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HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO

REFERENTE À PROTEÇÃO DA
MATA ATLÂNTICA
Constituição da República Federativa do Brasil 1988

CAPÍTULO III

DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA


AGRÁRIA
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade
rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de
exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e
preservação do meio ambiente; III - observância das
disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos
trabalhadores
Constituição da República Federativa do Brasil 1988

CAPÍTULO VI - DO MEIO AMBIENTE


Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao


Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e
prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio


genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa
e manipulação de material genético;
Constituição da República Federativa do Brasil 1988

CAPÍTULO VI - DO MEIO AMBIENTE

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços


territoriais e seus componentes a serem especialmente
protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente
através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade


potencialmente causadora de significativa degradação do meio
ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de


técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a
vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
Constituição da República Federativa do Brasil 1988

CAPÍTULO VI - DO MEIO AMBIENTE


VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino
e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas
que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção
de espécies ou submetam os animais a crueldade.

§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a


recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução
técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio


ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a
sanções penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
Constituição da República Federativa do Brasil 1988

CAPÍTULO VI - DO MEIO AMBIENTE


§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra
do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são
patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei,
dentro de condições que assegurem a preservação do meio
ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos


Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos
ecossistemas naturais.

§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter


sua localização definida em lei federal, sem o que não
poderão ser instaladas.
DECRETO FEDERAL 99.547/90
Primeira iniciativa do Governo Federal no sentido de
regulamentar a Constituição Federal e definir um
instrumento legal específico para a Mata Atlântica. O
Decreto dispunha sobre
“a vedação do corte, e da respectiva exploração, da
vegetação nativa da Mata Atlântica e dá outras
providências”
Assinado em 25 de setembro de 1990, por Itamar
Franco no exercício interino da Presidência.
Concebido pelo então Secretário Nacional do Meio Ambiente,
José Lutzenberger, o texto estabeleceu, pela primeira vez na
legislação brasileira, a intocabilidade absoluta de um conjunto de
ecossistemas, através da proibição total do corte e da utilização
da vegetação.
Apesar de bem intencionado, o Decreto, que era de
questionável constitucionalidade, uma vez que o § 4º, do art.
225 da CF/88 permite expressamente a utilização da Mata
Atlântica, foi elaborado sem nenhuma participação dos governos
dos Estados que possuem Mata Atlântica e das entidades não
governamentais. Este processo fechado implicou na definição de
um texto com graves lacunas e sem respaldo dos órgãos
responsáveis pela sua aplicação, o que praticamente inviabilizou
sua efetiva contribuição para a preservação ambiental. Entre os
vários problemas e suas conseqüências, podemos destacar:
1. Não trazia a definição de Mata Atlântica, o que levou alguns governos
estaduais e o próprio IBAMA a restringirem sua aplicação à Floresta Ombrófila
Densa, com implicações extremamente prejudiciais à efetiva da biodiversidade
na Mata Atlântica, pois não contemplou todas as suas formações florestais e
seus ecossistemas associados.
2. Proibiu completamente a exploração de espécies florestais da Mata
Atlântica amplamente utilizadas em diversas regiões do País. Ressalte-se que
a CF/88 (art. 225,§ 4º), diz que sua utilização se fará: “... dentro de condições
que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos
recursos naturais.”
3. Não estabeleceu diretrizes específicas para áreas urbanas, o que levou
ao total desrespeito pelo Decreto por parte de governos municipais e empresas
imobiliárias (pois nem mesmo terrenos baldios em centros urbanos poderiam
ser utilizados para edificações).
4. Não definiu orientação para os casos de obras de utilidade pública e
interesse social em que poderiam ser admitidos desmatamentos.
5. Não previu norma específica para as comunidades tradicionais.
colocando lado a lado, no mesmo patamar, pescadores artesanais e
latifundiários inescrupulosos, sendo que a fiscalização sempre foi mais
rigorosa com os primeiros.
CRONOLOGIA DA LUTA EM DEFESA DA MATA ATLÂNTICA
CRONOLOGIA DA LUTA EM DEFESA DA MATA ATLÂNTICA
Projeto de Lei Nº 3.285/92

