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Imunidades Tributárias

Prof. Dr. Gustavo Fossati, LL.M.


Doutor em Direito Tributário pela Universidade de Münster –
Alemanha
Professor da FGV Direito Rio
Advogado
Competência Tributária
• “é uma das parcelas entre as prerrogativas legiferantes de que são portadores as
pessoas políticas, consubstanciada na faculadade de legislar para a produção de
normas jurídicas sobre tributos”
– Paulo de Barros Carvalho, Curso, p. 146

• Para Difini:
– é a “extensão do poder de imposição de tributos deferido pela Constituição a cada uma das
pessoas de Direito Público interno (União, Estados, DF e Municípios)”

• Surge a partir do modelo federativo, adotado pela CF/88

• Repartição tripartite (União, Estados e Municípios)


Art. 11 da Lei de Responsabilidade
Fiscal (LC 101/2000)

• Impõe, como requisitos essenciais da


responsabilidade na gestão fiscal:

– a instituição, previsão e efetiva arrecadação de


todos os tributos de competência constitucional
de cada ente da Federação (...)
Imunidades
• Limitação constitucional ao poder de tributar (Aliomar
Baleeiro)

• Regra de exclusão de competência tributária

• Espécie de não-incidência de qualificação constitucional


(Amílcar Falcão)

• Norma constitucional de exoneração tributária

• Regra negativa de competência (Pontes de Miranda)


Não-incidência e isenção
• o resultado prático comum a todas elas é a desoneração tributária

• não-incidência:
– o fato em questão não foi descrito na hipótese de incidência de
nenhuma norma de tributação. Não há lei criando obrigação de pagar
tributo pela ocorrência daquele fato

• imunidade e isenção:
– há obstáculo à própria incidência da norma de tributação (não há
competência para o legislador ordinário)

• a norma isentiva (de lei ordinária) exclui determinada hipótese da


incidência da regra de tributação
ALÍQUOTA ZERO

• também é técnica de exoneração tributária,


impondo a anulação, a equalização a zero

• há incidência, mas o elemento quantitativo


resulta em zero

• não há expressão econômica nem tributo a pagar


Método de interpretação das
imunidades

• interpretação restritiva?

• interpretação teleológica?

• outro método?
STF

• Pleno do STF, RE 237.718/2001:

– “a jurisprudência do STF vem se inclinando “à


interpretação teleológica das normas de imunidade
tributária, de modo a maximizar-lhes o potencial de
efetividade, como garantia ou estímulo à
concretização dos valores constitucionais que
inspiram limitações ao poder de tributar”
Ainda STF...
• a jurisprudência predominante do STF continua sendo no sentido
da interpretacao teleológica das normas de imunidade

• Min. Gilmar Mendes:


– a corte sempre se ateve às finalidades constitucionais inerentes às
regras de imunidade tributária
– tanto para ampliar o alcance da norma quanto para restringi-lo
– as normas de imunidade tributária tem por escopo a consecução de
determinadas finalidades ou a preservação de certos valores do texto
constitucional
– é impróprio afirmar-se genericamente que as imunidades sempre
deverão ser interpretadas de forma ampla ou restrita (STF, Pleno, RE
474.132/2010)
• No entanto, há precedentes indicando
interpretação diversa, no sentido de que as
imunidades tributárias se qualificam como
normas concessivas de benefícios e, por isso,
devem ser interpretadas restritivamente

– STF, 2. Turma, RE 170.784/2006


art. 111 CTN

• Norma contida no art. 111 CTN:


– Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga
de isenção

• Imunidades:
– concretizadoras de valores constitucionais básicos da República: garantia da
federação, liberdade de religião, de informação, educação e assistência social

