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Módulo Jarteste

JARTESTE

PROGRAMAÇÃO DO CURSO
Parte teórica (07:30 as 12:00)

 4,5 horas parte teórica incluindo exercícios;


Almoço (12:00 as 13:00)

Parte prática laboratório (13:00 as 19:00)

 Preparo das soluções e análises da água bruta.


 Jarteste - determinação ótima do pH de coagulação;
 Jarteste - determinação ótima da dosagem de polímero;
 Jarteste - determinação ótima da dosagem de coagulante.
JARTESTE

PRINCÍPIOS DA APLICABILIDADE DO JARTESTE

Objetivo
A finalidade principal do Jarteste é adequar o processo de tratamento
visando otimizar o consumo de materiais de tratamento (relação
custo/benefício) sem a perda da qualidade, para qualificar novos
produtos, antecede testes em instalação piloto.
Quando não se conhece o comportamento de uma determinada água,
o jarteste é utilizado para a realização dos estudos de tratabilidade
antecedendo testes em escala piloto e auxiliando na escolha do
processo de tratamento e dimensionamento de uma ETA.
JARTESTE

“O projeto das unidades de mistura rápida e de floculação de


uma estação de tratamento de água deve basear-se em
resultados experimentais realizados em instalações com
reatores estáticos (jarteste, flotateste ou floteste), ou em
instalações piloto de escoamento contínuo.”

Luiz Di Bernardo
JARTESTE

Definição e descrição de jarteste:

É um equipamento que reproduz por batelada o tratamento físico-


químico da ETA. O equipamento pode conter 3 ou 6 jarros e volume
de 1 ou 2 litros cada, com gradiente de velocidade variável de 10 a
2000 s-1. Sua principal finalidade é de simular os gradientes
encontrados na ETA, buscando otimizar o processo de tratamento
quanto a qualidade e custo.
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Da sua utilização:
• Otimização do processo de tratamento com coagulantes, polímeros
e pH, podendo ser chamados de faixas ótimas e econômicas para
ETA;
• Estudos com novos coagulantes e polímeros (mais comuns);
• Estudo da coagulação, floculação e sedimentação;
• Estudo para remoção de compostos causadores de gosto e odor
(mib e geosmina);
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Da sua utilização:
• Demanda de cloro;
• Demanda de Permanganato de Potássio;
• Demanda de carvão ativado em pó;
• Estudo da formação de subproduto da cloração (THM);
• Pesquisas com novos produtos químicos;
• Estudo de tratabilidade para novos mananciais;
• Entre outros.
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JARTESTE
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Ensaios em Laboratório - Coagulação
JARTESTE
Materiais e equipamentos
Geral
• Aparelho de jarteste;
• Densímetro;
• Tabela de densidade e concentração do coagulante;
• Pipeta graduada;
• Balão volumétrico de 1000 mL ou 500 mL;
• Funil;
• Papel de filtro (watmam 40);
• Erlenmayer;
• Bequer de 300 mL;
• Proveta de 1 ou 2 litros;
• Cronômetro.
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Materiais e equipamentos
Aparelhos para análises
• PHmetro;
• Turbidímetro;
• Colorímetro;
• Espectrofotômetro;
• Zetâmetro;
• Entre outros de acordo com o tipo proposto de teste.
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Tipos de produtos químicos empregados nos


ensaios (mais comuns)
Coagulantes:

• Sais de ferro ou alumínio (mais utilizados);


• Sais polimerizados de alumínio (PAC);
• Orgânicos (tanato e polímeros).

Alcalinizantes:

• Suspensão de hidróxido de cálcio;


• Solução de hidróxido de sódio;
• Solução de barrilha (carbonato de sódio).
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Tipos de produtos químicos empregados nos


ensaios (mais comuns)
Auxiliar de coagulação:
• Sílica ativada;
• Polímeros (catiônico de alta carga e baixo peso
molecular).

Auxiliar de floculação:

• Polímeros (catiônico, aniônico e não iônico) todos de


médio a alto peso molecular e baixa carga ou
nenhuma.
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Tipos de produtos químicos empregados nos


ensaios (mais comuns)
Desinfetantes e oxidantes:
• Hipoclorito de sódio;

• Hipoclorito de cálcio;

• Água de cloro;

• Permanganato de potássio (oxidante).