Deputado Fábio Feldmann

Dispõe sobre a utilização e a


proteção da Mata Atlântica
O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º A utilização e a proteção da Mata Atlântica, tendo


em vista o disposto nos artigos 182, 186 e 225 da
Constituição Federal, far-se-ão de acordo com o que
dispõe a presente Lei, obedecidas a Lei 4.771, de 15 de
Setembro de 1965, com as alterações promovidas pela
Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, e a legislação dos
Estados.

Artigo 182 - A política de desenvolvimento urbano...

Artigo 186 - DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA


REFORMA AGRÁRIA - coloca a utilização adequada dos
recursos naturais disponíveis e preservação do meio
ambiente como FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se Mata
Atlântica as formações florestais e ecossistemas
associados inseridos no domínio Mata Atlântica,
com as respectivas delimitações estabelecidas pelo
Mapa de Vegetação do Brasil, IBGE 1993, que inclui:
Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista,
Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional
Semidecidual e Floresta Estacional Decidual;
manguezais, restingas e campos de altitude
associados; brejos interioranos e encraves
florestais do Nordeste.

Esta definição foi aprovada no Workshop de Atibaia em


1990, com base na definição de Dominio Atlântico de Ab
Saber, e endossada pelo CONAMA em 1992.
DEFINIÇÃO DE MATA ATLÂNTICA
Joly, C.A.; Aidar, M.P.M.; Klink, C.A.; McGrath, D.G.; Moreira, A.G;
Moutinho, P.; Nepstad, D.C.; Oliveira, A. A.; Pott, A.; Rodal, M.J.N.
& Sampaio, E.V.S.B. 1999. Evolution of the Brazilian
phytogeography classification systems: implications for
biodiversity conservation. Ciência e Cultura 51(5/6):331-348

http://www.ib.unicamp.br/institucional/departamentos/bot
anica/labs/eco/ccultura1.html
PRIMEIRA TENTATIVA
DE CLASSIFICAÇÃO DA
VEGETAÇÃO
BRASILEIRA

NAIADES - ninfa das águas


HAMADRIADES - ninfa mortal do carvalho - vida/morte/vida
OREADES - ninfa que acompanhava Diana
NAPAEAE - ninfa das ravinas campestres
DRYADES - ninfa das florestas
MAPAS DO ARQUIVO MATA ATLÂNTICA
FORMAÇÕES
Art. 3o A utilização e a proteção da Mata Atlântica far-se-ão
dentro de condições que assegurem:

I - a manutenção e a recuperação da vegetação de Mata


Atlântica e sua biodiversidade;

II - o estímulo ao desenvolvimento de pesquisas, a difusão


de tecnologias de manejo sustentável da vegetação de
Mata Atlântica e a formação de uma consciência pública
sobre a necessidade de recuperação e manutenção do
ecossistema;

III - o fomento de atividades públicas e privadas


compatíveis com a manutenção do equilíbrio ecológico;

IV - o controle da ocupação agrícola e urbana, de forma a


harmonizar o desenvolvimento econômico-social com a
manutenção do equilíbrio ecológico.
Art. 4º São proibidos o corte, a supressão e a exploração da
vegetação primária da Mata Atlântica.

§ 1º Excetuam-se do disposto no "caput" deste artigo o corte e a


supressão de vegetação primária da Mata Atlântica, em caráter
excepcional, quando necessários à realização de obras, projetos
ou atividades declarados oficialmente de utilidade pública.

§ 2º O corte e a supressão previstos no parágrafo anterior dependerão:

a) da realização, a critério do Conselho Nacional do Meio Ambiente -


CONAMA, de estudo impacto ambiental, sem prejuízo do disposto na
legislação para obras, projetos ou atividades de significativo impacto
ambiental;

b) de prévio licenciamento pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e


dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA;

c) de prévia aprovação, devidamente motivada, do Conselho Nacional


do Meio Ambiente - CONAMA.
Art. 5º São proibidos o corte e a supressão da vegetação
secundária nos estágios avançado e médio de regeneração
da Mata Atlântica.

