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ANOS 50

OS ANOS DOURADOS
A DÉCADA DE 50

 Os anos 50 foram marcados por grandes avanços


científicos, tecnológicos e mudanças culturais e
comportamentais. Foi a década em que começaram
as transmissões de televisão, provocando uma
grande mudança nos meios de comunicação.
 É considerada uma época de transição entre o
período de guerras da primeira metade do Século XX
e o período das revoluções comportamentais e
tecnológicas da segunda metade.
CONTEXTO HISTÓRICO – BRASIL
GETÚLIO VARGAS
Posse em 1951
“Eu vos dei a minha vida. Agora
ofereço a minha morte. Nada temo.
Serenamente dou o primeiro passo no
caminho da eternidade e saio da vida
para entrar na história”.
CONTEXTO HISTÓRICO – BRASIL
JUSCELINO KUBISTCHEK
CONTEXTO HISTÓRICO – MUNDO
GUERRA FRIA
 Guerra das Coréias (1950 – 1953)
 Pacto de Varsóvia (1955)
 Cortina de Ferro
Início da corrida espacial (1957) Revolução Cubana (1959)
ESPORTE
 Realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 1950. O Uruguai sagrou-se
campeão após vencer a seleção brasileira, em pleno Maracanã, pelo placar de 2 a 1.
 Em fevereiro de 1951, começam os primeiros Jogos Pan-Americanos. O evento
esportivo ocorre na Argentina.
 Em 29 de junho de 1958, o Brasil torna-se, pela primeira na história, campeão da
Copa do Mundo de Futebol. O evento ocorreu na Suécia.
INVENÇÕES E DESCOBERTAS

Cartões de Crédito (1950)


Televisão a cores (1953)
111

Forno microondas (1954)


Ultrassom (1956)

Pílula anticoncepcional (1957)


(1959)
A primeira vacina de poliomelite, desenvolvida por Jonas
Salk, foi introduzida para o público em 1955.

Descoberta da estrutura do DNA por


Francis Crick e James Watson
MODA

Saias e blusas, combinações com


Saias rodadas e marcadas na cintura: New Look
diferentes estampas
Símbolos de beleza: Marilyn Monroe e Brigitte Bardot
Lingeries: sutiãs Bainha
icônicos Sereia

Aventais e fixação de
que as mulheres deviam
ser donas de casa
Maquiagem: olhos bem
Maiôs com forma de
marcados e batom vermelho, o
espartilho
queridinho da década
ARTE
 Bienal Internacional de Arte de São Paulo
 A Bienal Internacional de Arte de São Paulo é uma exposição de artes,
que ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo. Na década de 50
aconteceram as 5 primeiras edições da bienal. A primeira edição ocorreu
em 20 de outubro de 1951 abrindo caminho para que o Brasil e a cidade
de São Paulo entrassem no âmbito da arte internacional.
 Fundação do Teatro de Arena de São Paulo
 A intenção de um dos seus fundadores, o ator e diretor teatral José Renato
era apresentar produções de baixo custo, em contraposição ao tipo de teatro
que se via praticado pelo TBC –Teatro Brasileiro de Comédia, (um repertório
iminentemente internacional, com produções sofisticadas)
MÚSICA
 A década de 50 é marcada pelo
surgimento de um dos maiores e mais
importantes movimentos musicais do
planeta que, até hoje, influencia
milhares de artistas mundo a fora:
o Rock n’ Roll. Nascido nos Estados
Unidos o movimento é derradeiro da
mistura de vários estilos e
simplesmente surgiu nas musicas de
Elvis Presley, Chuck Berry e Little
Richard
 O estilo musical brasileiro Bossa Nova
nasce, influenciado pelo jazz e pelo
samba e começa a fazer sucesso. Os
maiores representantes deste
movimento foram: Tom Jobim, Vinícius
de Morais e João Gilberto.
CINEMA

Cinderella (1950)
Cantando na Chuva (1952)

Juventude
Transviada
(1955)