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REPRODUTIBILIDADE DOS RESULTADOS NO


JARTESTE

A água do manancial sofre alterações em suas


características durante o ano, as mudanças decorrem de
eventos climáticos, florações de algas dentre outros,
portanto, a reprodutibilidade dos resultados é sempre
referida a uma época e às características da água bruta
testada.
É desejável que sempre se trabalhe com percentual de
remoção e não medidas diretas, para comparar a
eficiência com diferentes características da água bruta.
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REPRODUTIBILIDADE DOS RESULTADOS NO


JARTESTE
Importante:

• Calibração e verificação dos equipamentos utilizados;

• Padronização dos ensaios com metodologia correta;


• Padronização da forma de interpretação dos resultados
obtidos nos ensaios;
• Mesmo assim, pode-se ter resultados considerados
diferentes para uma mesma condição.
TRATAMENTO CONVENCIONAL DE ÁGUAS
DE ABASTECIMENTO – ciclo completo

Auxiliar coagulação

oxidante
Agente
Manancial Coagulação Floculação Sedimentação

Polímero Agente oxidante

Correção de pH Fluoretação Desinfecção Filtração


Alcalinizante

Água Final
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Manancial

?
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ANÁLISES DA ÁGUA BRUTA PARA JARTESTE


(mais comuns)
• pH;
• Turbidez;
• Cor;
• Alcalinidade;
• Ferro e Manganês;
• Zetapotencial;
• Tamanho de partículas (caso tenham equipamento na ETA);
• OD, Hidrobiologia;
• Entre outros de acordo com o teste proposto.
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Coagulação Floculação

Sedimentação

Remoção de 85 a 95% nesta etapa do processo


COAGULAÇÃO/MISTURA RÁPIDA

• Os resultados obtidos em reatores estáticos podem ser


utilizados desde que sejam adequados ao escoamento
contínuo, especialmente com respeito ao tempo de
agitação. Existe o problema referente à escala de
tamanho, pois, em um reator de pequenas dimensões,
a turbulência produzida é praticamente uniforme. Ao
contrário, nas unidades mecanizadas das estações de
tratamento de água são usados diversos tipos de
agitadores, que em geral concorrem para que a
turbulência não seja uniforme em todo volume em que
a energia é dissipada.
COAGULAÇÃO/MISTURA RÁPIDA

Zonas de turbulência em uma câmara de agitação mecanizada.


JARTESTE
JARTESTE

DECANTAÇÃO

O processo no tanque de decantação é definido como a


água decanta e o floco formado sedimenta, sendo um
processo físico. Nesta etapa é necessário calcular o Vs
(cm/min.) nos decantadores, onde através dele se
determina o TEMPO DE SEDIMENTAÇÃO no jarteste.
JARTESTE

REPRESENTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA PARTÍCULA


NO DECANTADOR
JARTESTE

PREPARO DAS SOLUÇÕES

O preparo da solução de cada produto químico utilizado


nos ensaios deve ser de forma criteriosa, utilizando as
boas práticas de laboratório, pois será diluído muitas
vezes e se não for correta comprometerá a conclusão do
teste, podendo não ser atingido o objetivo de otimização
do processo na ETA.
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DILUIÇÕES MAIS USADAS NOS ENSAIOS

• Tal-qual;

• Concentração do sal;

• Concentração do princípio ativo.


JARTESTE
PREPARO DAS SOLUÇÕES DOS PRODUTOS
QUÍMICOS

Solução de coagulante a 1,0% (10 g/L)

Exemplo da fórmula para calcular:


• Medir densidade do coagulante para obtenção da
concentração;
• Fórmula para cálculo – C1xV1=C2xV2;
onde: C1 = conc. do produto (inicial)
V1 = vol. necessário para obter conc. final
C2 = conc. desejada (10 g/L)
V2 = vol. da diluição.
JARTESTE

PREPARO DAS SOLUÇÕES DOS PRODUTOS


QUÍMICOS

• Coagulante 1,0%;
• Alcalinizante de 1,0 a 5,0% (caso seja uma suspensão
manter agitação antes de pipetar)
• Polímero 0,01% (importante a abertura da cadeia*);
• Outros – carvão, Permanganato, ácidos, oxidantes,
entre outros, deverão ser preparados de acordo com
a dosagem a ser aplicada;
• Fórmula para os cálculos – C1xV1=C2xV2.

*(Constará na apostila método para abertura de cadeia para ensaio


em bancada)
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CÁLCULO PARA AS DOSAGENS DOS QUÍMICOS

Solução de coagulante a 1,0% (10 g/L):

Ex: dosagem de 12 mg/L de coagulante.


