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FIXAÇÃO DO TERRITÓRIO

O PAÍS RURAL E SENHORIAL


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Índice:
2.1.1. A Reconquista
2.1.2. Do termo da Reconquista ao estabelecimento e fortalecimento das fronteiras
2.2. O país rural e senhorial
2.2.1. Os senhorios – sua origem, detentores e localização
2.2.2. O exercício do poder senhorial: privilégios e imunidades
2.2.3. A exploração económica do senhorio
2.2.4. A situação social e económica das comunidades rurais dependentes
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A RECONQUISTA (VIII- XV)

• A Reconquista Cristã teve início no século VIII;

• Os Cristãos, refugiaram-se nas Astúrias, no


Norte da Península Ibérica reorganizaram a
resistência aos Muçulmanos. Chefiados por
Pelágio, têm a sua primeira grande vitória na
Batalha de Covadonga, em 722. Forma-se o
primeiro reino cristão, o Reino das Astúrias.

• Após as primeiras vitórias, a norte da península, começam as ser fundados vários reinos
cristãos, nomeadamente o das Astúrias, o de Leão, Castela, Navarra e Aragão.
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A RECONQUISTA (VIII- XV)

• A história do Condado Portucalense começou


a ser construída por volta do ano 1000, no
norte da Península Ibérica.

• Em 1096 Afonso VI, rei de Leão e de Castela


doou o Condado Portucalense ao Conde D.
Henrique. O seu território foi sendo
definido ao longo deste processo e Portugal
afirmou-se como entidade politica
independente.
• D. Afonso Henriques revoltou-se contra o seu
primo D. Afonso VII de Leão de Castela a quem
devia obediência na qualidade de vassalo.
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A RECONQUISTA (XII- XIII)

• Após a vitória em 1128 na batalha de S. Mamede Afonso Henriques ficou á frente


dos destinos do Condado e conduziu-o à independência.

• Em 1143 na Conferencia de Zamora Afonso VII reconheceu Afonso Henriques como


rei (rex), mas apenas ficou completamente desvinculado de Castela em 1179 com a
Bula Manifestis Probatum pelo Papa Alexandre III.
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DO TERMO DA RECONQUISTA AO
ESTABELECIMENTO E FORTALECIMENTO DAS
FRONTEIRAS

• Perante um presumível cenário de guerra entre os


dois reinos, o Papa interveio na celebração de um
Tratado de paz em 1253 em que Afonso III casaria
com Beatriz, filha legitima de Afonso X e
renunciaria aos direitos como suserano do Algarve
a favor do Sogro.

• Celebrou-se posteriormente em 1267 o Tratado de


Badajoz que finalmente decidiu a soberania dos
Algarves, tendo Afonso X transferido o seu poder para
o seu neto D. Dinis nascido do casamento de Afonso III
de Portugal com Beatriz de Castela.
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DO TERMO DA RECONQUISTA AO
ESTABELECIMENTO E FORTALECIMENTO DAS
FRONTEIRAS
• Posteriormente entre 1295-1296 Portugal reacendeu as hostilidades com Castela ao
participar numa Guerra Civil que terminou com a formulação do Tratado de Alcanises em
1297 entre D. Dinis e Fernando IV.

• No tratado acordaram-se ao mesmo


tempo casamentos reais, uma paz de
40 anos baseada na “amizade e
defesa mútuas” e ainda se fixaram os
limites territoriais existido trocas
terras entre os dois Reinos. Limites
esses que se mantém até hoje
praticamente iguais, apenas com a
exceção de Olivença incorporada na
Espanha no séc. XIX
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O PAÍS RURAL E SENHORIAL
• Depois do período de Reconquista e de consolidação do território português , Portugal
encontrava-se organizado em senhorios e em concelhos;
• Os senhorios estruturavam o país rural enquanto os Concelhos dinamizavam o país urbano;
• Eram uma área territorial mais ao menos extensa e nem
sempre continua, que pertence ao senhor, o qual detém
variados poderes sobre a terra e os homens que nela
habitam;
• A sua origem remonta às conquistas
feitas aos muçulmanos e às
frequentes doações territoriais que
as acompanharam;
• Os reguengos são as terras do Rei
• Os coutos são as terras do Clero
• As honras são as terras da Nobreza
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OS SENHORIOS- SUA ORIGEM, DETENTORES
E LOCALIZAÇÃO
• Tinham poderes económicos, judiciais, fiscais e militares
• Eram autónomos e os seus habitantes dependiam do Senhor
• Gozavam de privilégios e imunidades
• Nos senhorios viviam dependentes de condição social e económica diversa;
• Todos pagavam tributos, rendas ou jeiras;