Os homens
preferem as
loiras (1954)
LITERATURA

 Literatura Brasileira nos anos 50


 No Brasil os anos 50 foram férteis: 1956, por exemplo, é considerado um dos
grandes marcos literários do país; Foram publicados naquele ano O encontro
marcado, de Fernando Sabino; Doramundo, de Geral Ferraz; Vila dos Confins,
de Mário Palmério e Grande Sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Ainda desta
década é Gabriela, Cravo e Canela (58), de Jorge Amado. A trilogia O tempo e
o vento, de Èrico Veríssimo, teve seu primeiro volume, O continente,
publicado em 49 e O retrato em 51.
 A Terceira Fase DO MODERNISMO (Pós-1945)
 Nesta terceira fase, presencia-se a rejeição da geração de 22 na poesia. Surge o Concretismo, a Poesia-
Práxis, o Poema-Processo, o Poema-Social, a Poesia Marginal e os músicos-poeta. Na prosa, a exploração
do psicológico e dos conflitos entre o homem e a modernidade, a busca da universalização e de uma
literatura engajada e o mergulho no realismo fantástico e no romance de reportagem passam a ser o
foco. A crônica, o conto, a prosa autobiográfica e o teatro ganham força.
 A Poesia - A poesia da segunda metade da década de 40 é marcada pela presença da Geração de 45.
Pregavam, acima de tudo, a rejeição aos moldes modernistas da geração de 22, ou seja: o fim do verso
livre, da paródia, da ironia, do poema-piada, etc. A poesia deveria seguir um modelo mais formal, de
cunho neoparnasiano ou neo-simbolista, com versificação mais regrada, maior erudição com relação às
palavras e uso de temas mais universais.
 Contrapondo a toda essa busca pelos padrões clássicos, Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de
Campos criaram o Concretismo, que condizia mais com a rapidez e agilidade da sociedade moderna. O
Concretismo vai além de tudo o que o Modernismo conquistou: prega o fim do verso, do lirismo e do
tema, além da exploração do espaço em branco, e a decomposição e montagem de palavras, com seus
vários sentidos e correlações com outras palavras. O poema em si muitas vezes lembra um cartaz
publicitário que se evidencia pelo apelo visual e permite várias leituras.
 Outro movimento de profunda importância literária é o da Poesia-Práxis. A poesia, segundo essa nova
concepção, deve ser energética e dinâmica, com um conteúdo de importância, podendo ser
transformada e reformulada pelo leitor, permitindo uma leitura múltipla. O Poema-Processo, assim como
a poesia concreta, apela para o campo visual, através do uso de cortes e colagens e signos não-verbais.
São poemas de apreciação e compreensão muito truncadas, mais para serem vistos do que lidos. A Poesia
Social surge para trazer novamente à tona a força do verso, abolido pela poesia concreta e pelo Poema-
Processo, sendo que a principal preocupação está sempre voltada para o retrato da realidade social. A
Poesia Marginal mantém, no entanto, algumas relações com o Concretismo e o Poema-Processo. Sua
linguagem é marcada pela busca da descrição do cotidiano, do instante, numa linguagem mais simples e
um tom coloquial que tem como marca a ironia, o humor e o desprezo à elite e à sociedade, retomando
algumas características da obra de Oswald de Andrade. Eram, na maioria dos casos, rodadas em
mimeógrafos e entregues de mão em mão.
 A Prosa: a prosa da década de 40 e 50 seria marcada pela exploração do campo psicológico das
personagens, o urbanismo que revela a relação conflituosa entre o homem e a modernidade, e o
regionalismo que renova a linguagem literária, numa profunda busca pela universalização.
SAMBA
 Período de decadência; o samba nos anos 50 é reflexo das influencias de ritmos
internacionais e do crescimento da indústria fonográfica. (Uma ruptura com as raízes de
nossa identidade musical).
 Um artigo escrito pelo compositor Ary Barroso sintetiza o pensamento do ambiente musical
da época:
“Antigamente não havia gramáticas em samba. E todos o entendiam. ”
“[...] não havia acordes americanos. ”
“Antigamente o samba andava pelos cabarés, humilde e sem dinheiro. ”
“Antigamente o compositor era um veículo sonoro de suas emoções. Então o samba saía à rua
vestido de brasileiro, gingando [...] “
“Antigamente samba era uma coisa, hoje é outra [...] “
 Na década de 1950 surgiu em boates de São Paulo e Rio de Janeiro o “Sambalanço”. É
considerado um subproduto da Bossa Nova, um estilo intermediário entre o samba
tradicional e a Bossa Nova, que recebeu uma forte influência do jazz. Um dos mais
significativos representantes é Jorge Ben Jor. Foi muito difundido nos bailes suburbanos
nas décadas de 60 a 80.
 Velha Guarda: Conjunto vocal e instrumental organizado em 1954 em São Paulo. O
conjunto surgiu quando o cantor e radialista Almirante promoveu em São Paulo o Primeiro
Festival da Velha Guarda, na Rádio Record, reunindo artistas como Pixinguinha, Benedito
Lacerda, Ismael Silva, Caninha e outros.
SAUDOSA MALOCA- Adoniran Barbosa
Se o senhor não tá lembrado Mato Grosso quis gritá
Dá licença de contá Mas em cima eu falei:
Que acá onde agora está Os homis tá cá razão (Cacófato)
Esse aditício arto Nós arranja outro lugar (Solecismo)
Era uma casa véia (Antítese) Só se conformemo quando o Joca falou:
Um palacete assobradado "Deus dá o frio conforme o cobertor"