§ 1º Excetuam-se do disposto neste artigo, ressalvado o disposto


no art 9º, o corte e a supressão:

a) da vegetação secundária em estágio avançado de regeneração, em


caráter excepcional, quando necessários à execução de obras,
atividades ou projetos declarados oficialmente de utilidade
pública;
b) da vegetação secundária em estágio médio de regeneração, em
caráter excepcional, quando necessários à execução de obras,
atividades ou projetos declarados oficialmente de utilidade pública ou
de interesse social;
c) da vegetação secundária em estágio médio de regeneração,
quando necessários ao desenvolvimento, pelo pequeno produtor
rural, de atividades imprescindíveis à sua subsistência e de sua
família, ressalvadas as áreas de preservação permanente e de
reserva legal, estabelecidas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de
1965, e modificações posteriores.
§ 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se pequeno produtor rural
aquele que, residindo na zona rural, detenha a posse de uma
única gleba rural não superior a 40 hectares, explorando-a
mediante o trabalho pessoal e o de sua família, admitida a ajuda
eventual de terceiros, bem como as populações tradicionais com
posse coletiva de terra, e cuja renda bruta seja proveniente da
atividade agropecuária ou do extrativismo rural em 80% (oitenta
por cento) no mínimo.

§ 3º O corte e a supressão da vegetação, nas hipóteses previstas nas


alíneas "a" e "b" do § 1º deste artigo, dependerão:

a) de prévia autorização, devidamente motivada, do órgão estadual


competente, integrante do SISNAMA, e do IBAMA, em caráter
supletivo, informando-se ao CONAMA;

b) da realização, a critério do Conselho Estadual do Meio Ambiente, de


estudo de impacto ambiental, sem prejuízo do disposto na legislação
para obras de significativo impacto ambiental.
§ 4º O corte e a supressão da vegetação, na hipótese prevista
na alínea "c" do § 1º deste artigo, dependerá de licença prévia,
devidamente motivada, do órgão estadual competente,
integrante do SISNAMA e da averbação em cartório da área de
reserva legal estabelecida na Lei nº 4.771, de 15 de setembro
de 1965, e modificações posteriores

§ 5º Os estudos e levantamentos necessários à averbação da


reserva legal pelo pequeno produtor rural, para efeito no
disposto no parágrafo anterior, poderão ser realizados ou
custeados pelo Poder Público.
Art. 7º É proibido, nas regiões metropolitanas e áreas
urbanas, assim consideradas em Lei, o parcelamento do solo
para fins de loteamento ou qualquer edificação em área de
vegetação primária ou de vegetação secundária no estágio
avançado de regeneração da Mata Atlântica.

Art. 8º Nas regiões metropolitanas e áreas urbanas, assim


consideradas em Lei, o parcelamento do solo para fins de
loteamento ou qualquer edificação em área de vegetação
secundária no estágio médio de regeneração da Mata Atlântica,
devem obedecer o disposto no plano diretor do município e nas
demais legislações correlatas, e dependerão de prévia
autorização do órgão estadual competente, integrante do
SISNAMA, ressalvado o disposto no art. 9º.
Art. 9º São proibidos o corte e a supressão da vegetação ou o
parcelamento do solo, nas hipóteses previstas no art. 4º, § 1º, no art. 5o, § 1o
,alíneas "a", "b" e "c" e no art. 8º, se a vegetação:

I - abrigar espécie da flora e da fauna silvestres ameaçadas de extinção, no


território nacional ou em âmbito estadual, assim declaradas pela União
ou pelos Estados e a supressão ou parcelamento puserem em risco a
sobrevivência dessas espécies;
II - exercer a função de proteção de mananciais ou de prevenção e
controle de erosão;

III - formar corredores entre remanescentes de vegetação primária ou de


vegetação secundária no estágio avançado de regeneração da Mata Atlântica;

IV - proteger o entorno das unidades de conservação; ou

V - possuir excepcional valor paisagístico.