• Fórmula para cálculo – C1xV1=C2xV2;
onde: C1 = conc. do produto (inicial)
V1 = vol. necessário para obter conc. final (12
mg/L)
C2 = conc. desejada (12 mg/L)
V2 = vol. da diluição (2.000 mL).
Resposta = 2,4 mL
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DADOS HIDRÁULICOS IMPORTANTES PARA


JARTESTE

Os gradientes e tempos para execução dos ensaios


em equipamentos de jartestes são imprescindíveis.
Estes, necessariamente não são iguais aos da planta,
deve-se compreender bem cada ponto do processo
do ensaio, a fim de obter resultados que represente
a estação de tratamento, mesma eficiência.
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DADOS HIDRÁULICOS IMPORTANTES PARA


JARTESTE

• Gradiente de mistura rápida e tempo;


• Gradiente de mistura lenta e tempo;
• Velocidade de sedimentação – VS (cm/seg.)
Obs:. Estes dados são de projeto da ETA, porém
possíveis de serem calculados e revisados.
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CÁLCULO DO VS
Velocidade de sedimentação:
• Vs = h
Td

• Td = V (min)
Q
Onde: Vs = velocidade de sedimentação
h = altura decantadores
Td = tempo de detenção
V = volume
Q = vazão
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CÁLCULO DO Ts

Tempo de sedimentação:

• Ts (jarro) = h (jarro)
Vs

• O valor Ts (jarro) é o tempo de sedimentação que


ocorrerá após a parada da agitação na última etapa
da floculação.
JARTESTE

Altura a considerar no
cálculo do tempo de
decantação
JARTESTE

REPRESENTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA
PARTÍCULA NO DECANTADOR
JARTESTE
Ensaios em Laboratório
Jarteste

PARTE PRÁTICA DO ENSAIO DE JASTESTE


Ensaio de jarteste em
Laboratório

PASSO A PASSO PARA INÍCIO DO JARTESTE


1º Ensaio – Determinar pH ótimo de coagulação:
• Lavar os jarros com água corrente;
• Separar vidraria necessária, procurando sempre utilizar
as mesmas em cada solução;
• Preparar soluções pertinentes com a concentrações
compatíveis com as dosagem a serem aplicadas;
• Encher os jarros com água bruta, utilizar proveta;
• Realizar análise da água bruta;
• Preencher planilha de jarteste, fixar dosagem de
coagulante;
• Definir faixa de pH’s a ser pesquisado e anotar na
planilha;
Ensaio de jarteste em
Laboratório

PASSO A PASSO PARA INÍCIO DO JARTESTE


1º Ensaio – Determinar pH ótimo de coagulação:

• Realizar prévia dos pH’s com dosagem de coagulante


definida na planilha;
• A prévia poderá ser feita em bequer de 1 ou 2 litros ou
até mesmo no próprio jarro com 1 ou 2 litros;
Ensaios em Laboratório
Jarteste

Previa do jarteste
• Encher o recipiente com volume definido (1 ou 2 L) de
água bruta e manter sobe agitação e ler o pH;
• Adicionar o coagulante (planilha), aguardar estabilizar o
pH;
• Adicionar a solução alcalinizante (lentamente) até atingir
o pH desejado, aguardar estabilizar, ler pH e anotar na
planilha;
• Repetir este mesmo procedimento para todos pH’s
desejado;
• Após a prévia, pipetar os volumes das soluções de
alcalinizante e coagulante, referente as dosagem
determinadas na planilha e colocar nos copos do
jarteste, corrigir os volumes de alcalinizante gastos na
prévia em relação ao jarteste.
Ensaios em Laboratório
Jarteste

• Anotar na planilha as rotações da mistura rápida, média


e lenta e seus respectivos tempos para cada rotação e
seu tempo de sedimentação;
• Anotar também na planilha a sequencia da adição dos
químicos.
• Realizar o ensaio respeitando as rotações e tempos de
mistura rápida, floculação e sedimentação;
• Ao iniciar o teste, adicionar os químicos na sequência
determinada;
• Antes do término do tempo de decantação, descartar a
primeira amostra do caninho do coletor e após coletar
um volume de ~200 mL, para análise.
Ensaios em Laboratório
Jarteste

PASSO A PASSO PARA INÍCIO DO JARTESTE


2º Ensaio – Determinar dosagem ótima de polímero:
• Encher os jarros com água bruta, utilizar proveta;
• Realizar análise da água bruta;
• Preencher planilha de jarteste, fixar dosagem de
coagulante e o pH ótimo encontrado;
• Definir faixa de dosagem de polímero a ser pesquisado
e anotar na planilha;
• Realizar prévia do pH ótimo com dosagem de
coagulante definida na planilha (confirmar a anterior);
• A prévia poderá ser feita em bequer de 1 ou 2 litros ou
até mesmo no próprio jarro com 1 ou 2 litros;
Ensaios em Laboratório
Jarteste

