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PRINCÍPIO DO JUIZ

NATURAL
Arão Macuácua Matola, 12 Julho 2019
INTRODUÇÃO
O Direito Penal, em especial o Direito Processual
Penal, se rege por um conjunto de princípios de
modo a evitar arbitrariedades, abusos e excessos
por parte do aplicador da lei e do próprio Estado.

Neste caso, interessa-nos o “Principio do Juiz


Natural”, e o “principio da jurisdição”, os quais, no
nosso ordenamento jurídico gozam de força
constitucional .
No fundo se resumem em um e único principio. Pois,
um existe na existência do outro.
PRINCÍPIOS DO JUIZ NATURAL
Sob epígrafe “Princípios do processo
criminal”, no seu número 4, do artigo 65, a
Constituição da República de Moçambique
estabelece:
“nenhuma causa pode ser retirada ao
tribunal cuja competência se encontra
estabelecida em lei anterior, salvo casos
especialmente previstos na lei”.

Vide tambem o corpo do artigo 45 do C.P.P.


PRINCÍPIOS DO JUIZ NATURAL – cont.
Desta disposição resulta que: Não só a causa
não deve ser deslocada para outro tribunal
(do mesmo forum) mas e tambem que não
pode sair da jurisdição natural, que deve ser
sempre anterior a prática do acto a julgar.
Entende-se que o cidadão, antes da pratica
da infracção avaliou as consequências do seu
acto e se preparou para arcar com elas, nas
condições existentes no momento da prática
da infracção.
PRINCÍPIOS DO JUIZ NATURAL – cont.
Ou seja, do princípio da jurisdição resulta que
as causas criminais terão sempre de ser
apreciadas e decididas por um tribunal
competente, observando-se os formalismos
legalmente estebelecidos, e o princípio do
Juiz natural que as mesmas causas não
podem ser transferidas para serem julgadas
por outro tribunal, com fundamento em
factos que ao tempo da prática da infracção
não existiam.
PRINCIPIOS DO JUIZ NATURAL – cont.
Nenhuma causa pode ser deslocada ou
subtraída ao tribunal competente por força
de uma lei (ou uma vontade) que não estava
em vigor ao tempo da prática da infracção.
Ou seja, não pode criar-se tribunais ad hoc
ou excepcionais, destinados pura e
simplesmente a conhecer e decidir
determinado caso em concreto, sem que tal
resulte de uma lei em vigor antes da prática
da infracção.
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL NAS
DIVERSAS FASES DO PROCESSO
A questão que se coloca é a de saber se este
princípio permanece nas diversas fases do
processo, designadamento: da instrucao
Preparatória, acusação/pronúncia,
julgamento e recurso.

Pois, ha aqui intervenção de diversos níveis


de tribunais e de localização geográfica as
vezes distinta.
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL NAS
DIVERSAS FASES DO PROCESSO
Não parece se levante qualquer alarido em
relação a esta matéria. Pois, as leis que
regem o processo em cada uma dessas fases
não resulta da própria causa mas sim das leis
do processo as quais, em princípio, já
estavam em vigor ao tempo da prática da
infracção.
Pelo que, o Princípio do Juiz Natural
mantém-se intacto .
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL NAS
DIVERSAS FASES DO PROCESSO
Deste princípio resultam três consequências, a saber:
 De que so a lei pode instituir o juiz e fixar as suas
competências.

2 De que tal Competência só poderá ser fixada com base


em uma lei em vigor ao tempo da prática da infracção,
prevalecendo aqui também o principio da
irretroactividade da lei penal.

 De que a fixação da Competência do tribunal não deve


ser discricinária ou arbitária ou mesmo alternativa.
Resumindo:

O com base no “Principio do Juiz Natural”


que vigora em processo penal, o legislador
pretende garantir aos cidadãos um conjunto
de direitos e liberdades sem os quais
colocaria-se em causa as liberdades dos
cidadãos e mesmo a justeza das decisões mas
tambem visa obstar arbitrariedades do
proprio cidadão, do julgador e do Estado no
tratamento das matérias criminais.
O MINISTÉRIO PÚBLICO:
Natureza e composição – artigo 1 Lei dos EMMP

Autonomia – artigo 2 idem

Competencia – artigo 4 idem

Competências do magistrado do MP – artigo 5


idem
O MINISTÉRIO PÚBLICO
Natureza:
Um orgao hierarquisado – artigo 234 CRM/108

Orgao que representa o Estado junto dos


tribunais

Orgao que defende os interesses que lei


determina

Um orgao que controla a legalidade


O MINISTÉRIO PÚBLICO
Natureza:
Um orgao que controla os prazos das detencoes

Umorgao que dirige a instrucao preparatoria

Um orgao que exerce a accao penal

Um orgao que assegura a defesa juridica dos


incapases, menores e ausentes.
O MINISTÉRIO PÚBLICO
Composicao:

A magistratura

Os oficiais de justica

Assistentes de oficiais de justica e outros


funcionarios (de regime geral).
O MINISTÉRIO PÚBLICO
Compete ao MP, entre outras:
Representar o Estado nos Tribunais

Defender o interesse public e os direitos


indisponiveis

Defender os interesses juridicos dos menores,


incapazes, incertos, e ausentes.