– plano da concretização normativa dos valores constitucionais: interpretação


que consiga concretizá-los na medida máxima possível

– teleologia dos enunciados normativos


Espécies tributárias abrangidas

• Restritas aos impostos (todos)

i) não se aplicam às contribuições especiais (STF, 1. Turma, RE 141.715)

ii) não se aplicam às taxas (Súmula 324 STF: “A imunidade do art. 31, V da
CF não compreende as taxas”. Editada à luz da Constituição de 1946)

iii) Súmula 553 STF: o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha


Mercante (AFRMM) é contribuição parafiscal, não sendo abrangido pela
imunidade prevista no art. 19 da CF (ref. à Constituição de 1969)
Imunidade recíproca

• A CF veda a União, os Estados o DF e os Municípios instituir impostos


sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros (150, VI, a)

• Extensiva às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder


Público, no que se refere ao patrimônio, renda e serviços vinculados a
suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes (150, § 2º)

• Não abrange autarquias que desenvolvem atividades econômicas ou


comerciais. Ex.: autarquia que desenvolve atividade bancária

• Não alcança empresas públicas e sociedades de economia mista (regime


jurídico das empresas privadas), inclusive para fins tributários (173, § 1º,
II)
Pleno do STF
ADI 939/1993

a) a imunidade tributária recíproca é garantia da


federação, estando albergada pelo art. 60, § 4º, I, CF/88
(cláusulas pétreas)

b) as imunidades do art. 150, VI, b, c e d constituem


expressões dos direitos fundamentais de expressão
intelectual, de informação, de liberdade sindical, de
culto, de organização partidária, etc, estando sob a
tutela do art. 60, § 4º, IV (cláusulas pétreas)
Imunidade tributária recíproca:
projeção da isonomia entre os entes
constitucionais

• 2. Turma do STF:
– Inconstitucionalidade do IOF sobre aplicações de entes
federados
– Os valores investidos e a renda auferida pelo membro da
federação são imunes ao imposto
– Imunidade tributária recíproca como decorrência
imediata da isonomia entre os entes constitucionais,
sustentada pela estrutura federativa do Estado e pela
autonomia dos Municípios (STF, 2. Turma, AI 174.808 AgR)
Caso 1: GHC

• 3 hospitais (serviço público de saúde)


• Sociedade de economia mista
• Controle acionário da União (99,99%)
• Atendem exclusivamente SUS
• Receita proveniente de repasses públicos (União
Federal/Mun. POA)
• Sem fins lucrativos

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STF, RE 580.264, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA, Rel. p/
Acórdão Min. AYRES BRITTO, j. 16/12/2010, Pleno, Dje
05/10/2011

• CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO.


REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE
DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito
fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição
Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face
de sua prestação pelo Estado mesmo, se definem como de natureza
pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de
saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação
do Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a
obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de
ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente
estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI
do art. 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá
provimento, com repercussão geral.

15/11/2019 17
Caso 2: Carris

• Sociedade de economia mista


• Controle acionário do Mun. POA (99,99%)
• Serviço de transporte coletivo de passageiros
• Área exclusiva: Bacia Pública
• Sem fins lucrativos
• Recebe frequentes aportes de capital do Mun.
POA

15/11/2019 18
Caso 3: Petrobrás
• É irrelevante para definição da aplicabilidade da imunidade tributária recíproca a
circunstância de a atividade desempenhada estar ou não sujeita a monopólio
estatal. O alcance da salvaguarda constitucional pressupõe o exame (i) da
caracterização econômica da atividade (lucrativa ou não), (ii) do risco à
concorrência e à livre-iniciativa e (iii) de riscos ao pacto federativo pela pressão
política ou econômica. A imunidade tributária recíproca não se aplica à Petrobrás,
pois: trata-se de sociedade de economia mista destinada à exploração econômica
em benefício de seus acionistas, pessoas de direito público e privado, e a
salvaguarda não se presta a proteger aumento patrimonial dissociado de interesse
público primário; a Petrobrás visa à distribuição de lucros, e, portanto, tem
capacidade contributiva para participar do apoio econômico aos entes federados;
a tributação de atividade econômica lucrativa não implica risco ao pacto
federativo.