• Pertenciam ao rei e aos grupos


privilegiados
• Clero --> coutos | Nobreza --> honras
• Dele faziam parte: os mansos e as
reservas
• Estas eram terras doadas, o que criou
laços de vassalagem entre os reis e os
grandes senhores.
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EXERCÍCIO DO PODER SENHORIAL:
PREVILÉGIOS E IMUNIDADES
• As doações do rei ao Clero e à Nobreza permitiram estruturar
a vassalagem medieval: relações hierárquicas entre o
suserano (o senhor que doa a terra, neste caso o rei) e o
vassalo (o senhor que recebe, os nobres ou o clero); o rei
oferecia os seus territórios àqueles que lhe foram fiéis, sendo
assim esperava dos seus vassalos fidelidade, ajuda e conselho.
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EXERCÍCIO DO PODER SENHORIAL:
PREVILÉGIOS E IMUNIDADES

Direito á Imunidade: nas suas terras não


entravam os funcionários régios para exercer os
poderes militares, judiciais e fiscais.

Essa imunidade era concedida através:

- De uma carta de couto, o equivalente a território


imune;
- Da atribuição do poder público a um nobre, que
ficava com a administração de territórios ou
castelos
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PODERES DOS SENHORES

Poder politico- o senhor detinha o poder de recrutar homens para a guerra, de controlar
castelos e outras fortificações e de organizar expedições ofensivas.

Poder judicial- o senhor exercia a justiça sobre os homens do seu território, determinava
penas e cobrava multas.

Poder fiscal- o senhor podia exigir


pagamentos obrigatórios, semelhantes
aos atuais impostos às populações.

PODER BANAL
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A EXPLORAÇÃO ECONÓMICA DO SENHORIO

Os domínios territoriais resumiam-se muitas vezes a um conjunto de parcelas territoriais


distribuídas por campos de cereais, vinhas, pomares, pastos, bosques, etc. Um senhorio era
constituído por:

• A quintã, também chamada de paço ou reserva, que incluía o castelo (morada do


senhor), os estábulos, celeiros e igreja. A sua exploração era feita pelos servos e
colonos livres dos casais que aí prestavam serviços gratuitos e obrigatórios durante
um certo número de dias por anos: eram as jeiras.

• Os casais ou vilares, subdivididos em glebas, que correspondiam


aos mansos europeus.
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A EXPLORAÇÃO ECONÓMICA DO SENHORIO

• No caso dos domínios eclesiásticos, o


controlo era mais apertado. Ao contrário dos
nobres, os clérigos optavam pela exploração
direta das suas reservas que eram
denominadas granjas. Para além das rendas
cobradas aos caseiros, a Igreja, dispunha,
desde começos do século XIII, do pagamento
da dízima, equivalente a 10% de toda a
produção bruta de todos os proprietários.
Fossem homens do povo, nobres ou o próprio
rei, todos deviam a dízima à Igreja.
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A SITUAÇÃO SOCIAL E ECONÓMICA DAS
COMUNIDADES RURAIS DEPENDENTES

• Nos seus domínios, a classe senhorial controlava


muitos homens – os dependentes, aos quais
exigiam tributos e prestações.
Em 1211, uma lei de Afonso II afirmava que todo
o homem livre devia depender de um senhor.

• Isto significou que os herdadores, proprietários


de terras algodoais, passaram a ser sujeitos a
prestações senhoriais. Quanto aos colonos,
homens livres que trabalhavam em terra alheia
viram os contratos a prazo passarem a
perpétuos, aumentando com eles as prestações
dominiais.
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A SITUAÇÃO SOCIAL E ECONÓMICA DAS


COMUNIDADES RURAIS DEPENDENTES

Os servos eram os descendentes de


escravos libertos, a quem foram
entregues casais para exploração e
que viviam sobrecarregados com as
jeiras. A escravatura foi aumentando
desde a segunda metade do século XI,
através do afluxo crescente de cativos
mouros, empregados em trabalhos
domésticos, no artesanato e na
agricultura. Restavam os assalariados,
que viviam do aluguer do seu trabalho,
demasiado na época das colheitas,
escasso no Inverno.
João Antunes Pedro Ventura

FIM
Filipe Pedroso
Rodrigo Marques