Parágrafo único. Verificada a ocorrência do previsto no inciso I deste artigo,


os órgãos integrantes do SISNAMA adotarão as medidas necessárias para
proteger as espécies da flora e da fauna silvestres ameaçadas de extinção
Art. 10º É permitida a exploração seletiva de espécies da flora
nativa em área de vegetação secundária nos estágios médio ou
avançado de regeneração da Mata Atlântica, obedecidas as
seguintes condições:
§ 3º O Poder Público fomentará o manejo sustentável da
Araucária (Araucaria angustifolia), da Caixeta (Tabebuia
cassinoides), do Palmito (Euterpes edulis) e de outras espécies
de significativa importância econômica.

Art. 11o A exploração eventual, sem propósito comercial


direto ou indireto, de espécies da flora nativa, para consumo
nas propriedades ou posses das populações tradicionais, ou
dos pequenos produtores rurais, conforme definição do § 2º do
art. 5o desta Lei, independe de autorização dos órgãos
competentes e demais exigências previstas no art. 10o.
Art. 14. A vegetação primária ou a vegetação secundária em
qualquer estágio de regeneração da Mata Atlântica não perderão
esta classificação nos casos de incêndio, desmatamento ou
qualquer outro tipo de intervenção não autorizada ou licenciada a
partir da vigência desta Lei.

Art. 16 A definição de vegetação primária e de vegetação


secundária nos estágios avançado, médio e inicial de
regeneração da Mata Atlântica é de iniciativa do IBAMA, ouvidos
os órgãos estaduais competentes, integrantes do SISNAMA, e
aprovadas pelo CONAMA.
Resolução Conama 1/94, define vegetação primária e os
estágios sucessionais de Mata Atlântica no Estado de São
Paulo.
Artigo 1º Considera-se vegetação primária aquela vegetação de máxima
expressão local, com grande diversidade biológica, sendo os efeitos das ações
antrópicas mínimos, a ponto de não afetar significativamente suas
características originais de estrutura e de espécie
Artigo 2º São características da vegetação secundária das Florestas
Ombrófilas e Estacionais
§1º Em estágio inicial de regeneração:
a) fisionomia que varia de savânica a florestal baixa, podendo ocorrer estrato
herbáceo e pequenas árvores;
b) estratos lenhosos variando de abertos a fechados, apresentando plantas
com alturas variáveis;
c) alturas das plantas lenhosas estão situadas geralmente entre 1,5m e 8,0m e
o diâmetro médio dos troncos à altura do peito (DAP = 1,30m do solo) é de
até 10cm, apresentando pequeno produto lenhoso, sendo que a distribuição
diamétrica das formas lenhosas apresenta pequena amplitude:
d) epífitas, quando presentes, são pouco abundantes,
representadas por musgos, liquens, polipodiáceas, e tilândsias
pequenas;
e) trepadeiras, se presentes, podem ser herbáceas ou lenhosas;

f) a serapilheira, quando presente, pode ser contínua ou não,


formando uma camada fina pouco decomposta;

g) no sub-bosque podem ocorrer plantas jovens de espécies


arbóreas dos estágios mais maduros;