• Após a prévia, pipetar os volumes de alcalinizante,


coagulante e polímero referente as dosagem
determinadas na planilha e colocar nos copos do jarteste
separadamente;
• Anotar na planilha as rotações da mistura rápida, média
e lenta e seus respectivos tempos para cada rotação e
seu tempo de sedimentação;
• Anotar também na planilha a sequencia da adição dos
químicos;
• Realizar o ensaio respeitando as rotações e tempos de
mistura rápida, floculação e sedimentação e adição dos
químicos;
• Antes do término do tempo de decantação, descartar a
primeira amostra do caninho do coletor e após coletar
um volume de ~200 mL, para análise.
Ensaios em Laboratório
Jarteste

PASSO A PASSO PARA INÍCIO DO JARTESTE


3º Ensaio – Determinar dosagem ótima de coagulante:
• Encher os jarros com água bruta, utilizar proveta;
• Realizar análise da água bruta;
• Preencher planilha de jarteste, fixar dosagem de
polímero e pH ótimo encontrados;
• Definir faixa de dosagem de coagulante a ser
pesquisado e anotar na planilha;
• Realizar prévia do pH para as diferentes dosagem de
coagulante definida na planilha;
• A prévia poderá ser feita em bequer de 1 ou 2 litros ou
até mesmo no próprio jarro com 1 ou 2 litros;
Ensaios em Laboratório
Jarteste

Previa do jarteste
• Encher o recipiente com volume definido (1 ou 2 L) de
água bruta e manter sobe agitação e ler o pH;
• Adicionar o coagulante, aguardar estabilizar o pH;
• Adicionar a solução alcalinizante (lentamente) até atingir
o pH desejado, aguardar estabilizar, ler pH e anotar na
planilha;
• Repetir este mesmo procedimento para todas dosagem
de coagulante, ajustando para o pH ótimo;
• Após a prévia, pipetar os volumes das soluções de
alcalinizante, coagulante e polímero, referente as
dosagem determinadas na planilha e colocar nos copos
do jarteste, corrigir os volumes de alcalinizante gastos
na prévia em relação ao voluma dos jarros.
Ensaios em Laboratório
Jarteste

• Anotar na planilha as rotações da mistura rápida, média


e lenta e seus respectivos tempos para cada rotação e
seu tempo de sedimentação;
• Anotar também na planilha a sequencia da adição dos
químicos;
• Realizar o ensaio respeitando as rotações e tempos de
mistura rápida, floculação e sedimentação;
• Ao iniciar o teste, adicionar os químicos na sequencia
determinada;
• Antes do término do tempo de decantação, descartar a
primeira amostra do caninho do coletor e após coletar
um volume de ~200 mL, para análise.
Ensaios em Laboratório
Jarteste

ANÁLISES DA ÁGUA DO JARTESTE:


(mais comuns)

• pH;
•Turbidez;
•Cor aparente;
•Ferro, alumínio e manganês (de acordo com a
utilização do coagulante)
•Entre outros de acordo com a disponibilidade de
equipamentos ou a necessidade da pesquisa.
Ensaios em Laboratório
Preparo das soluções

Exercícios
Ensaios em Laboratório
Preparo de soluções

1-Prepare uma solução à 0,01%, partindo de uma solução


a 40% de princípio ativo. Pergunta-se?
a) qual volume retirado para preparo da solução à 0,01%.
b) dá solução à 0,01%, é necessário dosar em um ensaio
de jarteste 0,25 mg/L. Qual será o volume utilizado no
ensaio (volume do jarro 2 litros)?
Ensaios em Laboratório
Preparo de soluções

2–Prepare uma solução de cal à 5%. Partindo de uma


massa de cal considerando-a como pura, pergunta-se?
a) qual o peso da massa necessária?
b) Qual o volume necessário para dosagem em um
jarteste que necessite 18 mg/L? se o material pudesse
ser utilizado seco qual seria sua massa (g)?
c) Em um ensaio de jarteste demonstre como determinar
o volume necessário, da solução acima, para um pH de
coagulação de 8,5? Descreva claramente como chegar a
este resultado?
Ensaios em Laboratório
Preparo de soluções

3–Realizar cálculo do vs, para determinar o Ts para um


jarteste que tem 7 cm de altura no seu coletor, qual o
tempo de sedimentação?
Dados:
Q ETA=14,5 m³/seg.
Vol.Dec.=105.600m³
Altura dec.=5,0m
Ensaios em Laboratório
Jarteste

PREPARO DAS SOLUÇÕES PARA JARTESTE


• Solução de coagulante em sal 1% (10 g/L) ou massa
2% (20 g/L);
• Solução de polímero 0,01% = 0,1 g/L;
• Suspensão de cal 1% = 10 g/L.

Calcular e preparar as soluções.


OBRIGADO