– RE 285.716 AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 2-3-2010, 2ª T, DJE 26-3-2010

15/11/2019 19
Imunidade dos templos
• Imunidade dos templos de qualquer culto (150, VI, b)

• Expressão abrange:
– quaisquer formas de religiosidade e quaisquer religiões
– imunidade objetiva: a proteção é conferida ao culto, seus bens e
atividades

• Reafirmação do Princípio da Liberdade de Religião

• Baleeiro defende que a imunidade abrange não só a


materialidade do edifício (imune ao IPTU ou ao ITBI), mas
os atos do culto: missa, batizado e outros atos religiosos
Imóveis alugados a terceiros

• Pleno do STF:
– a imunidade sobre templos de qualquer culto deve
abranger não somente os prédios destinados ao culto,
mas também o patrimônio, a renda e os serviços
“relacionados com as finalidades essenciais das
entidades nelas mencionadas” (Caso: imóveis
alugados a terceiros - RE 325.822)
Igreja locatária do imóvel
• PEC 200/2016:
– Acrescenta § 1º-A ao art. 156 da CF para prever a não incidência sobre
templos de qualquer culto do IPTU, ainda que as entidades
abrangidas pela imunidade tributária sejam apenas locatárias do
bem imóvel.

• Situação: Pronta para Pauta no PLENÁRIO

• Origem: PEC 133/2015

• 24/10/2017 - PLENÁRIO - Matéria não apreciada em face do


encerramento da Sessão

15/11/2019 22
Cemitérios
• Pleno do STF:
– os cemitérios consubstanciam extensões de
entidades de cunho religioso, estando abrangidos
pela imunidade
– Impossibilidade da incidência de IPTU
– Esta imunidade é projetada a partir da interpretação
da totalidade que o texto da CF é, sobretudo do
disposto nos arts. 5, VI, 19, I e 150, VI, b. (RE 578.562)
Maçonaria

• 1ª Turma do STF:
– a imunidade é restrita aos templos de qualquer culto
religioso, não se aplicando à maçonaria, em cujas
lojas não se professa qualquer religião (RE 562.351)

• Obs.: Min. Marco Aurélio proveu o recurso e reconheceu o


direito à imunidade tributária à loja maçônica, mas restou
vencido
Imunidade dos partidos políticos, sindicatos de
trabalhadores e instituições de educação e assistência
social

• a imunidade vale quanto ao patrimônio, renda ou


serviços, na situação em que não há fins lucrativos e
que estão atendidos os requisitos da lei (150, VI, c)

• a imunidade foi concedida apenas para as entidades


sindicais dos trabalhadores, não para os sindicatos de
empregadores ou de profissionais liberais
Qual lei?
• A lei referida no dispositivo constitucional é a LC (regula as limitações ao
poder de tributar - 146, II)

• Trata-se do art. 14 do CTN. Requisitos:

– i) não distribuír qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a


qualquer título
– ii) aplicar, integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus
objetivos institucionais
– iii) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros, revestidos de
formalidade capazes de assegurar sua exatidão

• Nunca foi editada LC específica para regular a matéria, que sempre foi
regulada pela legislação ordinária (excetua-se apenas a LC 104/2001, que
alterou o art. 14, I, CTN)
ADI 2028, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA, Rel. p/ Acórdão Min.
ROSA WEBER, j. 02/03/2017, Pleno, Dje 05/05/2017

• AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONVERSÃO EM ARGUIÇÃO


DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. CONHECIMENTO.
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ARTS. 146, II, e 195, § 7º, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REGULAMENTAÇÃO. LEI 8.212/91 (ART. 55).
DECRETO 2.536/98 (ARTS. 2º, IV, 3º, VI, §§ 1º e 4º e PARÁGRAFO ÚNICO).
DECRETO 752/93 (ARTS. 1º, IV, 2º, IV e §§ 1º e 3º, e 7º, § 4º). ENTIDADES
BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DISTINÇÃO. MODO DE ATUAÇÃO
DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. TRATAMENTO POR LEI
COMPLEMENTAR. ASPECTOS MERAMENTE PROCEDIMENTAIS.
REGRAMENTO POR LEI ORDINÁRIA. (...)