h) a diversidade biológica é baixa, podendo ocorrer ao redor


de dez espécies arbóreas ou arbustivas dominantes;
i) as espécies vegetais mais abundantes e características, além
das citadas no estágio pioneiro, são: cambará ou candeia
(Gochnatia polimorpha), leiteiro (Peschieria fuchsiaefolia), maria-
mole (Guapira spp.), mamona (Ricinus communis), arranha-gato
(Acacia spp.), falso ipê (Stenolobium stans), crindiúva (Trema
micrantha), fumo-bravo (Solanum granuloso-lebrosum), goiabeira
(Psidium guaiava), sangra d'água (Croton urucurana), lixinha
(Aloysia virgata), amendoim-bravo (Pterogyne nitens), embaúbas
(Cecropia spp.), pimenta-de-macaco (Xylopia aromatica), murici
(Byrsonima spp.), mutambo (Guazuma ulmifolia), manacá ou
jacatirão (Tibouchina spp. e Miconia spp.), capororoca (Rapanea
spp.), tapiás (Alchornea spp.), pimenteira brava (Schinus
terebinthifolius), guaçatonga (Casearia sylvestris), sapuva
(Machaerium stipitatum), caquera (Cassia sp.);
§2º Em estágio médio de regeneração:
a) fisionomia florestal, apresentando árvores de vários tamanhos;
b) presença de camadas de diferentes alturas, sendo que cada
camada apresenta-se com cobertura variando de aberta a
fechada, podendo a superfície da camada superior ser uniforme e
aparecer árvores emergentes;
c) dependendo da localização da vegetação a altura das árvores
pode variar de 4 a 12m e o DAP médio pode atingir até 20cm. A
distribuição diamétrica das árvores apresenta amplitude
moderada, com predomínio de pequenos diâmetros podendo
gerar razoável produto lenhoso;
d) epífitas aparecem em maior número de indivíduos e
espécies (liquens, musgos, hepáticas, orquídeas, bromélias,
cactáceas, piperáceas, etc.), sendo mais abundantes e
apresentando maior número de espécies no domínio da Floresta
Ombrófila;
e) trepadeiras, quando presentes, são geralmente lenhosas;
f) a serapilheira pode apresentar variações de espessura de
acordo com a estação do ano e de um lugar a outro;
g) no sub-bosque (sinúsias arbustivas) é comum a ocorrência de
arbustos umbrófilos principalmente de espécies de rubiáceas,
mirtáceas, melastomatáceas e meliáceas;
h) a diversidade biológica é significativa, podendo haver em
alguns casos a dominância de poucas espécies, geralmente de
rápido crescimento. Além destas, podem estar surgindo o
palmito (Euterpe edulis), outras palmáceas e samambaiaçus;
i) as espécies mais abundantes e características, além das citadas para os
estágios anteriores, são: jacarandás (Machaerium spp.), jacarandá-do-
campo (Platypodium elegans), louro-pardo (Cordia trichotoma), farinha-
seca (Pithecellobium edwallii), aroeira (Myracroduon urundeuva),
guapuruvu (Schizolobium parahyba), burana (Amburana cearensis), pau-
de-espeto (Casearia gossypiosperma), cedro (Cedrela spp.), canjarana
(Cabralea canjerana), açoita-cavalo (Luehea spp.), óleo-de-copaíba
(Copaifera langsdorfii), canafístula (Peltophorum dubium), embiras-de-sapo
(Lonchocarpus spp.), faveiro (Pterodon pubescens), canelas (Ocotea spp.,
Nectandra spp., Crytocaria spp.), vinhático (Plathymenia spp.), araribá
(Centrolobium tomentosum), ipês (Tabebuia spp.), angelim (Andira spp.),
marinheiro (Guarea spp.) monjoleiro (Acacia polyphylla), mamica-de-porca
(Zanthoxyllum spp.), tamboril (Enterolobium contorsiliquum), mandiocão
(Didimopanax spp.), araucária (Araucaria angustifolia), pinheiro-bravo
(Podocarpus spp.), amarelinho (Terminalia spp.), peito-de-pomba (Tapirira
guianensis), cuvatã (Matayba spp.), caixeta (Tabebuia cassinoides), cambui
(Myrcia spp.), taiúva (Machlura tinctoria), pau-jacaré (Piptadenia
gonoacantha), guaiuvira (Patagonula americana), angicos (Anadenanthera
spp.) entre outras;
§3º Em estágio avançado de regeneração:
g) no sub-bosque os estratos arbustivos e herbáceos aparecem com
maior ou menor freqüência, sendo os arbustivos predominantemente
aqueles já citados para o estágio anterior (arbustos umbrófilos) e o
herbáceo formado predominantemente por bromeliáceas, aráceas,
marantáceas e heliconiáceas, notadamente nas áreas mais úmidas;
h) a diversidade biológica é muito grande devido à complexidade
estrutural e ao número de espécies;
i) além das espécies já citadas para os estágios anteriores e de
espécies da mata madura, é comum a ocorrência de: jequitibás
(Cariniana spp.), jatobás (Hymenaea spp.), pau-marfim
(Balfourodendron riedelianum), caviúna (Machaerium spp.), paineira
(Chorisia speciosa), guarantã (Esenbeckia leiocarpa), imbúia (Ocotea
porosa), figueira (Ficus spp.), maçaranduba (Manilkara spp. e Persea
spp.), suiná ou mulungú (Erythryna spp.), guanandi (Calophyllum
brasiliensis), pixiricas (Miconia spp.), pau-d'alho (Gallesia integrifolia),
perobas e guatambus (Aspidosperma spp.), jacarandás (Dalbergia
spp.), entre outras;
VOLTANDO AO PROJETO DE LEI 3.285/92

