituais profundas: “aos quatro anos (...) vislumbrou a face de
Deus na janela e deu um grito” (MARSICANO, BLAKE, 1984 p. 6).

 Certa vez vi um Demônio numa língua de fogo, que se elevou até um
Anjo sentado numa nuvem, e o Demônio proferiu estas palavras: “ A
adoração de Deus é: honrar seus dons em outros homens, segundo o
gênio de cada um, e amar mais aos maiores homens: quem inveja ou
calunia os grandes homens odeia a Deus, pois não existe outro Deus”.
Ao ouvir isso, o Anjo tornou-se quase azul; recompondo-se, porém,
ficou amarelo, por fim branco, rosa, sorridente, e respondeu: “
Idolatra! Não é Deus Uno? Não é ele visível em Jesus Cristo ? E não
deu a Jesus Cristo sua sanção à lei dos dez mandamentos ? E não são
todos os homens tolos, pecadores e nulidades”. Respondeu o
Demônio: “ Tritura um tolo no almofariz com trigo, e assim não será
separada sua tolice; se Jesus Cristo é o maior dos homens, deverias
amá-lo no mais alto grau; ouve agora como sancionou ele a lei dos dez
mandamentos:

 não zombou do sábado e, assim, do sábado de Deus? Não
matou quem foi morto por sua causa? Não desviou a lei da
mulher apanhada em adultério ? Não roubou o trabalho alheio
para sustentar-se ? Não deu falso testemunho ao recusar-se a
defesa perante Pilatos? Não cobiçou ao orar por seus discípulos,
e ao lhes pedir que sacudissem o pô de sues pés diante dos que
se negavam a hospedá-los ? Digo-te: nenhuma virtude pode
existir sem a quebra desses dez mandamentos, Jesus era todo
virtude, e agia por impulso, não por regras. Depois de ele ter
falado, contemplei o Anjo que estendeu os braços envolvendo a
língua de fogo e foi consumido e ascendeu como Elias.
Imaginação ativa e a captação do
nível espiritual

 Visões: irrupções dos inconsciente através das quais os conteúdos dos complexos
autônomos e conteúdos arquetípicos emergem e se fazem ouvir como pessoas definidas
( JUNG, 2008, p. 87).
 Trata-se de processos suprassensíveis (JUNG, 2008, p. 121) isto é, estão para além dos
processos sensoriais básicos do corpo e da consciência subjetiva, em que a voz se faz
ouvir, como também ocorre nos sonhos (JUNG, 2008, p. 262). Experiência visionária:
absolutamente pessoal, particular e única.
 Johnson já sinalizava que existem exemplos de imaginações ativas genuínas na
literatura que denotam um ego inteiro e participativo dentro de dramas primordiais da
alma humana, envolvendo “ lealdade e traição, virtude e pecado, céu e inferno, vida e
morte” ( JOHNSON, 1986, p. 183).

 Tem um efeito psíquico determinando: a transformação da consciência, um
“alargamento que emana de fontes internas, tão amplo quanto o conteúdo
assimilado”( JUNG, 2012, p .126).
 Estas visões devem ser entendidas, ao mesmo tempo, como intuições
introspectivas que captam o estado do inconsciente, (...) não se trata de um caso de
dupla consciência, porque não há indicação de uma dissociação da personalidade.
Pelo contrário, os símbolos do Si- mesmo têm caráter “ unificador” ( JUNG, 2009,
p. 139).
 As visões são uma irrupção da, assim denominada pelos místicos medievais: visão
unitiva da consciência (JOHNSON, 1986, p. 236).

A faculdade imaginativa torna-se um
catalizador para as imagens interiores, e os
eventos dramáticos contidas nelas tomam
conta do indivíduo e ele experimenta em
segunda mão a unidade do Self, sua beleza
e significado.

 Segundo Jung 2008, o meio de acesso a conteúdos suscetíveis
de serem experimentados: fundamento empírico e palpável da
faculdade e da experiência religiosa.
 Self: simultaneamente conflito e unidade, grotesco e
horripilante (JUNG, 2008, p. 44).
 Diante da tentativa de transmitir o inexplicável, usa-se “a
linguagem poética e religiosa”(JOHNSON, 1986, P,10).

Paradoxalmente, sublime em si mesmo, o
inconsciente coletivo é saudável, na medida em
que comporta as imagens primordiais, os
fundamentos universais da psique. Impassível de
manipulação, pois permanece “alheio a todo
arbítrio subjetivo e representa um âmbito da
natureza que não pode ser melhorado nem
deteriorado; podemos auscultar seus segredos,
mas não manipulá-lo” ( JUNG, 2008, p. 57).
Referências

 BATAILLE, Georges. A Literatura e o Mal. Disponível
em:
https://www.academia.edu/5988423/BATAILLE_Georges.
_A_Literatura_e_o_Mal Acesso em: 23/05/2019.

 FRYE, Northrop. Anatomia da crítica. Disponível em:


https://teoliteraria.files.wordpress.com/2013/02/frye__nort
hrop_-_anatomia_da_crc3adtica.pdf Acesso em:
23/05/2019.

 JUNG, C. G. Análise dos Sonhos, Transferência. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes,
2008.
 JUNG, C.G. A Energia Psíquica. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
 JUNG, C.G. Eu e o Inconsciente. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
 JUNG, C.G. Psicologia do Inconsciente. 18. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
 JOHNSON, Robert A. Sonhos, fantasia e imaginação ativa: a chave do reino
interior . Trad. Dilma Gelli. São Paulo: Mercuryo, 1986.
 BLAKE, William. O casamento do céu e do inferno & outros escritos. Seleção,
tradução e apresentação de Alberto Marsicano. Porto Alegre: L&PM, 1987.

THOMPSON, E.P. (1924-1993). Whitness against the Best:
William Blake and the moral law. New York: The New Press,1994.

https://opiniaocentral.wordpress.com/tag/pinturas-de-william-
blake/ Acesso em e 28 de maio de 2019
https://aidobonsai.com/tag/a-obra-de-willian-blake/ Acesso em 28
de maio de 2019
https://aidobonsai.com/2011/05/16/willian blake/#more-19651
Acesso em 29 de maio de 2019
VAUGHAN, William. William Blake. New Jersey: Princeton
University Press, 1999.

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https://www.sohistoria.com.br/resumos/revolucaoi
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https://www.sohistoria.com.br/resumos/revolucaof
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