• 2. “Aspectos meramente procedimentais referentes à certificação,


fiscalização e controle administrativo continuam passíveis de definição
em lei ordinária. A lei complementar é forma somente exigível para a
definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência
social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se
refere à instituição de contrapartidas a serem observadas por elas”. (...)
Imóvel alugado a terceiro
• Ainda quando alugado a terceiros, permanece
imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer
das entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da CF,
desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas
atividades para as quais tais entidades foram
constituídas.

Súmula Vinculante 52

15/11/2019 28
Terreno baldio

• Terrenos baldios sem vinculação às finalidades


essenciais da entidade afastam a imunidade
prevista no art. 150, VI, c, da CF.

RE 375.715 ED, rel. min. Ellen Gracie, j. 31-8-2010, 2ª T, DJE de


24-9-2010

15/11/2019 29
Contribuinte de fato
• Imunidade do art. 150, VI, c, CF. Entidade beneficente de
assistência social. ICMS. Aquisição de insumos e produtos no
mercado interno na qualidade de contribuinte de fato. Beneplácito
reconhecido ao contribuinte de direito. Repercussão econômica.
Irrelevância. (...) "A imunidade tributária subjetiva aplica-se a
seus beneficiários na posição de contribuinte de direito, mas não
na de simples contribuinte de fato, sendo irrelevante para
a verificação da existência do beneplácito constitucional
a repercussão econômica do tributo envolvido".

RE 608.872, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 23-2-2017, Pleno, DJE 27-9-2017, Tema 342

15/11/2019 30
Importação
• Tributário. ICMS. Imunidade. Operações de importação
de mercadoria realizada por entidade de assistência
social. (...) A jurisprudência da Corte é no sentido de
que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF
abrange o ICMS incidente sobre a importação de
mercadorias utilizadas na prestação de seus serviços
específicos.

AI 669.257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 17-3-2009,


1ª T, DJE 17-4-2009

15/11/2019 31
Entidade educacional
• Entidades beneficentes e de assistência social também
fazem parte dos entes legitimados para a coordenação
e execução dos programas ligados às ações
governamentais na área de assistência social (art. 204
da CF)

• STF entende que a entidade beneficente de assistência


social, mencionada no § 7º do art. 195, abarca a
entidade beneficente de assistência educacional
Imóvel como escritório e residência
• Instituições de educação e assistência social sem
fins lucrativos (...). O fato de os imóveis estarem
sendo utilizados como escritório e residência de
membros da entidade não afasta a imunidade
prevista no art. 150, VI, c, § 4º, da CF.

RE 221.395, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 8-2-2000, 2ª T, DJ 12-5-


2000

15/11/2019 33
Livros, jornais, periódicos e o papel
destinado à sua impressão

• 2ª Turma do STF:
– a imunidade dos livros, jornais e periódicos almeja
obstar que a tributação:
• a) dificulte ou inviabilize o exercício da liberdade de
expressão intelectual, artística, científica e de
comunicação;
• b) restrinja o acesso da população à cultura, à
informação e à educação (RE 221.239)
Álbum de figurinhas
– “o Constituinte, ao instituir essa benesse, não fez ressalvas
quanto ao valor artístico ou didático, à relevância das
informações divulgadas ou à qualidade cultural de uma
publicação

– Não cabe ao aplicador da norma constitucional em tela


afastar este benefício fiscal instituído para proteger direito
tão importante ao exercício da democracia, por forca de
um juízo subjetivo acerca da qualidade cultural ou do
valor pedagógico de uma publicação destinada ao público
infanto-juvenil (STF, 2ª Turma, RE 221.239)

15/11/2019 35
Estão abrangidas pela imunidade:
i) revistas técnicas ou científicas (STF, 2. Turma, RE 86.026)

ii) apostilas, veículo de transmissão de cultura simplificado (STF, 2.