Exercer a accao penal


O MINISTÉRIO PÚBLICO
Compete ao MP, entre outras:
Dirigir a instrucao preparatoria

Fiscalizar o cumprimentos das leis e da


Constituicao

Participar nas audiencia de discussao e


julgamento

Ralizar accoes de prevencao e de educacao legais


dos cidadaos, etc.
O MINISTÉRIO PÚBLICO
Da titularidade da accao penal:
Significa que oficiosamente o MP deve:
Dar impulso processual
Dirigir a instrucao preparatoria
Deduzir a acusacao
Participar no julgamento
Interpor recursos
Tudo feito dentro da legalidade incluindo de outros
orgaos e intervenientes processuais.
É a concretizacao de quase todos os Principios
Fundamentais do Direito Processual Penal
O MINISTÉRIO PÚBLICO

Na sua actuacao o MP obedece a criterios de:

Insecao – tem em vista unicamentwe a descoberta da


verdade material e a justice

Objectividade – tem a ver com imparcialidade na sua


actuacao (impedimentos e suspeicoes)
O ARGUIDO
 Em Processo Penal designa-se por arguido o que
“sobre ele recaia forte suspeita de ter
perpretrado uma infraccao criminal cuja
existencia esteja suficientemente comprovada”.
Artigo 251 CPP

Logo que com base na denuncia ou no resultado


de diligencias probatorias, a instrucao preparatoria
seja dirigida contra pessoa determinada, e
obrigatorio interroga-la como arguido. Artigo 250
CPP
DIREITOS DO ARGUIDO

 Em Processo Penal, entre outros, o arguido tem


direito a defesa, manter-se calado, confessar ou
negar totalmente ou parcialmente os factos
que lhe sao imputados – vide artigo 62 CRM e
artigos 174, 255, 256 e 259 256(257confissao ou
recusa), 258(justificacao do facto),
260(interprete), 268(nulidade do
interrogatorio), etc., do CPP)
 Paralelamente ao arguido esta a sua defesa
(artigos 26, 27, 28, CPP e artigos
DIREITOS DO ARGUIDO

 Paralelamente ao arguido esta a sua defesa


(artigos 22, 26, 27, 28, CPP)
O OFENDIDO
 São ofendidos as pessoas titulares dos
interesses que a lei penal especialmente quis
protegerr co a incriminacao – artigo 11 CPP e
artigo 4 e 5 - DL 35007.

 Importa aqui considerar as pessoas


indiectamente ofendidas, casos dos numeros 3,
4 e 5, artigo 4 DL 35007
OBRIGADO

Matola, 12 de Julho de 2019


CASO PRÁTICO
José Caixa um conheido dilinquente, furtou no Bairro Central uma camioneta que
mais tarde passou a usar nos seus trabalhos de transporte de mercadorias.
Aberto o processo-crime foi emitido um mandado de captura contra Jose Caixa.
Usando a mesma viatura, Jaires trabalhador de Jose Caixa, este que tambem
viajava na mesma viatura, foi detido delito no controlo de Bobole, transportando 5
Kg de cocaína debaixo do assento do passageiro e quantidade de bebidas
importadas avaliadas em 5 milhoes de Meticais que nao pagaram dirieitos
aduaneiros.
Da investigacao que se seguiu concluiu-se que tratava-se da mesma camioneta
furtada no Bairro Central e que o passageiro ao lado do motorista tratava-se de
Jose Caixa que imediatamente foi detido, em cumprimento do mandado de
captura contra ele emitido.
Jaires alega sua inocencia com fundamento no facto de que trata-se apenas de um
trabalhador que conduz a viatura de Jose Caixa.
A defesa de Jose Caixa alega que o julgamento deve realizer-se no tribunal de Ka
Mpfumu, TJD-1, zona onde ele reside e furtou a viatura, mas sabe-se que ali tem
um juiz criminal seu amigo de infância.
Quid juris?
CASO PRÁTICO 1
A Policia da Republica de Mocambique esta manha
abordou Carlos Bota na EN4, conduzindo um
camiao com atrelado transportando quantidades
de cerveja Txilar e 2M avaliadas em mais de 4
milhoes de Meticais, sem qualquer documento, que
legitimasse a mercadoria.
A policia apreendeu o produto e o camiao
conduziu-os para o parque das alfandegas e
instaurou o respectivo processo que foi remetido
ao Tribunal Aduaneiro da Cidade de Maputo para
demais diligencias.
Quid juris?