Art. 33. Aos órgãos integrantes do SISNAMA, dentre outras


atribuições previstas nesta e nas demais leis, compete:
a) - fiscalizar as atividades e projetos existentes na Mata
Atlântica;

b) - aplicar as sanções administrativas cabíveis;

c) - informar imediatamente ao Ministério Público, para a adoção


das providências cíveis e penais cabíveis;

d) - representar junto ao conselho profissional competente


aonde estiver inscrito o responsável técnico por projeto conduzido
com infração ao disposto nesta Lei, para apuração de sua
responsabilidade, consoante a legislação específica.
DECRETO Nº 750, DE 10 DE FEVEREIRO DE 1993
Dispõe sobre o corte, a exploração e a
supressão de vegetação primária ou nos
estágios avançado e médio de regeneração
da Mata Atlântica, e dá outras providências

Art. 3º Para os efeitos deste Decreto, considera-se Mata


Atlântica as formações florestais e ecossistemas
associados inseridos no domínio Mata Atlântica, com as
respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de
Vegetação do Brasil, IBGE 1988: Floresta Ombrófila
Densa Atlântica, Floresta Ombrófila Mista, Floresta
Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual,
Floresta Estacional Decidual, manguezais, restingas,
campos de altitude, brejos interioranos e encraves
florestais do Nordeste.
O DECRETO, ASSINADO PELO PRESIDENTE ITAMAR
FRANCO, ENDOSSA TODOS OS CONCEITOS E
PRESSÕES PARA REVOGAÇÃO DO DECRETO
E QUESTIONAMENTOS QUANTO A SUA
CONSTITUCIONALIDADE
Inspirada pelos novos ventos que sopram sobre Brasília, a
presidente do IBAMA, Nilde Lago Pinheiro, resolveu que estava
no hora de modificar a Lei. Num gesto tão inédito quanto
irresponsável, distribui uma carta circular em 6 de fevereiro de
1995, orientando os superintendentes estaduais do orgão a
substituírem as orientações do Decreto 750, de 1993, pelas
do Código Florestal, de 1965, sempre que surgirem "dúvidas ou
questionamentos" nos processos de análises de solicitações de
desmatamento de Mata Atlântica. Foi necessário mais de um mês
de fortes pressões para que o novo presidente do IBAMA, Raul
Jungmann, revogasse a absurda e ilegal circular de sua
antecessora
A confirmação do que parecia impossível para todos que ouviram
do Ministro Gustavo Krause e do Presidente do IBAMA os
compromissos com a Mata Atlântica e com a participação das
ONG's, ocorreu na primeira reunião do Conama do governo FHC,
realizada no dia 28 de junho.
Após um longo e tradicional discurso sobre a importância do
desenvolvimento sustentável, o Ministro afirmou que, no que diz
respeito à Mata Atlântica, "há um débito do Poder Executivo em
relação a Constituição Federal, pois um decreto não é
instrumento adequado para normatizar um dispositivo