Turma, RE 183.403)

iii) listas telefônicas – consideradas periódicos – quanto ao ISS, mesmo


que nelas haja publicidade paga (STF, RE 101.441), bem como que a
imunidade em tela impede a incidência do ISS sobre a transmissão de
anúncios ou propaganda:
– STF, RE 87.049: “...é de se entender que não estão excluídos da
imunidade os periódicos que cuidam apenas e tão-somente de
informações genéricas ou específicas, sem caráter noticioso,
discursivo, literário, poético ou filosófico, mas de inegável utilidade
pública, como é o caso das listas telefônicas”
Calendários e Propaganda

• 2. Turma do STF:
– os calendários comerciais não se constituem em periódicos
para os efeitos da imunidade, pois não se destinam a veicular ou
transmitir pensamentos e ideias (RE 87.633)

• 1. Turma do STF:
– os encartes de propaganda, distribuídos em jornais e
periódicos, em face de sua natureza propagandística, de
exclusiva índole comercial, não podem ser considerados como
destinados à cultura e à educação, razão pela qual não estão
abrangidos pela imunidade (RE 213.094)
Insumos
A imunidade abrange... A imunidade não abrange...
quaisquer livros, jornais e periódicos tintas, chapas, solventes, solução para
impressão, fotolitos ou quaisquer outros
insumos que não sejam papel
o papel destinado à sua impressão, serviços, desde a redação até a revisão da
incluído o papel fotográfico (Súmula 657 obra (precedente de 1985; entendimento
STF: abrange filmes e papeis fotográficos) superado)
material assimilável à papel (para as receitas e lucros auferidos por editoras,
capas dos livros) autores, empresas jornalísticas ou de
publicidade (“a imunidade é de natuzera
objetiva, não incidindo sobre atos
subjetivados”)
serviços de composição gráfica
Caso: importação de peças sobressalentes para
equipamento de preparo e acabamento de chapas de
impressão offset

• “A imunidade tributária relativa a livros, jornais e periódicos é


– ampla, total, apanhando produto, maquinário e insumos
– a referência, no preceito, a papel é exemplificativa e não exaustiva”

• Min. Marco Aurélio ressaltou a necessidade da interpretação


teleológica do art. 150, VI, d, objetivando viabilizar a divulgação de
ideias à comunicação

• A imunidade deve apanhar todo e qualquer insumo e ferramenta


indispensável à edição desses veículos de comunicação

RE 202.149, 1ª Turma, por maioria


Componentes eletrônicos

• A imunidade prevista no art. 150, VI, da CF


alcança componentes eletrônicos, quando
destinados, exclusivamente, a integrar a unidade
didática com fascículos periódicos impressos.

RE 595.676, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 8-3-2017, Pleno, DJE 18-12-2017, Tema
259

15/11/2019 40
E-book e E-reader
• A imunidade tributária constante do art. 150,
VI, d aplica-se ao livro eletrônico (e-book),
inclusive aos suportes exclusivamente
utilizados para fixá-lo.

RE 330.817, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 8-3-2017, Pleno, DJE 31-8-


2017, Tema 593

15/11/2019 41
Extensão da imunidade tributária recíproca às
autarquias e fundações públicas

• promitente comprador de imóvel residencial transcrito


em nome de autarquia é contribuinte do IPTU (Súmula
583)

• sendo vendedora uma autarquia, a sua imunidade


fiscal não compreende o imposto de transmissão inter
vivos, que é encargo do comprador (Súmula 75)
Outros casos

• Caixa de Assistência dos Advogados


– não desempenha as atividades inerentes à OAB
– entendeu o STF que se trata de entidade destinada a
prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus
associados
– Caixa não é protegida pela imunidade, pois não revela
instrumentalidade estatal (RE 233.843)

• sociedades de economia mista


– elas não estão protegidas pela imunidade (Súmula 76 STF)
Banco Regional de Desenvolvimento do
Extremo Sul (BRDE)