Foi aqui seu moço E hoje nós pega páia nas gramas do jardim
Que eu, Mato Grosso e o Joca (Paranomásia) (Aliteração)
Construímos nossa maloca E pra esquecê, nós cantemos assim:
Mas um dia, nós nem pode se alembrá Saudosa maloca, maloca querida
Veio os homis c'as ferramentas Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de
O dono mandô derrubá (Barbarismo) nossa vida
Saudosa maloca, maloca querida
Peguemos todas nossas coisas Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de
E fumos pro meio da rua (Ironia) nossa vida.
Apreciá a demolição
Que tristeza que nós sentia Figuras de linguagem
Cada táuba que caía
Vícios de linguagem
Doía no coração
ANÁLISE DA MÚSICA
 Adoniran Barbosa, pseudônimo artístico de João Rubinato.
 Samba despretensioso= temática cotidiana, assuntos corriqueiros;
 E samba pretencioso= temática engajada, (política, amor..), letras profundas;
 A música conta a história dos bairros da cidade de SP, que estão em
transformação. É uma narrativa.
 Os bairros não conservaram ao longo de sua modernização a arquitetura
original, derrubavam tudo e reconstruíam com uma roupagem moderna. Com
isso, a cidade acaba perdendo sua identidade.
 Memória coletiva, a história da música “Saudosa Maloca‟, simboliza o olhar do
cronista, ele de fato conheceu o Mato Grosso, um pobre marginal que morava
no velho edifício do Hotel Odeon e um dia saindo de casa com seu cachorro de
estimação, Peteleco, Adoniran encontrou o amigo de bate-papo, que
apavoradíssimo, relatou que o prédio onde morava seria demolido. A partir da
comoção com as dores do amigo, Adoniran teria composto a canção.
 Não se opõe a essa transformação, de certa forma a considera legitima.
 O termo MALOCA foi usado em sentido figurado. Refere-se a uma casa
pobre, construída sem os requisitos de habitação necessários. A
etimologia é controversa. Alguns linguistas afirmam que o termo vem do
araucano - "malocan" que significa "fazer hostilidade". Outros afirmam
que vem do tupi - "mar'oka", quer dizer "casa de guerra; ranchada de
índios"
 A linha de interpretação da música, foi o elemento motivador do
programa radiofônico “Histórias das Malocas”, transmitido pela então
Rádio Record e no qual Adoniran interpretava um personagem:
Charutinho.
 As construções linguísticas, estão ligadas a um retrato da linguagem
popular da época, com um sotaque italianado.
 Intertextualidade explícita; a intertextualidade localiza-se na
superfície do texto, pois alguns elementos são fornecidos para que
identifiquemos o texto fonte. (Encontradas em citações, resumos,
resenhas, traduções..)
 Na música temos: “Deus dá o frio conforme o coberto.” (Provérbio)
POUT POURRI – COMPOSITORES ANOS 50