constitucional" e que o 750 é "um foco de atrito e pressões que
necessitam de respostas". Com isso procurou justificar o
injustificável: sob o seu comando fora elaborada uma minuta
de anteprojeto de Lei para a Mata Atlântica, ignorando todo o
processo de discussões ocorridas durante mais de três anos
no Conama e o Projeto de Lei 3.285, do Deputado Fábio
Feldmann, que tramita na Câmara desde 1992.
A forma inusitada como um assunto de tamanha importância foi
trazido ao CONAMA, sem constar da pauta e sem que a minuta
do anteprojeto fosse distribuída, levou a um grande número de
manifestações. Questionou-se porque não foi feita uma discussão
aberta e porque a minuta do Ante Projeto não fora distribuída?
A reunião foi encerrada sem que fosse apresentada qualquer
resposta objetiva aos questionamentos trazidos pelos membros
do CONAMA, que só tiveram acesso à minuta do anteprojeto de
Lei após a "estratégica" saída do Ministro.
Só então todos puderam constatar que tinham motivos para se
preocuparem. Estava proposta a exclusão das florestas
interioranas do Domínio da Mata Atlântica. Uma redução de
1,1 milhão para 260 mil quilômetros quadrados da área
reconhecida oficialmente como Domínio da Mata Atlântica,
retirando a proteção legal de mais de 40 mil quilômetros
quadrados das florestas remanescentes
MINUTA DE ANTEPROJETO DE LEI/DECRETO
APRESENTADO PELO IBAMA AO CONAMA EM 1995
Dispõe sobre a utilização da Mata Atlântica e
das demais formações vegetais contidas no
Domínio Atlântico
I - Domínio Atlântico - o espaço geográfico compreendido ao longo da costa
oriental brasileira, determinado por climas com características semelhantes,
sendo delimitado ao Sul pela cidade de Torres no Estado do Rio Grande do
Sul, ao Norte pelo Cabo do Calcanhar no Estado do Rio Grande do Norte, a
Leste pelo Oceano Atlântico e a Oeste pela Linha de Cumeada ou divisor de
águas das serras do Mar e da Mantiqueira. Nas planícies costeiras
considera-se Domínio Atlântico a área onde predomina a Floresta
Ombrófila Densa. No Domínio Atlântico onde predomina a Floresta
Ombrófila Densa, pode ocorrer ainda, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta
Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional
Semidecidual. Florestas de Restingas, manguezais, cerrados e campos
(rupestres, de altitude e sobre afloramentos rochosos).
II - Mata Atlântica - Floresta Ombrófila Densa influenciada
pelas massas de ar úmido proveniente do Oceano Atlântico.
MINUTA DE ANTEPROJETO DE LEI/DECRETO
APRESENTADO PELO IBAMA AO CONAMA EM 1995
Dispõe sobre a preservação e a utilização da
Floresta Ombrófila Mista e das florestas
estacionais
Art. 2o. - Para os fins previstos nesta Lei/Decreto entende-se por:

I – Floresta Ombrófila Mista – a floresta com araucária que


ocorre no Planalto Meridional Brasileiro e em áreas disjuntas, sob
climas sem estação biologicamente seca durante o ano ou,
excepcionalmmente, com até 2 (dois) meses de umidade
escassa, delimitada no Mapa de Vegetação do Brasil, escala
1:5.000.000 publicado pelo IBGE, edições de 1988 e de 1993.
II – Florestas estacionais – as florestas extra-amazônicas que
apresentam fisionomia, composição florística e grau de
deciduidade variáveis, sob climas com estação biologicamente
seca de duração variável durante o ano, mapeadas como
Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual e
Áreas de Tensão Ecológica com ocorrência de florestas
estacionais nos limites com a Caatinga do Sertão Nordestino, a
Savana (cerrado) e as Florestas Ombrófilas, com base no Mapa
de Vegetação do Brasil, escala 1:5.000.000 publicado pelo IBGE,
edições de 1988 e de 1993.
Estes são tipos de vegetação predominantes nas respectivas
áreas. Todavia, outros tipos de vegetação também podem
ocorrer, tais como: Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila
Densa, Savana (sensu lato), Estepe (sensu lato), Savana
Estépica, Formações das Áreas de Influências Fluvial e ou
Lacustre e de Refúgio Ecológico.
A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do CREA-RJ vem acompanhando a
discussão sobre o decreto federal nº 750/93, que dispõe sobre o "corte, a
exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e
médio de regeneração da Mata Atlântica". O decreto, segundo a CMA,
coloca a Mata Atlântica à margem da constitucionalidade e é um exemplo
de desenvolvimento insustentável. Ele infringe diretamente o artigo 225,
parágrafo 4º, da Constituição Federal, que considera a Mata Atlântica
patrimônio nacional e prevê que a sua utilização se fará na forma da lei (e não
por decreto), dentro de condições que assegurem a preservação do meio
ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
O artigo 3º do decreto federal também ignora por completo, de acordo
com a CMA, o Sistema Fitogeográfico Brasileiro, cujas bases foram
desenvolvidas no projeto Radambrasil e, posteriormente, incorporadas
ao IBGE, considerando como Mata Atlântica as formações florestais e
ecossistemas associados como manguezais, restingas, campos de altitude,
brejos interioranos e encraves do Nordeste. O decreto não ressalva a
competência exclusiva do IBAMA quanto à exploração de florestas e de
formações sucessoras (de domínio público ou privado) ferindo o artigo 19º da
Lei Federal 4771/65. A Comissão de Meio Ambiente do CREA-RJ faz um apelo
para que a sociedade se mobilize contra essa agressão à Mata Atlântica e não
descarte a possibilidade de uma Ação Civil Pública para estancar os efeitos do
decreto.
Lei da Mata Atlântica é aprovada na CDCMAM
Por unanimidade foi aprovado dia 15/12/1999 o PL 285 pela
Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e
Minorias da Câmara dos Deputados, cujo presidente
encaminhou pedido de convocação extraordinária do Congresso,
medida tomada igualmente pelo Ministro José Sarney Filho. Com
isso, o substitutivo que teve o deputado Luciano Pizzato como
relator, após nove meses de discussão agora deverá ir a plenário.
Na verdade o período de gestação de uma lei de proteção à Mata
Atlântica durou 10 anos, envolvendo nesse período várias ONGs,
o Conselho da RBMA e o CONAMA (diretrizes), o então deputado
Fábio Feldmann (PL 3.285), o deputado Jacques Wagner (PL
285), estando em vigor o Decreto 750 desde 1993, com sérias
limitações na aplicação. Agora o projeto deverá ir para a
Comissão de Constituição e Justiça, devendo ir a plenário a partir
de 10 de janeiro, segundo o ISA-DF
DE COMO O PROJETO DE LEI DA MATA ATLÂNTICA
FOI TIRADO DA PAUTA DE VOTAÇÃO DA CÂMARA
DOS DEPUTADOS NO DIA 18/06/02, EM BRASÍLIA
Depois de finalmente entrar na pauta da sessão de
votação do Plenário da Câmara, o Projeto de Lei da
Mata Atlântica, há mais de 10 anos tramitando no
Congresso Nacional, foi alvo, no dia 18/06, de mais uma
reação das forças contrárias à sua aprovação que por
meio de um requerimento produzido por PPB, PFL e
PMDB retiraram o PL da Mata Atlântica da pauta do
Plenário.
Conforme confirmação do Deputado José Sarney Filho,
a inversão da pauta para a entrada do PL logo no início
da sessão havia sido articulada pelo Deputado Aécio
Neves na mesa do Plenário.