– não tem a natureza jurídica de autarquia, mas é,


sim, empresa com personalidade jurídica de
Direito Privado

– não goza da imunidade tributária (STF, Pleno,


ACO 503)
ECT
• Pleno do STF
– reconheceu a imunidade recíproca da ECT, tendo em vista que ela é
empresa pública prestadora de serviço público, o que não se
confunde com empresas públicas que exercem atividade econômica
em sentido estrito (ACO 765)
– ECT, empresa pública, executa, como atividade-fim, serviço postal
constitucionalmente outorgado à União Federal
– é entidade delegatária e prestadora de serviços públicos
– imunidade reconhecida (STF, Pleno, ACO 803; STF, 2ª Turma, RE
407.099)

• RE 601.392, Pleno, por maioria:


– incide a imunidade tributária sobre os serviços prestados pela ECT,
sendo irrelevante, se há exercício simultâneo de atividades em
regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada,
pois há peculiaridades no serviço postal
Atividade notarial

– serviços de registros públicos, cartorários e


notariais, delegados ou concedidos e exercidos
por particulares não são imunes à tributação,
pois desenvolvem a atividade com nítido intuito
lucrativo

– serviços devidamente remunerados, os quais


denotam inequívoca capacidade contributiva (STF,
Pleno, ADI 3.089)
INFRAERO

– é empresa pública e tem como atividade-fim, em regime


de monopólio, serviços de infraestrutura aeroportuária
constitucionalmente outorgados à União Federal, sendo,
assim, entidade delegatária de serviços públicos, o que a
exclui do poder geral de tributar dos entes políticos

– inexigibilidade do ISS em relação aos serviços públicos de


infraestrutura aeroportuária e daqueles necessários à
realização dessa atividade-fim (STF, Pleno, RE 363.412. Ver
também ARE 638.315)

15/11/2019 47
Estacionamento e cinema
• Eventual renda obtida por instituição de assistência social
mediante cobrança de estacionamento de veículos em
área interna da entidade, destinada ao custeio das
atividades desta, está abrangida pela imunidade (STF, 1.
Turma, RE 144.900)

• A renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de


diversão pública, mediante a venda de ingressos de
cinema, ao público em geral, é aproveitada em suas
finalidades assistenciais, estando abrangida pela imunidade
(STF, 1. Turma, AI 155.822 AgR)
Outras imunidades

a) são imunes ao ITBI a transmissão de bens ou direitos


incorporados ao patrimônio da pessoa jurídica em
realização de capital e a transmissão de bens ou direitos
decorrentes de fusão, incorporação, cisão ou extinção
de pessoa jurídica, exceto se a atividade preponderante
do adquirente for a compra e venda de tais bens ou
direitos, locação de imóveis ou arrendamento mercantil
(art. 156, § 2º, I)
b) imunidade de contribuição social para a
seguridade em favor das entidades
beneficentes de assistência social que atendam
as exigências estabelecidas em lei (art. 195, §
7º)
Imunidade dos fonogramas e
videogramas musicais

• EC 75/2013:

e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos


no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de
autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas
por artistas brasileiros bem como os suportes materiais
ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa
de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a
laser (art. 150, VI, e)
• Norma autoaplicável

• Objetivos:
– favorecer a produção musical brasileira
– amenizar a concorrência com produtos falsificados
e com a facilidade que as pessoas têm com o
acesso gratuito à música pela internet
CD, DVD e Blu-Ray
• “... A rigor, CD, DVD e Blu-Ray, todos, têm leitura a laser, logo, sua
replicação industrial necessariamente terá a incidência de impostos sobre
a produção.

• O que é beneficiado pela imunidade relativa a impostos é a cadeia


produtiva do fonograma ou videofonograma, da contratação de locais de
gravação, profissionais responsáveis pela interpretação (músicos),
passando pelo trabalho na mesa de edição do fonograma ou
videofonograma até alcançar a distribuição às lojas para venda a
consumidores finais”.

COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 16ª


ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018, p. 220

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